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Alcorão



CONCEITOS BÁSICOS DO ALCORÃO

Por Harun Yahia

 

INTRODUÇÃO

IDOLATRIA

OPRESSÃO (FITNAH)

AS DUAS CARACTERÍSTICAS DA ALMA

VALORIZAR DESEJOS E PAIXÕES

ESPÍRITO E ALMA

CORAÇÃO, SABEDORIA E INTELIGÊNCIA

O HOMEM RACIONAL E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA

SABEDORIA & ROMANTISMO

AS RAÍZES DA SABEDORIA

DISPLICÊNCIA & ATENÇÃO

SEGUIR A CONJETURA

LEALDADE & OBEDIÊNCIA

DETERMINAÇÃO & ESTABILIDADE

PERSEVERANÇA

AS BOAS AÇÕES

AGRADECER A DEUS

NÃO BUSCAR
VANTAGENS PESSOAIS

FRATERNIDADE

MODÉSTIA & ARROGÂNCIA

CONFIANÇA EM DEUS & SUBMISSÃO

PERDÃO & ARREPENDIMENTO

ORAÇÃO


"Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência." (Alcorão 8:29)


INTRODUÇÃO

Quando lemos o Alcorão, percebemos que muitos conceitos usados em nosso dia-a-dia são citados e enfatizados frequentemente em seus versículos. Estes conceitos são decisivos para a compreensão do Alcorão e assim, agirmos de acordo com os seus postulados. Entre estes conceitos, encontramos sabedoria, paciência, lealdade, descrença, favores especiais de Allah.

No entanto, muitos deles são usados com um sentido diferente nas conversas diárias, o que pode induzir as pessoas, principalmente aquelas que estão lendo o Alcorão pela primeira vez, a um conceito errado do Alcorão.

Tomemos como exemplo a palavra "sabedoria". Sabedoria é comumente utilizada como sinônimo de inteligência, esperteza, astúcia, etc. Contudo, a "sabedoria" citada no Alcorão não tem qualquer semelhança com esses significados. De acordo com o Alcorão, sabedoria é uma qualidade peculiar aos fiéis, o nível de sabedoria pode aumentar ou diminuir com relação ao seu comportamento correto. Sabedoria, o modo de compreensão, é uma orientação divina que capacita o homem a mostrar o comportamento correto e a atitude com a qual ele espera agradar a Deus e alcançar a Sua justa estima. é a capacidade de julgar entre o certo e o erro, atingir a mais elevada atitude moral, tomar as decisões certas para cada situção, e agir, tendo sempre em mente, a vida após a morte.

Quanto aos infiéis, não importa o quão inteligentes sejam, não possuem sabedoria. Eles podem mostrar sua inteligência, mas não compreendem o verdadeiro significado da palavra, ou o significado de uma ação sábia. Acham que sabedoria é sinônimo de inteligência. E alguns podem até pensar que sabedoria é dignidade e maturidade, qualidades que se somam à inteligência. No entanto, mesmo os mais inteligentes, os mais experientes, os mais maduros, por serem infiéis, não possuem "sabedoria".

Uma pessoa que identifique "sabedoria" com os significados mencionados acima, pode facilmente chegar a conclusões erradas. Um conceito totalmente diferente pode surgir em sua mente, que o levará a um pensamento ou crença herética. De igual modo, isto    pode  acontecer com outros conceitos do Alcorão.

Portanto, a fim de compreendermos verdadeiramente o Alcorão e vivenciá-lo em sua plenitude, é essencial saber em que contexto certos conceitos básicos do Alcorão são usados e a sabedoria que tais conceitos envolvem. O caminho para este conhecimento é o próprio Alcorão e o árabe, sua língua original.

Às vezes, é possível que a palavra em árabe seja usada com um significado especial no Alcorão e de uma forma específica. Assim, é de fundamental importância conhecer em que sentido aquela palavra foi usada em outros versículos do Alcorão, a subordinação dos versículos, os versículos anteriores e os posteriores, além da definição árabe da palavra. Somente se chega a uma conclusão apropriada após muito esforço e, claro, com a compreensão e sabedoria que Deus nos concedeu.

Neste livro, tentaremos esclarecer os conceitos mais frequentemente encontrados no Alcorão, analisando-os dentro dos versículos em que eles aparecem, tanto no sentido geral como no específico.

IDOLATRIA

A palavra idolatria em árabe é "shirk" e significa "parceria/associação". E no Alcorão, idolatrar tem o significado de associar a Deus qualquer outro ser, pessoa ou conceito, considerando-os iguais a Ele. Nas traduções do Alcorão, idolatria também é citada como "associar um parceiro a Deus". Também expressa "ter ou adorar um outro deus, além de Deus" .

No sentido mais geral, idolatria significa tomar para si crenças diversas, julgamentos, estilos de vida e conceitos, diferentemente do que está prescrito no Alcorão e conceber a vida baseada nestes conceitos. Portanto, esta pessoa idolatra aquele que legisla sobre tais assuntos. Este pode ser o pai, o avô, a sociedade em que se vive, os fundadores de várias filosofias ou ideologias e seus seguidores. Com relação a isto, a pessoa que segue um caminho diferente do Islam está idolatrando. Esta pessoa pode se dizer ateu, cristão, judeu, etc. Pode até se dizer muçulmano. Ele pode fazer as preces regulamentares, jejuar e obdecer as leis do Islam. Contudo, ele é um idólatra se tiver uma simples interpretação que conflite com o Alcorão, porque isto significará que ele associou aquele legislador a Deus.

Idolatria não quer dizer descrença absoluta em Deus. Muitos dos idólatras não aceitam que são idólatras. Eles chegam a negar sua descrença na vida após a morte por causa de suas almas endurecidas. O Alcorão assim se refere sobre o assunto:

"Recorda-lhes o dia em que congregaremos todos, e diremos, então, aos idólatras: Onde estão os parceiros que pretendestes Nos atribuir? Então, não terão mais escusas, além de dizerem: Por Deus, nosso Senhor, nunca fomos idólatras." (Alcorão 6:22-23)

Ser idólatra não significa dizer "este é um ser divino", "Estou tomando este ser como um deus além de Deus e estou adorando-o" ou qualquer outra coisa semelhante. Antes de mais nada, idolatria está no coração, depois na forma de pensar e então passa a refletir todo um comportamento. A razão da idolatria está no fato de que a pessoa prefere um outro ser a Deus. Por exemplo, preferir a vontade de uma pessoa do que a vontade de Deus, ou temer uma pessoa mais do que a Deus, ou amar uma pessoa mais do que a Deus, tudo isso significa associar um parceiro a Deus. Estas são as modalidades de idolatria que o Alcorão salienta. Como dito antes, a razão mais importante que leva à idolatria é o sentimento de "amor" dirigido falsamente. Este tipo de amor dos idólatras está citado nos seguintes versículos:

"Entre os humanos há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele) aos quais  professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e Ele é Severíssimo no castigo." (Alcorão 2:165)

Os fiéis dirigem seu amor única e exclusivamente a Deus, ao passo que os idólatras amam a si mesmos, ou a outras pessoas, porque não têm uma relação íntima com Deus. Essas pessoas podem ser seus pais, seus filhos, irmãos, esposas, maridos ou quaisquer outras pessoas. Este amor também pode estar voltado para objetos inanimados tais como dinheiro, propriedades, casa, carro. Qualquer coisa, ou posição, ou prestígio pode ser objeto de idolatria.

As características intrínsecas de cada pessoa ou de cada objeto, na verdade nada mais é do que um reflexo das caracterísitcas infinitamente superiores de Deus. A única origem de todas as coisas é Deus. Portanto, Deus é Aquele que merece todo o nosso amor, porque é Ele quem possui toda a superioridade e excelência. Consequentemente, quando dedicamos nosso amor a uma pessoa ou coisa, na verdade estamos transformando aquela pessoa ou coisa em nosso deus, um falso deus, e adorando-o ao lado de Deus.

Em um outro versículo, Abraão adverte os idólatras que deixam Deus e adoram falsos deuses, por quem têm profundo amor:

"E lhes disse: Só haveis adotado ídolos em vez de Deus, como vínculo de amor entre vós, na vida terrena; eis que, no Dia da Ressurreição, desconhecer-vos-eis e vos amaldiçoareis reciprocamente; e vossa morada será o fogo, e jamais tereis socorredores. (Alcorão 29:25)

Um exemplo importante de idolatria é a paixão que um homem devota a uma mulher, seja a esposa, uma mulher querida ou mesmo uma mulher a quem ele dedica um amor platônico. Se esta é uma espécie de amor que o faz se esquecer de Deus, e também o sentimento que lhe é mais caro do que o amor a Deus, fazendo com que seja substituído no coração, tomando seu lugar, este amor acaba por levar a pessoa à idolatria. Sabemos pelo Alcorão que esta espécie de sentimento, que é tido como inocente pela sociedade, tem um significado diferente perante Deus.

"Não invocam, em vez d'Ele, a não ser deidades femininas, e, com isso invocam o rebelde Satanás." (Alcorão 4:117)

Este risco também se aplica às mulheres, tanto quanto aos homens. Na sociedade, o amor pagão é apresentado como "amor", "romantismo", "sentimento puro e inocente" e até mesmo exaltado e encorajado. Esta espécie de romantismo, que tanto influencia a juventude, atrasa o amadurecimento e produz uma geração herética, cujos membros desconhecem tudo sobre religião e estão distanciados da crença em Deus, não entendendo a razão da criação, desconhecendo o amor e o temor a Deus, e que vê a idolatria como uma coisa absolutamente normal.

Outra razão importante que leva os homens à idolatria é o sentimento de "medo". Assim como o amor, o medo também é uma espécie de sentimento que só deveria ser dirigido a Deus. Quando tememos as criaturas estamos atribuindo-lhes um poder que só Deus tem, e considerando-as isentas do destino que Deus traçou para elas. Com os versículos abaixo, vamos perceber que temer alguém além de Deus é associar parceiros a Deus:

"Deus disse: Não adoteir dois deuses - posto que somos um único Deus! - Temei, pois, a  Mim somente! Seu é tudo quanto existe nos céus e na terra. Somente a Ele devemos  obediência permanente. Temeríeis, acaso, alguém além de Deus?" (Alcorão 16:51-52)

O Alcorão assim se refere àqueles pagãos que temem outras pessoas:

"… Mas, quando lhes foi prescrita a luta, eis que grande parte deles temeu as pessoas,  tanto ou mais que a Deus, dizendo: ó Senhor nosso, por que nos prescreves a luta? Por  que  não nos concedes um pouco mais de trégua?..."
(Alcorão 4:77)

Além dos sentimentos de amor e de medo, outros fatores também conduzem à idolatria, tais como pedir socorro à alguém, ou não se esforçar por agradar a Deus mas sim aos homens, não confiar em Deus e sim nas criaturas, olhar para os seres humanos como possuidores de um poder ou vontade que na verdade não têm.

Conforme podemos notar nos versículos do Alcorão aqui transcritos, seria uma concepção muito estreita considerar a idolatria apenas como o curvar a cabeça perante os pequenos ícones. Isto é próprio dos pagãos que reivindicam a santidade para si mesmos. Estas pessoas até acham que a idolatria foi totalmente abolida quando aqueles ídolos de pedra da Caaba foram destruídos depois que o Islam foi revelado, e que as centenas de versículos no Alcorão definindo a idolatria em detalhe e proibindo-a aos fiéis se referem àquelas sociedades primitivas. No entanto, o Alcorão contém as diretrizes de Deus que se aplicam a toda a humanidade até o dia da ressurreição. Portanto, essa afirmativa não se sustenta diante dos inúmeros exemplos de sabedoria do Alcorão. Por exemplo:

"Voltai-vos contritos a Ele, temei-O, observai a oração e não vos conteis entre os que (Lhe) atribuem parceiros, que dividiram a sua religião e formaram seitas, em que cada partido exulta no dogma que lhe é intrínseco." (Alcorão 30:3l-32)

Como se vê, uma das caracterísitcas mais importante dos politeístas é dividir a verdadeira religião de Deus, transformando-a em seitas e cada grupo exultando com seus próprios dogmas. Portanto, qualquer divisão do Alcorão, por menor que seja, significa dividir a religião e, por isso, é politeismo. Aquele que aceita e defende interpretações contrárias ao Alcorão, ou as dos exegetas, dos sheiks ou dos líderes religiosos incorre em politeismo e traz opressão à religião.

Nos versículos seguintes, vemos que nenhum ato dos pagãos, nem mesmo suas orações e adorações, será aceito por Deus:

"Já te foi revelado, assim como a teus antepassados: Se idolatrares, certamente tornar-se-á  sem efeito a tua obra, e te contarás entre os desventurados." (Alcorão 39:65)

"Do que Deus tem produzido em abundância, quanto às semeaduras e ao gado, eles Lhe        destinam um quinhão, dizem, segundo as suas fantasias; Isto é para Deus e aquilo é para     os nossos parceiros! Porém, o que destinaram a seus parceiros jamais chegará a Deus; e o    destinado a Deus chegará aos seus (supostos) parceiros. Que péssimo é o que julgam!" (Alcorão 6:136)

Muitos pecados cometidos pelos fiéis não têm uma razão intencional contra Deus. Contrariamente a outros pecados, a idolatria é, portanto, ter um outro deus além de Deus e inventar uma mentira contra Ele. Por isso, ela é o maior pecado contra Ele. Deus fala no Alcorão que Ele perdoará qualquer pecado, exceto a idolatria.

"Deus jamais perdoará a quem Lhe atribuir parceiros; porém, fora disso, perdoa a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus cometerá um pecado ignominioso." (Alcorão     4:48)

"Deus jamais perdoará quem Lhe atribuir parceiros, conquanto perdoe os outros pecados,  a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus desviar-se-á produndamente." (Alcorão  4:116)

E assim, muitos versículos do Alcorão advertem os fiéis contra a idolatria e os previne deste pecado maior. Eis alguns exemplos:

"Ó fiéis, em verdade os idólatras são impuros…" (Alcorão 9:28)

"Consagrando-vos a Deus; e não Lhe atribuais parceiros, porque aquele que atribuir parceiros a Deus, será como se houvesse sido arrojado do céu, como se o tivessem apanhado as aves, ou como se o vento o lançasse a um lugarlongíguo." (Alcorão 22:3l)

"Recorda-te de quando Lucman disse ao seu filho, exortando-o: ó filho meu, não atribuas parceiros a Deus, porque a idolatria é grave iniquidade." (Alcorão 31:13)

"Dize: Sou tão-somente um mortal como vós, a quem tem sido revelado que o vosso Deus é um Deus único. Por conseguinte, quem espera o comparecimento ante seu Senhor que    pratique o bem e não associe ninguém ao culto d'Ele."
(Alcorão 18:110)

As coisas que os pagãos associam a Deus não têm, na verdade, qualquer qualidade divina. Deus informa no Alcorão que tais  parceiros que Lhe são atribuídos não ajudam nem prejudicam (10:18), não criam nada (10:34), não podem ajudar ou socorrer (7:192) e não conduzem ninguém ao caminho reto (10:35). Embora pareça claro que tais criaturas são impotentes, a razão pela qual os pagãos as tomam por parceiros de Deus é o fato de elas possuírem algumas qualidades de Deus.

Por exemplo, a autoridade, a soberania, a supremacia e prosperidade que um governante transgressor possui, na verdade pertencem a Deus. Nesta vida na terra, Deus concede aqueles atributos ao governante até um certo limite. No entanto, temer aquele governante, afirmando que ele possue aquelas qualidades e obedecê-lo em suas determinações contra Deus, é transformá-lo em parceiro de Deus. Esse governante não é nem deus nem possui qualquer poder sobre coisa alguma. Quem quer que respeite o governante como um ser divino e o obedeça cegamente, na verdade esta adorando um falso deus criado por sua imaginação. Assim diz o Alcorão:

"Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus e na terra? Que pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de Deus? Não seguem mais do que a dúvida e não fazem mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 10:66)

Aquele que adora alguém além de Deus sofrerá o mais profundo arrependimento no além, quando descobrir que o objeto de sua adoração, na verdade, não possuía qualquer qualidade. As coisas que ele prefere ou adora na terra transformam Deus, o único que tem o poder, a honra e a glória, o único que é Protetor, em inimigo. Seus ídolos o abandonarão quando se encontrarem sozinhos no além.

"Um dia em que os congregaremos a todos, diremos aos idólatras: Ficai onde estais, vós e     vossos parceiros! Logo os separaremos, então, seus parceiros lhes dirão: Não era a nós que  adoráveis! Basta Deus por testemunha entre nós e vós, de que não nos importava a vossa adoração. Aí toda alma conhecerá tudo quanto tgiver feito e serão devovidos a Deus, seu verdadeiro Senhor; e tudo quanto tiverem forjado desvanecer-se-á." (Alcorão 10:28-30)

"Então lhes será dito: Onde estão os que idolatráveis, em que lugar de Deus? Responderão: Desvaneceram-se. E agora reconhecemos que aquilo que antes    invocávamos nada era! Assim, Deus extravia os  incrédulos (Alcorão 40:73-749

O Alcorão assim define a situação final dos pagãos:

"E quando presenciaram o nosso castigo, disseram: Cremos em Deus, o único, e renegamos os parceiros que Lhe atribuíamos. Porém, de nada lhes valerá a  sua profissão de fé quando  presenciarem o Nosso castigo. Tal é a Lei de Deus para com Seus servos. Assim, então perecerão os incrédulos." (Alcorão 40:84-85)

OPRESSÃO (FITNAH)

Em árabe, como em todas as línguas, algumas palavras têm mais de um significado. Assim acontece com a palavra "fitnah", que  tem vários sentidos.

"Fitnah", basicamente, quer dizer "separar o ouro da jazida através do calor". Em muitos versículos do Alcorão, "fitnah" é a palavra empregada para expressar o critério usado para distinguir os fiéis dos que não são fiéis e dos hipócritas. A importância desse critério está baseada na avaliação das qualidades perdidas. Se uma pessoa se extraviou da senda reta ou se ela está no caminho certo, isto vai depender de seu comportamento diante da "fitnah".

A prece de Moisés, a seguir transcrita, nos mostra que a "fitnah" tanto pode desviar do caminho reto quanto levar a ele:

"E Moisés escolheu setenta homens, dentre seu povo, para que comparecessem ao lugar por Nós designado; e quando  o tremor se apossou deles, disse: ó Senhor meu, quisesses Tu,  tê-los-ias exterminado antes, juntamente comigo! Porventura nos exterminarias pelo que  cometeram os néscios dentre nós? Isto não é mais do que uma prova Tua, com a qual  desvias quem faz isso, e encaminhas quem Te apraz; Tu és o nosso Protetor. Perdoa-nos e apieda-Te de nós, porque Tu és  o mais equânime dos indulgentes!"
(Alcorão 7:155)

O Alcorão menciona em muitos versículos que a terra é um lugar de provas e que todos serão testados, independentemente da condição de fiéis ou não.

"Porventura, pensam os humanos que serão deixados em paz, só porque dizem: Cremos!,  sem serem postos à prova? Havíamos provado seus antecessores, a fim de que Deus  distinguisse os leais dos impostores." (Alcorão 29:2-3)

Em um outro versículo, o Alcorão diz que o teste será de duas formas diferentes:

"Toda a alma provará do gosto da morte, e vos provaremos com o mal e com o bem, e a Nós retornareis." (Alcorão 21:35)

Se um homem for próspero e rico, com muitas ações boas, de acordo com o Alcorão, sua propriedade o levará para perto de Deus. Mas, se ele usar dessa propriedade em desacordo com a vontade de Deus, ele se afastará do verdadeiro caminho. Então terá perdido o teste por causa de sua propriedade e irá "sofrer uma perda manifesta" na vida depois da morte.

Da mesma forma, a adversidade, a tristeza, a doença, a perda da casa ou de um ente querido, são exemplos de provas que a pessoa pode enfrentar. Se essa pessoa se rebelar, se desesperar, se afligir, então aquele teste indica que ela não crê. Isto não acontece com o fiel, que confia em Deus incondicionalmente e que sabe que cada espécie de acontecimento é proveniente d'Ele. Nada nesta vida tem importância maior em seu coração e assim ele não se aflige por causa de qualquer perda. Ele sabe que esta forma de pensar é a mais adequada para agradar a Deus.

Alguns versículos do Alcorão nos mostram que Deus cria certas condições para mostrar quem é o verdadeiro crente.

"Assim, Nós os fizemos testarem-se mutuamente, para que dissessem: São estes os que Deus  favoreceu, dentre nós? Acaso, não conhece Deus melhor do que ninguém os agradecidos?" (Alcorão 6:53)


E os versículos seguintes mostram que a prosperidade é dada para algumas pessoas, com o objetivo de testá-las:

"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o gozo da vida  terrena - a fim de, com isso, prová-las - posto que a mercê do teu Senhor    é  preferível e mais  persistente." (Alcorão 20:131)

Esta espécie de "fitnah" tem muito mais a finalidade de intensificar a descrença do que distinguir as pessoas justas das que não o são. Em um outro versículo, este fato é mencionado:

"Que não te maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus somente quer, com  isso, atormentá-los na vidaterrena e fazer com que suas almas pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)

Deus também diz que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem conscientemente (de seus propósitos):

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus    extraviou-o com  conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e   cobriu a sua visão. Quem o  iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois? (Alcorão 45:23)

Não há saída para quem Deus deixou que se extraviasse:

"Por que vos dividistes em dois grupos a respeito dos hipócritas, uma vez que Deus os  reprovou pelo que  perpetraram? Pretendeis orientar quem Deus desvia?    Jamais  encontrarás senda alguma para aquele a quem Deus desvia." (Alcorão 4:88)

A "fitnah" como extravio

Como citado acima, inúmeros versículos do Alcorão estão sempre nos lembrando que "fitnah" pode ser um motivo para o extravio e as antigas sociedades são bem um exemplo disso. Por exemplo, quando Moisés se afastou de seu grupo, seus membros passaram a obedecer ao Samaritano, fazendo a imagem de um bezerro e adorando-o. O Alcorão descreve esse fato como "ser levado para o extravio":

"Disse-lhe (Deus): Em verdade, em tua ausência, quisemos tentar o teu povo, e o samaritano logrou desviá-los." (Alcorão 20:85)

"Este forjou-lhes o corpo de um bezerro que mugia e disseram: Eis aqui o vosso deus, o  deus que Moisés esqueceu! Porém, não reparavam que aquele bezerro não podia responder-lhes, nem possuía poder para prejudicá-los nem   beneficiá-los?Aarão já lhes  havia dito: ó povo meu, com isto vós somente fostes tentados; sabei que vosso Senhor é o   Clemente. Segui-me, pois, e obedecei a   minha ordem!" (Alcorão 20:88-90)

Um outro versículo confirma que a "fitnah" pode conduzir ao extravio:

"Logo verás e eles também verão, quem dentre vós é o aflito! Em verdade, teu Senhor é o  mais conhecedor de quem se desvia da Sua senda, assim como é o mais conhecedor dos encaminhados." (Alcorão 68:5-7)

A "fitnah" como teste

Em alguns versículos, também é mencionado que a "fitnah" torna o fiel mais forte em sua crença e o aproxima mais de Deus. Por exemplo, uma guerra empreendida contra os fiéis ou os tempos de guerra intensa são grandes provas. Apesar de tudo, o fiel crê em Deus e age de acordo com Sua vontade, qualquer que seja a circunstância.

"E quando os fiéis avistaram as facções, disseram: Eis o que nos haviam prometido Deus e o Seu Mensageiro; e tando Deus como o Seu Mensageiro disseram a verdade! E isso não faz mais do que lhes aumentar a fé e resignação." (Alcorão 33:22)

"São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós; temei-os! Isso  aumentou-les a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que    excelente Guardião!" (Alcorão  3:173)

Não importa quão rigoroso seja o teste, porque o fiel sempre se sairá bem, porque seu comportamento é sempre no sentido de agradar a Deus.

Um acontecimento, que representa a Misericórida de Deus para com os fiéis e que fortalece sua crença n'Ele, pode ser uma prova para os infiéis, levando-os a se desviarem da senda. Os versículos abaixo dizem que o fato de existirem anjos pela causa do inferno aumenta a descrença nos infiéis, ao passo que este mesmo fato só fortalece a crença nos fiéis.

"Guardado por dezenove. E não designamos guardiães do fogo, senão os anjos, e não fixamos o seu número, senão como prova para os incrédulos, para que os adeptos do Livro  se convençam; para que os fiéis aumentem em sua fé e para que os adeptos do Livro, assim  como os fiéis, não duvidem; e para que os  que abrigam a morbidez em seus corações, bem como os incrédulos, digam: Que quer dizer Deus com esta prova? Assim, Deus extravia quem quer e encaminha quem Lhe apraz e ninguém, senão Ele, conhece os exércitos do teu Senhor. Isto não é mais do que uma mensagem para a humanidade." (Alcorão 74:30-31)

O empenho para levar à "fitnah"

Algumas pessoas tentam desviar os fiéis do verdadeiro caminho, do estilo de vida, da crença, isto é, "da sua religião". O Alcorão nos fala que, através dos tempos, os fiéis sempre foram expostos a tais ameaças. Sempre houve pessoas que pretenderam desviar os fiéis do Alcorão e de seus cânones. Deus diz que os fiéis ter-se-iam desviado se eles consentissem nisso.

"Antes de ti, jamais enviamos mensageiro ou profeta algum, sem que Satanás    o  sugestionasse em sua predicação; porém, Deus anula o que aventa Satanás, e então prescreve as Suas leis, porque Deus é Sapiente, Prudentíssimo. Ele faz das sugestões de Satanás uma prova, para aqueles que abrigam a morbidez em seus corações e para  aqueles cujos corações estão endurecidos, porque os iníquos estão em um cisma distante (da verdade)!" (Alcorão 22:52-53)

E no versículo abaixo, está assinalado que a prosperidade é dada para alguns, a fim de que sejam testados:

"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o gozo da vida terrena - a fim de, como isso, prová-los - posto que a mercê de teu Senhor é preferível é mais  persistente." (Alcorão 20:131)

Esta espécie de "fitnah" tem o papel de intensificar muito mais a descrença do que diferenciar os justos dos que não são. O versículo abaixo, é um exemplo disso:

"Que não tem maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus somente quer, com  isso, atormentá-los na vida terrena e fazer com que suas almas   pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)

Deus nos diz no Alcorão que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem com conhecimento:

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com  conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e    cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo    desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

Não há saída para aquele a quem Deus desviou:

"Por que vos dividistes em dois grupos a respeito dos hipócritas, uma vez que Deus os   reprovou pelo que perpetraram? Pretendeis orientar quem Deus desvia? Jamais encontrarás senda alguma para aquele a quem Deus desvia." (Alcorão 4:88)

Causar "fitnah"

Na Capítulo A Vaca, versículos 191 e 217, Deus define a "fitnah" como "pior do que matar". Vejamos, então, qual a pena para o  assassino, cujo pecado é menor do que causar "fitnah".

"Quem matar, intencionalmente, um fiel, seu castigo será o inferno, onde permanecerá          eternamente. Deus o abominará, amaldiçoá-lo-á e lhe preparará um severo castigo." (Alcorão 4:93)

Neste contexto, "fitnah" abrange o sentido de desviar das atividades e tem um significado diferente daquele usado para prova, teste, usado anteriormente neste livro.

O Alcorão fala dos hipócritas como sendo aqueles que provocam "fitnah". Deus diz nos versículos que os hipócritas tentam impedir os fiéis de lutar no caminho de Deus, e provocam muitos casos de "fitnah", tais como planejarem secretamente nas costas do mensageiro e dos fiéis, tentando abalar sua determinação.

Os hipócritas falsamente interpretam os versículos e acatam aqueles nos quais há uma concordância com seus interesses particulares e desobedecem os outros, diferentemente dos fiéis, que se submetem totalmente a tudo quanto está escrito no Alcorão. Nos versículos a seguir transcritos, Deus declara:

"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro,   havendo outros alegóricos. Aqueles cujos corações abrigam a dúvida, seguem os alegóricos,  a fim de causarem dissensões, interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a sua verdadeira interpretação. Os sábios dizerm: Cremos nele (o AlcorãO), tudo emana do nosso Senhor. Mas ninguém o admite, salvo os sensatos." (Alcorão 3:7)

Provocar a opressão é a característica mais importante dos hipócritas. A versão árabe para a palavra "hipócrita" é "munafiq", que siginifica "aquele que provoca a divisão". Provocar a divisão entre os fiéis é um grande pecado e é uma "fitnah". Há no Alcorão diversos versículos que relatam situações onde os hipócritas tentam provocar a "fitnah" entre os crentes:

"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre vós há quem os escuta. Porém,Deus bem conhece os iníquos." (Alcorão 9:47)

"Porém, se (Madina) houvesse sido invadida pelos seus flancos, e se eles houvessem sido  incitados à intriga, tê-la-iam aceito, mesmo que não se houvessem deleitado com ela senão temporariamente." (Alcorão 33:14)

"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre vós há quem os escuta. Porém, Deus bem conhece os iníquos. J, antes, haviam tratado de suscitar dissensões e intentado  desbaratar os teus planos, até que chegou a verdade e prevaleceram os desígnios de Deus, ainda que isso os desgostasse." (Alcorão 9:47-48)

Os hipócritas que fazem planos secretos contra o mensageiro de Deus e contra os crentes tentam se explicar quando suas verdadeiras intenções são descobertas. Alguns tentam se mostrar inocentes e, na verdade, não são hipócritas, porque eles temem os fiéis e também têm medo de serem punidos. Por esta razão, eles pedem para não serem considerados da mesma forma que os outros hipócritas por que não fizeram nada de mal. Pedem, inclusive, permissão para continuarem junto com os crente.

