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Alcorão



CONCEITOS BÁSICOS DO ALCORÃO

Por Harun Yahia

 

INTRODUÇÃO

IDOLATRIA

OPRESSÃO (FITNAH)

AS DUAS CARACTERÍSTICAS DA ALMA

VALORIZAR DESEJOS E PAIXÕES

ESPÍRITO E ALMA

CORAÇÃO, SABEDORIA E INTELIGÊNCIA

O HOMEM RACIONAL E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA

SABEDORIA & ROMANTISMO

AS RAÍZES DA SABEDORIA

DISPLICÊNCIA & ATENÇÃO

SEGUIR A CONJETURA

LEALDADE & OBEDIÊNCIA

DETERMINAÇÃO & ESTABILIDADE

PERSEVERANÇA

AS BOAS AÇÕES

AGRADECER A DEUS

NÃO BUSCAR
VANTAGENS PESSOAIS

FRATERNIDADE

MODÉSTIA & ARROGÂNCIA

CONFIANÇA EM DEUS & SUBMISSÃO

PERDÃO & ARREPENDIMENTO

ORAÇÃO


"Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência." (Alcorão 8:29)


INTRODUÇÃO

Quando lemos o Alcorão, percebemos que muitos conceitos usados em nosso dia-a-dia são citados e enfatizados frequentemente em seus versículos. Estes conceitos são decisivos para a compreensão do Alcorão e assim, agirmos de acordo com os seus postulados. Entre estes conceitos, encontramos sabedoria, paciência, lealdade, descrença, favores especiais de Allah.

No entanto, muitos deles são usados com um sentido diferente nas conversas diárias, o que pode induzir as pessoas, principalmente aquelas que estão lendo o Alcorão pela primeira vez, a um conceito errado do Alcorão.

Tomemos como exemplo a palavra "sabedoria". Sabedoria é comumente utilizada como sinônimo de inteligência, esperteza, astúcia, etc. Contudo, a "sabedoria" citada no Alcorão não tem qualquer semelhança com esses significados. De acordo com o Alcorão, sabedoria é uma qualidade peculiar aos fiéis, o nível de sabedoria pode aumentar ou diminuir com relação ao seu comportamento correto. Sabedoria, o modo de compreensão, é uma orientação divina que capacita o homem a mostrar o comportamento correto e a atitude com a qual ele espera agradar a Deus e alcançar a Sua justa estima. é a capacidade de julgar entre o certo e o erro, atingir a mais elevada atitude moral, tomar as decisões certas para cada situção, e agir, tendo sempre em mente, a vida após a morte.

Quanto aos infiéis, não importa o quão inteligentes sejam, não possuem sabedoria. Eles podem mostrar sua inteligência, mas não compreendem o verdadeiro significado da palavra, ou o significado de uma ação sábia. Acham que sabedoria é sinônimo de inteligência. E alguns podem até pensar que sabedoria é dignidade e maturidade, qualidades que se somam à inteligência. No entanto, mesmo os mais inteligentes, os mais experientes, os mais maduros, por serem infiéis, não possuem "sabedoria".

Uma pessoa que identifique "sabedoria" com os significados mencionados acima, pode facilmente chegar a conclusões erradas. Um conceito totalmente diferente pode surgir em sua mente, que o levará a um pensamento ou crença herética. De igual modo, isto    pode  acontecer com outros conceitos do Alcorão.

Portanto, a fim de compreendermos verdadeiramente o Alcorão e vivenciá-lo em sua plenitude, é essencial saber em que contexto certos conceitos básicos do Alcorão são usados e a sabedoria que tais conceitos envolvem. O caminho para este conhecimento é o próprio Alcorão e o árabe, sua língua original.

Às vezes, é possível que a palavra em árabe seja usada com um significado especial no Alcorão e de uma forma específica. Assim, é de fundamental importância conhecer em que sentido aquela palavra foi usada em outros versículos do Alcorão, a subordinação dos versículos, os versículos anteriores e os posteriores, além da definição árabe da palavra. Somente se chega a uma conclusão apropriada após muito esforço e, claro, com a compreensão e sabedoria que Deus nos concedeu.

Neste livro, tentaremos esclarecer os conceitos mais frequentemente encontrados no Alcorão, analisando-os dentro dos versículos em que eles aparecem, tanto no sentido geral como no específico.

IDOLATRIA

A palavra idolatria em árabe é "shirk" e significa "parceria/associação". E no Alcorão, idolatrar tem o significado de associar a Deus qualquer outro ser, pessoa ou conceito, considerando-os iguais a Ele. Nas traduções do Alcorão, idolatria também é citada como "associar um parceiro a Deus". Também expressa "ter ou adorar um outro deus, além de Deus" .

No sentido mais geral, idolatria significa tomar para si crenças diversas, julgamentos, estilos de vida e conceitos, diferentemente do que está prescrito no Alcorão e conceber a vida baseada nestes conceitos. Portanto, esta pessoa idolatra aquele que legisla sobre tais assuntos. Este pode ser o pai, o avô, a sociedade em que se vive, os fundadores de várias filosofias ou ideologias e seus seguidores. Com relação a isto, a pessoa que segue um caminho diferente do Islam está idolatrando. Esta pessoa pode se dizer ateu, cristão, judeu, etc. Pode até se dizer muçulmano. Ele pode fazer as preces regulamentares, jejuar e obdecer as leis do Islam. Contudo, ele é um idólatra se tiver uma simples interpretação que conflite com o Alcorão, porque isto significará que ele associou aquele legislador a Deus.

Idolatria não quer dizer descrença absoluta em Deus. Muitos dos idólatras não aceitam que são idólatras. Eles chegam a negar sua descrença na vida após a morte por causa de suas almas endurecidas. O Alcorão assim se refere sobre o assunto:

"Recorda-lhes o dia em que congregaremos todos, e diremos, então, aos idólatras: Onde estão os parceiros que pretendestes Nos atribuir? Então, não terão mais escusas, além de dizerem: Por Deus, nosso Senhor, nunca fomos idólatras." (Alcorão 6:22-23)

Ser idólatra não significa dizer "este é um ser divino", "Estou tomando este ser como um deus além de Deus e estou adorando-o" ou qualquer outra coisa semelhante. Antes de mais nada, idolatria está no coração, depois na forma de pensar e então passa a refletir todo um comportamento. A razão da idolatria está no fato de que a pessoa prefere um outro ser a Deus. Por exemplo, preferir a vontade de uma pessoa do que a vontade de Deus, ou temer uma pessoa mais do que a Deus, ou amar uma pessoa mais do que a Deus, tudo isso significa associar um parceiro a Deus. Estas são as modalidades de idolatria que o Alcorão salienta. Como dito antes, a razão mais importante que leva à idolatria é o sentimento de "amor" dirigido falsamente. Este tipo de amor dos idólatras está citado nos seguintes versículos:

"Entre os humanos há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele) aos quais  professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e Ele é Severíssimo no castigo." (Alcorão 2:165)

Os fiéis dirigem seu amor única e exclusivamente a Deus, ao passo que os idólatras amam a si mesmos, ou a outras pessoas, porque não têm uma relação íntima com Deus. Essas pessoas podem ser seus pais, seus filhos, irmãos, esposas, maridos ou quaisquer outras pessoas. Este amor também pode estar voltado para objetos inanimados tais como dinheiro, propriedades, casa, carro. Qualquer coisa, ou posição, ou prestígio pode ser objeto de idolatria.