"E entre eles, há quem te diga: Isenta-me, e não me tentes! Acaso, não caíram em tentação? Em verdade, o inferno cercará os incrédulos (por todos os lados)." (Alcorão 9:49)

No versículo está dito que aquelas pessoas mentem e que eles próprios estão em "fitnah", como qualquer outro hipócrita. Deus adverte os fiéis para não acreditarem nesta fraude.

Os infiéis e os hipócritas sofrerão a penalidade mais grave no inferno, porque eles provocaram a opressão.

"(Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis aqui o que pretendestes apressar!" (Alcorão 51:14)

Lutar contra os crentes

A maior luta contra a religião e os crentes é o deflagrar de uma guerra. Os versículos a seguir transcritos, do Capítulo A Vaca, informam que a guerra contra os crentes é uma "fitnah" muito importante.

"Combatei pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém, não pratiqueis agressão,porque Deus não estima os agressores. Matai-os onde quer que os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos. Porém, se desistirem, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos." (Alcorão 4:190-193)

Conforme está dito no versículo 193, do Capítulo A Vaca, "combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus", é obrigação dos crentes lutar numa guerra, que foi iniciada contra eles, até que a vitória absoluta seja alcançada. Esta regra se aplica somente quando a guerra foi iniciada contra o Islam, a religião e os fiéis. Nenhuma pressão será exercida sobre aqueles pessoas que não crêem. O Alcorão proíbe terminantemente isto e diz quais são os casos onde uma luta pode começar:

"Deus nada vos proíbe, quanto àqueles que não vos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos. Deus vos proíbe tão-somente entrar em privacidade com aqueles que vos combateram na religião, vos expulsaram de vossos lares ou que cooperam na vossa expulsão. Em verdade, aqueles que entrarem em privacidade com eles serão iníquos." (Alcorão 60:8-9)

A disputa entre os crentes provoca "fitnah"

Deus diz que se os crentes não se tornarem seus próprios protetores e guardiães, isto significará "fitnah" na terra:

"Quanto aos incrédulos, são igualmente protetores uns dos outros; e se vós não o fizerdes (protegerdes uns aos outros), haverá intriga e grande corrupção sobre a terra." (Alcorão 8:73)

Os fiéis evitam causar opressão e se mantêm afastados de qualquer comportamento que possa provocá-la. No entanto, algumas condutas dos crentes, embora não intencionais, podem provocar opressão.

Como citado no Capítulo "Os Espólios", versículo 73, acima, se os crentes não se tornarem protetores e guardiães uns dos outros, e se eles disputarem entre si, haverá tumulto e opressão sobre a terra. Neste caso, os crentes serão responsáveis pela opressão (fitnah), portanto, eles devem se esmerar no papel de protetores e guardiães uns dos outros.

Casos de "fitnah"

Deus, o Criador de todos os homens, ensina, detalhadamente, como os crentes devem agir sobre a terra. Se uma pessoa se submete aos seus próprios desejos, isto quer dizer que esta pessoa prefere atender a seus desejos e expectativas pessoais do que à Vontade de Deus, se descuidando, portanto. Consequentemente, ela faz o que não é permitido por Deus e se torna um negligente, o que trará grande sofrimento e luta.

Embora Deus cite que os bens da terra não são permanentes e que aqui é somente um lugar de teste, aquela pessoa toma a terra como o "lugar verdadeiro" e rejeita a vida após a morte.

Aquele que não age conforme o Alcorão vive para os bens terrenos e se esquece que tudo foi criado para servir de prova. No versículo abaixo, Deus diz que os bens e os filhos são meios de prova.

"Em verdade, os vossos bens e os vossos filhos são uma mera tentação. Mas sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa." (Alcorão 64:15)

Embora haja outras palavras com o significado de "prova, teste", em árabe a palavra "fitnah" é usada nestes versículos. Algumas pessoas esquecendo do objetivo verdadeiro de suas existências sobre a terra e de suas obrigações acham que certamente se casarão, terão filhos e possuirão bens e muito mais além disso. Muitas pessoas, mesmos os fiéis, não prestam a devida atenção e se casam, fazem dinheiro e se cercam de bens e filhos, como se estivessem cumprindo os mandamentos de Deus.

Por exemplo, o caso dos filhos também é citado no Alcorão e a prece de Imram é mostrada como um exemplo para este caso:

"Recorda-te de quando a mulher de Imram disse: ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo." (Alcorão 3:35)

O Alcorão menciona preces semelhantes de alguns profetas e que nos conduz para o caminho verdadeiro:

"Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência porque és Exorável, por excelência." (Alcorão 3:38)

Ou então, a prece de Abraão:

"Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo." (Acorão 2:128)

Os bens e as posses que uma pessoa possui é por Misericórdia de Deus e lhe será benéfico depois da morte, se usado de acordo com a vontade de Deus e por conta da religião. Caso contrário, eles são "fitnah" e conduzirão ao extravio. Com relação ao comando de Deus sobre os bens e as riquezas, os fiéis tomam o profeta Salomão como um exemplo para eles mesmos e não evitam ter posses, mas as recebem, porque vêm de Deus:

"Um dia, ao entardecer, apresentaram-lhe uns briosos corcéis. Ele disse: Em verdade, amo o amor ao bem, com vistas à menção do meu Senhor. Permaneceu admirando-os, até que (o sol) se ocultou sob o véu (da noite). (Então, ordenou): Trazei-os a mim! E se pôs a acariciar-lhes as patas e os pescoços." (Alcorão 38:3l-33)

A menos que o objetivo seja agradar a Deus, fazer filhos se comportarem de acordo com os seus próprios desejos, propondo alguns falsos pretextos, levará a pessoa a "fitnah".

Deus adverte o fiel sobre as posses e os filhos no Alcorão e nos diz para termos cuidado:

"Ó fiéis, que os vossos bens e os vossos filhos não vos alheiem da recordação de Deus, porque aqueles que tal fizerem, serão desventurados." (Alcorão 63:9)

As posses e os filhos não lhe serão de serventia alguma na vida depois da morte:

"Perante Deus, de nada lhes valerão os seus bens, nem os seus filhos e serão os condenados ao inferno, no qual permanecerão eternamente." (Alcorão 58:17)

Opressão, tortura e obrigação

O Alcorão define opressão, tortura e obrigação como "fitnah".

"Porém, salvo uma parte do seu povo, ninguém acreditou em Moisés por temor de que o Faraó e seus chefes os oprimissem, porque o Faraó era um déspota na terra; era um dos transgressores." (Alcorão 10:83)

"Sabei que aqueles que perseguem os fiéis e as fiéis e não se arrependem, sofrerão a pena do inferno, assim como o castigo do fogo." (Alcorão 85:10)

"Não julgueis que a convocação do Mensageiro, entre vós, é igual à convocação mútua entre vós, pois Deus conhece aqueles que, dentre vós, se esquivam furtivamente. Que temam, aqueles que deseobedecem às ordens do Mensageiro, que lhes sobrevenha uma provação ou lhes açoite um doloroso castigo." (Alcorão 24:63)

"Incitamos-te a que julgues entre eles, conforme o que Deus revelou; e não sigas seus caprichos e guarda-te de que te desviem de algo concernente ao que Deus te revelou. Se te refutarem, fica sabendo que Deus os castigará por seus pecados, porque muitos homens são depravados." (Alcorão 5:49)

Nos versículos do Alcorão, abaixo, vemos que, quando os fiéis pedem para livrá-los da opressão dos infiéis,  mencionam "fitnah":

"Disseram: A Deus nos encomendamos! ó Senhor nosso, não permitas que fiquemos afeitos à fúria dos iníquos." (Alcorão 10:85)

O Alcorão também define aflição, desastres e catástrofes como "fitnah":

"Não reparam, acaso, que são tentados uma ou duas vezes por ano? Porém, não se arrependem, nem meditam." (Alcorão 9:126)

AS DUAS CARACTERÍSTICAS DA ALMA

Quando lemos no Alcorão a respeito da natureza do homem, frequentemente encontramos o termo "alma". Alma, em árabe é "nefs" e significa o "eu", "a personalidade".

O Alcorão diz que a alma do homem tem dois lados: um que governa o mal e o outro que cuida de evitar este mal. O capítulo "O Sol" diz o seguinte:

"Pela alma e por Quem a aperfeiçoou, e lhe imprimiu o discernimento entre o que é certo e o que é errado, que será venturoso quem a purificar (a alma), e desventurado quem a corromper." (Alcorão 91:7-10)

A informação contida nos versículos acima é de suma importância. Quando criou o homem, Deus inspirou o discernimento para o errado. Errado, isto é, "fucur" em árabe, quer dizer "romper os limite do certo". No sentido religioso, quer dizer: "experimentar o pecado e se rebelar, mentira, desobediência, transgressão, adultério, corrupção moral, etc."

Conforme citado nos versículos acima, Deus inspira o discernimento entre o bem e o mal. A pessoa que admite o mal em sua alma e que o impede, obedecendo à inspiração de Deus, e purifica sua alma, será salva. Receber a vontade de Deus, Sua Misericórdia e Seu Paraíso é a única forma para se alcançar a salvação, ao passo que a pessoa que esconde sua alma e não a purifica do mal que nela existe, será levado para a corrupção. Esta corrupção é a maldição de Deus e o fim é o inferno.

Neste ponto, vemos uma consequência importante: há um lado mau em cada alma humana. A única forma de se purificar deste mal é aceitar o que Deus ordena e impedir que este mal encontre abrigo dentro de nós.

Uma das mais importantes diferenças entre os crentes e os incrédulos aparece justamente aqui. Uma pessoa sabe, e aceita, que sua alma tem um lado mau e que ela precisa impedí-lo com atitudes morais e com os conhecimentos por ela adquiridos do Islam. Um dos maiores aspectos da religião, e do mensageiro que comunica esta religião, é revelar a existência do mal na alma e a forma de purificá-la. O Capítulo 2:87 assim se dirige aos judeus: "…Cada vez que vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros." Os infiéis abrigam o mal em suas almas e não aceitam o que a religião verdadeira lhe traz, nem a pessoa que a revela, porque contrariam seus próprios interesses. Tais pessoas não conseguem purificar suas almas, antes pelo contrário, abrigam este mal e o mantém lá, conforme mencionado nos versículos.

Portanto, podemos dizer que os infiéis acatam o mal que existe em suas almas e assim, não têm uma consciência verdadeira. É, de alguma forma, uma vida instintiva. Neste caso, todos os comportamentos e pensamentos são ditados pelos instintos emanados do mal existente na alma. Esta é uma das razões pelas quais o Alcorão define os infiéis como "animais".

Diferentemente dos infiéis, os crentes conhecem Deus, temem-No e evitam desobedecer às Suas regras. Por isto, os crentes não obedecem àquele lado mal de suas almas, mas o enfrentam, conforme Deus ordena. No Capítulo 12, versículo 53, José diz: "Porém, eu não me escuso, porquanto o ser é propenso ao mal, exceto aqueles de quem o meu Senhor se apiada, porque o meu Senhor é Indulgente, Misericordiosíssimo." Este versículo nos ensina como devemos pensar: o crente deve ser cuidadoso e ter em mente que sua alma tentará desviá-lo do verdadeiro caminho.

Até agora, lemos sobre o lado "mau" da alma. Dentro do mesmo versículo vimos que também é inspirado à alma impedir o mal. Este lado da alma, que guia o homem para Deus e para as verdades da religião e para as boas ações, é comumente chamado de espírito.

Contudo, o sentido que o Alcorão dá para espírito é muito diferente do sentido comumente conhecido. O significado para espírito mais comumente conhecido, inclui somente o dar aos pobres ou apoiar os direitos dos animais, ou amar os animais, etc. Contudo, o espírito do crente faz com que ele obedeça às regras determinadas pelo Alcorão. É o espírito que o capacita a compreender os conceitos mencionados no Alcorão de um modo genérico.

O Alcorão, por exemplo, orienta os crentes a gastarem de seus bens mais do que o necessário. É claro que cada pessoa define esse "mais do que necessário". Uma pessoa desprovida de um espírito forte não concordará com esse mandamento de Deus e, portanto, será incapaz de agradá-Lo.

O crente faz muitas escolhas durante a sua vida. Entre as alternativas que se lhe apresentam, ele é obrigado a escolher aquela que está mais de acordo com a vontade de Deus e aquela que é mais benéfica para a sua religião. Quando ele faz sua escolha, em primeiro lugar ele se volta para dentro de seu espírito, que lhe dirá o que mais agrada a Deus. Em segundo lugar, seus interesses particulares estarão envolvidos e tentarão desviá-lo para outras alternativas. Então, a alma lhe susurra as razões e as desculpas adequadas. O Alcorão, em muitos versículos, chama nossa atenção para essas "desculpas":

"Neste dia, a escusa dos iníquos de nada lhes valerá, nem serão resgatados." (Alcorão 30:57)

"(Será) o dia em que aos iníquos de nada valerão as suas escusas, senão que receberão a maldição, e terão a pior morada." (Alcorão 40:52)

O crente não deve dar ouvidos a esta espécie de desculpas e sim ao que o seu espírito lhe diz para fazer. Os exemplos dados no Alcorão, com relação ao espírito dos crentes, nos leva a pensar sobre a questão. No caso do crente que está preocupado porque não encontra um meio de lutar contra, o Alcorão diz em um dos versículos:

"Estão isentos: os inválidos, os enfermos, os baldos de recursos, sempre que sejam sinceros para com Deus e Seu Mensageiro.. Não há motivo de queixa contra os que fazem o bem, e Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. Assim como foram considerados (isentos) aqueles que se apresentaram a ti, pedindo que lhes arranjasses montaria, e lhes dissestes: Não tenho nenhuma para proporcinar-vos; voltaram com os olhos transbodantes de lágrimas, por pena de não poderem contribuir." (Alcorão 9:91-92)

Lutar contra os inimigos pode parecer muito perigoso. A pessoa que começa lutando (numa guerra) sabe que pode morrer ou se ferir. Não obstante, o crente quer lutar pela causa de Deus e fica triste quando ele não consegue. Este é um exemplo notável de espírito, a que se refere o Alcorão.

A alma pode não provocar o extravio do crente num primeiro momento, mas tenta sempre desviá-lo da religião, sugerindo compensações menores. Por exemplo, ela tenta induzi-lo a adiar alguma coisa que ele teria que fazer pela causa de Deus. Apresentando algumas razões, a alma tenta abalar a sua determinação, fazendo algumas pequenas considerações. Neste caso, as pequenas desculpas da alma são compensadas, seu impacto se torna maior e pode, mesmo, levar o homem a abandonar sua crença em Deus. O fiel é obrigado a se comportar de acordo com os mandamentos de Deus em cada caso, e não de acordo com sua alma, anulando os desejos egoístas de sua alma. Diz o Alcorão:

"Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e fazei a caridade, que isso será preferível para vós! Aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 64:16)

Neste versículo, os fiéis são orientados a temer a Deus, a obedecê-Lo, a ouvir Seus conselhos e a gastar por conta Dele, uma vez que isto salva a pessoa "dos desejos egoistas da sua alma" e o possibilita alcançar a verdadeira bem-aventurança. Um outro versículo a respeito deste assunto, é o que se segue:

"Ao contrário, quem tiver temido o comparecimento ante o seu Senhor e tiver refreado em relação à luxúria, terá o Paraíso por abrigo." (Alcorão 79:40-41)

A alma de uma pessoa que evita os desejos egoístas e, dessa forma a purifica e obtém a satisfação de Deus, e o Paraíso, é chamada, no Alcorão, de "alma em completa paz e satisfação."

"E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo). Entra no número de Meus servos! E entra no Meu jardim!" (Alcorão 89:27-30)

Se, pelo contrário, uma pessoa só atende aos desejos egoístas de sua alma e inicia sua vida depois da morte sem a ter purificado, será tomada por um profundo arrependimento e não usufruirá de qualquer benefício. As almas arrependidas e autopunitivas de bilhões de infiéis, que viveram ignorando a necessidade de purificação de suas almas, comporão uma terrível e desagradável visão. Esta é a grande e inevitável realidade que espera os infiéis. Portanto, Deus chama para testemunhar "o espírito autopunitivo", logo após o Dia da Ressureição.

"Juro, pelo Dia da Ressurreição, e juro pela alma que reprova a si mesma." (Alcorão 75:1-2)

VALORIZAR OS DESEJOS E PAIXÕES

Na parte anterior, analisamos o termo "alma" e vimos que ela tem dois aspectos, e que Deus inspirou tanto o mal quanto os meios de evitá-lo. No Alcorão, a palavra original em árabe, que é mais usada para indicar este lado da alma, é "hewa". "Hewa" é definida como "desejo, paixão, desejo sexual, luxúria e todos os agentes interiores negativos que arruinam o homem".

Os infiéis tomam este lado mau e negativo da alma como seu único guia e objetivo de vida. Toda a sua vida é organizada no sentido de satisfazer a seus desejos e paixões. Consequentemente, eles não são capazes de compreender as questões intrínsecas da religião. O Alcorão diz que tais pessoas são prisioneiras de suas paixões e, por isso, não compreendem a mensagem nele contida, nem o que os mensageiros dizem:

"E, entre eles, há os que te escutam e, ao se retirarem da tua assembléia, dizem, àqueles que foram agraciados com a  sabedoria: Que é que foi dito agora? Tais são os que têm os seus corações sigilados por Deus, porque se entregam às suas luxúrias." (Alcorão 47:16)

A pessoa que não purifica este aspecto mau de sua alma, tê-la-á sempre como guia, em qualquer condição. Os desejos e paixões serão o critério pelo qual ela decidirá o que é certo e o que é errado. Assim, a luxúria será a "qibla" de seu coração. Consequentemente, aquela pessoa adorará somente sua própria alma, sua própria personalidade. No Alcorão, o mais elevado grau de tal condição é "tomar seus desejos como seu deus".

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus(tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

A pessoa que age de acordo com suas paixões e desejos, não será capaz de pensar e distinguir o certo do errado. Esta é a pessoa a quem o Alcorão se refere como sendo aquela que "não pode ver nem ouvir", ao passo que o muçulmano sábio tem a compreensão suficiente para discriminar o certo do errado. Há muitos versículos no Alcorão que falam sobre as pessoas e as comunidades que perderam essa compreensão, porque elas obedeceram tão somente às suas paixões, e, por isso, foram desencaminhadas:

"Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião, profanando a verdade, nem sigais o capricho daqueles que se extravairam anteriormente, desviaram muitos outros e se desviaram da verdadeira senda!" (Alcorão 5:77)"Dize: Tem-me sido vedado adorar os que invocais em vez de Deus. Dize (mais: Não seguirei a vossa luxúria; porque se o fizer, desviar-me-ei e não me contarei entre os encaminhados." (Alcorão 6:56)

"E que vos impede de desfrutardes de tudo aquilo sobre o qual foi invocado o nome de Deus, uma vez que Ele já especificou tudo quanto proibiu para vós, salvo se vos fordes obrigados a tal? Muitos se desviam, devido à luxúria, por ignorância; porém, teu Senhor conhece os transgressores."
(Alcorão 6:119)

"Deste modo to temos revelado, para que seja um código de autoridade, em língua árabe. E se te renderes às tuas concupiscências, depois de teres recebido a ciência, não terás protetor, nem defensor, em Deus."
(Alcorão 13:37)

"Não tens reparado em quem toma por divindade os seus desejos? Ousarias advogar por ele?" (A
lcorão 25:43)

"Ó fiéis, sede firmes em observardes a justiça, atuando de testemunhas, por amor a Deus, ainda que o testemunho seja contra vós mesmos, contra os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja o acusado rico ou pobre, porque a Deus incumbe protegê-los. Portanto, não sigais os vossos caprichos, para não serdes inustos; e se falseardes o vosso  testemunho ou vos recuaardes a prestá-lo, sabei que Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis." (Alcorão 4:135)

"Porém, os iníquos se entregam nesciamente às suas luxúrias; mas quem poderá encaminhar aqueles que Deus tem deixado que se desviem? Esses jamais terão socorredores!" (Alcorão 30:29)

"Que não te seduza aquele que não crê (a Hora) e se entrega à concupiscência, porque perecerás!"
(Alcorão 20:16)

"E se a verdade tivesse satisfeito os seus interesses, os céus e a terra, com tudo quanto encerram, transformar-se-iam num caos. Qual! Enviamos-lhes a Mensagem e assim mesmo a desdenharam."
(Alcorão 23:71)

"Em verdade, revelamos-te o Livro corroborante e preservador dos anteriores. Julga-os, pois, conforme o que Deus revelou e não sigas os seus caprichos, desviando-te da verdade que te chegou. A cada um de vós temos ditado uma lei e uma norma; e se Deus quisesse, teria feito de vós uma só nação; porém, fez-vos como sois, para testar-vos quanto àquilo que vos concedeu. Emulai-vos, pois, na benevolência, porque todos vós retornareis a Deus, o Qual vos inteirará das vossas divergências. Incitamos-te a que julques entre eles, conforme o que Deus revelou; e não sigas os seus caprichos e guarda-te de que te desviem de algo concernente ao que Deus te revelou. Se te refutarem, fica sanbendo que Deus os castigará por seus pecados, porque muitos homens são depravados." (
Alcorão 5:48-49)

Aquele que segue a luxúria e os desejos fúteis torna-se um cego. Esta espécie de gente caminha para o seu próprio desastre. A fonte da palavra "hewa", traduzida por "paixões, luxúria e desejos fúteis", também significa fogo e opressão, o que é considerável.

ESPÍRITO E ALMA

E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo)! (Alcorão 89:27-28)

Sabemos que a alma tem dois aspectos diferentes, conforme mencionado no Alcorão: um, onde os desejos egoístas e as paixões afastam o homem do caminho de Deus, e o outro, que o leva a Ele e à retidão da religião, tornando-o imune ao mal. Este aspecto da alma é chamado de espírito. A fonte do espírito é o sopro divino vindo de Deus. Na Surata "A Prostração", encontramos o seguinte:

"Que aperfeiçoou tudo o que criou e iniciou a criação do primeiro homem de barro. Então, formou-lhe uma prole da essência de sêmem sutil. Depois o modelou; então, alentou-o com o Seu Espírito. Dotou a todos vós da audição, da visão e das vísceras. Quão pouco Lhe agradeceis!" (Alcorão 32:7-9)

Quando o homem obedece ao seu espírito, ele recebe alguns dos atributos de Deus e comeca a ter a moral que o Alcorão ensina e que é semelhante a de Deus. Deus é o mais Misericordioso; e o fiel, que se submete a Deus, também é misericordioso. O crente que adora a Deus será um sábio também. Depende de quão próxima a pessoa está de Deus e o quanto ela se submete a Ele, para ser dotada da mais elevada moralidade e se tornar "a melhor das criaturas". (Alcorão 98:7)

Enquanto os desejos convidam o homem para o mal, o seu espírito sempre o chama para o bem. Não há exceção, seu espírito sempre o convoca para o caminho certo, sejam quais forem as condições. Se a pessoa responde a este "chamado de Deus" e age inteiramente de acordo com os princípios básicos mencionados no Alcorão, ele progredirá sempre no caminho reto.

Na verdade, todos os critérios do Alcorão estão de acordo com a alma do ser humano. Os dois versículos seguintes mostram isto:

"Porém, os iníquos se entregam nesciamente às suas luxúrias; mas quem poderá encaminhar aqueles que Deus tem deixado que se desviem? Esses jamais terão socorredores! Volta o teu rosto para a religião monoteísta. É a obra de Deus, sob cuja qualidade inata Deus criou a humanidade. A criação feita por Deus é imutável. Esta é a verdadeira religião; porém, a maioria dos humanos o ignora." (Alcorão 30:29-30)

De acordo com o mencionado acima, os infiéis se desviam porque obedecem ao lado errado de suas almas. Os crentes, pelo contrário, devem obedecer à religião que Deus revelou. Esta religião está de acordo com os padrões do ser humano, ou seja, de acordo com o espírito que Deus nos alentou.

CORAÇÃO, SABEDORIA E INTELIGÊNCIA

Sabemos que há dois diferentes aspectos no ser humano, ou seja, a luxúria e a alma. Neste ponto, os conceitos de sabedoria e não-sabedoria têm grande importância. O Alcorão nos diz que obedecer às paixões leva à não-sabedoria, enquanto que a obediência à alma traz sabedoria.

Conforme citamos antes, a pessoa que obedece aos seus desejos, esquece-se de Deus e, em muito pouco tempo, perde sua sabedoria. Quando se refere aos infiéis, o Alcorão afirma que "eles são um povo destituído de sabedoria" (Alcorão 59:14). De início, este processo pode não ser muito bem entendido, porque muitos acham que cada pessoa tem um grau mínimo de sabedoria e que este grau não varia. Isto é um equívoco, porque confunde sabedoria com inteligência. Contudo, sabedoria e inteligência são conceitos totalmente diferentes. Todo mundo pode ser inteligente, no entanto, somente os crentes são dotados de sabedoria.

A sede da sabedoria, a que se refere o Alcorão, é o "coração". O Alcorão fala sobre "os corações que aprendem a sabedoria". Portanto, a verdadeira sabedoria está muito além da inteligência, que nada mais é do que uma função do cérebro. A sabedoria está colocada no coração, juntamente com a alma. Os versículos no Alcorão mencionam que o sentido da sabedoria é encontrado no coração e as pessoas destituídas de sabedoria não podem entender porque seus corações eatão selados:

"Não percorreram eles a terra, para que seus corações verificassem o ocorrido? Talvez possam, assim, ouvir e raciocianr! Todavia, a cegueira não é a dos olhos, mas a dos corações, que estão em seus peitos!" (Alcorão 22:46)

"Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos com corações com os quais não compreendem, olhos com os quais não vêem, e ouvidos com os quais não ouvem. São como as bestas, quiçá pior, porque são displicentes." (Alcorão 7:179).

Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem." (Alcorão 9:87)

"E sigilamos os seus corações para que não o compreendessem, e ensurdecemos os seus ouvidos. E, quando, no Alcorão, mencionas unicamente teu Senhor, voltam-te as costas desdenhosamente." (Alcorão 17:46)

Algumas pessoas têm o coração que é o centro da sabedoria, o que não acontece com outras. O Alcorão observa que somente as pessoas que "têm coração" é que estão atentas e crêem.

"Em verdade, nisso há uma mensagem para aquele que tem coração, que escuta atentamente e é testemunha (da verdade)." (Alcorão 50:37)

Portanto, a sabedoria mencionada no Alcorão está diretamente relacionada com o coração e a alma. O ponto interessante é que a sabedoria pode tanto aumentar como diminuir. A menos que haja uma doença importante, o grau de inteligência é constante na pessoa. Contudo, o mesmo não se aplica à sabedoria, porque ela tanto cresce como diminui. E isto está diretamente relacionado com a alma da pessoa. Se sua alma se fortalece e teme a Deus, esta pessoa aumenta o seu nível de compreensão capaz de lhe permitir o discernimento do certo e do errado. Este ponto absolutamente metafísico está citado nos versículos do Alcorão, abaixo:

Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque Ele é Agraciante por excelência." (Alcorão 8:28)

Ao passo que a pessoa que não teme a Deus, falta-lhe o "critério para julgar entre o certo e o errado". Tal pessoa pode, na verdade, ser muito inteligente, um físico de renome, um sociólogo ou qualquer outra coisa; ele pode criar muitas saídas inteligentes, mas, falta-lhe o espírito verdadeiro, e, portanto, a verdadeira sabedoria. Se fôr um cientista admirável, ele pode até revelar os mistérios desconhecidos do corpo humano. Mas, não possui o espírito e a compreensão para conceber o Criador daquele corpo. Tal pessoa começa por se louvar, ao invés de se voltar a Deus para louvá-Lo. Ele "toma por seu deus suas paixões e Deus, intencionalmente, permite que ele se extravie". E seu coração está selado.

Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

"Que são fiéis e cujos corações sossegam com a recordação de Deus. Não é, acaso, certo, que à recordação de Deus sossegam os corações?" (Alcorão 13:28)

O coração dos infiéis é definido nos versículos abaixo:

"Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:7)

"E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos combater, seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade do que da fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus corações. Porém, Deus bem sabe tudo quanto ocultam." (Alcorão 3:167)

O conceito de "corações para compreender", e o fato de que os olhos do coração podem se tornar cegos, testemunham que, compreender e conceber, são funções importantes do coração e não do cérebro. E a sabedoria é inerente aos fiéis – por isso, os crentes são chamados de "aqueles que são dotados de compreensão":

"Que escutam as palavras e seguem o melhor (significado) delas! São aqueles que Deus encaminha, e são os sensatos." (Alcorão 39:18)

A inteligência é desprovida de critérios de certo e errado e não alcança os aspectos mais complexos dos acontecimentos, que são atributos da sabedoria. Por consequência, somente os homens dotados de compreensão podem entender o Alcorão. Constantemente os versículos mencionam que o homem destituído de entendimento não pode perceber o verdadeiro sentido da mensagem do Alcorão:

"Ele concede sabedoria a quem Lhe apraz e todo aquele que for agraciado com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos, ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)

A inteligência não ajuda na avaliação e recordação da mensagem, nem no discernimento do certo e do errado. Uma pessoa inteligente pode criar um fato científico, ser um homem de negócios vitorioso ou um político. A questão importante é que ele faz o que faz sem qualquer juízo de valor sobre os benefícios ou prejuízos de seus atos – como um computador. Ele não tem resposta para os acontecimentos que   ouviu de muitos, como se fosse cego. Este fato confirma os versículos que dizem que este tipo de gente é cega e surda e não tem compreensão. Portanto, a declaração de que "…seus corações estão selados e por isso não compreendem nada" é um exemplo fundamental, que indica a importância do coração para o entendimento.

"Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem." (Alcorão 9:87)

A razão mais importante para que o coração se torne destituído de compreensão é aquela que o leva a tomar, como seu deus, as paixões e desejos. Assim, haverá um selo sobre este coração, que perderá completamente sua capacidade de entendimento, e não será capaz de ouvir ou conceber coisas. Uma pessoa nessas condições jamais será um sábio, a menos que Deus assim o deseje:

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

O Alcorão, em inúmeros outros versículos, menciona a relação entre o coração e o comportamento humano, conforme mostrado a seguir:

A intercessão de Deus entre o homem e o seu coração

"Ó fiéis, atendei a Deus e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. E sabei que Deus intercede entre o homem e o seu coração, e que sereis congregados ante Ele." (Alcorão 8:24)

A afeição nos corações

"E foi Quem conciliou os seus corações. E ainda que tivesses despendido tudo quanto há na terra, não terias conseguido conciliar os seus corações; porém, Deus o conseguiu, porque é Poderoso, Prudentíssimo." (Alcorão 8:63)

"E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recordai-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos ilumineis." (Alcorão 3:103)

Penetrar os corações

"E quando aceitamos o vosso compromisso e elevamos o Monte acima de vós, dizendo-vos: Recebei com firmeza tudo quanto vos concedermos e escutai!, disseram: Já escutamos, porém nos rebelamos! E, por sua incredulidade, imbuíram os seus corações com a adoração do bezerro. Dize-lhes: Quão destestável é o que vossa crença vos inspira, se é que sois fiéis!" (Alcorão 2:93)

A piedade nos corações

"Tal será. Contudo, quem enaltecer os símbolos de Deus, saiba que tal (enaltecimento) partirá de quem possuir piedade nos corações." (Alcorão 22:32)

A conquista dos corações

"As esmolas são tão-somente para os pobres, para os necessitados, para os funcionários empregados em sua administração, para aqueles cujos corações têm de ser conquistados, para a redenção dos escravos, para os endividados, para a causa de Deus e para o viajante; isso é um preceito emanado de Deus, porque é Sapiente, Prudentíssimo." (Alcorão 9:60)

A paz dos corações

"Que são fiéis e cujos corações sossegam com a recordação de Deus. Não é, acaso, certo, que à recordação de Deus sossegam os corações?" (Alcorão 13:28)

"Tornaram a dizer: Desejamos desfrutar dela, para que os nossos corações sosseguem e para que saibamos que nos tens dito a verdade, e para que sejamos testemunas disso." (Alcorão 5:113)

"Os fiéis que praticam o bem e se humilham ante seu Senhor serão os diletos do Paraíso, onde morarão enternamente." Alcorão11:23)

"Quanto àqueles que receberam a ciência, saibam que ele (o Alcorão) é a verdade do teu Senhor; que creiam nele e que seus corações se humilhem ante ele, porque Deus guia os fiéis até à senda reta." (Alcorão 22:54)

"Deus não o fez senão como anúncio para vós, a fim de sossegar os vossos corações. Sabei que o socorro só emana de Deus, o Poderoso, o Prudentíssimo." (Alcorão 3:126)

Os corações que se firmam

"E tudo o que te relatamos, da história dos mensageiros, é para se firmar o teu coração. Nesta (surata) chegou-te a verdade, e a exortação e a mensagem para os fiéis." (Alcorão 11:120)

Corações que estão vazios (vazio nos corações)

"Correndo a toda a brida, com as cabeças hirtas, com os olhares inexpressivos e os corações vazios." (Alcorão 14:43)

Infundir o terror nos corações

"Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem atribuídos parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos!" (Alcorão 3:151)

Corações repletos de repulsa e horror

"E quando é mencionado Deus, o Único, repugnam-se os corações daqueles que não crêem na outra vida; não obstante, quando são mencionados outras divindades, em vez d’Ele, ei-los que se regozijam!" (Alcorão 39:45)

Corações que se inclinam

"Que lhes prestem atenção os corações daqueles que não crêem na vida futura; que se contentem com eles, e que lucrem o que quiserem lucrar." (Alcorão 6:113)

Angústias e arrependimentos nos corações

"Ó fiéis, não sejais como os incrédulos, que dizem de seus irmãos, quando estes viajam pela terra ou quando estão em combate: Se tivessem ficado conosco, não teriam morrido, nem sido assassinados! Com isso, Deus infunde-lhes angústia nos corações, pois Deus concede a vida e a morte, e Deus bem vê tudo quanto fazeis." (Alcorão 3:156)

Falar o que o coração não sente

"E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos combater, seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade do que da fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus corações. Porém, Deus bem sabe de tudo quanto ocultam." (Alcorão 3:167)

Manter segredos no coração

"São aqueles, cujos segredos dos corações Deus bem conhece. Evita-os, porém exorta-os e fala-lhes com palavras que invadam os seus ânimos." (Alcorão 3:63)

Despedaçar os corações

"A construção dela não cessará de ser causa de dúvidas em seus corações, a menos que seus corações se depedacem. Sabei que Deus é Sapiente, Prudentíssimo." (Alcorão 9:110)

Desviar corações

"(Que dizem:) Ó Senhor nosso, não desvies os nossos corações, depois de nos teres iluminado, e agracia-nos com a tua misericórdia, porque Tu és o Munificente por excelência." (Alcorão 3:8)

"Sem dúvida que Deus absolveu o Profeta, os migrantes e os socorredores, que o seguiram na hora angustiosa em que os corações de alguns estavam prestes a fraquejar. Eles os absolveu, porque é para com eles Compassivo, Misericordiosíssimo." (Alcorão 9:117)

Corações assemelhados

"Os néscios dizem: ‘Por que Deus não fala conosco, ou nos apresenta um sinal?’ Assim falaram, com as mesmas palavras, os seus antepassados, porque os seus corações se assemelham aos deles. Temos elucidado os versículos para a gente persuadida." (Alcorão 2:118)

Corações que resistem

"Como pode haver (qualquer tratado) quando, se tivessem a supremacia sobre vós, não respeitariam parentesco nem compromisso? Satisfazem-vos com palavras, ainda que seus corações as neguem, e sua maioria é depravada." (Alcorão 9:8)

Fé que não penetra o coração

"Os beduínos dizem: Cremos! Dize-lhes: Qual! Ainda não credes; deveis dizer: Tornamo-nos muçulmanos, pois que a fé ainda não penetrou vossos corações. Porém, se obedecerdes a Deus e ao Seu Mensageiro, em nada serão diminuídas as vossas obras, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo." (Alcorão 49:14)

Doença no coração

"Em seus corações há morbidez, e Deus os aumentou em morbidez e sofrerão um castigo doloroso por suas mentiras." (Alcorão 2:20)

"Verás aqueles que abrigam a morbidez em seus corações apressarem-se em ter intimidades com eles, dizendo: Tememos que nos açoite uma vicissitude! Oxalá Deus te apresente a vitória ou algum outro desígnio Seu e, então, arrepender-se-ão de tudo quanto haviam maquinado." (Alcorão 5:52)

"Ele faz das sugestões de Satanás uma prova, para aqueles que abrigam a morbidez em seus corações e para aqueles cujos corações estão endurecidos, porque os iníquos estão em cisma distante (da verdade)!" (Alcorão 22:53)

"Apesar disso, os vossos corações se endurecem; são como as rochas, ou ainda mais duros. De algumas rochas brotam rios e outras se fendem e delas mana a água, e há ainda outras que desmoronam, por temor a Deus. Mas Deus não está destanto a tudo quanto fazeis." (Alcorão 2:74)

"Se ao menos quando Nosso castigo os açoitou, se humilhassem… Não obstante, seus corações se endureceram e Satanás lhes abrilhantou o que faziam." (Alcorão 6:43)

"Porventura, aquele a quem Deus abriu o coração ao Islam, e está na Luz de seu Senhor … (não é melhor do que aquele a quem sigilou o coração)? Ai daqueles cujos corações estão endurecidos para a recordação de Deus! Estes estão em evidente erro!" (Alcorão 39:22)

Corações sigilados

"(Porém, fizemo-los sofrer as consequências) por terem quebrado o pacto, por negarem os versículos de Deus, por matarem iniquamente os profetas, e por dizerem: Nossos corações estão insensíveis! Todavia, Deus lhes obliterou os corações, por causa de suas perfídias. Em quão pouco acreditam!" (Alcorão 4:155)

"Não meditam, acaso, no Alcorão, ou que seus corações são insensíveis?" (Alcorão 47:24)

"Não é, porventura, elucidativo para aqueles que herdaram a terra dos seus antepassados que, se quiséssemos, exterminá-los-íamos por seus pecados e selaríamos os seus corações para que não compreendessem?" (Alcorão 7:100)

"Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:7)

"Ó Mensageiro, que não te atribulem aqueles que se digladiam na prática da incredulidade, aqueles que dizem com suas bocas: Cremos!, conquanto seus corações ainda não tenham abraçado a fé. Entre os judeus, há os que escutarão a mentira e escutarão mesmos outros, que não tenham vindo a ti. Deturpam as palavras, de acordo com a sua conveniência, e dizem (a seus seguidores): Se vos julgarem, segundo isto (as palavras deturpadas), aceitai-o; se não vos julgarem quanto a isso, precavei-vos! Porém, a quem Deus quiser pôr à prova, nada poderás fazer para livrá-lo de Deus. São aqueles cujos corações Deus não purificará, os quais terão um aviltamento neste mundo, e no outro sofrerão um severo castigo." (Alcorão 5:41)

"Logo, depois dele, enviamos mensageiros aos seus povos, os quais lhes apresentaram as evidências; mesmo assim, não creram no que antes haviam desmentido. Assim, sigilamos os corações dos transgressores." (Alcorão 10:74)

"Tais eram as cidades, de cujas histórias te narramos algo: sem dúvida que seus mensageiros lhes haviam apresentado as evidências; porém, era impossível que cressem no que haviam desmentido anteriormente. Assim, Deus sigila os corações dos incrédulos." (Alcorão 7:101)

"Serão recriminados aqueles que, sendo ricos, pediram-te para serem eximidos, porque preferiram ficar com os incapazes. Mas, Deus selou suas mentes, de sorte que não compreendem." (Alcorão 9:93)

"Dize-lhes: Que vos pareceria se Deus, repentinamente, vos privasse da audição, extinguisse-vos a visão e vos selasse os corações? Que outra divindade, além de Deus, poderia restaurá—los? Repara em como lhes expomos as evidências e, não obstante, as desdenham!" (Alcorão 6:46)

Todos os versículos acima, explicitamente admitem que a fé não é algo completamente físico, mas que está vinculada ao coração. A pessoa cujo coração não se endureceu ou não foi sigilado, tem um tendência natural para conhecer Deus e obedecê-Lo. Quando a religião lhe é transmitida, ela percebe a verdade com o seu coração e imediatamente crê. Por outro lado, em relação aos incrédulos, o processo é diferente. Seus corações estão mortos e selados, estão destituídos de sabedoria porque se endureceram. Portanto, não há a possibilidade de eles crerem. Alguns versículos do Alcorão fazem referência aos incrédulos que não crêem no que quer que seus olhos vêem, ou no que seus ouvidos ouvem, ao passo que outros versículos falam do modo como os fiéis sabem obedecer:

"A palavra provou ser verdadeira sobre a maioria deles, pois que são incrédulos. Nós sobrecarregaremos os seus pescoços com correntes até ao queixo, para que andem com as cabeças hirtas. E lhes colocaremos uma barreira pela frente e uma barreira por trás, e lhes ofuscaremos os olhos, para que não possam ver. Tanto se lhes dá que os admoestes ou não; jamais crerão. Admoestarás somente quem seguir a Mensagem e temer intimamente o Clemente; anuncia a este, pois, uma indulgência e uma generosa recompensa." (Alcorão 36:7-11)

"Quanto aos incrédulos, tanto se lhes dá que os admoestes ou não os admoestes; não crerão. Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:6-7)

"Certamente, tu não poderás fazer os mortos ouvir, nem fazer-te ouvir pelos surdos (especialmente) quando fogem, como tampouco és guia dos cegos em seu erro, porque só podes fazer-te escutar por aqueles que crêem nos Nossos versículos e são muçulmanos." (Alcorão 27:80-81)

Além dos incrédulos, cujos corações se endureceram e, por isso, perderam a sabedoria, existem também as pessoas que ainda não conhecem a religião, mas seus corações estão vivos e elas possuem almas. Quando a religião lhes é transmitida, elas compreendem que a religião é verdadeira e imediatamente passam a crer em Deus e em Sua religião. O grande contraste entre estes dois grupos de pessoas, os incrédulos com os corações endurecidos e aqueles que não conhecem a religião, é que o primeiro é arrogante e o outro grupo é modesto, simples e humilde. ( Mais adiante, modéstia e arrogância serão estudadas mais detalhadamente.) Um exemplo pode ser encontrado no Alcorão, a respeito dos judeus que são arrogantes e pretenciosos e, consequentemente "seus corações se endureceram" (Alcorão 5:13) e aqueles que são modestos. O Alcorão declara:

"Constatarás que os piores inimigos dos fiéis, entre os humanos, são os judeus e os idólatras. Constatarás que, aqueles que estão mais próximos do afeto dos fiéis, são os que dizem: Somos cristãos!, porque possuem sacerdotes e não se ensoberbecem de coisa alguma. E, ao escutarem o que foi revelado ao Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes brotarem nos olhos; reconhecem naquilo a verdade, dizendo: Ó Senhor nosso, cremos! Inscreve-nos entre os testemunhadores!" (Alcorão 5:82-83)

Quando a religião é transmitida às pessoas que têm uma natureza mais parecida com a dos crentes, dizem "Senhor Nosso! Ouvimos um pregoeiro que nos convoca à fé dizendo: Crede em vosso Senhor! E cremos …" (Alcorão 3:193). Quanto aos incrédulos, estes sempre resistem e mostram um comportamento contrário. Esta profunda diferença se dá porque os membros desses dois grupos são de naturezas diferentes. Os incrédulos são destituídos de sabedoria e alma para compreenderem o Alcorão. Conforme mencionado em muitos versículos, não há necessidade de sentir tristeza porque eles não crêem. O único objetivo que eles têm em mente é ganhar sempre mais em prazer: comer mais e gastar mais. Na verdade, são graças doadas por Deus, mas que somente os crentes apreciam. Os incrédulos somente se beneficiam da graça que eles conseguem perceber à volta deles – não compreendem que são graças dadas por Deus somente. Por isso é que eles podem pensar como uma espécie inteligente de macaco: no final das contas, somente um macaco, um animal … (Curioso que muitos deles, ao aceitarem a teoria da evolução de Darwin, se acham membros de uma espécie mais evoluída de macaco).

O HOMEM SENSATO E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA

O fato de que a sabedoria tem sua sede no coração, indica que ela é totalmente metafísica. A sabedoria é dada por Deus e Ele a retira quando Lhe apraz. (A inteligência também é dada por Deus, mas o nível de inteligência não muda através do tempo). O progresso da sabedoria depende do progresso do coração – que seria um coração repleto da "recordação de Deus".

O coração de uma pessoa que se submete completamente a Deus, ganha em sabedoria. Assim diz o Alcorão:

"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles, cujos corações abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissenções, interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a verdadeira interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo emana do nosso Senhor. Mas, ninguém o admite, salvo os sensatos. (Alcorão 3:7)

Em alguns outros versículos é dito que pensar e recordar a mensagem, e compreendê-la, é uma característica das "pessoas que são sábias".

"Ele concede sabedoria a que Lhe apraz, e todo aquele que for agraciado com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos, ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)

"Em suas histórias, há um exemplo para os sensatos. É inconcebível que seja uma narrativa forjada, pois é a corroboração das anteriores, a elucidaçção de todas as coisas, orientação e misericórdia para os que crêem. (Alcorão 12:111)

"Esta é uma mensagem para os humanos, a fim de que com ela sejam admoestados, e saibam que somente Ele é o Deus Único, e para que os sensatos nela meditem." (Alcorão 14:52)

"Acaso, quem está ciente da verdade que tem sido revelada pelo teu Senhor é comparável àquele que é cego? Só o entendem os sensatos." (Alcorão 13:19)

Portanto, o que quer dizer "homens sensatos"? Por que uma pessoa é sensata e o seu coração é puro?

A resposta é facilmente encontrada no Alcorão. Os fatos que encobrem a compreensão de uma pessoa são seus desejos e paixões. Uma pessoa invejosa, por exemplo, tem sua capacidade de compreensão prejudicada em grande parte. A sua inveja a impede de compreender; ela pensa o dia inteiro na pessoa objeto de sua inveja, ela sente raiva e ódio. Tal pessoa não tem calma e tranquilidade para analisar os fatos, perdendo, assim, sua capacidade de entender as coisas.

Da mesma forma, outras paixões também encobrem essa compreensão. A paixão pelo dinheiro faz com que a pessoa pense apenas em como ganhar mais dinheiro. Todavia, na maior parte dos casos, essa pessoa não pode sequer administrar seus bens, porque sua paixão a impede de agir com sabedoria e tomar as decisões corretas.

Uma característica importante dos incrédulos é o medo contínuo que eles têm a respeito do futuro. Estão sempre com medo da pobreza, ou de perder o que possuem, ou de ficarem doentes, etc. Perdem horas pensando na espécie de vida que os aguarda no futuro. Este medo e ansiedade os perturba e é um obstáculo para a capacidade de discernimento. Este medo também se aplica ao "medo da morte"; muitos incrédulos temem e se afligem sempre que pensam na morte. A morte é um evento de um simples segundo, no entanto os incrédulos se preocupam com ele por 40 ou 50 anos. (A morte para os crentes não é motivo de preocupação).

Esses medos e paixões impedem a compreensão. A todo instante, a pessoa age totalmente sob a influência desses sentimentos e não consegue perceber o que de fato ela necessita pensar. A coisa mais importante que ela precisa pensar é sobre a excelência da criação de Deus e que Ele é o mais Exaltado em Poder e Sabedoria. O homem tem a obrigação de glorificar a Deus e adorá-Lo. No entanto, isto só é possível se tiver um coração puro, que não esteja fechado para o entendimento. Somente o homem sensato, que se libertou de seus medos e desejos egoístas pode conceber Deus e obedecê-Lo.

O Alcorão diz que as evidências de Deus só podem ser entendidas por aqueles que são sensatos:

"Na criação dos céus e da terra e na alternância do dia e da noite há sinais para os sensatos." (Alcorão 3:190)

"Tal homem poderá, acaso, ser equiparado àquele que se consagra (ao seu Senhor) durante as horas da noite, quer esteja prostrado, quer esteja em pé, que se precata em relação à outra vida e espera a misericórdia do seu Senhor? Dize: Poderão, acaso, equiparar-se os sábios com os insipientes? Só os sensatos o acham." (Alcorão 39:9)

"Não reparas, acaso, em que Deus faz descer a água do céu e a transforma em fontes, na terra? Logo produz, com ela, plantas multicores; logo amadurecem e, às vezes, amarelam; depois converte (as plantas) em feno. Por certo que nisto há uma Mensagem para os sensatos." (Alcorão 39:21)

Os sensatos são aqueles que se recordam da mensagem de Deus e aceitam o que é verdadeiro naquilo que aprenderam de outras pessoas. Não há arrogância em seus corações e por isso eles podem abandonar facilmente o comportamento errado. Quando conversam com os outros, seu objetivo é descobrir o que é certo e não forçar a que aceitem suas opiniões. Deus se refere a essas pessoas como os "Que escutam as palavras e seguem o melhor (significado) delas! São aqueles que Deus encaminha, e são os sensatos.". (Alcorão 39:18)

Os incrédulos não possuem sabedoria e compreensão, por isso não percebem os sinais à sua volta. Embora os céus e a terra estejam repletos de provas da existência de Deus, os incrédulos não conseguem ver nada, porque não têm a mente aberta: suas mentes estão embotadas. São como avestruzes, que escondem a cabeça na areia. Os incrédulos pensam apenas em seus próprios benefícios e não alcançam as evidências de Deus. E é por isso que Deus chama os "sensatos" para acreditarem Nele e temê-Lo.

"… ó sensatos, temei a Deus, quiçá assim prospereis." (Alcorão 5:100)

Há muitas passagens no Alcorão que mostram a forma como os incrédulos são informados; Deus e Seus mensageiros os chamam para a sabedoria no primeiro momento.

"Antes de ti, não enviamos homens que habitavam as cidades, aos quais revelamos a verdade. Acaso, não percorreram a terra para observar qual foi o destino dos seus antecessores? A morada da outra vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 12:109)

"Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Tora e o Evangelho não foram revelados senão depois dele? Não raciocinais?" (Alcorão 3:65)

"Enviamos-vos o Livro, que encerra uma Mensagem para vós; não raciocinais? (Alcorão 21:10)

"Dize (ainda mais): Vinde, para que eu vos prescreva o que vosso Senhor vos vedou: Não Lhe atribuais parceiros; tratai com benevolência vossos pais; não sejais filicidas, por temor à miséria – Nós vos sustentaremos, tão bem quanto aos vossos filhos -; não vos aproximeis das obscenidades, tanto pública, como privadamente, e não mateis, senão legitimamente, o que Deus proibiu matar. Eis o que Ele vos prescreve, para que raciocineis." (Alcorão 6:151)

"Sucedeu-lhes uma geração que herdou o Livro, a qual escolheu as futilidades deste mundo, dizendo: Isto nos será perdoado! E se lhes fosse oferecido outro igual, tê-lo-iam recebido (e transgredido novamente). Acaso, não lhes havia sido imposta a obrigação, estipulada no Livro, de não dizer de Deus mais que a verdade? Não obstante, haviam estudado nele! Sabei que a morada da outra vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 7:169)

"Dize: Se Deus quisesse, não vo-lo teria eu recitado, nem Ele vo-lo teria dado a conhecer, porque antes de sua revelação passei a vida entre vós. Não raciocinais ainda?" (Alcorão 10:16)

"Que é a vida terrena senão jogo e diversão frívola? A morada na outra vida é preferível para os tementes. Não o compreendeis?" (Alcorão 6:32)

As únicas pessoas que podem alcançar e compreender as evidências da criação de Deus e a Sua existência são os sensatos:

"E na terra há regiões fronteiriças (de diversas características); há plantações, videiras, sementeiras e tamareiras, semelhanetes (em espécie) e diferentes (em variedade); são regadas pela mesma água e distinguimos umas das outras no comer. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão 13:4)

"Dize (mais): Ele é capaz de infligir-vos um castigo celestial ou terreno, ou confundir-vos em seitas, fazendo-vos experimentar tiranias mútuas. Repara em como dispomos as evidências, a fim de que as compreendam." (Alcorão 6:65)

"Foi Ele Quem vos produziu de um só ser e vos proporcionou uma estância para descanso. Temos elucidado os versículos para os sensatos."  (Alcorão 6:98)

"Assim, Ele vos elucida os Seus versículos para que raciocineis." (Alcorão 24:61)

"E dos frutos das tamareiras e das videiras, extraís bebida e alimentação. Nisto há sinal para os sensatos." (Alcorão 16:67)

"E submeteu, para vós, a noite e o dia; o sol, a lua e as estrelas estão submetidos às Suas ordens. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão 16:12)

"Apresenta-vos, ainda, um exemplo tomado de vós mesmos. Porventura, compartilharíeis daqueles que as vossas mãos direitas possuem parceiros naquilo de que vos temos agraciado e lhes concederíeis partes iguais às vossas? Temei-os acaso, do mesmo modo que temeis uns aos outros? Assim elucidamos os Nossos versículos aos sensatos." (Alcorão 30:28)

"(Moisés) disse: É o Senhor do Oriente e do Ocidente, e de tudo quanto existe entre ambos, caso raciocineis!" (Alcorão 26:28)

"E entre os Seus sinais, está o fato de os céus e a terra se manterem sob o Seu Comando, e, quando vos chamar, uma só vez, eis que saireis da terra."  (Alcorão 30:24)

É por intermédio da sabedoria e compreensão que o homem se torna mais nobre e mais próximo de Deus. Quanto àqueles destituídos de compreensão, inclusive os incrédulos, não conhecem e não compreendem Deus.

Existem níveis de compreensão. Quanto mais a pessoa se libertar de suas paixões e egoísmo, mais ela crescerá em sabedoria.

Ou o homem obedece a Deus ou se submete aos seus caprichos. Se ele odedecer a Deus, será salvo da tirania de suas paixões e se tornará um sensato. No entanto, se preferir seus desejos e paixões, tomando-os como seu deus,  ficará totalmente destituído de entendimento. Toda a sua vida, seu comportamento, seus pensamentos, tudo será em função dos desejos e paixóes ilimitados de sua alma.

Se os desejos governarem a vida da pessoa, seu coração será sigilado, perdendo, assim, as propriedades de "compreensão" (9:87), e "conhecimento" (9:93), tornando-se embotado e perdendo a sua sensibilidade. O coração, então, perde a sua luz e se fecha. Nessas condições, não funciona adequadamente e se torna destituído de sabedoria.

Além disso, tal pessoa não percebe o que perdeu porque também perdeu os critérios de julgamento do certo e do errado. Embora aquele que se torna sensato tenha clara percepção desse estado, o mesmo não se dá com aquele que perdeu esta capacidade. É como um alienado que não sabe que é alienado. Somente através do processo de consciência é que ela pode perceber o quanto era alienada.

A pessoa destituída de sabedoria é como um animal inteligente. Assim diz o Alcorão:

"O exemplo de quem exorta os incrédulos é semelhante ao daquele que chama as bestas, as quais não ouvem senão gritos e vozerios. São surdos, mudos, cegos, porque são insensatos." (Alcorão 2:171)

Esta não é aquela espécie de insanidade típica, comumente conhecida. As pessoas destituídas de sabedoria não são, na verdade, loucas, mas, apenas não pensam com a sabedoria de seus corações. "Pensar com a sabedoria do coração" traz liberdade de ver tudo com o "conhecimento, a concepção e a luz do coração". Quando a sabedoria está sob a influência dos desejos e paixões, temos um estado simples e limitado de inteligência e ela agirá apenas como intermediadora entre os objetos e os acontencimentos. Esta "sabedoria" nunca será independente, não obstante a pessoa achar que é. Ela se proclamará independente e agirá como tal, mas, este é o seu grande equívoco, porque, na verdade, estará sob o domínio de suas paixões e agirá de acordo com as suas regras.

As paixões também são ídolos, conforme Abraão perguntou a seu pai, "Ó meu pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em nada pode valer-te?" (19:42). Os desejos comandam a pessoa. Só há uma coisa que torna o homem livre: adorar e obedecer a seu verdadeiro Deus – Alá.

SABEDORIA E ROMANTISMO

Um dos fatos mais importantes que encobrem a sabedoria, é o sentimentalismo, ou seja, o romantismo. Ele é um estado perigoso e daninho da personalidade, que impede a pessoa de compreender.

O sentimentalismo pode ser definido como as emoções que escapam do controle da sabedoria, deixando a pessoa totalmente ao sabor de suas emoções. A pessoa sentimental e comporta de forma irracional porque está sob a influência de suas emoções. O crente, ao contrário, guia suas emoções com sabedoria e age de acordo.

O amor, por exemplo, pode ser tanto emocional como racional. A pessoa sentimental ama as pessoas e objetos que, na verdade, não mercem ser amados. As pessoas amam coisas que lhes causam sofrimento ou que não as respeitam.

O amor dos crentes é totalmente sensato. Os crentes amam as pessoas por suas caracterísitcas de correção, que também são os sinais de sua fé, conforme mencionado no Alcorão. Os crentes não amam as pessoas que não merecem ser amadas.

Frequentemente, o Alcorão adverte os crentes para evitarem o amor emocional:

"Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque credes em Deus, vosso Senhor! Quando sairdes para combater pela Minha causa, procurando a Minha complacência (não os tomeis por confidentes), confiando-lhes as vossas intimidades, porque Eu, melhor do que ninguém, sei tudo quanto ocultais, e tudo quanto minifestais. Em verdade, quem de vós assim proceder, desviar-se-á da verdadeira senda.