As características intrínsecas de cada pessoa ou de cada objeto, na verdade nada mais é do que um reflexo das caracterísitcas infinitamente superiores de Deus. A única origem de todas as coisas é Deus. Portanto, Deus é Aquele que merece todo o nosso amor, porque é Ele quem possui toda a superioridade e excelência. Consequentemente, quando dedicamos nosso amor a uma pessoa ou coisa, na verdade estamos transformando aquela pessoa ou coisa em nosso deus, um falso deus, e adorando-o ao lado de Deus.

Em um outro versículo, Abraão adverte os idólatras que deixam Deus e adoram falsos deuses, por quem têm profundo amor:

"E lhes disse: Só haveis adotado ídolos em vez de Deus, como vínculo de amor entre vós, na vida terrena; eis que, no Dia da Ressurreição, desconhecer-vos-eis e vos amaldiçoareis reciprocamente; e vossa morada será o fogo, e jamais tereis socorredores. (Alcorão 29:25)

Um exemplo importante de idolatria é a paixão que um homem devota a uma mulher, seja a esposa, uma mulher querida ou mesmo uma mulher a quem ele dedica um amor platônico. Se esta é uma espécie de amor que o faz se esquecer de Deus, e também o sentimento que lhe é mais caro do que o amor a Deus, fazendo com que seja substituído no coração, tomando seu lugar, este amor acaba por levar a pessoa à idolatria. Sabemos pelo Alcorão que esta espécie de sentimento, que é tido como inocente pela sociedade, tem um significado diferente perante Deus.

"Não invocam, em vez d'Ele, a não ser deidades femininas, e, com isso invocam o rebelde Satanás." (Alcorão 4:117)

Este risco também se aplica às mulheres, tanto quanto aos homens. Na sociedade, o amor pagão é apresentado como "amor", "romantismo", "sentimento puro e inocente" e até mesmo exaltado e encorajado. Esta espécie de romantismo, que tanto influencia a juventude, atrasa o amadurecimento e produz uma geração herética, cujos membros desconhecem tudo sobre religião e estão distanciados da crença em Deus, não entendendo a razão da criação, desconhecendo o amor e o temor a Deus, e que vê a idolatria como uma coisa absolutamente normal.

Outra razão importante que leva os homens à idolatria é o sentimento de "medo". Assim como o amor, o medo também é uma espécie de sentimento que só deveria ser dirigido a Deus. Quando tememos as criaturas estamos atribuindo-lhes um poder que só Deus tem, e considerando-as isentas do destino que Deus traçou para elas. Com os versículos abaixo, vamos perceber que temer alguém além de Deus é associar parceiros a Deus:

"Deus disse: Não adoteir dois deuses - posto que somos um único Deus! - Temei, pois, a  Mim somente! Seu é tudo quanto existe nos céus e na terra. Somente a Ele devemos  obediência permanente. Temeríeis, acaso, alguém além de Deus?" (Alcorão 16:51-52)

O Alcorão assim se refere àqueles pagãos que temem outras pessoas:

"… Mas, quando lhes foi prescrita a luta, eis que grande parte deles temeu as pessoas,  tanto ou mais que a Deus, dizendo: ó Senhor nosso, por que nos prescreves a luta? Por  que  não nos concedes um pouco mais de trégua?..."
(Alcorão 4:77)

Além dos sentimentos de amor e de medo, outros fatores também conduzem à idolatria, tais como pedir socorro à alguém, ou não se esforçar por agradar a Deus mas sim aos homens, não confiar em Deus e sim nas criaturas, olhar para os seres humanos como possuidores de um poder ou vontade que na verdade não têm.

Conforme podemos notar nos versículos do Alcorão aqui transcritos, seria uma concepção muito estreita considerar a idolatria apenas como o curvar a cabeça perante os pequenos ícones. Isto é próprio dos pagãos que reivindicam a santidade para si mesmos. Estas pessoas até acham que a idolatria foi totalmente abolida quando aqueles ídolos de pedra da Caaba foram destruídos depois que o Islam foi revelado, e que as centenas de versículos no Alcorão definindo a idolatria em detalhe e proibindo-a aos fiéis se referem àquelas sociedades primitivas. No entanto, o Alcorão contém as diretrizes de Deus que se aplicam a toda a humanidade até o dia da ressurreição. Portanto, essa afirmativa não se sustenta diante dos inúmeros exemplos de sabedoria do Alcorão. Por exemplo:

"Voltai-vos contritos a Ele, temei-O, observai a oração e não vos conteis entre os que (Lhe) atribuem parceiros, que dividiram a sua religião e formaram seitas, em que cada partido exulta no dogma que lhe é intrínseco." (Alcorão 30:3l-32)

Como se vê, uma das caracterísitcas mais importante dos politeístas é dividir a verdadeira religião de Deus, transformando-a em seitas e cada grupo exultando com seus próprios dogmas. Portanto, qualquer divisão do Alcorão, por menor que seja, significa dividir a religião e, por isso, é politeismo. Aquele que aceita e defende interpretações contrárias ao Alcorão, ou as dos exegetas, dos sheiks ou dos líderes religiosos incorre em politeismo e traz opressão à religião.

Nos versículos seguintes, vemos que nenhum ato dos pagãos, nem mesmo suas orações e adorações, será aceito por Deus:

"Já te foi revelado, assim como a teus antepassados: Se idolatrares, certamente tornar-se-á  sem efeito a tua obra, e te contarás entre os desventurados." (Alcorão 39:65)

"Do que Deus tem produzido em abundância, quanto às semeaduras e ao gado, eles Lhe        destinam um quinhão, dizem, segundo as suas fantasias; Isto é para Deus e aquilo é para     os nossos parceiros! Porém, o que destinaram a seus parceiros jamais chegará a Deus; e o    destinado a Deus chegará aos seus (supostos) parceiros. Que péssimo é o que julgam!" (Alcorão 6:136)

Muitos pecados cometidos pelos fiéis não têm uma razão intencional contra Deus. Contrariamente a outros pecados, a idolatria é, portanto, ter um outro deus além de Deus e inventar uma mentira contra Ele. Por isso, ela é o maior pecado contra Ele. Deus fala no Alcorão que Ele perdoará qualquer pecado, exceto a idolatria.

"Deus jamais perdoará a quem Lhe atribuir parceiros; porém, fora disso, perdoa a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus cometerá um pecado ignominioso." (Alcorão     4:48)

"Deus jamais perdoará quem Lhe atribuir parceiros, conquanto perdoe os outros pecados,  a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus desviar-se-á produndamente." (Alcorão  4:116)

E assim, muitos versículos do Alcorão advertem os fiéis contra a idolatria e os previne deste pecado maior. Eis alguns exemplos:

"Ó fiéis, em verdade os idólatras são impuros…" (Alcorão 9:28)

"Consagrando-vos a Deus; e não Lhe atribuais parceiros, porque aquele que atribuir parceiros a Deus, será como se houvesse sido arrojado do céu, como se o tivessem apanhado as aves, ou como se o vento o lançasse a um lugarlongíguo." (Alcorão 22:3l)

"Recorda-te de quando Lucman disse ao seu filho, exortando-o: ó filho meu, não atribuas parceiros a Deus, porque a idolatria é grave iniquidade." (Alcorão 31:13)

"Dize: Sou tão-somente um mortal como vós, a quem tem sido revelado que o vosso Deus é um Deus único. Por conseguinte, quem espera o comparecimento ante seu Senhor que    pratique o bem e não associe ninguém ao culto d'Ele."
(Alcorão 18:110)

As coisas que os pagãos associam a Deus não têm, na verdade, qualquer qualidade divina. Deus informa no Alcorão que tais  parceiros que Lhe são atribuídos não ajudam nem prejudicam (10:18), não criam nada (10:34), não podem ajudar ou socorrer (7:192) e não conduzem ninguém ao caminho reto (10:35). Embora pareça claro que tais criaturas são impotentes, a razão pela qual os pagãos as tomam por parceiros de Deus é o fato de elas possuírem algumas qualidades de Deus.

Por exemplo, a autoridade, a soberania, a supremacia e prosperidade que um governante transgressor possui, na verdade pertencem a Deus. Nesta vida na terra, Deus concede aqueles atributos ao governante até um certo limite. No entanto, temer aquele governante, afirmando que ele possue aquelas qualidades e obedecê-lo em suas determinações contra Deus, é transformá-lo em parceiro de Deus. Esse governante não é nem deus nem possui qualquer poder sobre coisa alguma. Quem quer que respeite o governante como um ser divino e o obedeça cegamente, na verdade esta adorando um falso deus criado por sua imaginação. Assim diz o Alcorão:

"Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus e na terra? Que pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de Deus? Não seguem mais do que a dúvida e não fazem mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 10:66)

Aquele que adora alguém além de Deus sofrerá o mais profundo arrependimento no além, quando descobrir que o objeto de sua adoração, na verdade, não possuía qualquer qualidade. As coisas que ele prefere ou adora na terra transformam Deus, o único que tem o poder, a honra e a glória, o único que é Protetor, em inimigo. Seus ídolos o abandonarão quando se encontrarem sozinhos no além.

"Um dia em que os congregaremos a todos, diremos aos idólatras: Ficai onde estais, vós e     vossos parceiros! Logo os separaremos, então, seus parceiros lhes dirão: Não era a nós que  adoráveis! Basta Deus por testemunha entre nós e vós, de que não nos importava a vossa adoração. Aí toda alma conhecerá tudo quanto tgiver feito e serão devovidos a Deus, seu verdadeiro Senhor; e tudo quanto tiverem forjado desvanecer-se-á." (Alcorão 10:28-30)

"Então lhes será dito: Onde estão os que idolatráveis, em que lugar de Deus? Responderão: Desvaneceram-se. E agora reconhecemos que aquilo que antes    invocávamos nada era! Assim, Deus extravia os  incrédulos (Alcorão 40:73-749

O Alcorão assim define a situação final dos pagãos:

"E quando presenciaram o nosso castigo, disseram: Cremos em Deus, o único, e renegamos os parceiros que Lhe atribuíamos. Porém, de nada lhes valerá a  sua profissão de fé quando  presenciarem o Nosso castigo. Tal é a Lei de Deus para com Seus servos. Assim, então perecerão os incrédulos." (Alcorão 40:84-85)

OPRESSÃO (FITNAH)

Em árabe, como em todas as línguas, algumas palavras têm mais de um significado. Assim acontece com a palavra "fitnah", que  tem vários sentidos.

"Fitnah", basicamente, quer dizer "separar o ouro da jazida através do calor". Em muitos versículos do Alcorão, "fitnah" é a palavra empregada para expressar o critério usado para distinguir os fiéis dos que não são fiéis e dos hipócritas. A importância desse critério está baseada na avaliação das qualidades perdidas. Se uma pessoa se extraviou da senda reta ou se ela está no caminho certo, isto vai depender de seu comportamento diante da "fitnah".

A prece de Moisés, a seguir transcrita, nos mostra que a "fitnah" tanto pode desviar do caminho reto quanto levar a ele:

"E Moisés escolheu setenta homens, dentre seu povo, para que comparecessem ao lugar por Nós designado; e quando  o tremor se apossou deles, disse: ó Senhor meu, quisesses Tu,  tê-los-ias exterminado antes, juntamente comigo! Porventura nos exterminarias pelo que  cometeram os néscios dentre nós? Isto não é mais do que uma prova Tua, com a qual  desvias quem faz isso, e encaminhas quem Te apraz; Tu és o nosso Protetor. Perdoa-nos e apieda-Te de nós, porque Tu és  o mais equânime dos indulgentes!"
(Alcorão 7:155)

O Alcorão menciona em muitos versículos que a terra é um lugar de provas e que todos serão testados, independentemente da condição de fiéis ou não.

"Porventura, pensam os humanos que serão deixados em paz, só porque dizem: Cremos!,  sem serem postos à prova? Havíamos provado seus antecessores, a fim de que Deus  distinguisse os leais dos impostores." (Alcorão 29:2-3)

Em um outro versículo, o Alcorão diz que o teste será de duas formas diferentes:

"Toda a alma provará do gosto da morte, e vos provaremos com o mal e com o bem, e a Nós retornareis." (Alcorão 21:35)

Se um homem for próspero e rico, com muitas ações boas, de acordo com o Alcorão, sua propriedade o levará para perto de Deus. Mas, se ele usar dessa propriedade em desacordo com a vontade de Deus, ele se afastará do verdadeiro caminho. Então terá perdido o teste por causa de sua propriedade e irá "sofrer uma perda manifesta" na vida depois da morte.