Se lograssem tirar o melhor de vós, mostrar-se-iam vossos inimigos, estenderiam as mãos e as línguas contra vós, desejando fazer-vos rejeitar a fé.

De nada vos valerão os vossos parentes ou os vossos filhos, no Dia da Ressurreição. Ele vos separará; sabei que Deus bem vê tudo quanto fazeis.

Tivestes um excelente exemplo em Abraão e naqueles que o seguiram, quando disseram ao seu povo: Em verdade, não somos responsáveis por vossos atos e por tudo quanto adorais, em lugar de Deus. Renegamos-vos e iniciar-se-á uma inimizade e um ódio duradouros entre nós e vós, a menos que creiais unicamente em Deus! Todavia, as palavras de Abraão para o pai: - Implorarei o perdão para ti, embora nada venha a obter de Deus em teu favor – foram uma exceção. (Dizei, ó crentes): Ó Senhor nosso, a Ti nos encomendamos e a Ti nos voltamos contritos, porque para Ti será o retorno." (Alcorão 60:1-4)

Nos versículos "Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque credes em Deus, vosso Senhor!", Deus diz que amar pessoas que, na verdade, são nossas inimigas é totalmente irracional. Devotar o nosso amor a tais pessoas depende única e exclusivamente da emoção.

Há, também, outras passagens no Alcorão que chamam nossa atenção para os mesmo riscos. Noé, por exemplo, pediu perdão a Deus para seu filho por não ter pedido para ser salvo da enchente. E Deus disse a Noé que seu filho estave entre os incrédulos e que ele (Noé) não deveria oferecer-lhe o seu amor.

"E ela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas, e Noé chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: Ó filho meu, embarca conosco e não fiques com os incrédulos! Porém, ele disse: Refugiar-me-ei em um monte, que me livrará da água. Retrucou-lhe Noé: Não há salvação para ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem Ele se apiade. E as ondas os separaram, e o filho foi um dos afogados…E Noé clamou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, meu filho é da minha família; e Tua promessa é verdadeira, pois Tu és o mais equânime dos juízes! Respondeu-lhe: Ó Noé, em verdade ele não é da tua família, porque sua conduta é injusta; não Me perguntes, pois, acerca daquilo que ignoras; exorto-te a que não sejas um dos insipientes! Disse: Ó Senhor meu, refugio-me em Ti por perguntar acerca do que ignoro e, se não me perdoares e Te compadeceres de mim, serei um dos desventurados." (Alcorão 11:42-47)

A ordem de Deus, nestes versículos, é de uma clareza cristalina. Os crentes não podem amar os incrédulos, ainda que sejam membros de sua família. A sabedoria mostra que devemos amar aqueles que merecem. Portanto, não há a menor chance de os crentes amarem pessoas que não obedecem aos mandamentos de Deus e esse tipo de amor é um amor emocional, e que é típico das comunidades de ignorantes.

As esposas de Noé e de Lot também eram infiéis e foram punidas por Deus. A comunidade de Lot havia se desviado e, por isso, foi destruída. No dia anterior à destruição, os anjos vieram até Lot e disseram-lhe para abandonar a cidade, mas que deixasse sua esposa lá. Sem hesitação, Lot obedeceu, porque o seu amor por ela não era emocional.

"Disseram-lhe (os anjos): Ó Lot, somos os mensageiros do teu Senhor; eles jamias poderão atingir-te. Sai, pois, com a tua família, no decorrer da noite, e que nenhum de vós olhe para trás. À tua mulher, porém, acontecerá o mesmo que a eles. Tal senteça se executará ao amanhecer. Acaso, não está próximo o amanhecer?" (Alcorão 11:81)

Da mesma forma que Lot, não há um sequer, entre os crentes, que ofereça o seu amor a pessoas que desobedecem a Deus:

"Não encontrarás povo algum que creia em Deus e no Dia do Juízo Final, que tenha relações com aqueles que contrariam Deus e o Seu Mensageiro, ainda que sejam seus pais ou seus filhos, seus irmãos ou parentes. Para aqueles, Deus lhes firmou a fé nos corações e os confortou com o Seu Espírito, e os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão n´Ele. Estes formam o partido de Deus. Acaso, não é certo que os que formam o partido de Dues serão os bem-aventurados?" (Alcorão 58:22)

A razão para este comportamento racional dos crentes é a "compreensão do amor". Diz o Alcorão, no que se refere à diferença na compreensão do amor:

"Entre os humanos, há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele), aos quais professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e Ele é Severíssimo no castigo. (Alcorão 2:165)

Conforme mencionado nos versículos acima, os crentes, na verdade, amam Deus. O amor que devotam aos homens, nada mais é do que o reflexo do seu amor por Deus, e é por isso que eles amam aqueles que são fiéis também. Quanto aos incrédulos, estes só obedecem a seus desejos e paixões, razão por que se afastaram de Deus. O seu comportamento e modos lembram os de Satanás. Por isso, é impossível para o crente amá-los. Os incrédulos consideram cada criatura apartada de Deus e por isso, os ama separadamente. Esta espécie de amor "é atribuir parceiro a Deus" – ou seja, isto é idolatria.

O comportamento oposto à emoção, a que se refere o Alcorão, não consiste apenas no amor. Há muitos exemplos de comportamentos racionais no Alcorão: na relação de Moisés com um dos servos de Deus, a quem Ele agraciou com a Sua Misericórdia e a quem deu o conhecimento de Sua própria Presença, os prejuízos menores são considerados benefícios maiores (18:65-82); com relação ao papel do sacrifício, Ismael disse a seu pai  "Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes!" (37:102); e a mãe de Moisés, assim que recebe a inspiração de Deus, coloca o filho no rio sem hesitação (28:7); e os crentes sufocam sua raiva e perdoam os homens (3:134); e não se desesperam com relação a coisas que estão além de sua compreensão (57:23); e gastam daquilo que eles mais apreciam (3:92).

No entanto, há um ponto importante que não deve ser compreendido erradamente. Não ser possuído pela emoção não quer dizer que a pessoa seja insensível ou indelicado. O Alcorão diz que   "Sabei que Abraão era sentimental, tolerante." (9:114) O que está errado com a emoção é que ela se origina de uma convicção ignorante. As emoções são fruto da alma e não no espírito.

AS RAÍZES DA SABEDORIA

Uma vez que a sabedoria está relacionada com a metafísica, alcançar a sabedoria está também relacionada a essa ciência. Encontramos, no Alcorão, os caminhos para se alcançar a sabedoria; a sabedoria começa com o temor a Deus.

"Ó fieis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência." (Alcorão 8:29)

O temor a Deus faz com que o homem compreenda os atributos de Deus e entenda o dia do julgamento, e, numa etapa posterior, ele terá a capacidade de julgar o certo do errado. Esta espécie de entendimento é o resultado do fato de que o temor a Deus suaviza o coração da pessoa.

"Deus revelou a mais bela Mensagem: um Livro homogêneo (com estilo e eloquência), e reiterativo. Por ele, arrepiam-se as peles daqueles que temem seu Senhor; logo, suas peles e corações se apaziguam, ante a recordação de Deus. Tal é a orientação de Deus, com a qual encaminha quem Lhe apraz. Por outra, quem Deus desviar não terá orientador algum." (Alcorão 39:23)

O homem deve tentar aumentar o seu temor a Deus. Deve orar, e tentar compreender os atributos de Deus melhor e que Ele é Poderoso e Exalatado.

"Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e fazei a caridade, que isso erá preferível para vós! Aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 64:16)

O homem de discernimento tem uma profunda concepção dos atributos de Deus e da religião, ao passo que os homens destituídos de entendimento são citados no Alcorão como tendo "cobertas sobre os corações (e mentes) a fim de que não possam entender o Alcorão".

"E sigilamos os seus corações para que não o compreendessem, e ensurdecemos os seus ouvidos. E, quando, no Alcorão, mencionas unicamente teu Senhor, voltam-te as costas desdenhosamente." (Alcorão 17:46)

O Alcorão, em muitas passagens, se refere aos incrédulos que não entendem e nem concebem as verdades. Percebem as realidades ditas a eles através dos sentidos físicos; ouvem e vêm, mas não compreendem o significado. É uma espécie de estado de embriaguês e perda da consciência e isto á alguma coisa metafísica. Deus diz que Ele coloca véus sobre seus corações:

"E haverá alguém mais iníquo do que quem, ao ser exortado com os versículos do seu Senhor, logo os desdenha, esquecendo-se de tudo quanto tenha cometido? Em verdade, sigilamos as suas mentes para que não os compreendessem e ensurdecemos os seus ouvidos; e ainda que os convides à orientação, jamais se encaminharão." (Alcorão 18:57)

Os incrédulos algumas vezes, até, confessam que não compreendem a verdadeira religião que lhes foi comunicada. Da mesma forma que o povo de Madian ao dizer a Xuaib,  "Ó Xuaib, não compreendemos muito do que dizes e, para nós, és incapaz; se não fosse por tua família, ter-te-íamos apedrejado, porque não ocupas grande posição entre nós." (Alcorão 11:91)

Quando o coração do homem é encoberto por um véu e Deus tira toda a sua compreensão, não há a menor possibilidade de ele seguir o caminho verdadeiro, a menos que Deus assim o queira.

"Entre eles, há os que te escutam. Poderias fazer ouvir os surdos, uma vez que não entendem? E há os que te perscrutam; acaso, poderias fazer ver os cegos, uma vez que não enxergam?" (Alcorão 10:42-43)

Portanto, somente as pessoas que possuem a fé e agem corretamente são capazes de compreender. Além disso, os crentes também estão obrigados a transmitir a verdadeira religião:

"Dize: Esta é a minha senda. Apregôo Deus com lucidez, tanto eu como aqueles que me seguem." (Alcorão 12:108)

"Já vos chegaram as evidências do vosso Senhor! Quem as observar será em benefício próprio; quem se obstinar (em negá-las) será igualmente em seu prejíxo, e eu não sou vosso guardião." (Alcorão 6:104)

Uma vez que os incrédulos são destituídos de compreensão, eles pensam que lhes é benéfico se desviarem. Escolheram o inferno e estão satisfeitos com a escolha.

  "Depois da partida do Mensageiro de Deus, os que permaneceram         regozijavam-se de terem ficado em seus lares e recusado sacrificar os seus bens e pessoas pela causa de Deus; disseram: Não partais durante o calor! Dize-lhes: O fogo do inferno é mais ardente ainda! Se o compreendessem…! (Alcorão 9:81)

"E se for revelada uma surata que lhes prescreva: Crede em Deus e lutai      junto ao Seu Mensageiro! Os opulentos, entre eles, pedir-te-ão para serem eximidos e dirão: Deixa-nos com os isentos! Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem. (Alcorão 9:86-87)

DISPLICÊNCIA E ATENÇÃO

Em muitas passagens, o Alcorão diz que os incrédulos destituídos de compreensão também reconhecem que estão em estado de displicência.

;Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos com corações com os quais não compreendem, olhos com os quais não vêem, e ouvidos com os quais não ouvem. São como as bestas, quiçá pior, porque são displicentes.(Alcorão 7:179)

São aqueles aos quais Deus selou os corações, os ouvidos e os olhos; tais são os desatentos. (Alcorão 16:108)

Além de não perceberem seus próprios comportamentos e critérios errados, as pessoas que são displicentes também esperam parecer inocentes e tentam diminuir o grau de suas iniquidades. Contudo, não é possível libertarem-se das faltas, através de desculpas posteriores, conforme mencionado no Alcorão:

Mais, ainda, o homem será a evidência contra si mesmo, ainda que apresente quantas escusas puder. (Alcorão 75:14-15)

Apresentar desculpas é apenas uma forma de encobrir o estado causado pelos desejos e paixões. O Alcorão se refere a essas escusas como:

Porém, se quando se depararem com o comércio ou com a diversão, se dispersarem, correndo para eles e te deixarem a sós, dize-lhes: O que será relacionado com Deus é preferível à diversão e ao comércio, porque Deus é o melhor dos provedores. (Alcorão 62:11)

E se aproximar a verdadeira promessa. E eis os olhares fixos dos incrédulos, que exclamarão: Ai de nós! Estivemos desatentos quanto a isto; qual, fomos uns iníquos!" (Alcorão 21:97)

Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis, desejando o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração permitimos negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações.(Alcorão 18:28)

Ao invés de apresentar alguma forma de desculpa, seria mais sábio para ele tentar compreender sua iniquidade. Somente esta atitude salvá-lo-á do estado de desatenção e de extravio em que ele se encontra.

Aproxima-se a prestação de contas dos homens que, apesar disso, estão desdenhosamente desatentos. (Alcorão 21:1)

Enquanto o descrente está desatento, o crente está alerta, consciente e atento. Os crentes têm consciência de que Deus conhece tudo sobre os homens e de que Ele está em toda a parte. Sabe, também,  que na outra vida, Ele chamará cada um de nós para a prestação de contas. O crente atento está sempre alerta sobre tudo o que o rodeia. Deus registra e anota de tudo, sem exceção de um único   acontecimento. Na verdade, cada evento e cada objeto tem um grande propósito e está além da sabedoria. Os crentes, permanecendo alertas e atentos, entendem cada detalhe específico.

Por outro lado, os incrédulos são negligentes. Como não imaginam que os eventos estão todos vinculados a um objetivo maior, eles estão num estado de desatenção e negligência. Só prestam atenção aos seus próprios interesses. Portanto, eles estão interessados somente em certos aspectos de certos acontecimentos e, por isso,  não podem perceber as relidades que os rodeiam e optam por resultados falsos.

Existem vários aspectos de atenção. Prestar atenção aos acontecimentos, ponderar e compreender, perceber as evidências à sua volta, pensar sobre algumas ações, são sinais de atenção. O Alcorão cita muitos exemplos de comportamentos atentos dos crentes. Moisés, por exemplo, reconhece  o fogo perante todas as pessoas em volta dele, e na verdade ele descobre que não era um fogo comum. Então, perto do fogo, Deus comunica a Moisés: (Alcorão 20:10-16)

Além do fato de que os crentes são cuidadosos individualmente, também é importante que a comunidade de crentes esteja vigilante e seja precavida. A regra do "ser perseverante", contida   na Surata 3, versículo 200, é um exemplo disto. Desta forma, enquanto alguns crentes lidam com situações diferentes, outros devem esperar vigilantemente e em estado de alerta.

Um estado de fadiga, indiferença, despreocupação e insensibilidade, de não cuidar as coisas, são traços característicos dos incrédulos. Portanto, os crentes devem sempre ser extremamente cuidadosos, vigilantes e alertas. Os crentes são animados, vivos, fortes, ávidos e entusiastas e além disso, eles também tornam os outros crentes entusiastas.

SEGUIR A CONJECTURA

Quando um homem vive em estado de desatenção ele não compreende e não pode perceber nada, ele não possui critérios para fazer julgamentos verdadeiros. Tal pessoa naturalmente se comporta de forma ilógica e desarrazoada. Toda a sua vida é baseada em conceitos ilógicos mas ele não percebe isto.

O princípio essencial da sabedoria  é não acreditar em uma presunção, até que ela seja provada definitivamente. Ninguém que seja inteligente e razoável baseia sua vida em alguma coisa que não esteja provada. Por exemplo, ninguém toma um medicamento que não seja totalmente conhecido, achando que talvez ele seja bom. Cada ação deve ser baseada em verdades certas.

No entanto, os incrédulos   baseiam suas vidas em meras suposições. Eles não acham que viverão uma vida após a morte. Não imaginam que pagarão pelo que tiverem feito ou acham que não serão inculpados, mesmo que exista um acerto final. Todo sistema e ideologia que eles admitem estão baseados em algumas espécies de conjecturas e, assim, sua visão de mundo não depende de uma base verdadeira e correta.

Na Surata 18, temos o caso dos dois fazendeiros, um deles descrente e o outro um crente. Conforme mencionado acima, o descrente neste caso, baseou sua vida em algumas suposições e conjeturas falsas:

Expõe-lhes o exemplo de dois homens: a um deles concedemos dois parreirais, que rodeamos de tamareiras e, entre ambos, dispusemos plantações. Ambos os parreirais frutificaram, sem em nada falharem, e no meio deles fizemos brotar um rio. E abundante era a sua produção. E disse ao seu vizinho: Sou mais rico do que tu e tenho mais poderio. Entrou em seu parreiral num estado (mental) injusto para com a sua alma. Disse: Não creio que (este parreiral) jamais pereça, como tampouco creio que a Hora chegue! Porém, se retornar ao meu Senhor, serei recompensado com outra dádiva melhor do que esta." (Acorão 18:32-36)

As afirmações feitas nesses versículos são importantes. O descrente diz que não acredita que seu pomar se acabe e nem que a hora do julgamento virá. Esta é uma simples suposição e não há prova concreta em relação a isso. No entanto, o proprietário considera essa suposição   falsa e inverídica como fundamento. A conclusão leva-o a total destruição, como o resto da história nos mostra:

Seu vizinho lhe disse, argumentando: Porventura negas Quem te criou, primeiro do pó, depois, de esperma e logo te moldou como homem? Quanto a mim, Deus é meu Senhor e jamais associarei ninguém ao meu Senhor. Por que quando entrastes em teu parreiral não dissestes: Seja o que Deus quiser, não existe poder senão em Deus! Mesmo que eu seja inferior a ti em bens e filhos, é possível que meu Senhor me conceda algo melhor do que o teu parreiral e que, do céu, desencadeie sobre o teu uma centelha, que o converta em um terreno de areia movedça. Ou que a água seja totalmente absorvida e nunca possas recuperá-la. E foram arrasadas as suas propriedades; e (o incrédulo, arrependido) retorcia, então, as mãos, pelo que nelas havia investido, e, vendo-as revolvidas, dizia: Oxalá não tivesse associado ninguém a meu Senhor! E não houve ajuda que o defendesse de Deus, nem pôde salvar-se. Assim, a proteção só incumbe ao Verdadeiro Deus, porque Ele é o melhor Recompensador e   o melhor Destino.(Alcorão 18:37:44)

Assim, todos os incrédulos se submetem a conjeturas e não à verdadeira sabedoria. O conhecimento que é verdadeiro, com a certeza exata, é o conhecimento que vem de Deus, que é inspiração- Se o homem quiser basear sua vida no conhecimento que é verdadeiro e com certeza exata, ele deve ter o Alcorão como seu livro e padrão de julgamento. Quanto ao homem que julga com base na ideologia, na filosofia, no sistema, na metodologia ou na ciência, não chegará ao conhecimento preciso, porque todas essas correntes de pensamento não provêm da fonte divina, não passando de simples suposições. Conforme mencionado no Alcorão "Embora careçam de todo o conhecimento a esse respeito. Não fazem senão seguir conjeturas, sendo que a conjetura jamais prevaleceu, em nada, sobre a verdade.(Alcorão 53:28)

O Alcorão define as pessoas que descartam o caminho de Deus  como submissos a simples suposições:

Que pereçam os inventores de mentiras! Que estão descuidados, submersos na confusão! Perguntam: Quando chegará o Dia do Juízo? (Será) o dia em que serão testados no fogo! (Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis aqui o que pretendestes apressar!(Alcorão 51:10-14)

Aqueles que associam outros deuses a Deus são, na verdade, todos submissos a suposições. No Alcorão está dito:

"Tais (divindades) não são mais do que nomes, com que as denominastes, vós e vossos antepassados, acerca do que Deus não vos conferiu autoridade alguma. Não seguem senão as suas próprias conjeturas e as luxúrias das suas almas, não obstante ter-lhes chegado a orientação do seu Senhor!" (Alcorão 53:23)

Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus e na terra? Que pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de Deus? Não seguem mais do que a dúvida e  não fazem mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 10:66)

Se obedeceres à maioria dos seres da terra, eles desviar-te-ão da senda de Deus, porque não professam mais do que a conjetura e não fazem mais do que inventar mentiras." (Alcorão 6:116)

Sua maioria não faz mais do que conjeturar, e a conjetura jamais prevalecerá sobre a verdade; Deus bem sabe tudo quanto fazem!(Alcorão 10:36)

Aqueles que se submetem às suposições acham que podem criar e oferecer algumas simples desculpas a Deus para salvaguardá-los. Na verdade, isto é mera conjetura e contradiz a realidade. Suas escusas não serão aceitas perante Deus.

Os idólatras dirão: Se Deus quisesse, nem nós, nem nossos pais, jamais teríamos idolatrado, nem nada nos seria vedado! Assim, seus antepassados desmentiram os mensageiros, até que sofreram o Nosso castigo. Dize: Tereis, acaso, algum argumento a nos expor? Qual! Não seguis mais do que conjeturas e não fazeis mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 6:148)

LEALDADE & OBEDIÊNCIA

Cada tipo humano é descrito detalhadamente no Alcorão, inclusive todas as caracterísitcas corruptas dos incrédulos.

Além do caráter dos incrédulos, o Alcorão também nos fala sobre as propriedades características dos crentes. Os fiéis que crêem em Deus, que receberam o alento de Sua alma e que obedecem a Ele, têm suas características baseadas em elevados valores morais.

Quando comparamos os dois lados, isto é, crentes e incrédulos, torna-se  evidente que seus comportamentos são definitivamente opostos. Os crentes, por exemplo, são leais e sinceros, enquanto os incrédulos são hipócritas e desleais. Os crentes são generosos, bravos e modestos, enquanto que os incrédulos são arrogantes, amedrontados e egoístas.

Uma outra diferença importante entre eles é o conceito de lealdade. Os incrédulos jamais são verdadeiramente leais. Tendo em vista que eles sempre preferem seus próprios interesses,   podem  facilmente enganar a seus amigos a quem juram amor e podem se comportar deslealmente. De igual modo, abandonam o caminho que aceitaram como verdadeiro e deixam de lutar por  aquilo que, até há pouco tempo atrás, lutavam com intensidade.

Os crentes, no entanto, são totalmente diferentes. Não almejam qualquer benefício egoísta senão a Vontade de Deus. Todo o seu comportamento está de acordo com a Vontade de Deus - assim, não há possibilidade de eles abandonarem àqueles a quem amam, os outros crentes, por qualquer razão e porque não podem deixar o verdadeiro caminho (lutar pela causa de Deus). São profundamente leais com os crentes e, em  especial com o profeta ou líder. Deus assim se refere à lealdade no Alcorão:

Entre os fiéis, há homens que cumpriram o que haviam prometido, quando da sua comunhão com Deus; há-os que o consumaram (ao extremo), e outros que esperam, ainda, sem violarem a sua comunhão, no mínimo que seja." (Alcorão 33:23)

Com lealdade, os fiéis todos lutam pelo mesmo objetivo e isto, que é o principal sinal de estabilidade e determinação, impede dúvidas e estimas frívolas. Esta é uma das características vitais dos fiéis, uma vez que a menor instabilidade na lealdade e na autenticidade provocará a perda do auto-respeito. Portanto, a pessoa que perde o auto-respeito, evolui na fraude, perde a fé e, consequentemente, se comporta da mesma forma que um descrente ou um hipócrita. É por isso que a infidelidade conduz a um resultado importante.  A pessoa infiel, tentando esconder este comportamento dos crentes, é levado a uma falsificação. A uma mentira segue-se outra, e, assumindo que ele ilude o crente, começa então uma nova maneira de viver. E é uma maneira distante dos crentes e com o objetivo de se beneficiar dos fiéis, sem qualquer sentimento de amor. Este homem não age pela causa da Vontade de Deus, mas pela vontade do homem e mente para manter seu crédito perante os crentes. Tentando encontrar desculpas para a sua infidelidade, ele se pretende inocente, mas isto não faz bem.

Os fatos aqui mencionados comprovam que o comportamento infiel acaba por transformar a crença em descrença. Quanto aos crentes, esses são leais até a morte e se comportam assim porque a sua lealdade é, na verdade, a lealdade para com Deus. Dentro desse raciocínio, o comportamento desleal significa, na verdade, a deslealdade para com Deus. Lealdade e obediência são unicamente para com Deus

Quem obedecer ao Mensageiro obedecerá a  Deus; mas quem se rebelar, saiba que não te enviamos para lhes seres guardião. (Alcorão 4:80)

A lealdade é um dos tópicos mais importantes, para o qual os fiéis devem estar bem atentos. O Alcorão fala sobre os hipócritas que esperam escapar da luta, embora jurem ser leais e que este é um acordo fundamental

Tinham prometido a Deus que não fugiriam (do inimigo). Terão que responder pela promessa feita a Deus! (Alcorão 33:15)

Não negocieis o pacto com Deus a vil preço, porque o que está ao lado de Deus é preferível para vós; se o soubésseis!" (Alcorão 16:95)

Não há dúvida de que a obediência é o sinal mais importante da lealdade e ela é mencionada em muitos versículos do Alcorão. Conforme diz o Alcorão, a obediência é a chave para a Misericórdia e o Paraíso, e a vitória contra os incrédulos.

Obedecei a Deus e ao Mensageiro, a fim de que sejais compadecidos.(Alcorão 3:132)

Tais são os preceitos de Deus. Àqueles que obedecerem a Deus e ao Seu Mensageiro, Ele os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Tal será o magnífico benefício." (Alcorão 4:13)

Ó fiéis, obedecei a Deus, ao Mensageiro e às autoridades, dentre vós! Se disputardes sobre qualquer questão, recorrei a Deus e ao Mensageiro, se crerdes em Deus e no Dia do Juízo Final, porque isso vos será preferível e de melhor alvitre. (Alcorão 4:59)

Jamais enviaríamos um mensageiro que não devesse ser obedecido, com a anuência de Deus. Se, quando se condenaram, tivessem recorrido a ti e houvessem implorado o perdão de Deus, e o Mensageiro tivesse pedido perdão por eles, encontrariam Deus, Remissório, Misericordiosíssimo. Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissensões e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então submeter-se-ão a ti espontaneamente." (Alcorão 4:64-65)

Aqueles que obedecem a Deus e ao Mensageiro, contar-se-ão entre os agraciados por Deus: profetas, verazes, mártires e virtuosos. Que excelentes companheiros serão! (Alcorão: 4:69)

A obediência é para ser aplicada em todas as ocasiões, independentemente de qualquer obstáculo ou complicação. A obediência sob dificuldades e problemas é peculiar aos crentes. Os hipócritas, no entanto, apenas obedecem quando não há muitas dificuldades a serem vencidas, e por isso o Alcorão diz que eles obedecerão se "houver ganhos imediatos e jornada fácil.

Quer estejais leve ou fortemente (armados), marchai (para o combate) e sacrificai vossos bens e pessoas pela causa de Deus! Isso será preferível para vós, se quereis saber. Se o ganho fosse imediato e a viagem fácil, ter-te-iam seguido; porém a viagem pareceu-lhes penosa. E ainda jurariam por Deus: Se tivéssemos podido, teríamos partido convosco! Com isso se condenaram, porque Deus bem sabia que eram mentirosos. (Alcorão 9:41-42)

Os crentes obedecem sob qualquer condição e se comprometem, ainda que tenham seus interesses contrariados. Esta é uma das principais diferenças entre os fiéis e os hipócritas.

Dizem: Cremos em Deus e no Mensageiro, e obedecemos. Logo, depois disso, uma parte deles volta as costas, porque não é fiel. E quando são convocados ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, eis que um grupo deles desdenha. Porém, se a razão está do lado deles, correm a ele, obedientes. Abrigam a morbidez em seus corações; duvidam eles, ou temem que Deus e Seu Mensageiro os defraudem? Qual!É que eles são uns iníquos! A resposta dos fiéis, ao serem convocados ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, será: Escutamos e obedecemos! E serão venturosos. Aqueles que obedecerem a Deus e ao Seu Mensageiro e temerem a Deus e a Ele se submeterem, serão os ganhadores! Juraram solenemente por Deus que  se tu lhes ordenasses (marcharem para o combate) iriam. Dize-lhes: Não jureis! É preferível uma obediência sincera. Sabei que Deus está bem inteirado de tudo quanto   fazeis. Dize-lhes (mais): Obedecei a Deus e obedecei ao Mensageiro. Porém, se vos   recusardes, sabei que ele (o Mensageiro) é só responsável pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis responsáveis pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis encaminhar-vos-eis, porque não incumbe ao Mensageiro mais do que a proclamação da lúcida Mensagem. (Alcorão 24:47-54)

A obediência ao mensageiro deve ser do fundo do coração e com compromisso pleno. Os fiéis sabem que a decisão do mensageiro é certa e, por isso, não abrigam a suspeita em seus corações. Isto é extremamente importante porque obedecer com relutância e de má vontade é considerado com um sinal de descrença, conforme descreve o Alcorão:

Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissenções e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então, submeter-se-ão a ti espontaneamente. (Alcorão 4:65)

A obediência é o indício cristalino que afirma que ele crê em Deus e obedece para servi-Lo. Que, o que levará o homem à salvação eterna e verdadeira é a simples obediência. Conforme afirma a Surata 24: Ó fiéis, atendei a Deus e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. o mensageiro convoca os homens para a salvação. Em um outro versículo, está dito que o Mensageiro chama os fiéis para a salvação, liberdade e alegria e para evitar o mal.