Da mesma forma, a adversidade, a tristeza, a doença, a perda da casa ou de um ente querido, são exemplos de provas que a pessoa pode enfrentar. Se essa pessoa se rebelar, se desesperar, se afligir, então aquele teste indica que ela não crê. Isto não acontece com o fiel, que confia em Deus incondicionalmente e que sabe que cada espécie de acontecimento é proveniente d'Ele. Nada nesta vida tem importância maior em seu coração e assim ele não se aflige por causa de qualquer perda. Ele sabe que esta forma de pensar é a mais adequada para agradar a Deus.

Alguns versículos do Alcorão nos mostram que Deus cria certas condições para mostrar quem é o verdadeiro crente.

"Assim, Nós os fizemos testarem-se mutuamente, para que dissessem: São estes os que Deus  favoreceu, dentre nós? Acaso, não conhece Deus melhor do que ninguém os agradecidos?" (Alcorão 6:53)


E os versículos seguintes mostram que a prosperidade é dada para algumas pessoas, com o objetivo de testá-las:

"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o gozo da vida  terrena - a fim de, com isso, prová-las - posto que a mercê do teu Senhor    é  preferível e mais  persistente." (Alcorão 20:131)

Esta espécie de "fitnah" tem muito mais a finalidade de intensificar a descrença do que distinguir as pessoas justas das que não o são. Em um outro versículo, este fato é mencionado:

"Que não te maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus somente quer, com  isso, atormentá-los na vidaterrena e fazer com que suas almas pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)

Deus também diz que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem conscientemente (de seus propósitos):

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus    extraviou-o com  conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e   cobriu a sua visão. Quem o  iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois? (Alcorão 45:23)

Não há saída para quem Deus deixou que se extraviasse:

"Por que vos dividistes em dois grupos a respeito dos hipócritas, uma vez que Deus os  reprovou pelo que  perpetraram? Pretendeis orientar quem Deus desvia?    Jamais  encontrarás senda alguma para aquele a quem Deus desvia." (Alcorão 4:88)

A "fitnah" como extravio

Como citado acima, inúmeros versículos do Alcorão estão sempre nos lembrando que "fitnah" pode ser um motivo para o extravio e as antigas sociedades são bem um exemplo disso. Por exemplo, quando Moisés se afastou de seu grupo, seus membros passaram a obedecer ao Samaritano, fazendo a imagem de um bezerro e adorando-o. O Alcorão descreve esse fato como "ser levado para o extravio":

"Disse-lhe (Deus): Em verdade, em tua ausência, quisemos tentar o teu povo, e o samaritano logrou desviá-los." (Alcorão 20:85)

"Este forjou-lhes o corpo de um bezerro que mugia e disseram: Eis aqui o vosso deus, o  deus que Moisés esqueceu! Porém, não reparavam que aquele bezerro não podia responder-lhes, nem possuía poder para prejudicá-los nem   beneficiá-los?Aarão já lhes  havia dito: ó povo meu, com isto vós somente fostes tentados; sabei que vosso Senhor é o   Clemente. Segui-me, pois, e obedecei a   minha ordem!" (Alcorão 20:88-90)

Um outro versículo confirma que a "fitnah" pode conduzir ao extravio:

"Logo verás e eles também verão, quem dentre vós é o aflito! Em verdade, teu Senhor é o  mais conhecedor de quem se desvia da Sua senda, assim como é o mais conhecedor dos encaminhados." (Alcorão 68:5-7)

A "fitnah" como teste

Em alguns versículos, também é mencionado que a "fitnah" torna o fiel mais forte em sua crença e o aproxima mais de Deus. Por exemplo, uma guerra empreendida contra os fiéis ou os tempos de guerra intensa são grandes provas. Apesar de tudo, o fiel crê em Deus e age de acordo com Sua vontade, qualquer que seja a circunstância.

"E quando os fiéis avistaram as facções, disseram: Eis o que nos haviam prometido Deus e o Seu Mensageiro; e tando Deus como o Seu Mensageiro disseram a verdade! E isso não faz mais do que lhes aumentar a fé e resignação." (Alcorão 33:22)

"São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós; temei-os! Isso  aumentou-les a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que    excelente Guardião!" (Alcorão  3:173)

Não importa quão rigoroso seja o teste, porque o fiel sempre se sairá bem, porque seu comportamento é sempre no sentido de agradar a Deus.

Um acontecimento, que representa a Misericórida de Deus para com os fiéis e que fortalece sua crença n'Ele, pode ser uma prova para os infiéis, levando-os a se desviarem da senda. Os versículos abaixo dizem que o fato de existirem anjos pela causa do inferno aumenta a descrença nos infiéis, ao passo que este mesmo fato só fortalece a crença nos fiéis.

"Guardado por dezenove. E não designamos guardiães do fogo, senão os anjos, e não fixamos o seu número, senão como prova para os incrédulos, para que os adeptos do Livro  se convençam; para que os fiéis aumentem em sua fé e para que os adeptos do Livro, assim  como os fiéis, não duvidem; e para que os  que abrigam a morbidez em seus corações, bem como os incrédulos, digam: Que quer dizer Deus com esta prova? Assim, Deus extravia quem quer e encaminha quem Lhe apraz e ninguém, senão Ele, conhece os exércitos do teu Senhor. Isto não é mais do que uma mensagem para a humanidade." (Alcorão 74:30-31)

O empenho para levar à "fitnah"

Algumas pessoas tentam desviar os fiéis do verdadeiro caminho, do estilo de vida, da crença, isto é, "da sua religião". O Alcorão nos fala que, através dos tempos, os fiéis sempre foram expostos a tais ameaças. Sempre houve pessoas que pretenderam desviar os fiéis do Alcorão e de seus cânones. Deus diz que os fiéis ter-se-iam desviado se eles consentissem nisso.

"Antes de ti, jamais enviamos mensageiro ou profeta algum, sem que Satanás    o  sugestionasse em sua predicação; porém, Deus anula o que aventa Satanás, e então prescreve as Suas leis, porque Deus é Sapiente, Prudentíssimo. Ele faz das sugestões de Satanás uma prova, para aqueles que abrigam a morbidez em seus corações e para  aqueles cujos corações estão endurecidos, porque os iníquos estão em um cisma distante (da verdade)!" (Alcorão 22:52-53)

E no versículo abaixo, está assinalado que a prosperidade é dada para alguns, a fim de que sejam testados:

"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o gozo da vida terrena - a fim de, como isso, prová-los - posto que a mercê de teu Senhor é preferível é mais  persistente." (Alcorão 20:131)

Esta espécie de "fitnah" tem o papel de intensificar muito mais a descrença do que diferenciar os justos dos que não são. O versículo abaixo, é um exemplo disso:

"Que não tem maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus somente quer, com  isso, atormentá-los na vida terrena e fazer com que suas almas   pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)

Deus nos diz no Alcorão que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem com conhecimento:

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com  conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e    cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo    desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

Não há saída para aquele a quem Deus desviou:

"Por que vos dividistes em dois grupos a respeito dos hipócritas, uma vez que Deus os   reprovou pelo que perpetraram? Pretendeis orientar quem Deus desvia? Jamais encontrarás senda alguma para aquele a quem Deus desvia." (Alcorão 4:88)

Causar "fitnah"

Na Capítulo A Vaca, versículos 191 e 217, Deus define a "fitnah" como "pior do que matar". Vejamos, então, qual a pena para o  assassino, cujo pecado é menor do que causar "fitnah".

"Quem matar, intencionalmente, um fiel, seu castigo será o inferno, onde permanecerá          eternamente. Deus o abominará, amaldiçoá-lo-á e lhe preparará um severo castigo." (Alcorão 4:93)

Neste contexto, "fitnah" abrange o sentido de desviar das atividades e tem um significado diferente daquele usado para prova, teste, usado anteriormente neste livro.

O Alcorão fala dos hipócritas como sendo aqueles que provocam "fitnah". Deus diz nos versículos que os hipócritas tentam impedir os fiéis de lutar no caminho de Deus, e provocam muitos casos de "fitnah", tais como planejarem secretamente nas costas do mensageiro e dos fiéis, tentando abalar sua determinação.

Os hipócritas falsamente interpretam os versículos e acatam aqueles nos quais há uma concordância com seus interesses particulares e desobedecem os outros, diferentemente dos fiéis, que se submetem totalmente a tudo quanto está escrito no Alcorão. Nos versículos a seguir transcritos, Deus declara:

"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro,   havendo outros alegóricos. Aqueles cujos corações abrigam a dúvida, seguem os alegóricos,  a fim de causarem dissensões, interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a sua verdadeira interpretação. Os sábios dizerm: Cremos nele (o AlcorãO), tudo emana do nosso Senhor. Mas ninguém o admite, salvo os sensatos." (Alcorão 3:7)

Provocar a opressão é a característica mais importante dos hipócritas. A versão árabe para a palavra "hipócrita" é "munafiq", que siginifica "aquele que provoca a divisão". Provocar a divisão entre os fiéis é um grande pecado e é uma "fitnah". Há no Alcorão diversos versículos que relatam situações onde os hipócritas tentam provocar a "fitnah" entre os crentes:

"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre vós há quem os escuta. Porém,Deus bem conhece os iníquos." (Alcorão 9:47)

"Porém, se (Madina) houvesse sido invadida pelos seus flancos, e se eles houvessem sido  incitados à intriga, tê-la-iam aceito, mesmo que não se houvessem deleitado com ela senão temporariamente." (Alcorão 33:14)

"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre vós há quem os escuta. Porém, Deus bem conhece os iníquos. J, antes, haviam tratado de suscitar dissensões e intentado  desbaratar os teus planos, até que chegou a verdade e prevaleceram os desígnios de Deus, ainda que isso os desgostasse." (Alcorão 9:47-48)

Os hipócritas que fazem planos secretos contra o mensageiro de Deus e contra os crentes tentam se explicar quando suas verdadeiras intenções são descobertas. Alguns tentam se mostrar inocentes e, na verdade, não são hipócritas, porque eles temem os fiéis e também têm medo de serem punidos. Por esta razão, eles pedem para não serem considerados da mesma forma que os outros hipócritas por que não fizeram nada de mal. Pedem, inclusive, permissão para continuarem junto com os crente.

"E entre eles, há quem te diga: Isenta-me, e não me tentes! Acaso, não caíram em tentação? Em verdade, o inferno cercará os incrédulos (por todos os lados)." (Alcorão 9:49)

No versículo está dito que aquelas pessoas mentem e que eles próprios estão em "fitnah", como qualquer outro hipócrita. Deus adverte os fiéis para não acreditarem nesta fraude.

Os infiéis e os hipócritas sofrerão a penalidade mais grave no inferno, porque eles provocaram a opressão.

"(Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis aqui o que pretendestes apressar!" (Alcorão 51:14)

Lutar contra os crentes

A maior luta contra a religião e os crentes é o deflagrar de uma guerra. Os versículos a seguir transcritos, do Capítulo A Vaca, informam que a guerra contra os crentes é uma "fitnah" muito importante.

"Combatei pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém, não pratiqueis agressão,porque Deus não estima os agressores. Matai-os onde quer que os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos. Porém, se desistirem, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos." (Alcorão 4:190-193)

Conforme está dito no versículo 193, do Capítulo A Vaca, "combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus", é obrigação dos crentes lutar numa guerra, que foi iniciada contra eles, até que a vitória absoluta seja alcançada. Esta regra se aplica somente quando a guerra foi iniciada contra o Islam, a religião e os fiéis. Nenhuma pressão será exercida sobre aqueles pessoas que não crêem. O Alcorão proíbe terminantemente isto e diz quais são os casos onde uma luta pode começar:

"Deus nada vos proíbe, quanto àqueles que não vos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos. Deus vos proíbe tão-somente entrar em privacidade com aqueles que vos combateram na religião, vos expulsaram de vossos lares ou que cooperam na vossa expulsão. Em verdade, aqueles que entrarem em privacidade com eles serão iníquos." (Alcorão 60:8-9)

A disputa entre os crentes provoca "fitnah"

Deus diz que se os crentes não se tornarem seus próprios protetores e guardiães, isto significará "fitnah" na terra:

"Quanto aos incrédulos, são igualmente protetores uns dos outros; e se vós não o fizerdes (protegerdes uns aos outros), haverá intriga e grande corrupção sobre a terra." (Alcorão 8:73)

Os fiéis evitam causar opressão e se mantêm afastados de qualquer comportamento que possa provocá-la. No entanto, algumas condutas dos crentes, embora não intencionais, podem provocar opressão.

Como citado no Capítulo "Os Espólios", versículo 73, acima, se os crentes não se tornarem protetores e guardiães uns dos outros, e se eles disputarem entre si, haverá tumulto e opressão sobre a terra. Neste caso, os crentes serão responsáveis pela opressão (fitnah), portanto, eles devem se esmerar no papel de protetores e guardiães uns dos outros.