São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual encontram mencionado em sua Tora e no Evangelho, o qual lhes recomenda o bem e lhes proíbe o ilícito, prescreve-lhes todo o bem e veda-lhes o imundo, alivia-os dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os deprimem. Aqueles que nele creram, honraram-no, defenderam-no e seguiram a Luz que com ele foi enviada, são os bem-aventurados.(Alcorão 7:157)

O que determina a vitória dos fiéis sobre os infiéis é o fato de eles serem completamente obedientes ao Mensageiro e àqueles que têm a autoridade para governar. Neste caso, eles obedecem. Deus os apóia e lhes dá a vitória. Na verdade, também há o caso oposto para ser meditado, ou seja: se eles não obedecerem ao mensageiro, eles perdem sua autoridade e força.

Deus cumpriu a Sua promessa quando, com a Sua anuência, aniquilastes os incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos. (Alcorão 3:152)

A salvação só é alcançada através da obediência. Aqueles que desobedecem e seguem um caminho diferente daquele indicado pelo Mensageiro não encontrará lugar algum exceto o inferno, confome mencionado no Alcorão:

A quem combater o Mensageiro, depois de haver sido evidenciada a Orientação, seguindo outro caminho que não o dos fiéis, abandoná-lo-emos em seu erro e o introduziremos no inferno. Que péssimo destino!(Alcorão 4:115)

DETERMINAÇÃO & ESTABILIDADE

Uma das características mais importantes dos fiéis é que eles são extremamente equilibrados. Jamais perdem o entusiasmo, o amor, a lealdadde e a devoção. Os fiéis se contêm apenas pela Vontade de Deus. Portanto, nenhuma dificuldade ou obstáculo pode desviá-los do verdadeiro caminho. Para eles não importa o que os outros pensam deles. Seu único objetivo é atender à Vontade de Deus. Assim, ele molda toda sua vida nesse sentido.

Deus testa a firmeza dos fiéis de diversas maneiras. Deus pode permitir que sobrevenham a tristeza e algumas dificuldades por um certo período de tempo, apenas para treiná-los. No Alcorão, está dito o seguinte:

Certamente que vos poremos à prova mediante o temor, a fome, a perda dos bens, das vidas e dos frutos. Mas tu (ó Mensageiro), anuncia (a bem-aventurança) aos perseverantes.(Alcorão 2:155)

Os fiéis que são firmes enfrentarão essas dificuldades com total paciência:

Quantos profetas e, com eles, quantos grupos lutaram pela causa de Deus, sem desanimarem com o que lhes aconteceu; não se acovardaram, nem se renderam! Deus aprecia os perseverantes. Eles nada disseram, além de: Ó Senhor nosso, perdoa-nos por nossos pecados e por nossos excessos; firma os nossos passos e concede-nos a vitória sobre os incrédulos! (Alcorão 3:146-147)

Assim, a dúvida não é o comportamento que os fiéis devem adotar.

Pedir-te-ão isenção só aqueles que não crêem emDeus, nem noDia do Juízo Final, cujos corações estão em dúvida e em sua dúvida vacilam. (Alcorão 9:45)

Havíamos firmado o pacto com Adão, porém, ele esqueceu-se dele; e não vimos nele firme resolução. (Alcorão 20:115)

Além das dificuldades e tristezas, a prosperidade e abundância também podem provocar  nos homens a perda de suas convicções e resoluções, na medida em que seus corações possam ficar balançados.  O consolo e a prosperidade reduzem a devoção e o entusiasmo de muita gente. Na verdade, esta é uma característica dos infiéis: ficam exultantes e arrogantes quando recebem as bênçãos depois de terem enfrentado a adversidade. Também isto é mencionado no Alcorão, conforme a seguir:

E se o infortúnio açoita o homem, ele Nos implora, quer esteja deitado, sentado ou em pé. Porém, quando o libertamos de seu infortúnio, ei-lo que caminha, como se não Nos tivesse implorado quando o infortúnio o açoitava. Assim foram abrilhantados os atos dos transgressores (por Satanás). (Alcorão 9:12)

No entanto, este não é o caso dos fiéis. A prosperidade não os faz perder a firmeza de seus corações porque eles sabem que todas as graças vêm de Deus e Deus pode tomá-las de volta a qualquer momento que Ele queira. Assim, os fiéis jamais são arrogantes ou insolentes.

Ter uma atitude séria, evitar transgressão e jamais perder a serenidade, estes são sinais de equilíbrio e determinação que identificam os fiéis. No Alcorão é-nos dito para "esforçarmo-nos com todo o devido esforço"

Aqueles que anelarem a outra vida e se esforçarem por obtê-la, e forem fiéis, terão os seus esforços retribuídos. (Alcorão 17:19)

Quê! Porventura, tramaram alguma artimanha? Sabei que a desbarataremos! (Alcorão 43:79)

Portanto, nenhuma hesitação, porque o que está citado acima é a qualidade dos crentes. Além do mais, uma atitude de devoção consistente e de entuasismo é a regra baixada por Deus.

Não desanimeis, nem vos aflijais, porque sempre saireis vitoriosos, se fordes fiéis. (Alcorão 3:139)

O homem alcançará sua meta quando perceber que ele foi criado por alguma razão e que ele voltará  para o lugar ao qual  realmente pertence. Se ele quiser viver este grande objetivo e agir  em conformidade com ele, então alcançará a verdadeira salvação. Da mesma forma que o sol, a lua, as estrelas e todas as criaturas foram criadas com um destino divino, o homem também foi criado para um determinado fim.

Portanto, o equilíbrio e a determinação são as duas características vitais dos crentes. Ter por único objetivo "o ganho imediato e a jornada fácil"    (Alcorão 9:42) não necessita de equilíbrio. Enquanto isso, os crentes têm sempre a mesma determinação e o mesmo equilíbrio até o dia de sua morte, porque essa é a vontade de Deus, conforme mencionado no Alcorão 33:23: "Entre os fiéis, há homens que cumpriram o que haviam prometido, quando da sua comunhão com Deus; há-os que o consumaram (ao extremo), e outros que esperam, ainda, sem violarem a sua comunhão, no mínimo que seja." As pessoas de natureza hipócrita mostram atitudes e temperamento eminentemente instáveis. O fato de dizerem "nós estávamos com você" sempre que os fiéis alcançam um sucesso é o traço mais marcante desta hipocrisia.

A comunidade de Cahf, a quem "Nós (Allah) fortalecemos seus corações" (Alcorão 18:14) é um dos mais importantes exemplos de determinação. O conceito do "caminho que é íngreme" (Alcorão 90:11) ilustra melhor a importância do equilíbrio e da determinação. Estabilidade e determinação são propriedades dos crentes até a sua morte e eles vivem com paciência essas características até que ela chegue.

Em verdade, aqueles que te juram fidelidade, juram fidelidade a Deus. A Mão de Deus está sobre as suas mãos; porém, quem perjurar, perjurará em prejuízo próprio. Quanto àquele que cumprir o pacto comDeus, Ele lhe concederá uma magnifíca recompensa. (Alcorão 48:10)

PERSEVERANÇA

Organizar a vida de acordo com o Islam e afastar-se de situações que contrariem o Islam é a adoração a qual o fiel desempenhará por toda a sua vida. E ele somente conseguirá isso se persistir na perseverança e paciência.

Portanto, perseverar e suportar alguma coisa são conceitos totalmente diferentes. Suportar alguma coisa significa resistir à tristeza ou à dificuldade que seenfrenta com um estado desagradável de conduta. Contudo, em relação ao fiel, é completamente diferente porque ele não sente nem desprazer ou desconforto frente às dificuldades, pelo contrário, ele se aproxima mais de Allah e sua devoção e entusiasmo aumentam. Muitos versículos do Alcorão nos ensinam sobre a perseverança:

Sê perseverante, porque a promessa de Deus é inexorável. Que não te abalem aqueles que não crêem (na tua firmeza). (Alcorão 30:60)

Ó fiéis, perseverai, sede pacientes, estai sempre vigilantes e temei a Deus, para que prospereis. (Alcorão 3:200)

Sê paciente, que a tua paciência será levada em conta por Deus; não te condoas deles, nem te angusties por suas conspirações. (Alcorão 16:127)

O Alcorão também diz que os fiéis serão inspecionados em relação à sua paciência:

Sabei que vos provaremos, para certificar-Nos de quem são os combatentes e perseverantes, dentre vós, e para provarmos a vossa reputação. (Alcorão 47:31)

Sem dúvida que sereis testados quanto aos vossos bens e pessoas e também ouvireis muitas blasfêmias daqueles que receberam o Livro antes de vós, e dos idólatras; porém, se perseverardes pacientemente e temerdes a Deus, sabei que isso é um fator determinante, em todos os assuntos. (Alcorão 3:186)

A perseverança também é a chave da vitória a ser alcançada sobre os incrédulos. Deus fortalece os fiéis quando eles perseveram pacientemente, enquanto que aqueles que nãoperseveram não têm Seu amparo.

... e se entre vós houvesse cem perseverantes, venceriam duzentos; e se houvesse mil, venceriam dois mil, com o beneplácito de Deus, porque Ele está com os perseverantes. (Alcorão 8:66)

E obedecei a Deus e ao Seu Mensageiro e não disputeis entre vós, porque fracassaríeis e perderíeis o vosso valor. E perseverai, porque Deus está com os perseverantes. (Alcorão 8:46)

A perseverança é uma das mais importantes características para merecermos a Vontade de Deus e os céus. No Alcorão os crentes são mencionados como " aqueles que perseveram e se encomendam ao seu Senhor." (Alcorão 16:42)

O que possuís é efêmero; por outra, o que Deus possui é eterno. Em verdade, premiaremos os perseverantes com uma recompensa, de acordo com a melhor das suas ações. (Alcorão 16:96)

Tais serão recompensados, por sua perseverança, com o empíreo, onde serão recebidos com saudação e paz. (Alcorão 25:75)

É ademais, contar-se entre os fiéis, que recomendam mutuamente a perseverança e se encomendam à misericórdia. (Alcorão 90:17)

Os crentes pedem a Deus em suas orações por perseverança e constância:

E quando se defrontaram com Goliase com o seu exército,disseram: Ó Senhor nosso, infunde-nos constância, firma os nossos passos e concede-nos a vitória sobre o povo incrédulo! (Alcorão 2:250)

AS BOAS AÇÕES

O conceito de "boas ações" é frequentemente citado no Alcorão e representa todas as espécies de atos e comportamentos que estão de acordo com a religião e com aVontade de Deus

A salvação do homem não é alcançada só por intermédio da fé mas, também, pelas boas ações, que são sinais de Fé.  Dizer simplesmente "Eu creio" não é suficiente para se conseguir a salvação. Com relação a isso, assim diz o Alcorão:

Porventura, pensam os homens que serão deixados em paz, só porque dizem: Cremos!, sem serem postos à prova? Havíamos provado seus antecessores, a fim de que Deus distinguisse os leais dos impostores. (Alcorão 29:2-3)

Este teste se dá através das boas ações, porque são as ações que indicam a perseverança, a firmeza, a determinação, a lealdade, isto é, a força da fé.

São diversas as espécies de ações a que o Alcorão se refere. Divulgar a religião às pessoas, esforçar-se pela prosperidade e benefício dos muçulmanos, tentar a melhor compreensão do Alcorão, resolver qualquer tipo de problema, seja pessoal ou social, dos muçulmanos, manter as mesquitas de Deus, tudo isso são boas ações importantes. As adorações islâmicas como a oração, o jejum, gastar pela causa de Deus, a peregrinação são todas ações importantes.

A virtude não consiste só em que orienteis vossos rostos até ao levante ou ao poente. A verdadeira virtude é a de quem crê em Deus, no Dia do Juízo Final, nos anjos, no Livro e nos Profetas; de quem distribui seus bens em caridade por amor a Deus, entre parentes, órfãos, necessitados, viajantes, mendigos e em resgate de cativos (escravos). Aqueles que observam a oração, pagam o zakat, cumprem os compromissos contraídos, são pacientes na miséria e na adversidade, ou durante os combates, esses são os verazes, e esses são os tementes (a Deus). (Alcorão 2:177)

No entanto, existe um ponto importante a ser observado: o que tornam as boas ações válidas não são o resultado propriamente e sim a intenção por trás delas, que é sempre no sentido de se agradar a Deus. Nesse sentido, o conceito de "boas ações" é diferente do de caridade, conforme entendido pelos incrédulos. As boas ações são sempre pela causa de Deus, ao passo que as atitudes caritativas visam à cooperação social e aos elogios mundanos.

Os versículos abaixo demonstram por que os crentes estão tão distantes do conceito de "filantropia".

Porque cumprem os seus votos e temem o dia em que o mal estará espalhado, e porque, por a Ele, alimentam o necessitado, o órfão e o cativo. (Dizendo): Certamente vos alimentamos por amor a Deus; não vos exigimos recompensa, nemgratidão. Em verdade, tememos, da parte do nosso Senhor, o dia da afilição calamitosa. (Alcorão 76:7-10)

Se as "boas ações" não são empreendidas pela causa de Deus, então elas não são boas ações. Por conseguinte, isto quer dizer que essas pessoas buscam a vontade dos outros, o que é paganismo, conforme informado pelo Alcorão, e um grande pecado.

Ai, pois, dos praticantes das orações, que são negligentes em suas orações, que as fazem por ostentação. (Alcorão 107:4-6)

Da mesma forma, se uma pessoa gasta do seu pela causa de outros e não pela de Deus, isto não tem valor. No Alcorão está dito assim:

Ó fiéis, não desmereçais as vossas caridades com exprobação ou agravo, como aquele que gasta os seus bens, por ostentação, diante das pessoas e não crê emDeus, nem no Dia do Juízo Final. O seu exemplo é semelhante ao de uma rocha coberta por terra que, ao ser atingida por um aguaceiro, fica a descoberto.Emnada se beneficiará,de tudo quanto fizer, porque Deus não ilumina os incrédulos. Por outra, exemplo de que gasta os seus bens espontaneamente, aspirando à complacência de Deus para fortalecer a sua alma,é como um pomar emuma colina que, ao cair a chuva, tem os seus frutos duplicados; quando a chuva não o atinge, basta-lhe o orvalho. E Deus bem vê tudo quanto fazeis. (Alcorão 2:265-265)

(Tampouco Deus aprecia) os que distribuem ostensivamente os seus bens e não crêem em Deus, nem no Dia do Juízo Final, além de terem Satanás por companheiro.Que péssimo companheiro! Que teriam eles a temer, se cressem em Deus e no Dia do Juízo Final, e fizessem caridade, com aquilo com que Deus os agraciou, uma vez que Deus bem os conhece? (Alcorão 4:38-39)

Há,também, um exemplo de caridade, ou seja, os atos que na verdade não intencionados a Deus, eque são mencionados no Alcorão: é o caso dos homens que mantêm a Caaba e ajudam os peregrinos, e que são tratados como iníquos:

Considerais, acaso, os que fornecem água aos peregrinos e os guardiães da Sagrada Mesquita iguais aos que crêem em Deus e no Dia do Juízo Final, e lutam pela causa de Deus? Aqueles jamais se equipararão a estes, ante Deus. Sabei que Deus não ilumina os iníquos. (Alcorão 9-19)

As boas ações são única e exclusivamente para agradar a Deus. Mesmo que o resultado pretendido não seja alcançado, continua sendo uma boa ação, porque sua intenção é justa. Por exemplo, a pessoa pode esforçar-se ao máximo para fazer alguma coisa que agrade a Deus. Não importa qual seja o resultado, pois ele sempre será merecedor da Vontade de Deus.Todo muçulmano deve saber que há uma grande sabedoria quando alguma coisa não se concretiza da forma como ele esperava. Conforme citado no Alcorão, Deus sabe bem se o resultado pretendido é bom ou não:

É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial; todavia, Deus sabe e vós ignorais. (Alcorão 2:216)

Conforme o grande comandante muçulmano, Salahudin Ayoubi, disse, "somos responsáveis pela expedição e não pela vitória", toda a tarefa deve ter a intenção de agradar a Deus, mas o seu resultado pertence a Deus, somente. Ele está acima de tudo e o homem é o pobre que precisa d'Ele. Sim, Deus está acima de tudo, não necessita do que quer que seja e é isento de qualquer defeito. Deus não necessita das boas ações e das orações dos crentes.

Ó humanos, sois vós que necessitais de Deus, porque Deus é, por Si, o Opulento, o Laudabilíssimo. Se quisesse, poderia fazer-vos desaparecer e apresentaria uma nova criação, porque isso não é difícil a Deus. (Alcorão 35:17-17)

Deus faz tudo o que Ele quer. Ele não precisa do empenho dos fiéis melhorar a Sua religião. Conforme citado na Surata Ar-Rad 31: Não reparam os fiéis que seDeus quisesse, teria encaminhado todos os humanos?

Consequentemente, cumprir as decisões de Deus e praticar boas ações são, na verdade, para o benefício da própria pessoa e para garantir-lhe o Paraíso. Conforme citado no Alcorão, quanto àquele que lutar pela causa de Deus, o fará em benefício próprio; porém, sabei que Deus pode prescindir de toda a humanidade. (Alcorão 29:6)

Da mesma forma, a pessoa que faz as suas orações, ou o jejum, ou gasta pela causa de Deus, ou apoia o Islam, o faz em seu próprio benefício. É ele quem necessita dessas adorações.

Nem suas carnes, nem seu sangue chegam até Deus; outrossim, alcança-O a vossa piedade. Assim vo-los sujeitou, para que O glorifiqueis, por haver-vos encaminhado. Anuncia, pois, a bem-aventurança aos benfeitores. (Alcorão 22:37)

Uma vez que a intenção é fundamental, o crente deve louvar a Deus e pedir Sua aprovação enquanto estiver praticando as boas ações. A oração de Abraão e Ismael é um bom exemplo para todos os crentes:

E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó Senhor nosso, aceita-a de nós pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo. Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo. (Alcorão 2:127-128)

Quando uma pessoa diz "Eu creio", esta é uma bela declaração, que o fortalecerá, juntamente com as boas ações, perante Deus: Até Ele ascendem as puras palavras e as nobres ações. (Alcorão 35:10)

O crente que tem fé em Deus e pratica boas ações por toda a sua vida, entrará nos jardins dos céus e alcançará a suprema conquista, conforme mencionado no versículo abaixo:

Quanto aos fiéis que praticam o bem - jamais impomos a alguém uma carga superior às suas forças - saibam que serão os diletos do Paraíso, onde morarão eternamente. Extinguiremos todo o rancor de seus corações.A seus pés correrão os rios e dirão: Louvado seja Deus, que nos encaminhou até aqui; jamais teríamos podido encaminhar-nos, se Ele não nos tivesse encaminhado. Os mensageiros de nosso Senhor nos apresentaram a verdade. Então, ser-lhes-á dito: Eis o Paraíso que herdastes emrecompensa pelo que fizestes. (Alcorão 7:42-43)

AGRADECER A DEUS

Allah é o único Senhor de todas as espécies de bênçãos e dar graças a Ele significa, sabiamente,   expressar satisfação e gratidão, seja de corpo ou de alma. O oposto de dar graças a Deus é a ingratidão, que é descrita como a rejeição da Fé. Isto mostra a importância de sermos gratos, porque representa adoração a Deus e a sua falta representa riscos.

Ser grato a Deus é um dos aspectos que o Alcorão mais enfatiza. Aproximadamente, setenta versículos citam a importância de sermos gratos a Deus e nos adverte para essa prática. Estes versículos mencionam   também  exemplos daqueles que são gratos e dos que não são e as respectivas conseqüências. Uma das razões de tal ênfase é porque se trata de um dos maiores sinais de se tomar Deus como o Único. O Alcorão diz que dar graças a Deus mostra que só servimos a Ele.

Ó fiéis, desfrutai de todo o bem com que vos agraciamos e agradecei a Deus,se só a Ele adorais. (Alcorão 2:172)

Em um outro versículo do Alcorão, agradecer a Deus é mencionado como o oposto de idolatria:

Já te foi revelado,assim como aos teus antepassados: Se idolatrares, certamente tornar-se-á sem efeito a tua obra, e te contarás entre os desventurados. (Alcorão 39:65-66)

A expressão do Mal, conforme observado no Alcorão, assinala a importância de se dar graças a Deus:

Disse: Juro que, por me teres extraviado, desviá-los-ei da Tua senda reta. E, então, atacá-los-ei pela frente e por trás, pela direita e pela esquerda e não acharás, entre eles, muitos agradecidos! (Alcorão 7:16-17)

Conforme citado no versículo acima, Satanás, que se dedicou a desviar os homens por causa de sua inveja, luta, com todo o seu poder e energia,  para fazer com que os homens se esqueçam de agradecer a Deus. A hereditariedade de uma pessoa assim, é melhor compreendida quando sabe que o objetivo maior de Satanás é impedir os homens de agradecerem a Deus,

Ser grato é parte do teste de Deus. Ele nos concede inúmeros favores e nos informa a maneira de agir. Assim Ele testa nossas atitudes. Por conseguinte, somos gratos ou ingratos. Este fato é mencionado no Alcorão como se segue:

Em verdade, criamos o homem, de esperma misturado, para prová-lo, e o dotamos de ouvidos e vistas.Em verdade, assinalamos-lhe uma senda, quer fosse agradecido, quer fosse ingrato. (Alcorão 76:2-3)

Nos versículos acima, é dito que o homem escolherá ser agradecido ou não. Portanto, ser grato é um sinal de fé e ser ingrato é um sinal de descrença. Por conseguinte, Deus declara que não haverá punição para aqueles que têm fé e são agradecidos:

Que interesse terá Deus em castigar-vos, se sois agradecidos e fiéis? Ele é Retribuidor, Sapientíssimo. (Alcorão 4:147)

Existem muitos outros versículos como os acima, onde Deus afirma que premiará o agradecido e suas bênçãos sobre ele aumentarão. A seguir, alguns exemplos:

E de quando o vosso Senhor vos proclamou: Se Me agradecerdes, multiplicar-vos-ei; se me desagradecerdes, sem dúvida que o Meu castigo será severíssimo. (Alcorão 14:7)

Isso é o que Deus anuncia aos Seus servos fiéis, que praticam o bem.Dize-lhes:Não vos exijo recompensa alguma por isto, senão o amor aos vossos parentes. E a quem quer que seja que conseguir uma boa ação, multiplicar-lha-emos; sabei que Deus é Compensador, Indulgentíssimo.(Alcorão 42:23)

O povo de lot desmentiu os seus admoestadores. Sabei que desencadeamos sobre eles uma chuva de pedras,exceto sobre a família de Lot, a qualsalvamos na hora da alvorada, por Nossa graça. Assim, recompensamos os agradecidos. (Alcorão 54:33-35)

Conforme mencionado no Alcorão, "Se pretenderdes contar as mercês de Deus, jamais podereis enumerá-las. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo." (Alcorão 16:18), não podemos contar as mercês de Deus, seja no todo, seja uma por uma. Uma vez que não há limites para as bênçãos de Deus, também não há limites para a nossa gratidão. Por isso é que o homem deve expressar constantemente sua gratidão e agir de acordo, lembrando-se sempre de Suas mercês e falando delas.

Algumas pessoas acham que deveriam receber bênçãos especiais ou terem seus problemas importantes resolvidos e só assim dar graças a Deus. No entanto, cada momento de nossa vida é, na verdade, repletodas bênçãos e favores de Deus. A própria vida, a saúde, a sabedoria, a inteligência, a consciência, os sentidos, etc., são bênçãos consistentes de Deus e devemos agradecer por cada uma delas. As pessoas que louvam a Deus e que não consideram isso, não sabem o valor e o mérito dessas bênçãos, não dão graças a Deus, e somente alcançam o seu valor quando são privadas dessas mercês.

O Alcorão fala dos muitos favores que foram concedidos por Deus, e pelos quais devemos agradecer. Alguns deles são os seguintes: ter sido criado saudável; os sentidos da audição e da visão; como Deus purifica os crentes de seus pecados e do mal, o perdão de Deus; a facilidade para a prática das orações;a vitória sobre os incrédulos; todas as coisas que nos foram concedidas para a satisfação da vida; a água para beber, a safra agrícola, os animais que estão a nosso serviço, o mar, os navios, o dia e a noite ...

Não pode haver desculpas do tipo "Eu não agradeço a Deus, mas pratico boas ações e me comporto corretamente". E isto porque um ingrato, na verdade, não louva a Deus e, além do mais, é negligente com Ele. Diante de Deus, de nada valem as ações que são praticadas displicentemente. Não é possível que uma pessoa, que não aprecia de alguma maneira as bênçãos de Deus mas que se beneficia com elas, sem pensar ou sequer se lembrar da Misericórdia de Deus, em suma, um ingrato, anseie e espere pela satisfação de Deus e por uma vida agradável depois da morte, a menos que essa pessoa mude seu comportamento. Portanto, o crente não deve jamais deixar de graças a Deus.

Existem muitos versículos no Alcorão que declaram que somente as pessoas agradecidas serão capazes de compreender as evidências de Deus, seja no Alcorão, seja na terra. Eis alguns desses versículos:

Da terra fértil brota a vegetação, com o beneplácito do seu Senhor; da terra estéril, porém, nada brota, senão escassamente. Assim elucidamos os versículos para os agradecidos. (Alcorão 7:58)

Enviamos Moisés com os Nossos sinais, (dizendo-lhe): Transporta o teu povo das trevas para a luz, e recorda-lhe os dias de Deus! Nisso há sinais para todo o perseverante, agradecido. (Alcorão 14:5)

Porém disseram: Ó Senhor nosso, prolonga a distância entre os nossos estágios de viagem! E se condenaram. Então os convertemos em lenda (a ser marrada) para os povos e os dispersamos por todas as partes. Nisto há sinais para todo o perseverante, agradecido." (Alcorão 34:19)

As bênçãos e as provas de Deus só podem ser compreendidas pelos agradecidos. Os ingrados não entendem a grande razão por trás delas e muito menos entendem os sinais de Deus. Em muitos versiculos do Alcorão, Deus informa a Seus mensageiros para serem agradecidos e até Moisés está entre eles.

Disse-lhe: Ó Moisés, tenho-te preferido aos (outros) homens, revelando-te as Minhas mensagens e as Minhas palavras! Recebe, pois, o que te tenho concedido e sê um dos agradecidos. (Alcorão 7:144)

Na surata Al-Ahkaf, é-nos dito que o crente com a idade de 40 anos, que é a idade da maturidade, pede para ser uma pessoa que dá graças pelos favores recebidos de Deus, enfatizando, assim, a importância de se agradecer a Deus.

E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Com dores,sua mãe o carrega durante a sua gestação e, posteriormente, sofre as dores do seu parto. E de sua concepção até à sua ablactação, há um espaço de trinta meses, quando alcança a puberdade e, depois, ao atingir quarenta anos, diz: Ó Senhor meu, inspira-me, para agradecer-Te as mercês com que me agraciaste, a mim e aos meus pais, para praticar o bem que Te compraz e faze com que minha prole seja virtuosa. Em verdade, converto-me a Ti, e me conto entre os muçulmanos. (Alcorão 46:15)

NÃO BUSCAR VANTAGENS PESSOAIS

O critério importante que indica que a pessoa é sincera em sua fé e que só procura a satisfação de Deus é o de não buscar qualquer tipo de conquista ou vantagens para si nesta vida terrena, e sim empenhar-se pela Vontade de Deus. O crente que verdadeiramente sabe que todas as espécies de bênçãos têm origem divina e além disso é temente e pede a Ele, jamais pensará em seus próprios interesses.

Portanto, a busca da auto-satisfação ou não na verdade depende da fé. O homem que verdadeiramente concebe Deus e a vida depois da morte, é claro que não pensa na satisfação pessoal e se empenhará para que as paixões egoístas não o dominem, conforme citado no Alcorão. Ao passo que, para o homem que não concebe verdadeiramente Deus e a vida depois da morte, é fácil não compreender os sinais de Deus e buscar vantagens menores.

O Alcorão recomenda aos crentes   nunca esperarem qualquer benefício em razão de seus atos e de sua fé. E nos versículos alcorânicos é narrado que os mensageiros jamais esperam qualquer "recompensa" pelo fato de terem transmitido a religião e lutado pela causa de Deus.

"E (enviamos) ao povo de Ad seu irmão Hud, o qual lhes disse: 'O povo meu, adorai a Deus, porque não tereis outra divindade além d'Ele. Sabei que não sois mais do que forjadores (quanto a outros deuses. 'O povo meu, não vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque minha recompensa só procede de Quem me criou. Não raciocinais?" (Alcorão 11:50-51)

"Dize-lhes: Não vos exijo, por isso, recompensa alguma, além de pedir, a quem quiser encaminhar-se até a senda do seu Senhor, que o faça."(Alcorão 25:57)

"Quando o irmão deles, Noé, lhes disse: Não temeis (a Deus)? Em verdade sou para vós um fidedigno mensageiro. Temei, pois, a Deus, e obedecei-me! Não vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque a minha recompensa virá do Senhor do Universo." (Alcorão 26:106-109)

Conforme mencionado nos versículos acima, os crentes não anseiam por qualquer vantagem nesta vida terrena. A vantagem acima citada não é só a monetária, mas também o reconhecimento, as honrarias prestadas pelos outros. O único apreço que eles esperam é a satisfação de Deus. Se Deus quiser Ele também recompensará neste mundo com muitas bênçãos, vitória, conforto, etc.