Casos de "fitnah"

Deus, o Criador de todos os homens, ensina, detalhadamente, como os crentes devem agir sobre a terra. Se uma pessoa se submete aos seus próprios desejos, isto quer dizer que esta pessoa prefere atender a seus desejos e expectativas pessoais do que à Vontade de Deus, se descuidando, portanto. Consequentemente, ela faz o que não é permitido por Deus e se torna um negligente, o que trará grande sofrimento e luta.

Embora Deus cite que os bens da terra não são permanentes e que aqui é somente um lugar de teste, aquela pessoa toma a terra como o "lugar verdadeiro" e rejeita a vida após a morte.

Aquele que não age conforme o Alcorão vive para os bens terrenos e se esquece que tudo foi criado para servir de prova. No versículo abaixo, Deus diz que os bens e os filhos são meios de prova.

"Em verdade, os vossos bens e os vossos filhos são uma mera tentação. Mas sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa." (Alcorão 64:15)

Embora haja outras palavras com o significado de "prova, teste", em árabe a palavra "fitnah" é usada nestes versículos. Algumas pessoas esquecendo do objetivo verdadeiro de suas existências sobre a terra e de suas obrigações acham que certamente se casarão, terão filhos e possuirão bens e muito mais além disso. Muitas pessoas, mesmos os fiéis, não prestam a devida atenção e se casam, fazem dinheiro e se cercam de bens e filhos, como se estivessem cumprindo os mandamentos de Deus.

Por exemplo, o caso dos filhos também é citado no Alcorão e a prece de Imram é mostrada como um exemplo para este caso:

"Recorda-te de quando a mulher de Imram disse: ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo." (Alcorão 3:35)

O Alcorão menciona preces semelhantes de alguns profetas e que nos conduz para o caminho verdadeiro:

"Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência porque és Exorável, por excelência." (Alcorão 3:38)

Ou então, a prece de Abraão:

"Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo." (Acorão 2:128)

Os bens e as posses que uma pessoa possui é por Misericórdia de Deus e lhe será benéfico depois da morte, se usado de acordo com a vontade de Deus e por conta da religião. Caso contrário, eles são "fitnah" e conduzirão ao extravio. Com relação ao comando de Deus sobre os bens e as riquezas, os fiéis tomam o profeta Salomão como um exemplo para eles mesmos e não evitam ter posses, mas as recebem, porque vêm de Deus:

"Um dia, ao entardecer, apresentaram-lhe uns briosos corcéis. Ele disse: Em verdade, amo o amor ao bem, com vistas à menção do meu Senhor. Permaneceu admirando-os, até que (o sol) se ocultou sob o véu (da noite). (Então, ordenou): Trazei-os a mim! E se pôs a acariciar-lhes as patas e os pescoços." (Alcorão 38:3l-33)

A menos que o objetivo seja agradar a Deus, fazer filhos se comportarem de acordo com os seus próprios desejos, propondo alguns falsos pretextos, levará a pessoa a "fitnah".

Deus adverte o fiel sobre as posses e os filhos no Alcorão e nos diz para termos cuidado:

"Ó fiéis, que os vossos bens e os vossos filhos não vos alheiem da recordação de Deus, porque aqueles que tal fizerem, serão desventurados." (Alcorão 63:9)

As posses e os filhos não lhe serão de serventia alguma na vida depois da morte:

"Perante Deus, de nada lhes valerão os seus bens, nem os seus filhos e serão os condenados ao inferno, no qual permanecerão eternamente." (Alcorão 58:17)

Opressão, tortura e obrigação

O Alcorão define opressão, tortura e obrigação como "fitnah".

"Porém, salvo uma parte do seu povo, ninguém acreditou em Moisés por temor de que o Faraó e seus chefes os oprimissem, porque o Faraó era um déspota na terra; era um dos transgressores." (Alcorão 10:83)

"Sabei que aqueles que perseguem os fiéis e as fiéis e não se arrependem, sofrerão a pena do inferno, assim como o castigo do fogo." (Alcorão 85:10)

"Não julgueis que a convocação do Mensageiro, entre vós, é igual à convocação mútua entre vós, pois Deus conhece aqueles que, dentre vós, se esquivam furtivamente. Que temam, aqueles que deseobedecem às ordens do Mensageiro, que lhes sobrevenha uma provação ou lhes açoite um doloroso castigo." (Alcorão 24:63)

"Incitamos-te a que julgues entre eles, conforme o que Deus revelou; e não sigas seus caprichos e guarda-te de que te desviem de algo concernente ao que Deus te revelou. Se te refutarem, fica sabendo que Deus os castigará por seus pecados, porque muitos homens são depravados." (Alcorão 5:49)

Nos versículos do Alcorão, abaixo, vemos que, quando os fiéis pedem para livrá-los da opressão dos infiéis,  mencionam "fitnah":

"Disseram: A Deus nos encomendamos! ó Senhor nosso, não permitas que fiquemos afeitos à fúria dos iníquos." (Alcorão 10:85)

O Alcorão também define aflição, desastres e catástrofes como "fitnah":

"Não reparam, acaso, que são tentados uma ou duas vezes por ano? Porém, não se arrependem, nem meditam." (Alcorão 9:126)

AS DUAS CARACTERÍSTICAS DA ALMA

Quando lemos no Alcorão a respeito da natureza do homem, frequentemente encontramos o termo "alma". Alma, em árabe é "nefs" e significa o "eu", "a personalidade".

O Alcorão diz que a alma do homem tem dois lados: um que governa o mal e o outro que cuida de evitar este mal. O capítulo "O Sol" diz o seguinte:

"Pela alma e por Quem a aperfeiçoou, e lhe imprimiu o discernimento entre o que é certo e o que é errado, que será venturoso quem a purificar (a alma), e desventurado quem a corromper." (Alcorão 91:7-10)

A informação contida nos versículos acima é de suma importância. Quando criou o homem, Deus inspirou o discernimento para o errado. Errado, isto é, "fucur" em árabe, quer dizer "romper os limite do certo". No sentido religioso, quer dizer: "experimentar o pecado e se rebelar, mentira, desobediência, transgressão, adultério, corrupção moral, etc."

Conforme citado nos versículos acima, Deus inspira o discernimento entre o bem e o mal. A pessoa que admite o mal em sua alma e que o impede, obedecendo à inspiração de Deus, e purifica sua alma, será salva. Receber a vontade de Deus, Sua Misericórdia e Seu Paraíso é a única forma para se alcançar a salvação, ao passo que a pessoa que esconde sua alma e não a purifica do mal que nela existe, será levado para a corrupção. Esta corrupção é a maldição de Deus e o fim é o inferno.