Portanto, o critério para os atos e para o serviço não é a aprovação dos outros e sim o prazer de Deus. Houve mensageiros que não foram estimados nem acatados. Além do mais, esses mensageiros encontraram muita oposição. No entanto, isto de maneira nenhuma significa que eles "fracassaram". Na verdade, eles não pensavam assim porque sua intenção não era granjear a estima ou o apreço dos outros e, sim, o prazer de Deus. Os crentes são obrigados a se conduzirem no caminho de Deus, a pedirem e a servirem a Ele. Deus é quem dá a vitória e o sucesso neste mundo, desde que Ele assim o deseje.

Esperar por uma recompensa pelo serviço prestado é uma atitude dos infiéis, como no caso dos mágicos que ajudaram o Faraó, conforme relatado no Alcorão.

"Quando os magos se apresentaram ao Faraó, disseram: É de se supor que teremos uma recompensa se sairmos vencedores." (Alcorão 7:113)

O melhor meio  de se alcançar a satisfação de Deus é a adoração. Uma vez que o brilho desta vida não é o objetivo do crente, qualquer coisa nesse sentido não o impressiona. Além do mais, está ordenado no Alcorão "que seus olhos não passem a deles"

"Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis, desejando o encanto da vida terra e não escutes aquele cujo coração permitimos negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações." (Alcorão 18:28)

Aqui, temos uma questão muito importante: quando estiver meditando sobre a religião, a pessoa não deve pensar em seus interesses particulares e sim imaginar como pode servir a Deus mais e melhor. A atitude contrária é a hipocrisia. Essa espécie de gente é do tipo que tenta se mostrar sincera porque tem outros interesses que não agradar a Deus e os hipócritas serão aqueles que irão para o mais baixo estágio do inferno. O Alcorão se refere a essas pessoas assim:

"Dizem: Cremos em Deus e no mensageiro, e obedecemos. Logo, depois disso, uma parte deles volta as costas, porque não é fiel. E quando são convocados ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, eis que um grupo deles desdenha. Porém, se a razão está do lado deles, correm a ele, obedientes." (Alcorão 24:47-49)

Conforme mencionado nos versículos acima, os hipócritas só aceitam o julgamento da religião naquilo que esteja de acordo com os seus próprios interesses, negando, por outro lado, tudo o que os contrarie. Essas pessoas podem parecer muito religiosas, mas apenas por um certo período de tempo. Na verdade, de acordo com o Alcorão, são como "os alicerces fincados à beira de um penhasco minado, pronto a se desmoronar em pedaços".

"Quem é melhor: o que alicerçou o seu edifício, fundamentado no temor a Deus, esperançoso de Seu beneplácito, ou que o construiu à beira do abismo e, em seguida, se arrojou com ele no fogo do inferno? Sabei que Deus não ilumina os iníquos." (Alcorão 9:109)

A seguir, alguns versículos alcorânicos que falam da importância da satisfação de Deus:

"Equiparar-se-á quem tiver seguido o que apraz a Deus com quem tiver suscitado a Sua indigação, e cuja morada será o inferno? Que funesto destino!" (Alcorão 3:162)

"Pela mercê e pela graça deDeus, retornaram ilesos.Seguiram o que apraz a Deus; sabei que Deus é Agreaciante por excelência." (Alcorão 3:174)

"Não há utilidade alguma na maioria dos seus colóquios, salvo nos que recomendam a caridade, a benevolência e a concórdia entre os homens. A quem assim proceder, com intenção de agradar a Deus, agraciá-lo-emos com uma magnífica recompensa." (Alcorão 4:114)

"Pelo qual Deus conduzirá aos caminhos da salvação aqueles que procurem a Sua complacência e, por Sua vontade, tirá-los-á das trevas e os levará para a luz, encaminhando-os para a senda reta." (Alcorão 5:16)

"Deus prometeu aos fiéis e às fiéis jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente, bem como abrigos encantadores, nos jardins do Éden; e a complacência de Deus é ainda maior do que isso.Tal é o magnífico benefício." (Alcorão 9:72)

"E que perseveram na busca do semblante de seu Senhor, observam a oração e fazem caridade, privativa ou manifestamente, daquilo com que os agraciamos, e retribuem o mal com o bem; estes obterão a última morada."(Alcorão 13:22)

O objetivo dos fiéis é a busca do prazer de Deus, da Sua Misericórdia e do paraíso. Portanto, Deus, quando se dirige aos crentes, declara "escolhemo-los por um propósito: a proclamação da Mensagem da morada futura." (Alcorão 38:46)

As bênçãos e graças verdadeiras são as que nos aguardam depois da morte. Esta vida é passageira e carece de muitas coisas. Ela foi criada apenas como um exemplo das verdadeiras bênçãos que encontraremos na vida futura, no paraíso.

"Aos homens foi abrilhantado o amor à concupiscência relacionada às mulheres, aos filhos, ao entesouramento do ouro e da prata, aos cavalos de raça, ao gado e às sementeiras. Tal é o gozo da vida terrena: porém, a bem-aventurança está ao lado de Deus." (Alcorão 3:14)

"Sabei que a vida terrena é tão-somente jogo e diversão, veleidades, mútua vanglória e rivalidade, com respeito à multiplicação de bens e filhos; é como a chuva, que compraz aos cultivadores, por vivificar a plantação; logo, completa-se o seu crescimento e a verás amarelada e transformada em feno. Na outra vida haverá castigos severos, indulgência e complacência de Deus. Que é a vida terrena, senão um prazer ilusório?" (Alcorão 57:20)

O crente se utiliza de todas as bênçãos e favores desta vida mas jamais ses esquece de Deus, da vida depois da morte e de seu objetivo verdadeiro. Qualquer atitude contrária a isto é rigorosamente proibida    e, nesse sentido,  somos advertidos por Deus muito severamente.

"Dize-lhes: Se vossos pais, vossos filhos, vossos irmãos, vossas esposas, vossa tribo, os bens que tenhais adquirido, o comércio, cuja estagnação temeis, e as casas nas quais residis, são-vos mais queridos do que Deus e Seu Mensageiro, bem como a luta por Sua causa, aguardai, até que Deus venha cumprir os Seus desígnios. Sabei que Ele não ilumina os depravados."(Alcorão 9:24)

"Porém, se quando se depararem com o comércio ou com a diversão, se dispersarem, correndo para eles e te deixarem a sós, dize-lhes: O que está relacionado com Deus é preferível à diversão e ao comércio, porque Deus é o melhor dos provedores." (Alcorão 62:11)

FRATERNIDADE

Uma outra característica dos crentes, que é tão importante quanto a lealdade e a simples adoração, é a fraternidade e união entre eles. O Alcorão diz que todos os crentes são irmãos uns dos outros. Eles têm os mesmo objetivos e as mesmas intenções, sentem as mesmas coisas e, em decorrência, desfrutam de uma grande amor e solidariedade entre si. Assim diz o Alcorão a respeito:

"Em verdade, Deus aprecia aquelesque combatem em fileiras, por Sua causa, como se fossem uma sólida muralha." (Alcorão 61:4)

"E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recordai-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e , mercê de sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos ilumineis." (Alcorão 3:103)

Os crentes possuem valores morais elevados e se comportam de acordo com esses valores; eles são respeitosos e modestos. É dessa forma que uma fraternidade se forma. No entanto, também existem aspectos que os crentes devem   observar, porque, algumas vezes, os erros provocados por eles podem prejudicar a irmandade.

A explicação para isto   é que a alma que orienta o comportamento dos crentes deixou de estar alerta. Embora os crentes sejam generosos e tolerantes, a alma de cada a pessoa tem um lado fraco e, por isso, deve acautelar-se para não perder o controle. No caso de uma alma egoísta,   invejosa e apaixonada, é ela quem assume o controle  e esses aspectos ruins afetarão o comportamento dos crentes.

Por isso que o Alcorão adverte acerca da fraternidade. Uma vez que o lado ruim da alma pode desviar o homem, os crentes não devem jamais se comportar de uma forma que possa, de alguma forma, provocar os outros crentes.

"E dize aos Meus servos que digam sempre o melhor, porque Satanás causa dissensões entre eles, pois Santanás é um inimigo declarado do homem." (Alcorão 17:53)

No Alcorão, os crentes são informados de que devem se relacionar da melhor maneira possível. Oversículo acima também nos diz que Satanás tenta destruir a fraternidade entre os homens, principalmente entre os crentes. Quando em estado de descuido, o crente pode passar por cima de seus irmãos e, por consequência, sentir inveja dos irmãos que deveriam ser prioritários para eles. Este tipo de comportamento só acontece em estado de descuido e é, na verdade, um insurreição contra Deus. Conforme mencionado no Alcorão "ou invejam seus semelhantes por causa do que Deus lhes concedeu de Sua graça?..." (Alcorão 4:54), todos os favores concedidos aos homens vêm somente de Deus e a Ele pertencem. Ter inveja deles é questionar o plano de Deus e, além do mais, provoca nos crentes a perda do valor, uma vez que os crentes devem evitar, rigorosamente, a inveja.

"E obedecei a Deus e a Seu mensageiro e não disputeis entre vós, porque fracassaríeis e perderíeis o vosso valor. E perseverai, porque Deus está com os perseverantes." (Alcorão 8:46)

Por conseguinte, os crentes devem ser cautelosos, evitando não só  a inveja como também qualquer situação que possa provocar esse estado. A sinceridade e a modéstia podem acabar com o perigo da competição. Um outro critério importante que o Alcorão menciona é a penitência, que deverá ser praticada com alegria.

"Os que antes deles residiam (em Medina) e haviam adotado a fé, mostram afeição por aqueles que migraram para junto deles e não nutrem inveja alguma em seus corações, pelo que (tais migrantes) receberam (de despojos); por outra, preferem-nos, em detrimento de si mesmos. Sabei que aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 59:9)

A inveja, a competição e a disputa, são os três obstáculos mais importantes que impedem a fraternidade e a união entre os crentes. Toda a espécie de competição provocada pelas paixões diminue o amor e a devoção. Tal comportamento que contradiz o Alcorão, prejudica o espírito dos crentes.

Existem muitas formas pelas quais os crentes podem ganhar a satisfação de Deus para com eles. Portanto, não faz qualquer sentido entrar numa competição injusta e despropositada, ou sentir inveja. Uma vez que o verdadeiro objetivo do crente deve ser o de agradar a Deus, não deveria haver qualquer tipo de competição porque todos podem ganhar o prazer de Deus sem que seja necessário confrontar-se com os outros. Assim, os crentes não devem se esquecer de que são aliados, protetores e socorredores uns dos outros, da mesma forma que os órgãos do corpo, e por isso devem olhar parsa o sucesso do irmão como se fosse o seu próprio. Existem muitos versículos no Alcorão que falam sobre a união e fraternidade entre os crentes.

"E aqueles que os seguiram dizem: Ó Senhor nosso, perdoa-nos, assim como também aos nossos irmãos, que nos precederam na fé e não infundas em nossos corações rancor algum pelos fiéis.Ó Senhor nosso, certamente Tu és Compassivo, Misericordiosíssimo." (Alcorão 59:10)

A discórdia e a controvérsia entre os crentes mostram  a dissenção entre eles, destróem a força deles e fortalecem os infiéis. No Alcorão está dito que, quando os crentes não se apoiam uns nos   outros,  surge a tirania.

"Os infiéis são, igualmente, protetores uns dos outros; e se vós não o fizerdes (protegerdes uns aos outros), haverá intriga e a opressão sobre a terra." (Alcorão 8:73)

Em muitas passagens, o Alcorão faz considerações a respeito da fraternidade e união entre os crentes:

"Não sejais como aqueles que se dividiram e discordaram, depois de lhes terem chegado as evidências, porque esses sofrerão um severo castigo." (Alcorão 3:105)

"Perguntar-te-ão sobre os espólios. Dize: Os espólios pertencem a Deus e ao Mensageiro. Temei, pois, a Deus, e resolvei fraternalmente as vossas querelas; obedecei a Deus e ao Seu Mensageiro, se sois fiéis." (Alcorão 8:1)

"Não és responsável por aqueles que dividem a sua religião e formam seitas, porque sua questão depende de só de Deus, o Qual logo os inteirará de tudo quanto houverem veito." (Alcorão 6:159)

Os crentes são obrigados a ter misericórdia e clemência para com os outros crentes e a serem extremamente modestos. Qualquer outro comportamento diferente disso, decididamente não é característica do verdadeiro fiel. A arrogância, a inveja, a discórdia pertencem aos infiéis. Portanto, o crente que aje assim por causa do lado ruim de sua alma, deve pedir a proteção de Deus, arrepender-se e corrigir-se. Do contrário, conforme citado no versículo abaixo, Deus os substituirá por um grupo superior de pessoas .

"Ó fiéis, aqueles dentre vós que renegarem a sua religião, saibam que Deus os suplantará por outras pessoas, às quais amará, as quais O amarão, serão compassivas para com os fiéis e severas para com os incrédulos; combaterão pela causa de Deus e não temerão censura de ninguém. Tal é a graça de Deus, que a concede a quem Lhe apraz, porque Deus é Munificente,Sapientíssimo. (Alcorão 5:54)

MODÉSTIA E ARROGÂNCIA

A modéstia é um dos tópicos mais importantes e dos mais citados no Alcorão. Ser modesto e humilde é sinal de fé, enquanto que a arrogância é a característica peculiar da descrença.

A razão para a modéstia estar em pé de igualdade com a fé, e a arrogância com a descrença, é porque a fé traz a compreensão e a sabedoria, enquanto que a descrença evita o entendimento. Ninguém pode ser fiel e arrogante ao mesmo tempo, porque o fiel compreende e concebe Deus através da razão e da sabedoria e sabe que Deus tem o controle de todas as coisas e que, ele próprio, também foi criado por Deus. Um homem de compreensão sabe que Deus é o mais Forte e Poderoso, e que ele é fraco e pobre. Ele é fraco porque fica doente, sofre, necessita do alimento para  sobreviver e não pode impedir nada disso. Ele nada possui e sequer pode determinar o dia em que morrerá. Viverá sua vida por um período certo e determinado e, então, será enterrado e voltará para Deus. Nada existe nele que possa provocar uma tal arrogância, porque ele possui apenas o que lhe é concedido por Deus. E por isso, ele deve graças a Deus e não ser arrogante. Este fato, ou seja, de que ele deve ter consciência de sua fraqueza diante de Deus, moldará seu comportamento. Ele tem consciência de sua fraqueza diante de Deus, mas não age como um fraco diante dos outros e sim com dignidade e honradez.

Diferentemente dos crentes, os infiéis estão sempre num estado de arrogância e altivez. Uma vez que eles não concebem Deus verdadeiramente, acham-se independentes e livres de Deus e não sabem que, na verdade, são uns pobres. Eles tentam se exaltar o máximo que podem. Por outro lado, alardear seus bens terrenos como inteligência, riqueza, beleza, reputação, etc., como se isso pertencesse a eles, é incorrer num grande erro, porque tudo o que possuem pertence a Deus e Ele pode tirar a qualquer momento que queira. Quando se vangloriam do que têm, também sentem falta do que não possuem. Não sabem submeter-se a Deus, confiar n'Ele, e, por isso, são arrogantes e complexados. O Alcorão mostra inúmeros exemplos de pessoas assim:

"Aqueles que disputam sobre os versículos de Deus, sem autoridade concedida, não abrigam em seus peitos senão a soberbia, com a qual jamais lograrão o que quer que seja: ampara-te, pois, em Deus, porque é o Oniouvinte, o Onividente." (Alcorão 40:56)

"Aqueles que disputam acercados versículos de Deus, sem autoridade concedida, não abrigam em seus peitos senão a soberbia, com a qual jamais lograrão o que quer que seja: ampara-te, pois, em Deus, porque é o Oniouvinte, o Onividente." (Alcorão 40:56)

Uma pessoa assim, como mencionada no versículo acima, se vê tão importante que não consegue perceber as coisas em seu verdadeiro sentido.  Pensa que tudo que existe é um instrumento para a satisfação de seu ego. Ela se louva a si própria e jamais admite que comete erros. Quando chega a esse ponto, começa a sentir ódio da religião, uma vez que ela ensina que o homem nada mais é do que um pobre servo de Deus. Ela não admite a verdade dos ensinamentos por causa de sua arrogância. Essas pessoas são apresentadas no Alcorão da seguinte forma:

"E os negaram, por iniquidade e arrogância, não obstante estarem deles convencidos. Repara, pois, qual foi o destino dos corruptores." (Alcorão 27-14)

Os extremamente arrogantes são, na verdade, os verdadeiros responsáveis pela perversidade e corrupção na terra.

"Entre os homens há aqueles que, falando da vida terrena, te encanta, invocando Deus por Testemunha de tudo quanto encerra o seu coração, embora seja o mais encarniçado dos inimigos d'Ele. E quando se retira, eis que a sua intenção é percorrer a terra para causar a corrupção, devastar as semeaduras e o gado, mesmo sabendo que a Deus desgosta a corrupção. Quando lhe é dito que tema a Deus, apossa-se dele a soberbia, induzindo-o ao pecado. Mas o inferno ser-lhe-á suficiente castigo. Que funesta morada." (Alcorão 2:204-206)

Em um outro versículo, os arrogantes são assim reconhecidos:

"Que escuta os versículos de Deus, quando lhe são recitados, e se obstina, ensoberbecido, como se não os tivesse ouvido! Anuncia-lhe um doloroso castigo." (Alcorão 45-8)

Rejeitar a verdade, muito embora a alma esteja convencida dela, indica o significado que a arrogância assume no espaço que vai da crença à descrença. Nada, a não ser a arrogância, leva o homem a escolher o tipo de vida que o conduzirá ao fracasso e à dor, seja nesta vida como na outra. Portanto, o maior inimigo do homem é a arrogância.

O desvio e a rebeldia de Satanás estão baseados em sua arrogância. Existe no Alcorão um exemplo muito importante, que enfatiza a importância da arrogância.  Este exemplo é assim relatado:

"Recorda-te de quando o teu Senhor disse aos anjos: De barro criarei um homem.Quando o tiver plasmado e alentado com Meu Espírito, prostrai-vos ante ele. E todos os anjos se prostraram, unanimemente, menos Lúcifer, que se ensoberbeceu e se contou entre os incrédulos. (Deus) perguntou: Ó Lúcifer, o que te impede de te prostrares ante o que criei com as Minhas Mãos? Acaso, estáis ensoberbecido ou é que te contas entre os altivos? Respondeu: Sou superior a ele; a mim me criaste de fogo, e a ele de barro. (Deus lhe) disse: Vai-te daqui, porque és maldito, e a Minha maldição pesará sobre ti, até ao Dia do Juízo! (Alcorão 38:71-78)

As afirmações de Satanás, mencionadas no Alcorão são muito interessantes e mostram a sua maneira de ser, o seu complexo de inferioridade. O Alcorão nos diz que Satanás se declara  especial e superior a Adão. Mas, o único que pode exaltar, dignificar ou degradar é Deus, somente. Ao ordenar que Satanás se prostrasse ante Adão, Deus enalteceu Adão. Quem quer que tenha discernimento pode resistir a uma ordem de Deus. Satanás ousou fazê-lo e, por isso, sofrerá a maldição de Deus até o dia do Juízo.

O desvio de Santanás é um exemplo do desvio daqueles que o seguem. De acordo com os versículos de Deus, devemos avaliar o comportamento de Santanás para sabermos como somos levados ao extravio.

Satanás se revoltou contra Deus e, não satisfeito,  quis que os outros se rebelassem também. Este evento é relatado na surata Al-Hijr, conforme se segue:

"Então, (Deus) disse: Ó Lúcifer, que foi que te impediu de seres um dos prostrados? Respondeu: É inadmissível que me prostre ante um ser que criaste de argila, de barro modelável. Disse-lhe Deus: Vai-te daqui (do Paraíso), porque és maldito! E a maldição pesará sobre ti até ao Dia do Juízo. Disse: Ó Senhor meu, tolera-me até ao dia em que forem ressuscitados! Disse-llhe: Serás, pois, dos tolerados, até ao dia do término prefixado.   Disse: Ó Senhor meu, por me teres colocado no erro, juro que os alucinarei na terra e os colocarei, a todos, no erro." (Alcorão 15: 32-39)

Mas, Satanás não quer ficar sozinho e fará de tudo para desviar as pessoas. Num certo sentido, trata-se de uma satisfação psicológica. Da mesma forma que Satanás, os homens também querem que os outros pratiquem os mesmos pecados e cometam os mesmos erros para que não sejam os únicos a incorrerem no erro, na falsa suposição de que a punição não será severa porque são erros praticados por muitos.  A expectativa básica daqueles que rejeitam a fé e a religião, e desobedecem aos mandamentos de Deus, é a de que as pessoas ao seu redor também fazem o mesmo. Portanto, a afirmação de que "todos fazem assim", "se todas essas pessoas vão para o inferno, então eu também irei", revelam esse tipo de raciocínio.

Satanás conhece  Deus e aceita a existência e até o poder de Deus, mas, ainda tem a falsa presunção de que é superior e, por isso, espera usufruir de algumas prioridades. Esta é a razão pela qual ele se extravia quando ordenado a se prostrar diante de Adão.

Esta é também a razão do extravio de muitas pessoas. A maior parte dos infiéis citados no Alcorão admitem a existência de Deus, mas, acham que têm algumas características superiores e, por isso, tornam-se arrogantes. Esta também é a razão pela qual as pessoas que se desviaram se dizem "as prediletas de Deus". O Alcorão frequentemente fala sobre isso e quando   judeus e cristãos se dizem "Somos os filhos de Deus e seus preferidos" obtêm como resposta: "Por que,então, Elevos castiga por vossos pecados? Qual! Sois tão somente seres humanos,como os outros! Ele perdoa a quem Lhe apraz e castiga quem Ele quer. Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra e tudo quanto há entre ambos, e para Ele será o retorno." (Alcorão 5:18)

O sentimento de prioridade pode revelar-se de diversas formas. No entanto, o Islam ensina ao homem que ele é pobre e nada possui além do que Deus lhe concedeu. Muitas pessoas rejeitam esta verdade. Assim como Satanás que diz "eu fui criado do fogo", muitas pessoas acham que pertencer a uma família nobre, ser rico ou bonito, são características superiors e por isso, permanecem insistentemente arrogantes. Há no Alcorão exemplos significativos deste tipo. O caso de Qarun, um homem do povo de Moisés, é um exemplo notável.

"Em verdade, Carun era do povo de Moisés e o envergonhou. Havíamos-lhe concedido tantos tesouros, que as suas chaves constituíam uma carga para um grupo de homens robustos. Recorda quando o seu povo lhe disse: Não exultes, porque Deus não aprecia os exultados. Mas procura, com aquilo com que Deus te tem agraciado, a morada do outro mundo; não te esqueças da tua porção neste mundo, e sê amável, como Deus tem sido para contigo, e não semeies a corrupção na terra, porque Deus não aprecia os corruptores. Respondeu: Isto me foi concedido, devido a certo conhecimento que possuo! Porém, ignorava que Deus já havia exterminado tantas geraões, mais vigorosas e mais opulentas do que ele. Em verdade, os pecadores não serão interrogados (imediantamente) sobre os seus pecados. Então apresentou-se seu povo com toda a sua pompa. Os que ambicionavam a vida terrena disseram: Oxalá tivéssemos o mesmo que foi concedida a Carun! Quão afortunado é! Porém, os sábios lhes disseram: Ai de vós! A recompensa de Deus é preferível para o fiel que pratica o bem. Porém, ninguém a obterá, a não ser os perseverantes. E fizemo-lo ser tragado, juntamente com sua casa, pela terra, e não teve partido algum que o defendesse de Deus, e não se contou entre os defendidos. E aqueles que, na véspera, cobiçavam a sua sorte, disseram: Ai de nós! Deus prodigaliza ou restringe as Suas mercês a quem Lhe apraz, dentre os Seus servos! Se Deus não nos tivesse agraciado, far-nos-ia sermos tragados pela terra. Em verdade, os incrédulos jamais prosperarão.  Destinamos a morada, no outro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:76-83)

Conforme dito acima, Qarun e as pessoas semelhantes a ele, acham que a riqueza e todas as espécies de bênçãos concedidas a eles são o resultado de uma característica particular deles e se esquecem, e até negam, que tudo foi concedido por Deus. A declaração de Qarun "Isto me foi concedido, devido a certo conhecimento que possuo!" é esclarecedor desse raciocínio. Essas pessoas logo "exultarão", conforme citado nos versículos acima. Esta também é a razão pela qual as pessoas se mostram arrogantes, desrespeitosas e agressivas depois que alcançam o sucesso, a riqueza ou o poder.   Elas têm a plena convicção de que são "as favoritas de Deus" e alegam que detêm a superioridade perante Deus.

"O homem não se farta de implorar o bem; mas, quando o mal o açoita, ei-lo desesperado, desalentado. Todavia, se depois de tê-lo açoitado a adversidade, o agraciarmos com a Nossa misericórdia, dirá: Isto é (mérito) meu e não creio que a Hora chegue; e se retornar ao meu Senhor, certamente obterei a Sua bem-aventurança. Porém, interaremos os incrédulos de tudo quanto tiverem cometido e lhes infligiremos um severo castigo." (Alcorão 41:49-50)

O Alcorão também se refere àqueles que tentam se purificar:

"Não reparaste naqueles que se vangloriam de ser puros? Qual! Deus purifica quem Lhe apraz e não os frustra, no mínimo que seja." (Alcorão 4:49)

Os crentes, por seu turno,    jamais têm a certeza de que irão para o céu. Invocam Deus "com temor e esperança" (Alcorão 32:16). Pedem a Deus que os "defenda do tormento do Fogo!" (Alcorão 2:201); "Não permita que nossos corações se desviem  depois de nos teres iluminado" (Alcorão 3:8);   "faze com que morramos muçulmanos" (Alcorão 7:126). A única razão para que alguém tenha a certeza de que irá para o céu é a sua própria arrogância. No entanto, essa mesma arrogância, na verdade, impedirá a sua salvação porque "Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum" (Alcorão 57:23).

O Alcorão está sempre mostrando que a "arrogância" é um dos aspectos mais importantes na religião.

"E não te conduzas com jactância na terra, porque jamaispoderás fendê-la, nem te igualar, emaltura às montanhas." (Alcorão 17:37)

"E não vires o rosto às gentes, nem  andes insolentemente pela terra, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 31:18)

"Para que vos não desespereis, pelos (prazeres) que vos foram omitidos, nem vos exulteis por aquilo com que vos agraciou, porque Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 57:23)

"Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros. Tratai com benevolência vossos pais e parentes, os órfãos, os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho estranho, o companheiro, o viajante e os vossos servos, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 4:36)

O Alcorão ordena que os crentes sejam modestos e moderados e adverrte que os arrogantes não comparecerão perante Deus. Só isso é mais do que suficente para que os crentes se eximam do comportamento insolente. Além disso, o Alcorão ensina que a moderação é um dos aspectos básicos dos crentes.

"Vosso Deus é Único; consagrai-vos, pois, a Ele. E tu (ó Mensageiro), anuncia a bem-aventurança aos que se humilham." (Alcorão 22:34)

"E os servos do Clemente são aqueles que andam pacificamente pela terra e, quando os insipientes lhes falam, dizem: Paz!" (Alcorão 25:63)

"Destinamos a morada, no outro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:83)

"Somente crêem em nossos versículos aqueles que, quando eles lhos são recitados, se prostram em adoração e celebram os louvores do seu Senhor, sem, contudo, se encoberbecerem." (Alcorão 32:15)

Esta é uma consideração muito importante porque ser crente ou não vai depender do fato de a pessoa ser insolente ou moderada. No Alcorão, Deus nos diz que Ele não permitirá que os arrogantes percebam Seus sinais e, por isso, serão os extraviados.

"Afastarei dos Meus versículos aqueles que se envaidecem sem razão, na terra e, mesmo quando virem todo o sinal, nele não crerão; e, mesmo quando virem a senda da retidão, não a adotarão por guia. Isso porque rejeitaram os Nossos sinais e os negligenciaram." (Alcorão 7:146)

Em um outro versículo alcorânico, Deus informa que a característica comum a todos os incrédulos que nos antecederam é que todos eram arrogantes.