Neste ponto, vemos uma consequência importante: há um lado mau em cada alma humana. A única forma de se purificar deste mal é aceitar o que Deus ordena e impedir que este mal encontre abrigo dentro de nós.

Uma das mais importantes diferenças entre os crentes e os incrédulos aparece justamente aqui. Uma pessoa sabe, e aceita, que sua alma tem um lado mau e que ela precisa impedí-lo com atitudes morais e com os conhecimentos por ela adquiridos do Islam. Um dos maiores aspectos da religião, e do mensageiro que comunica esta religião, é revelar a existência do mal na alma e a forma de purificá-la. O Capítulo 2:87 assim se dirige aos judeus: "…Cada vez que vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros." Os infiéis abrigam o mal em suas almas e não aceitam o que a religião verdadeira lhe traz, nem a pessoa que a revela, porque contrariam seus próprios interesses. Tais pessoas não conseguem purificar suas almas, antes pelo contrário, abrigam este mal e o mantém lá, conforme mencionado nos versículos.

Portanto, podemos dizer que os infiéis acatam o mal que existe em suas almas e assim, não têm uma consciência verdadeira. É, de alguma forma, uma vida instintiva. Neste caso, todos os comportamentos e pensamentos são ditados pelos instintos emanados do mal existente na alma. Esta é uma das razões pelas quais o Alcorão define os infiéis como "animais".

Diferentemente dos infiéis, os crentes conhecem Deus, temem-No e evitam desobedecer às Suas regras. Por isto, os crentes não obedecem àquele lado mal de suas almas, mas o enfrentam, conforme Deus ordena. No Capítulo 12, versículo 53, José diz: "Porém, eu não me escuso, porquanto o ser é propenso ao mal, exceto aqueles de quem o meu Senhor se apiada, porque o meu Senhor é Indulgente, Misericordiosíssimo." Este versículo nos ensina como devemos pensar: o crente deve ser cuidadoso e ter em mente que sua alma tentará desviá-lo do verdadeiro caminho.

Até agora, lemos sobre o lado "mau" da alma. Dentro do mesmo versículo vimos que também é inspirado à alma impedir o mal. Este lado da alma, que guia o homem para Deus e para as verdades da religião e para as boas ações, é comumente chamado de espírito.

Contudo, o sentido que o Alcorão dá para espírito é muito diferente do sentido comumente conhecido. O significado para espírito mais comumente conhecido, inclui somente o dar aos pobres ou apoiar os direitos dos animais, ou amar os animais, etc. Contudo, o espírito do crente faz com que ele obedeça às regras determinadas pelo Alcorão. É o espírito que o capacita a compreender os conceitos mencionados no Alcorão de um modo genérico.

O Alcorão, por exemplo, orienta os crentes a gastarem de seus bens mais do que o necessário. É claro que cada pessoa define esse "mais do que necessário". Uma pessoa desprovida de um espírito forte não concordará com esse mandamento de Deus e, portanto, será incapaz de agradá-Lo.

O crente faz muitas escolhas durante a sua vida. Entre as alternativas que se lhe apresentam, ele é obrigado a escolher aquela que está mais de acordo com a vontade de Deus e aquela que é mais benéfica para a sua religião. Quando ele faz sua escolha, em primeiro lugar ele se volta para dentro de seu espírito, que lhe dirá o que mais agrada a Deus. Em segundo lugar, seus interesses particulares estarão envolvidos e tentarão desviá-lo para outras alternativas. Então, a alma lhe susurra as razões e as desculpas adequadas. O Alcorão, em muitos versículos, chama nossa atenção para essas "desculpas":

"Neste dia, a escusa dos iníquos de nada lhes valerá, nem serão resgatados." (Alcorão 30:57)

"(Será) o dia em que aos iníquos de nada valerão as suas escusas, senão que receberão a maldição, e terão a pior morada." (Alcorão 40:52)

O crente não deve dar ouvidos a esta espécie de desculpas e sim ao que o seu espírito lhe diz para fazer. Os exemplos dados no Alcorão, com relação ao espírito dos crentes, nos leva a pensar sobre a questão. No caso do crente que está preocupado porque não encontra um meio de lutar contra, o Alcorão diz em um dos versículos:

"Estão isentos: os inválidos, os enfermos, os baldos de recursos, sempre que sejam sinceros para com Deus e Seu Mensageiro.. Não há motivo de queixa contra os que fazem o bem, e Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. Assim como foram considerados (isentos) aqueles que se apresentaram a ti, pedindo que lhes arranjasses montaria, e lhes dissestes: Não tenho nenhuma para proporcinar-vos; voltaram com os olhos transbodantes de lágrimas, por pena de não poderem contribuir." (Alcorão 9:91-92)

Lutar contra os inimigos pode parecer muito perigoso. A pessoa que começa lutando (numa guerra) sabe que pode morrer ou se ferir. Não obstante, o crente quer lutar pela causa de Deus e fica triste quando ele não consegue. Este é um exemplo notável de espírito, a que se refere o Alcorão.

A alma pode não provocar o extravio do crente num primeiro momento, mas tenta sempre desviá-lo da religião, sugerindo compensações menores. Por exemplo, ela tenta induzi-lo a adiar alguma coisa que ele teria que fazer pela causa de Deus. Apresentando algumas razões, a alma tenta abalar a sua determinação, fazendo algumas pequenas considerações. Neste caso, as pequenas desculpas da alma são compensadas, seu impacto se torna maior e pode, mesmo, levar o homem a abandonar sua crença em Deus. O fiel é obrigado a se comportar de acordo com os mandamentos de Deus em cada caso, e não de acordo com sua alma, anulando os desejos egoístas de sua alma. Diz o Alcorão:

"Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e fazei a caridade, que isso será preferível para vós! Aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 64:16)

Neste versículo, os fiéis são orientados a temer a Deus, a obedecê-Lo, a ouvir Seus conselhos e a gastar por conta Dele, uma vez que isto salva a pessoa "dos desejos egoistas da sua alma" e o possibilita alcançar a verdadeira bem-aventurança. Um outro versículo a respeito deste assunto, é o que se segue:

"Ao contrário, quem tiver temido o comparecimento ante o seu Senhor e tiver refreado em relação à luxúria, terá o Paraíso por abrigo." (Alcorão 79:40-41)

A alma de uma pessoa que evita os desejos egoístas e, dessa forma a purifica e obtém a satisfação de Deus, e o Paraíso, é chamada, no Alcorão, de "alma em completa paz e satisfação."