"(Deus lhe replicará): Qual! Já te haviam chegado os meus versículos. Porém, tu os desmentistes e te ensoberbeceste e fostes um dos incrédulos!" (Alcorão 39:59)

"Quando lhe é dito que tema a Deus, apossa-se dele a soberbia, induzindo-o ao pecado. Mas o inferno ser-lhe-á suficiente castigo. Que funesta morada!" (Alcorão 2:206)

"Concedemos o Livro a Moisés, e depois dele enviamos muitos mensageiros, e concedemos a Jesus, filho de Maria, as evidências, e o fortalecemos com o Espírito da Santidade. Cada vez que vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros." (Alcorão 2:87)

Conforme declarado no Alcorão, os arrogantes são aqueles que entrarão no inferno e lá ficarão para sempre.

"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem, jamais lhes serão abertas as portas do céu, nem entrarão no Paraíso, até que um camelo passe pelo buraco de uma agulha. Assim castigamos os pecadores. Terão o inferno por leito, cobertos com mantos de fogo. Assim castigamos os iníquos." (Alcorão 7:40-41)

"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem serão condenados ao inferno, onde permanecerão eternamente." (Alcorão 7:36)

Aqueles que se opõem e se rebelam contra os mensageiros e lutam contra eles sempre foram arrogantes. As pessoas definidas no Alcorão como os "chefes dos incrédulos", ou "o grupo arrogante", não concordaram em obedecer ao mensageiro por causa de seu orgulho e arrogância e, conseqüentemente, não aceitaram que um outro homem pudesse guiá-los para o verdadeiro caminho. A descrença dos chefes das comunidades é frequentemente mencionada no Alcorão.

"Porém, os chefes dos que se ensoberbeceram, dentre seu povo, perguntaram aos fiéis submetidos: Estais seguros de que Sáleh é um mensageiro do seu Senhor? Responderam: Nós cremos em sua missão. Mas, os que se ensoberbeceram lhes disseram: Nós negamos o que credes." (Alcorão 7:75-76)

"Os chefes que se ensoberbeceram, dentre o seu povo, disseram-lhe: Juramos que te expulsaremos da nossa cidade, ó Xuaib, juntamente com aqueles que contigo crêem, a menos que retorneis ao nosso credo.(Xuaib) retrucou: Ainda que o deploremos?" (Alcorão 7:88)

Os líderes das comunidades infiéis são arrogantes por causa de sua condição social e financeira e não conseguem admitir que uma pessoa, a quem falta tais atributos, possa ser um mensageiro, e, por consequência, liderá-los. Por isso, não aceitam o que as pessoas escolhidas por Deus para serem Seus mensageiros dizem. No Alcorão, a revolta dos Filhos de Israel contra Talut, que havia sido enviado a eles como um líder, está assim relatada:

"Então, seu profetalhes disse: Deus vos designou Talut por rei. Disseram: Como poderá ele impor a sua autoridade sobre nós, uma vez que temos mais direito do que ele à autoridade, e já que ele nem sequer foi agraciado com bastantes riquezas? Disse-lhes: É certo que Deus o elegeu sobre vós, concedendo-lhe superioridade física e moral. Deus concede a Sua autoridade a quem Lhe apraz, e é Magnificente, Sapientíssimo." (Alcorão 2:247)

Os proeminentes da sociedade, durante a época de Mohammad, igualmente se opuseram a ele dizendo,   "por que o Alcorão não foi revelado a um dos notáveis de uma das duas cidades?" (Alcorão 43:31). A razão deste falso raciocínio é porque os incrédulos dão mais valor às pessoas de reputação. Nesse caso específico, se o mensageiro fosse "um notável de uma das duas cidades", eles, então, não hesitariam em obedecê-lo. Foi por este mesmo motivo que o povo de Tamud se opôs a Sáleh.

"Dizendo: Quê! Acaso, haveremos de seguir um homem solitário, surgido dentre nós? Cairíamos, então, em extravio e na loucura! Acaso, foi a Mensagem revelada só a ele, dentre nós? Qual! É ummentiroso, insolente!" (Alcorão 54:24-25)

Na surata Al-Mudáscir (74), encontramos versículos notáveis para que se compreenda como a arrogância desvia os homens. Um deles cita um homem que tinha recebido muitas bênçãos de Deus e que era arrogante quando o Alcorão era lido para ele. Ele ouve e compreende as palavras de Deus, mas sua arrogância o impede de aceitar. Em decorrência de sua arrogância, esta pessoa será punida como inferno.

"Deixa por Minha conta aquele que criei solitário, que depois agraciei com infinitos bens, e filhos, ao seu lado, e que agraciei liberalmente, e que ainda pretende que lhe sejam acrescentados (os bens)! Qual! Por ter sido insubmisso quanto aos Nossos versículos, infligir-lhe-ei um acúmulo de vicissitudes, porque meditou e planejou. Que pereça, pois, por planejar, uma vez mais, que pereça por planejar! Então, refletiu; Depois, tornou-se austero e ameaçador; Depois, renegou e se ensoberbeceu; E disse: Este (Alcorão não é mais do que magia, oriunda do passado; esta não é mais do que a palavra de um mortal!Por isso, introduzi-lo-ei no tártaro! E o que te fará compreender o que é o tártaro? Nada deixa perdurar e nada deixa a sós! Carbonizador dos humanos." (Alcorão 74:11-29)

Em um outro versículo alcorânico, a situação de uma pessoa arrogante no inferno é descrita como se segue:

"(E será dito aos guardiães): Agarrai o pecador e arrastai-o até ao centro da fogueira! Então, atormentai-o, derramando sobre a sua cabeça água fervente. Prova o sofrimento, já que tu és o poderoso, o honorável!" (Alcorão 44:47-49)

O homem não deve se esquecer que, diante de Deus, é desprovido e que é o Seu servo. Ao se lembrar disto, ele compreenderá que não é o verdadeiro possuidor das coisas e sim que Deus as concedeu e, portanto, deve agradecer a Ele sempre. No entanto, se ele se tornar arrogante por causa dos favores que lhe foram concedidos, logo não terá mais satisfação com essas bênçãos e, em seguida, as perderá também. O ponto crucial é saber que ele é o servo de Deus. Aquele que se comporta como  servo de Deus terá as Suas bênçãos aumentadas. Mas, o comportamento contrário só pode terminar em tristeza. Aqueles que são arrogantes na adoração a Deus, serão reunidos diante d'Ele e punidos, conforme nos diz o Alcorão: "... aqueles que desdenham Sua adoração e são arrogantes, Ele os castigará dolorosamente e não acharão, além de Deus, protetor, nem defensor algum." (Alcorão 4:172)

"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem serão condenados ao inferno, onde permanecerão eternamente." (Alcorão 7:36)

No entanto, aqueles que não são arrogantes e são moderados, são os verdadeiros servos de Deus e terão seu lugar garantido no céu.

"Destinamos a morada, no noutro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:83)

CONFIANÇA EM DEUS & SUBMISSÃO

Um dos poucos sinais de fé mais importantes é a confiança em Deus e a submissão a Ele, e que também é uma das diferenças mais relevantes entre os crentes e os incrédulos.

Para um incrédulo, a vida é caótica porque ele acha que está neste mundo por acaso e que tudo que está à sua volta funciona assim. Ele jamais confia verdadeiramente em qualquer coisa porque a toda hora ele enfrenta um problema que lhe traz dor e sofrimento. Existem centenas, e até milhares, de fatos que interferem em sua felicidade, desde um, que pode ser "fortuito", que se transforma num acontecimento indesejado e provoca a ruína em sua vida. Por exemplo, ele perde seu emprego, um amigo próximo morre, etc. Como ele pensa que esses fatos são isolados,  ele precisa se preocupar com cada um deles separadamente. Com isso, na verdade, o que ele faz é transformar cada evento num deus, porque, de acordo com o Alcorão, temer ou confiar em alguma coisa significa tomar aquela coisa como um ídolo, além de Deus.

Quanto aos crentes, estes têm consciência do segredo desta vida: Este segredo é que tudo, cada criatura, cada ser animado ou inanimado está sob o controle de Deus e nada acontece que não seja com a Sua permissão e conhecimento. Este segredo é citado no Alcorão como "... sabei que não existe criatura que Ele não possa agarrar pelo topete. Meu Senhor está na senda reta." (Alcorão 11:56), e "A Ele pertence tudo que existe no céu e na terra: tudo se submete a Ele devotadamente." (Alcorão 30:26) e o Alcorão só pode ser compreendido por "aqueles que são perspicazes." (Alcorão 15:75)

Os crentes sabem que tudo funciona de acordo com um destino determinado por Deus. Por isso, para eles nada é "ruim" ou "mau". Algumas vezes, algo pode ser visto como não sendo bom, mas é, na verdade, benéfico, e por isso bom, para os crentes. Portanto, os crentes são pacientes em relação às coisas que possam ser vistas como ruins e confiam em Deus. Certamente que Deus transforma as coisas más em boas e benéficas para os crentes.

Quando lemos o Alcorão, vemos que todos os mensageiros, e os crentes que os seguiram, enfrentaram muitas dificuldades durante toda a vida. Foram ameaçados de morte, torturados, insultados e alguns  até foram mortos. No entanto, apesar de todas as dificuldades, jamais perderam a calma e a confiança. E isto porque os crentes têm como certo que qualquer acontecimento provém de Deus somente, e que deve haver um bom motivo por trás de todos eles. Deus jamais deixa os crentes desamparados, jamais impõe um peso maior do que a capacidade de suportá-lo e a recompensa pelas dificuldades desta vida será obtida na outra.

"Dize: Jamais nos ocorrerá o que Deus não nos tiver predestinado! Ele é nosso Protetor.Que os fiéis se encomendem a Deus!" (Alcorão 9:51)

A palavra em árabe para "confiar em Deus" é "tevekkül", que significa "tomar como guardião e socorredor". No sentido mais comum, confiar em Deus significa "fazer o máximo possível e deixar o resultado por conta de Deus". No entanto, "tomar como guardião e socorredor", na verdade significa alguma coisa a ser feita diretamente a Deus e confiar totalmente nele.

A esse respeito, temos aqui uma coisa importante que precisa ser esclarecido. Deixar algo única e exclusivamente por conta de Deus não quer dizer que devemos nos eximir da responsabilidade dos acontecimentos e dos aspectos inerentes a eles. Pelo contrário, o crente toma toda a responsabilidade para si. Este é o verdadeiro significado de "confiar em Deus" - "tevekkül", portanto. O crente sabe que o que ele faz é, na verdade, criado por Deus, e que sua própria existência é devida a Ele, que exerce o mais absoluto controle. Por isso, elefaz o que faz "tendo Deus por guardião e socorredor".

Alguns dos casos relatados no Alcorão, nos levam a entender a importância deste tópico. Na surata Al-Naml (27), diz Salomão: "Ó Senhor meu, inspira-me, para eu Te agradecer a mercê com que me agraciaste, a mim e aos meus pais, e para que pratique o bem que Te compraz e admite-me na Tua misericórdia, juntamente com os Teus servos virtuosos." (Alcorão 27:19) Esta prece indica que Salomão sabia que todas as suas atitudes estavam sob o controle de Deus e ele pede para ser capaz de praticar o bem que satisfaz a Deus.

O crente sabe que toda a criatura, inclusive ele próprio, está sob o controle de Deus e que Ele tem autoridade sobre todas as coisas. Então ele confia em Deus, observando o que acontece na terra e em sua alma, e toma Deus como seu guardião e protetor. Como resultado, surge a pessoa mais corajosa, mais confiante e mais forte da terra. O crente que confia em Deus é corajoso o suficiente para se opor ao mundo todo e saber que não há um perigo verdadeiro. São muitos os casos no Alcorão, que nos informam acerca da confiação dos mensageiros e Noé também está entre os mensageiros.

"Narra-lhes a história de Noé, quando disse ao seu povo: Ó povo meu, se a minha permanência entre vós e minha exortação, referentes aos versículos de Deus, vos ofendem, a Deus me encomendo. Decidi-vos, vós e vossos ídolos, e não oculteis vossa decisão; então, hostilizai-me e não me poupeis." (Alcorão 10:71)

Xuaib também teve a mesma atitude:

"Respondeu: Ó povo meu, não vedes que possuo a evidência de meu Senhor e Ele me agraciou generosamente ...? Não pretendo contrariar-vos, a não ser no que Ele vos vedou; só desejo a vossa melhoria, de acordo com a minha capacidade; e meu êxito só depende de Deus, a Quem me encomendo e a Quem retornarei, contrito." (Alcorão 11:88)

Em muitos outros versículos, o Alcorão enfatiza a confiança em Deus e a perseverança:

"Mas, se te negam, dize-lhes: Deus me basta! Não há mais divindade além d'Ele! A Ele me encomendo, porque é o Soberano do Trono Supremo." (Alcorão 9:129)

"Só são fiéis aqueles cujos corações, quando lhes é mencionado o nome de Deus estremecem e, quando lhes são recitados os Seus versículos, é-lhes acrescentada a fé, e se encomendam ao Seu Senhor." (Alcorão 8:2)

"A Deus pertence o mistério dos céus e da terra, e a Ele retornarão todas as coisas. Adora-O, pois, e encomenda-te a Ele, porque teu Senhor não está desatento de tudo quanto fazeis!". Alcorão 11:123)

"Assim te enviamos a um povo, ao qual precederam outros, para que lhes recites o que temos revelado, apesar de negarem o Clemente. Dize-lhes: Ele é o meu Senhor! Não há mais divindade além d'Ele! e a Ele retornarei." (Alcorão 13:30)

"Seus mensageiros lhes asseveraram: Não somos mais do que mortais como vós; porém, Deus agracia quem Lhe apraz, dentre Seus servos, e ser-nos-á impossível apresentar-vos uma autoridade, a não ser com a anuência de Deus. Que os fiéis se encomendem a Deus! E que escusa teremos para não nos encomendarmos a Deus, sendo que Ele nos mostrou os caminhos? Nós suportaremos as vossas injúrias, e que a Deus se encomendemos que n'Ele confiam!" (Alcorão 14:11-12)

"Dize-lhes (mais): Ele é o Clemente, no Qual cremos e ao Qual nos encomendamos. Logo sabereis quem está em erro evidente!" (Alcorão 67:29)

A pessoa que confia em Deus e O toma por guardião e protetor deve saber que não existe ninguém em quem possa depositar a sua confiança e tomar como guardião.  Não há porque preocupar-se, porque ele implora a Deus e confia n'Ele. Deus, certamente, saberá o que é melhor para o crente. O Alcorão nos diz "encomenda-te a Deus, porque basta Ele por Guardião." (Alcorão 33:3)

Em um outro versículo, o Alcorão declara que:

"...  e para aqueles que temem a Deus, Ele lhe apontará uma saída, e o agraciará, de onde menos esperar. Quanto àquele que  se encomendar a Deus, saiba que Ele lhe será Suficiente, porque Deus cumpre o que promete. Certamente, Deus predestinou uma proporção para cada coisa." (Alcorão 65:2-3)

Ninguém pode prejudicar um crente, a menos que Deus o permita. Ninguém pode matar um crente, a menos que Deus o permita. Somente Deus põe um fim à vida, portanto, não teria qualquer sentido temermos a alguém ou a alguma coisa, e isto é frequentemente mencionado no Alcorão:

"Sabei que a confabulação emana de Satanás, para atribular os fiéis. Porém, ele em nada poderá prejudicá-los sem o beneplácito de Deus. Que os fiéis se encomendem a Deus!" (Alcorão 58:10)

"E não obedeças aos incrédulos, nem aos hipócritas, e não faças caso de suas injúrias; encomenda-te a Deus, porque Ele te basta por Guardião." (Alcorão 33:48)

"E se lhes perguntares quem criou os céus e a terra, seguramente dirão: Deus! Dize-lhes: Tereis reparado nos que invocais, em vez de Deus? Se Deus quisesse prejudicar-me, poderiam, acaso,impedi-Lo? Ou, então, se Ele quisesse favorecer-me com alguma graça, poderiam eles privar-me dela? Dize-lhes (mais): Deus me basta! A Ele se encomendam aqueles que estão confiantes." (Alcorão 39:38)

A pessoa que confia em Deus e se submete a Ele, e que toma Deus por seu verdadeiro guardião e protetor, será, então, salva das falsas acusações de Satanás. No Alcorão isto é dito da seguinte forma: "Porque ele não tem qualquer autoridade sobre os fiéis, que confiam em seu Senhor." (Alcorão 16:99). Também é-nos dito que estarão perante Deus aqueles que confiaram n'Ele e se submeteram a Ele.

"Tudo quanto vos foi concedido (até agora) é o efêmero gozo da vida terrena; no entanto, o que está junto a Deus é preferéivel e mais perdurável, para os fiéis que se encomendam a seu Senhor." (Alcorão 42:36)

Não existe mais ninguém em quem confiar e de quem esperar socorro, senão Deus. Como disse Jacó: "... Ninguém pode ordenar exceto Deus. A ele me encomendo, e que a Ele se encomendem os que (n'Ele) confiam."(Alcorão 12:67), somente a Deus devemos confiar-nos e tomá-Lo como guardião e protetor. Não existe outro deus senão Deus, portanto, Ele é o único guardião e protetor.

"Deus, não há mais divindade além d'Ele! Que a Deus se encomendem, pois, os crentes!" (Alcorão 64:13)

"E encomenda-te ao Vivente, Imortal, e celebra os Seus louvores; e basta Ele como Sabedor dos pecados dos Seus servos." (Alcorão 25:58)

PERDÃO E ARREPENDIMENTO

Existem pessoas que se pretendem destituídas de faltas ou erros. Elas tentam se mostrar como se nunca tivessem cometido um erro porque acham que isto os denigre e, portanto, os sujeita a alguns embaraços. De acordo com elas, a pessoa ideal seria a perfeita, que nunca comete faltas.

No entanto, isto não possível. O homem comete erros durante toda a sua vida porque ele é destituído perante Deus. Portanto, a intenção de nunca errar é infundada e, na verdae,  não pode    realizar-se nunca. De acordo com o Alcorão, os crentes também cometem suas faltas. Existe um ponto importante a esse respeito: é verdade que eles devem prestar atenção e se esforçarem para não cometer erros ou pecados, mas também é certo que eles não são capazes de lidar com isto. O Alcorão nos diz que o homem tem suas faltas e comete seus pecados para com Deus, conforme nos versículos abaixo:

"Se Deus tivesse castigado os homens pelo que cometeram, não teria deixado sobre a face da terra um só ser; porém, tolera-os até um término prefixado. E quando esse tempo expirar, certamente constatarão que Deus é Observador de Seus servos." (Alcorão 35:45)

De acordo com essa sentença alcorânica, Deus espera pelo pedido de perdão e pelo arrependimento. Ele sabe que o ser humano não é destituído de falta ou de pecado.

Este também é um dos aspectos mais importantes que diferenciam os crentes dos incrédulos. Estes tentam se mostrar aos outros como seres perfeitos, isentos de erros, no entanto, os crentes não têm tal pretensão. É claro que eles prestam uma grande atenção e se esforçam para evitar os erros e pecados contra Deus e contra Seus mandamentos. No entanto, o homem pode, algumas vezes, render-se aos desejos de sua alma e cometer pecados. Algumas vezes, não estando atento, ele pode fraquejar em obedecer a Deus. Mas, existe um ponto importante: se ele se arrepender de seus pecados diante de Deus, então seus pecados não terão mais importância. Quando lemos o Alcorão, percebemos que  pedir perdão e arrepender-se diante de Deus, é um dado significante dos crentes, que dura por toda a suas vidas. No versículo transcrito abaixo, o arrependimento é um dos aspectos proeminentes dos crentes:

"Os arrependidos, os adoradores, os agradecidos, os viajantes (pela causa de Deus), os genuflexos e os prostrados são aqueles que recomendam o bem, proíbem o ilícito e se conservam dentro dos limites da lei de Deus. Anuncia aos fiéis as boas novas!" (Alcorão 9:112)

Com relação a isso, os conceitos de arrependimento e perdão devem ser considerados com muito cuidado. Pedir perdão a Deus é um ato de adoração importante para os crentes. O homem pede perdão a Deus durante todo o dia, por todos os  pecados praticados, que tanto podem ser propositais como inconscientes. Além do mais, como ele pode pedir perdão para si, ele também pode pedir pelos ouros crentes, conforme mencionado no Alcorão. Em árabe, a palavra para "pedir perdão" é "istgfar", que significa "pedir Gafur em nome de Deus. (Gafur [G-F-R], em árabe quer dizer, cobrir, proteger, ocultar completamente, recobrir).

Consequentemente, pedir o perdão de Deus significa que o crente pede a Deus para ser salvo de seus pecados e busca refúgio na Misericórdia e Clemência de Deus. No Alcorão, os crentes oram dizendo: "Ó Senhor nosso, ouvimos o pregoeiro que nos convoca à fé dizendo: Crede em vosso Senhor! e cremos.Ó Senhor nosso, perdoa as nossas falatas, redime-nos das nossas más ações e acolhe-nos entre os virtuosos." (Alcorão 3:193). E a sentença de Deus em relação a isso é a seguinte:

"Estarei convosco se observardes a oração, pagardes o zakat, crerdes nos Meus mensageiros, socorrerde-los e emprestardes espontaneamente a Deus; absolverei as vossas faltas e vos introduzirei em jardins, abaixo dos quais correm os rios. Mas quem de vós pecar, dpois disto, desviar-se-á da verdadeira senda." (Alcorão 5:12)

Conforme dito acima, pedir o perdão de Deus pode ser tanto pelos pecados conhecidos ou não, e, também, pelos pecados dos outros crentes. Esta também é a diferença mais importante entre o perdão e o arrependimento. Embora implorar pelo perdão seja um pedido comum entre os crentes, o arrependimento é a atitude concreta para o seu pecado particular. O arrependimento é a busca de refúgio em Deus para o seu pecado, jurando a Ele não repetir o mesmo pecado de novo e implorando pela ajuda de Deus a esse respeito. O significado exato dessas palavras é "retroceder". Portanto, o arrependimento indica a firme decisão de se afastar do pecado.

"A intenção por trás do arrependimento não deve ser a repetiçãodo mesmo pecado. Na verdade, Deus ordena "ó fiéis,voltai, sinceramente arrependidos, a Deus; é possível que o vosso Senhor absolva as vossas faltas e vos introduza em jardins, abaixo dos quais correm os rios ..." (Alcorão 66:8)

Além do mais, isto não quer dizer que a pessoa se arrependerá apenas uma vez. El pode arrepender-se pela primeira vez, e, então, esquecer-se e arrepender-se pelo mesmo pecado praticado num momento de desatenção. Contudo, ainda há a Misericórdia de Deus sobre ela. Por isso, ela pode arrepender-se mais uma vez e, mais uma vez, buscar refúgio n'Ele. A grande Misericórdia e Clemência de Deus sobre os homens é citada no Alcorão, como se segue:

"Dize: Ó servos meus, que se excederam contra si próprios, não desespereis da misercórdia de Deus; certamente, Ele perdoa todos os pecados, porque Ele é o Indulgente, o Misericordiosíssimo. E voltai, contritos, ao vosso Senhor, e submetei-vos a Ele, antes que vos açoite o castigo, subitamente, sem o perceberdes." (Alcorão 39:53-54)

Mas, existe uma coisa que Deus não aceita, que é o arrependimento dos insinceros quando a morte se aproxima, conforme mencionado nos versículos abaixo:

"A absolvição de Deus recai tão-somente sobre aqueles que cometem um mal, por ignorância, e logo se arrependem. A esses, Deus absolve, porque é Sapiente, Prudentíssimo. A absolvição não alcançará aqueles que cometerem obscenidades até à hora da morte, mesmo que nessa hora alguém, dentre eles, diga: Agora me arrependo. E tampouco alcançará os que morrerem na incredulidade, pois para eles destinamos um doloroso castigo." (Alcorão 4:17-18)

O Alcorão nos dá um exemplo incisivo quanto ao "arrependimento de última hora".  O Faraó seguiu Moisés e os crentes para matá-los, e termina arrependendo-se porque ele está sendo tragado pelo mar que havia sido afastado, como um milagre de Deus, para que Moisés e seu povo passasse. Conforme mencionado no Alcorão "... estando a ponto de afogar-se, o Faraó disse: Creio agora que não há mais divindade além do Deus em que crêm os israelistas, e sou um dos submissos". (Alcorão 10:90). No entanto, a resposta de Deus para ele foi "... Agora crês, ao passo que antes te havias rebelado e eras um dos corruptores.!" (Alcorão 10:91)

Considerando que o arrependimento é um tremendo ato de adoração e que tem grande relevância para a salvação do homem, ele jamais deve descuidar-se de sua importância. Uma pessoa pode ter cometido grandes pecados, pode ter-se desviado, ter-se rebelado contra Deus e não cumprido os Seus mandamentos. Mas, não obstante, Deus possui grande Misericórdia e Clemência e, portanto, o arrependimento sincero pode salvá-lo na vida futura. A Misericórdia de Deus, que chega com o arrependimento, é mostrada no Alcorão, conforme se segue:

"Quando te forem apresentados aqueles que crêem nos Nossos versículos, dize-lhes: Que a paz esteja convosco! Vosso Senhor impôs a Si mesmo a clemência, a fim de que aqueles dentre vós que, por ignorância, cometerem uma falta e logo se arrependerem e se encaminharem, venham a saber que Ele é Indulgente, Misericordiosíssimo." (Alcorão 6:54)

Cabe ressaltar que Deus nos informa que até os incrédulos e hipócritas que lutaram contra Ele e Seu Mensageiro,    serão perdoados, caso  eles retornem a Deus arrependidos, sincera e verdadeiramente.

"Os hipócritas ocuparão o ínfimo piso do inferno e jamais lhes encontrarás socorredor algum, salvo aqueles que se arrependerem, se emendarem, se apegarem a Deus e consagrarem a sua religião a Ele; estes contar-se-ão, assim, entre os fiéis, e Deus lhes concederá uma magnífica recompensa." (Alcorão 4:145-146)

"Aqueles que ocultam as evidências e a Orientação que revelamos, depois de as havermos elucidado aos humanos, no Livro, serão malditos por Deus e pelos imprecadores, salvo os que se arrependeram, emendaram-se e delcararam (a verdade); a estes absolveremos, porque somos o Remissório, o Misericordiosíssimo." (Alcorão 2:159-160)

Estes versículos de Deus indicam que o arrependimento é a chave para a salvação e que o homem deve retornar a Deus e nunca se desesperar por causa dos pecados cometidos. Mas, há uma questão importante a esse respeito: a interpretação e a prática erradas, com uma intenção que não corresponde à realidade, trará resultados desastrosos. A pessoa que, embora conhecendo os mandamentos de Deus, ainda assim permanece em pecado, não contará com o apreço de Deus, porque Ele não estima esta esta espécie de atitude pérfida. Essas pessoas são referidas como aquelas que "rejeitam a fé, depois de tê-la aceitado e, então, continuam o desafiando sua fé." Embora o arrependimento daqueles que, por ignorância ou por vontade, cometem pecados, seja aceito, o mesmo não se dará com aqueles que pecam deliberadamente e afirmam que são livres para praticar pecados. O seu arrependimento não será aceito. No Alcorão está dito que:  "quanto àqueles que descrerem, após terem acreditado, imbuindo-se de incredulidade, jamais lhes será aceito o arrependimento e serão os desviados." (Alcorão 3:90)

Aqui temos uma questão que deve ser cuidadosamente investigada: uma pessoa pode pecar por causa de sua ignorância ou porque se extraviou, mas arrepende-se e se comporta de acordo com os mandamentos de Deus. Esta pessoa é sincera e Deus pode perdoar seus pecados. No entanto, aquelas que pecam, mesmo conhecendo os mandamentos de Deus, pensando "serei perdoado de qualquer maneira", são, na verdade, enganadores. Por isso que o seu arrependimento não sincero e não pode ser aceito por Deus. Deve-se ressaltar que, tanto a prece pelo perdão como a do arrependimento exigem intenção sincera e honesta. E isto é mencionado no Alcorão: "Invocai vosso Senhor humílima e intimamente ... (Alcorão 7:55) e também se aplica ao perdão e ao arrependimento. Principalmente o remorso profundo e sincero é muito importante na hora do arrependimento. No Alcorão, o arrependimento de três muçulmanos que abandonaram o caminho de Deus, e, portanto, cometeram um grande pecado, é assim relatado:

"Sem dúvida que Deus absolveu o Profeta, os migrantes e os socorredores, que o seguiram na hora angustiosa em que os corações de alguns estavam prestes a fraquejar. Ele os absolveu, porque é para com eles Compassivo, Misericordiosíssimo. Também absolveu os três que se omitiram (na expedição a Tabuk), quando a terra, com toda a sua amplitude, lhes parecia estreita, e suas almas se constrangeram, e se compenetraram de que não tinham mais o amparo senão em Deus. E Ele os absolveu, a fim de que se arrependessem, porque Deus é Remissório, o Misericordiosíssimo." (Alcorão 9:117-118)

Pedir perdão a Deus e arrepender-se dos pecados são indicativos do serviço a Deus. O crente deve saber que ele não está isento de faltas e que deve evitar toda a espécie de erros e faltas.Além disso, não necessidade de se preocupar ou sentir pesar pelos pecados cometidos antes do arrependimento. O homem deve considerar que os mensageiros cometeram algumas faltas mas prosseguiram após o arrependimento sncero e a confiança no perdão de Deus. No Alcorão é dito que perdir perdão e arrepender-se são o melhor caminho para a salvação:

"Se não fosse pela graça de Deus e pela Sua Misericórdia para convosco, e Deus é Remissório, Prudentíssimo. (Alcorão 24:10)

A ORAÇÃO

A oração é um dos sinais de fé. O homem que reza sabe que ele nada mais é do que um pobre servo de Deus e que ele não consegue atender ao que Deus pretende dele a não ser que conte com a Sua ajuda. A oração é o gesto mais puro e sincero de servir a Deus. No Alcorão, está dito que um dos sinais básicos  é "invocar Deus de manhã e de noite".

"Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis, desejando o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração permitimos negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações." (Alcorão 18-28)

O verdadeiro significado da oração deve ser cuidadosamente examinado, uma vez que a sua compreensão, que foi ensinada por outras fontes que não o Alcorão, não alcançam o verdadeiro sentido da oração, conforme informado no Alcorão.

Um dos aspectos da oração, mencionado no Alcorão, é o que se refere à "humildade. No Alcorão não existe esta descrição de que ela deve ser feita de qualquer jeito e em voz alta. E, além do mais, quando o crente se dirige a Deus, ele sabe que é ínfimo diante de d'Ele e, por isso, ele anseia e pede. Desta forma, a prece estará em concordância com a definição de "com humildade e na intimidade.":

"Invocai vosso Senhor humílima e intimamente, porque Ele não aprecia os transgressores." (Alcorão 7:55)

A prece dos crentes, conforme orienta o Alcorão, são na intimidade e extremamente sinceras. Zacarias também está entre eles.

"Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo Zacarias. Ao invocar, intimamente, seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu; mas nunca fui desventurado em minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu! Em verdade, temo pelo que farão os meus parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril. Agracia-me, de tua parte, com um sucessor!" (Alcorão 19:2-5)

Em outro versículo alcorânico, é dito que a prece deve ser "com temor e esperança".

"São aqueles, cujos corpos não relutam em se afastar dos leitos para invocarem seu Senhor com temor e esperança, e que fazem caridade daquilo com que os agraciamos." (Alcorão 32:16)

Os crentes temem a Deus com respeito sincero e verdadeiro e também esperam a clemência e misericórdia d'Ele.

"Quando Meus servos te perguntarem de Mim, dize-lhes que estou próximo e ouvirei o rogo do suplicante quando a Mim se dirigir. Que atendam o Meu apelo e que creiam em Mim, a fim de que se encaminhem." (Alcorão 2:186)

"E o vosso Senhor disse: Invocai-me, que vos atenderei! Em verdade, aqueles que se ensoberbeceram, ao Me invocarem, entrarão, humilhados, no inferno." (Alcorão 40:60)

Quando estiver orando, o homem deve ter a certeza de que Deus responderá à sua invocação. Ele deve ter consciência de que Deus é o dono de tudo, e que está em todos os lugares. A pessoa que tem essa certeza e que acredita nisso, pede a Deus, sabendo que Ele a tudo vê e ouve. Ele espera ansiosamente, nunca se desespera, porque sabe que Deus responderá ao seu chamado. Como ele acredita inteiramente na Justiça de Deus, ele evita entrar em desespero. O crente que toma o Alcorão como seu guia tem a mais absoluta certeze de que a resposta virá. O crente não pode duvidar que obterá uma resposta de Deus. Aquele que se dirige a Deus com desconfiança, contraria as verdades do Alcorão desde o começo. Por trás da essência da prece está uma aproximação sincera e uma fé profunda em Deus, como o profeta Sáleh disse "... meu Senhor está próximo, pronto a responder." (Alcorão 11:61)

Contudo, esta aceitação de Deus não significa que receberemos o que quer que desejemos. E isto porque, algumas vezes, o homem pede por alguma coisa que não seria benéfica para ele. Neste caso, Deus não concede o que foi pedido e sim algo mais belo e mais benéfico.

Apenas para exemplificar, lembramos um caso ilustrado pelo famoso exegeta muçulmano, Nursi: o médico se aproxima da criança doente. A criança pede a ele para lhe "dar um certo remédio". No entanto, aquele "certo remédio" não lhe fará bem e o médico receita um outro, completamente diferente. Ao final, o tratamento deu resultado. Da mesma forma, Deus sempre atende a uma invocação sincera, embora a Sua concordância  nem sempre esteja de acordo com aquilo que desejamos. Porque, conforme mencionado no versículo "... É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial; todavia, Deus sabe e vós ignorais." (Alcorão 2:216). Da mesma forma, no caso da criança acima referida, ela não sabe o que é bom ou ruim para ela. E, por esta razão, pode estar pedindo algo que possa prejudicá-la, conforme o versículo "O homem impreca pelo mal, ao invés de suplicar pelo bem, porque ele é impaciente." (Alcorão 17:11)

Portanto, em primeiro lugar, devemos pedir o que for da vontade de Deus.  Devemos pedir a Ele que nos ensine a disciplina e a moldar-nos de acordo com o Alcorão. Deus sabe o melhor. Por isso, a prece dos profetas, como a de Salomão ... "Ó meu Senhor! Inspira-me, para eu Te agradecer a mercê com que me agraciaste, a mim e a meus pais, e para que pratique o bem que Te compraz e admite-me na Tua misericórdia, juntamente com os Teus servos virtuosos. " (Alcorão 27:19)

Além do mais, os crentes devem pedir conforme estabelecido no Alcorão e mostrado como objetivo a ser seguido. Eles devem ser sinceros e honestos em suas preces e não devem deixar de pedir por algo que queiram verdadeiramente. Deus é Aquele que modifica aquele desejo,o pedido sincero do coração e o anseio por uma bênçao.

Ele aceita as preces, responde às preces sinceras dos crentes. Deus pode, se quiser, destruir toda uma sociedade de incrédulos se for uma prece dos crentes.

"Então (eles) imploraram a vitória e a decisão, e eis que fracassou o plano do poderoso opressor obstinado." (Alcorão 14:15)

No Alcorão encontramos muitos exemplos como esses. Deus recompensou os mensageiros e os crentes com muitas graças:

"E (recorda-te) de quando Jó invocou seu Senhor (dizendo): Em verdade, a adversidade tem-me açoitado; porém,Tu és o mais clemente dos misericordiosos! E o atendemos e o liberamos do mal que o afligia; restituímos-lhe a família, duplicando-a, como acréscimo, em virtude da Nossa misericórdia, e para que servisse de mensagem para os adoradores. E (recorda-te) de Ismael, de Idris (Enoc) e de Dulkifl, porque todos se contavam entre os perseverantes. Amparamo-los em Nossa misericórdia, porque se contavam entre os virtuosos. E (recorda-te) de Dun-Nun quando partiu, bravo, crendo que não poderíamos controlá-lo. Clamou nas trevas: Não há mais divindade do que Tu! Glorificado sejas! É certo que me contava entre os iníquos! E o atendemos e o libertamos da angústia. Assim salvamos os fiéis. E (recorda-te) de Zacarias, quando implorou ao Seu Senhor: Ó Senhor meu, não me deixes sem prole, não obstante seres Tu o melhor dos herdeiros! E o atendemos e o agraciamos com Yahia (João), e curamos sua mulher (da esterilidade); um procurava sobrepular o outro nas boas ações, recorrendo a Nós com afeição e temor, e sendo humildes a Nós." (Alcorão 21:83-90)

Aquele que implora, sabendo que Deus a tudo vê e ouve, respeita-O e O teme; aceita que é o servo de Deus. Portanto, a prece é uma adoração importante e não apenas um meio para se conseguir alguma coisa; na verdade, é muito mais importante do que isso. Considerando que sempre necessitamos de algma coisa e estamos sempre pedindo algo, também a nossa prece deve ser consistente. Podemos fazer nossas orações nos horários mais adequados, como por exemplo, à noite, e depois da oração regular da manã, confome mencionado no Alcorão. No entanto, devemos nos dirigir a Deus consistentemente durante todo o dia. Podemos pedir tudo a Deus, desde que saibamos que tudo, cada evento, está na dependência de Sua autoridade. Os crentes podem pedir também enquanto estiverem em adoração, a fim de que tenham êxito e obtenham a satisfação de Deus. A prece de Abraão é um exemplo:

"E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó Senhor nosso, aceita-a pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo." (Alcorão 2:27).

A Surata Al-Imram mostra todas as condições em que os crentes podem implorar a Deus,  "que mencionam Deus, estando empé,sentados ou deitados ..."(Alcorão 3:191). Na verdade, o Alcorão elogia os crentes por este comportamento.

"Sabei que Abraão era tolerante,sentimental, contrito." (Alcorão 11:75)

"Abraão era Imam e monoteísta, consagrado a Deus, e jamais se contou entre os idólatras." (Alcorão 16:120)

"Tolera o que dizem e recorda-te do Nosso servo,Davi, o vigoroso, que foi contrito!" (Alcorão 38:17)

"E apanha um feixe de capim e golpeia com ele; e não perjures! Em verdade, encontramo-lo perseverante - que excelente servo! - Ele foi contrito." (Alcorão 38:44)

Os versículos alcorânicos abaixo, bastam para uma compreensão melhor da importância da oração:

"Dize (àqueles que rejeitam): Meu Senhor não Se importará convosco, se não O invocardes. Mas desmentistes (a verdade), e por isso haverá um (castigo) inevitável." (Alcorão 25:77)

Há uma questão vital a esse respeito e que está mencionada no Alcorão: os pagãos também imploram a Deus de tempos em tempos. No entanto, há uma grande diferença entre a prece deles e a dos crentes. Os crentes se voltam para Deus sob qualquer condição e a toda hora. Seu comportamento não sofre alteração em razão de tristezas ou alegrias, ou conforto; eles sabem que nada podem contra Deus e por isso invocam-no consistentemente. Quanto aos pagãos, a maioria de esquece de Deus e se afasta d'Ele. Nesses períodos, eles associam seus deuses a Deus, o Único.  Este tipo de pessoa só se lembra de Deus quando enfrentam alguma dificuldade e aí se voltam para Ele correndo.  A prece feita sob as condições penosas dos tempos difíceis é sincera, embora sejam esquecidos assim que chega a bonança. Retornam à antiga condição, esquecendo-se de que eles imploraram pela clemência de Deus, e sendo ingratos.

O Alcorão se refere frequentemente a este comportamento pagão, dando muitos exemplos:

"E se o infortúnio açoita o homem, ele Nos implora, quer esteja deitado, sentado ou em pé. Porém, quando o livramos de seu infortúnio, ei-lo que caminha como se não Nos tivesse implorado quando o infortúnio o açoitava. Assim foram abrilhantados os atos dos transgressores (por Satanás)" (Alcorão 9:12)

"Mas quando agraciamos o homem, ele desdenha e se envaidece; em troca, quando o mal o açoita, eis que não cessa de Nos suplicar!" (Alcorão 41:51)

"E quando a adversidade açoita o homem, este suplica contrito ao seu Senhor; então, quando Ele o agracia com a Sua mercê, este esquece o qua antes suplicava e atribui rivais a Deus, para desviar outros da Sua senda. Dize-lhe: Desfruta, transitoriamente, da tua blasfêmia, porque te contarás entre os condenados ao inferno!" (Alcorão 39:8)

"Quando a adversidade açoita o homem, eis que Nos implora; então, quando o agraciamos com as Nossas mercês, diz:  Certamente que as logrei por meus próprios méritos! Qual! É uma prova! Porém, a maioria dos humanos o ignora." (Alcorão 39:49)

"Quando a adversidade açoita os humanos, suplicam contritos ao seu Senhor; mas, quando os agracia com a Sua misericórdia, eis que alguns deles atribuem parceios ao seu Senhor." (Alcorão 30:33)

Alguns versículos alcorânicos citam como exemplo o caso do navio: os homens imploram sinceramente num navio que está perto de se afundar, arrependem-se e pedem para serem salvos. Esta prece deles é sincera porque eles compreenderam que nenhuma outra criatura que eles adoravam (por exemplo, seus familiares, líderes, a sociedade em que vivem, etc.) pode salvá-los e aí se volta para Deus. No entanto, quando Deus os salva do naufrágio e os coloca em terra firma, de novo repetem  o comportamento pagão e se esquecem de Deus. Este é um grande extravio:

"Ele é Quem vos encaminha na terra e no mar. Quando se acham em naves e estas singram o oceano ao sabor de um vento favorável, regozijam-se. Mas, quando os açoita uma tormenta e as ondas os assaltam por todos os lados, e crêem naufragar, então imploram sinceramente a Deus: Se nos salvares deste perigo, contar-nos-emos entre os agradecidos! Mas,quando os salva, eis que causam, injustamente, iniquidade na terra. Ó humanos, sabei que a vossa iniquidade só recairá sobre vós; isso é somente um entretenimento na vida terrena. Logo retornareis a Nós e, então, vos inteiraremos de tudo quanto tiverdes feito." (Alcorão 10:22-23)

"Dize: Quem vos liberta das trevas da terra e do mar, embora deprequeis ostensiva ou humildemente? dizendo: Se nos livrares disso, contar-nos-emos entre os agradecidos! Dize(ainda): Deus vos liberta disso e de toda angústia e, sem dúvida, Lhe atribuís parceiros!" (Alcorão 6:65-64)

O que os crentes devem fazer é firmemente orar a Deus, confiar n'Ele, sabendo que não há outro guardião e socorredor.

"Suplicai, pois, a Deus, com devoção, ainda que isso desgoste os incrédulos." (Alcorão 40:14)

"Dize-lhes: Invoco tão-somente o meu Senhor, a Quem não atribuo parceiro algum." (Alcorão 72:20)

A oração não pode ser para o crente um inconveniente ou um grande peso, pelo contrário, o crente deve sentir    verdadeira satisfação e gratificação porque está implorando pelo socorro de Deus. Sabendo que sua própria capacidade não lhe é suficiente, e que Deus, o provedor de todas as coisas, olha por ele, o crente sente o máximo de felicidade e prazer. Por isto, a oração é um prazer e também algo que continua no céu. No Alcorão, os crentes são cientificados de que também existe oração no céu:

"Quanto aos fiéis que praticam o bem, seu Senhor os encaminhará, por sua fé, aos jardins do prazer, abaixo dos quais correm os rios, onde sua prece será: Glorificado sejas, ó Deus! Aí sua mútua saudação será: Paz! E o fim de sua prece será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo! (Alcorão 10:9-10)

As orações citadas no Alcorão

"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Louvado seja Deus, Senhor do Universo, o Clemente, o Misericordios, Soberano do Dia do Juízo. Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda! Guia-nos à senda reta, à senda dos que agraciastes, não à dos abominados, nem à dos extraviados." (Alcorão 1:1-7)

"Lembrai-vos de quando Abraão implorou: Ó Senhor meu, faze com que esta cidade seja de paz, e agracia com frutos os seus habitantes que crêem em Deus e no Dia do Juízo Final! Deus respondeu: Quanto aos incrédulos dar-lhes-ei um desfrutar transitório e depois os condenarei ao tormento infernal. Que funesto destino!" (Alcorão 2:126)

"E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó Senhor nosso, aceita-a de nós pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo. Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo. Ó Senhor nosso, faze surgir, dentre eles, um Mensageiro, que lhes transmita as Tuas leis e lhes ensine o Livro, e a sabedoria, e os purifique, pois Tu és o Poderoso, o Prundentíssimo." (Alcorão 2:127-129)

"Outros dizem: Ó Senhor nosso, concede-nos a graça deste mundo e do futuro, e preserva-nos do tormento infernal! Estes, sim, lograrão a porção que tiverem merecido, porque Deus é Destro em ajustar contas." (Alcorão 2:201-202)

"E quando se defrontaram com Golias e seu exército, pediram: Senhor nosso! Infunde-nos a constância, firma os nossos passos e concede-nos a vitória sobre o povo incrédulo!" (Alcorão 2:250)

"Deus não impõe a nenhuma alma uma carga superior às suas forças. Beneficiar-se-á com o bem quem o tiver feito e sofrerá o mal quem o tiver cometido. Ó Senhor nosso, não nos condenes, se nos esquecermos ou nos equivocarmos! Ó Senhor nosso, não nos imponhas carga, como a que impusestes a nossos antepassados! Ó Senhor nosso, não nos sobrecarregues com o que não podemos suportar! Tolera-nos! Perdoa-nos! Tem misericórdia de nós! Tu és nosso Protetor! Concede-nos a vitória sobre os incrédulos!" (Alcorão 2:286)

"(Que dizem:) Ó Senhor nosso, não desvies os nossos corações, depois de nos teres iluminado, e agracia-nos com a Tua misericórdia, porque Tu és o Munificente por excelência. Ó Senhor nosso, Tu congregarás os humanos para um dia indubitável, e Deus não faltará com a promessa." (Alcorão 3:8-9)

"Que dizem: Ó Senhor nosso, cremos! Perdoa os nossos pecados e preserva-nos do tormento infernal." (Alcorão 3:16)

"Recorda-te de quando a mulher de Imran disse: Ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo." (Alcorão 3:35)

"Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência, porque és Exorável, por excelência." (Alcorão 3:38)

"Ó Senhor nosso, cremos no que tens revelado e seguimos o Mensageiro; inscreve-nos, pois, entre os testemunhadores." (Alcorão 3:53)

"Eles nada disseram, além de: Ó Senhor nosso, perdoa-nos por nossos pecados e por nossos excessos; firma os nossos passos e concede-nos a vitória sobre os incrédulos!" (Alcorão 3:147)

"Que mencionam Deus, estando em pé, sentados ou deitados, e meditam na criação dos céus e da terra, dizendo: Ó Senhor nosso, não criaste isto em vão. Glorificado sejas! Preserva-nos do tormento infernal! Ó Senhor nosso, quanto àquele a quem introduzirás no fogo, Tu o aviltarás! Os iníquos não terão socorredores! Ó Senhor nosso, ouvimos um pregoeiro que nos convoca à fé, dizendo: Crede em vosso Senhor! e cremos. Ó Senhor nosso, perdoa as nossas faltas, redime-nos das nossas más ações e acolhe-nos entre os virtuosos. Ó Senhor nosso, concede-nos o que prometeste, por intermédio dos Teus mensageiros, e não nos aviltes no Dia da Ressurreição. Tu jamais quebras a promessa." (Alcorão 3:191-194)

"E, ao escutarem o que foi revelado ao Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes brotarem nos olhos; reconhecem naquilo a vedade, dizendo: Ó Senhor nosso, cremos! Inscreve-nos entre os testemunhadores!" (Alcorão 5:83)

"Disseram: Ó Senhor nosso, nós mesmos nos condenamos e, se não nos perdoares e Te apiedares de nós, seremos desventurados!" (Alcorão 7:23)

"... Ó Senhor nosso, decide com eqüidade entre nós e o nosso povo, porque Tu és o mais equânime dos juízes." (Alcorão 7:89)

"Então (Moisés) disse: Ó Senhor meu, perdoa-nos, a mim e ao meu irmão, e ampara-nos em Tua misericórdia, porque Tu és o mais clemente dos misericordiosos!" (Alcorão 7:151)

"...Ó Senhor nosso, concede-nos paciência e faze com que morramos muçulmanos." (Alcorão 7:126)

"... Tu és o nosso protetor. Perdoa-nos e apieda-Te de nós, porque Tu és o mais equânime dos indulgentes! Concede-nos uma graça, tanto neste mundo como no outro, porque a Ti nos voltamos contritos. Disse: Com Meu castigo açoito quem quero e Minha clemência abrange tudo, e a concederei aos tementes que pagam o zakat e crêem nos Nossos versículos." (Alcorão 7:155-156)

"Disseram: A Deus nos encomendamos! Ó Senhor nosso, não permitas que fiquemos afeitos à fúria dos iníquos: e com a Tua misericórdia salva-nos do povo incrédulo." (Alcorão 10:85-86)

"E Moisés disse: Ó Senhor nosso, tens concedido ao Faraó e aos seus chefes esplendores e riquezas na vida terrena e assim, ó Senhor nosso, puderam desviar os demais da Tua senda. Ó Senhor nosso, arrasa as suas riquezas e oprime os seus corações, porque não crerão até verem o doloroso castigo." (Alcorão 10:88)

"Ó Senhor meu, já me agraciaste com a soberania e me ensinaste a interpretação dos sonhos e acontecimentos! Ó Criador dos céus e da terra, Tu és o meu Protetor neste mundo e no outro. Faze com que eu morra muçulmano, e junta-me aos virtuosos!" (Alcorão 12:101)

"Ó Senhor nosso, estabeleci parte da minha descendência em um vale inculto perto da Tua Sagrada Casa para que, ó Senhor nosso, observem a oração; faze com que os corações de alguns humanos os apreciem, e agracia-os com os frutos, a fim de que Te agradeçam. Ó Senhor nosso,Tu sabes tudo quanto ocultamos e tudo quanto manifestamos, porque nada se oculta a Deus, tanto na terra como no céu." (Alcorão 14:37-38)

"E estende sobre eles a asa da humildade, e dize: Ò Senhor meu, tem misericórdia de ambos, como elestiveram misericórida de mim, criando-me desde a infância." (Alcorão 17:24)

"E dize: Ó Senhor meu, faze com que eu entre com honradez e saia com honradez; concede-me, de Tua parte, uma autoridade para socorrer(-me)." (Alcorão 17:80)

"Recorda de quando um grupo de jovens se refugiou na caverna, dizendo: Ó Senhor nosso, concede-nos Tua misericórdia, e reserva-nos um bom êxito em nossa empresa!" (Alcorão 18:10)

"Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo, Zacarias. Ao invocar, intimamente, seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu; mas nunca fui desventurado em minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu! Em verdade, temo pelo que farão os meus parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril. Agracia-me, de tua parte, com um sucessor! Que represente a mim e à família de Jacó; e faze, ó meu Senhor, com que ele seja complacente! Ó Zacarias, alvissaramos-te o nascimento de uma criança, cujo nome será Yahia (João). Nunca denominamos, assim, ninguém antes dele. Disse (Zacarias): Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, uma vez que minha mulher é estéril e  eu cheguei à velhice?" (Alcorão 19:2-8)

"Ó Senhor nosso, faze-me observante da oração, assim como à minha prole! Ó Senhor nosso, escuta minha súplica! Ó Senhor nosso, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos fiéis, no Dia do Acerto de Contas!" (Alcorão 14:40-41)

"Suplicou-lhe: Ó Senhor meu, dilata-me o peito; facilita-me a tarefa; e desata o nó de minha língua, para que compreendam a minha fala. E concede-me um vizir dentre os meus, meu irmão Aarão, que poderá me fortalecer. E associa-o à minha missão, para que Te glorifiquemos intensamente. E para mencionar-Te constantemente. Porque só Tu és o nosso Velador." (Alcorão 20-25-35)

"E (recorda-te) deDun-Nun quando partiu, bravo, crendo que não poderíamos controlá-lo. Clamou nas trevas: Não há mais divindade do que Tu! Glorificado sejas! É certo que me contava entre os iníquos! E o atendemos e o libertamos da angústia. Assim salvamos os fiéis." (Alcorão 21:87-88)

"E (recorda-te) de Zacarias, quando implorou a seu Senhor. Ó Senhor meu, não me deixes sem prole, não obstante seres Tu o melhor dos herdeiros!" (Alcorão 21:89)

"Dize: Ó Senhor meu, se me fizeres ver (em vida) aquilo quanto ao que são admoestados ... Ó Senhr meu, não me contes entre os iníquos!" (Alcorão 23:93-94)

"Disse (Noé): Ó Senhor meu, socorre-me, pois me acusam de falsidade!" (Alcorão 23:26)

"E quando estiveres embarcado na arca,junto àqueles que estão contigo, dize: Louvado seja Deus, que nos livrou dos iníquos! E dize: Ó Senhor meu, permita que desembarque em lugar abençoado: porque Tu és o melhor para (nos) desembarcar."(Alcorão 23:28-29)

"Disse (o profeta):Ó Senhor meu, socorre-me, pois que me desmentem!"  (Alcorão 23:39)

"E dize: ÓSenhor meu, em Ti me amparo contra as insinuações dos demônios. E em Ti me amparo, ó Senhor meu, para que não se aproximem (de mim). (Alcorão 23:97-98)

"E dize (ó Mohammad): Ó Senhor meu, concede-me perdão e misericórdia, porque Tu és o melhor dos misericordiosos!" (Alcorão 23:118)

"E aqueles que disserem: Ó Senhor nosso, faze com que as nossas esposas e nossa prole sejam o nosso consolo, e designa-nos imames dos devotos." (Alcorão 25:74)

"Ó Senhor meu, concede-me prudência e junta-ne aos virtuosos! Concede-me a boa reputação na posteridade. Conta-me entre os herdeiros do Jardim do Prazer. Perdoa meu pai, porque foi um dos extraviados. E não me aviltes, no dia em que (os homens forem ressuscitados." (Alcorão 26:83-87)

"Exclamou: Ó Senhor meu, certamente meu povo me desmente. Julga-nos eqüitativamente e salva-me, juntamente com os fiéis que estão comigo!" (Alcorão 26:117-118)

"(Salomão) sorriu das palavras dela e disse: Ó Senhor meu, inspira-me para eu Te agradecer a mercê com que me agraciaste, a mim e aos meus pais, e para que pratique o bem que Te compraz, e admite-me na Tua misericórdia, juntamente com os Teus servos virtuosos." (Alcorão 27:19)

"Disse (ainda): Ó Senhor meu, certamente me condenei! Perdoa-me, pois! E (Deus) o perdoou, porque é o Indulgente, o Misericordiosíssimo. Disse (mais): Ó Senhor meu, posto que me tens agraciado, juro que jamais ampararei os criminosos!" (Alcorão 28:16-17)

"Saiu então de lá temeroso e receoso; disse: Ó Senhor meu, salva-me dos iníquos." (Alcorão 28-21)

"Assim, ele deu de beber ao rebanho, e logo, retirando-se para uma sombra, disse: Ó Senhor meu, em verdade, estou necessitado de qualquer dádiva que me envies!" (Alcorão 28:24)

"Disse: Ó Senhor meu, concede-me a vitória sobre o povo dos corruptores!" (Alcorão 29:30)

Disse: Ó Senhor meu, perdoa-me e concede-me um império que ninguém, além de mim, possa possuir, porque Tu és o Agraciante por excelência!" (Alcorão 38:35)

"Os (anjos) que carregam o Trono de Deus, e aqueles que o circundam, celebram os louvores do seu Senhor; crêem n'Ele e imploram-Lhe o perdão para os fiéis, (dizendo): Ó Senhor nosso, Tu, Que envolves tudo com a Tua misericórdia e a Tua ciência, perdoa os arrependidos que seguem Tua senda, e preserva-os do suplício da fogueira! Ó Senhor nosso, introduze-os nos jardins do Éden que lhes prometestes, assim como os virtuosos dentre os seus pais, as suas esposas e a sua prole, porque és o Poderoso, o Prudentíssimo! E preserva-os das maldades, porque àquele que preservares das maldades, nesse dia terás mostrado, certamente, misericórdia; isso será o magnífico benefício." (Alcorão 40:7-9)

"E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Com dores, sua mãe o carrega duante a sua gestação e, posteirormente, sofre as dores do seu parto. E de sua concepção até a sua ablactação há um espaço de trinta meses, quando alcança a puberdade e, depois, ao atingir quarenta anos, diz: Ó Senhor meu, inspira-me, para agradecer-Te as mercês com que me agraciaste, a mim e aos meus pais, para praticar o bem que Te compraz, e faze com que minha prole seja virtuosa. Em verdade, converto-me a Ti, e me conto entre os muçulmanos. Tais são aqueles dos quais aceitamos o melhor do que têm feito, e lhes absolvemos as faltas, (contando-os) entre os diletos do Paraíso, porque é uma promessa verídica, que lhes foi anunciada." (Alcorão 46:15-16)(Alcorão 59:10)

"... Ó Senhor nosso, a Ti nos encomendamos e a Ti nos voltamos contritos, porque para Ti será o retorno: Ó Senhor nosso, não faça de nós um escarmento para os incrédulos e perdoa-nos, ó Senhor nosso, porque és o Poderoso, o Prudentíssimo." (Alcorão 60:4-5)

"E Deus dá como exemplo aos fiéis, o da mulher do Faraó, que disse: Ó Senhor meu, constrói-me, junto a Ti, uma morada no Paraíso, e livra-me do Faraó e das suas ações, e salva-me dos iníquos!" (Alcorão 66:11)

"E Noé disse: Ó Senhor meu, não deixes sobre a terra nenhum dos incrédulos. Porque, se deixares, eles extraviarão os Teus servos, e não gerarão senão os libertinos, ingratos." Alcorão 71:26-27)

"Ó Senhor meu, perdoa-me a mim, aos meus pais e a todo fiel que entrar em minha casa, assim como também aos fiéis e às fiéis, e não aumentes em nada os iníquos, senão em perdição." (Alcorão 71:28)

"Admoestarás somente quem seguir a mensagem e temer intimamente o Clemente; anuncia a este, pois, uma indulgência e uma generosa recompensa." (Alcorão 36:11)


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