"E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo). Entra no número de Meus servos! E entra no Meu jardim!" (Alcorão 89:27-30)

Se, pelo contrário, uma pessoa só atende aos desejos egoístas de sua alma e inicia sua vida depois da morte sem a ter purificado, será tomada por um profundo arrependimento e não usufruirá de qualquer benefício. As almas arrependidas e autopunitivas de bilhões de infiéis, que viveram ignorando a necessidade de purificação de suas almas, comporão uma terrível e desagradável visão. Esta é a grande e inevitável realidade que espera os infiéis. Portanto, Deus chama para testemunhar "o espírito autopunitivo", logo após o Dia da Ressureição.

"Juro, pelo Dia da Ressurreição, e juro pela alma que reprova a si mesma." (Alcorão 75:1-2)

VALORIZAR OS DESEJOS E PAIXÕES

Na parte anterior, analisamos o termo "alma" e vimos que ela tem dois aspectos, e que Deus inspirou tanto o mal quanto os meios de evitá-lo. No Alcorão, a palavra original em árabe, que é mais usada para indicar este lado da alma, é "hewa". "Hewa" é definida como "desejo, paixão, desejo sexual, luxúria e todos os agentes interiores negativos que arruinam o homem".

Os infiéis tomam este lado mau e negativo da alma como seu único guia e objetivo de vida. Toda a sua vida é organizada no sentido de satisfazer a seus desejos e paixões. Consequentemente, eles não são capazes de compreender as questões intrínsecas da religião. O Alcorão diz que tais pessoas são prisioneiras de suas paixões e, por isso, não compreendem a mensagem nele contida, nem o que os mensageiros dizem:

"E, entre eles, há os que te escutam e, ao se retirarem da tua assembléia, dizem, àqueles que foram agraciados com a  sabedoria: Que é que foi dito agora? Tais são os que têm os seus corações sigilados por Deus, porque se entregam às suas luxúrias." (Alcorão 47:16)

A pessoa que não purifica este aspecto mau de sua alma, tê-la-á sempre como guia, em qualquer condição. Os desejos e paixões serão o critério pelo qual ela decidirá o que é certo e o que é errado. Assim, a luxúria será a "qibla" de seu coração. Consequentemente, aquela pessoa adorará somente sua própria alma, sua própria personalidade. No Alcorão, o mais elevado grau de tal condição é "tomar seus desejos como seu deus".

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus(tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

A pessoa que age de acordo com suas paixões e desejos, não será capaz de pensar e distinguir o certo do errado. Esta é a pessoa a quem o Alcorão se refere como sendo aquela que "não pode ver nem ouvir", ao passo que o muçulmano sábio tem a compreensão suficiente para discriminar o certo do errado. Há muitos versículos no Alcorão que falam sobre as pessoas e as comunidades que perderam essa compreensão, porque elas obedeceram tão somente às suas paixões, e, por isso, foram desencaminhadas:

"Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião, profanando a verdade, nem sigais o capricho daqueles que se extravairam anteriormente, desviaram muitos outros e se desviaram da verdadeira senda!" (Alcorão 5:77)"Dize: Tem-me sido vedado adorar os que invocais em vez de Deus. Dize (mais: Não seguirei a vossa luxúria; porque se o fizer, desviar-me-ei e não me contarei entre os encaminhados." (Alcorão 6:56)

"E que vos impede de desfrutardes de tudo aquilo sobre o qual foi invocado o nome de Deus, uma vez que Ele já especificou tudo quanto proibiu para vós, salvo se vos fordes obrigados a tal? Muitos se desviam, devido à luxúria, por ignorância; porém, teu Senhor conhece os transgressores."
(Alcorão 6:119)

"Deste modo to temos revelado, para que seja um código de autoridade, em língua árabe. E se te renderes às tuas concupiscências, depois de teres recebido a ciência, não terás protetor, nem defensor, em Deus."
(Alcorão 13:37)

"Não tens reparado em quem toma por divindade os seus desejos? Ousarias advogar por ele?" (A
lcorão 25:43)

"Ó fiéis, sede firmes em observardes a justiça, atuando de testemunhas, por amor a Deus, ainda que o testemunho seja contra vós mesmos, contra os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja o acusado rico ou pobre, porque a Deus incumbe protegê-los. Portanto, não sigais os vossos caprichos, para não serdes inustos; e se falseardes o vosso  testemunho ou vos recuaardes a prestá-lo, sabei que Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis." (Alcorão 4:135)

"Porém, os iníquos se entregam nesciamente às suas luxúrias; mas quem poderá encaminhar aqueles que Deus tem deixado que se desviem? Esses jamais terão socorredores!" (Alcorão 30:29)

"Que não te seduza aquele que não crê (a Hora) e se entrega à concupiscência, porque perecerás!"
(Alcorão 20:16)

"E se a verdade tivesse satisfeito os seus interesses, os céus e a terra, com tudo quanto encerram, transformar-se-iam num caos. Qual! Enviamos-lhes a Mensagem e assim mesmo a desdenharam."
(Alcorão 23:71)

"Em verdade, revelamos-te o Livro corroborante e preservador dos anteriores. Julga-os, pois, conforme o que Deus revelou e não sigas os seus caprichos, desviando-te da verdade que te chegou. A cada um de vós temos ditado uma lei e uma norma; e se Deus quisesse, teria feito de vós uma só nação; porém, fez-vos como sois, para testar-vos quanto àquilo que vos concedeu. Emulai-vos, pois, na benevolência, porque todos vós retornareis a Deus, o Qual vos inteirará das vossas divergências. Incitamos-te a que julques entre eles, conforme o que Deus revelou; e não sigas os seus caprichos e guarda-te de que te desviem de algo concernente ao que Deus te revelou. Se te refutarem, fica sanbendo que Deus os castigará por seus pecados, porque muitos homens são depravados." (
Alcorão 5:48-49)

Aquele que segue a luxúria e os desejos fúteis torna-se um cego. Esta espécie de gente caminha para o seu próprio desastre. A fonte da palavra "hewa", traduzida por "paixões, luxúria e desejos fúteis", também significa fogo e opressão, o que é considerável.

ESPÍRITO E ALMA

E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo)! (Alcorão 89:27-28)

Sabemos que a alma tem dois aspectos diferentes, conforme mencionado no Alcorão: um, onde os desejos egoístas e as paixões afastam o homem do caminho de Deus, e o outro, que o leva a Ele e à retidão da religião, tornando-o imune ao mal. Este aspecto da alma é chamado de espírito. A fonte do espírito é o sopro divino vindo de Deus. Na Surata "A Prostração", encontramos o seguinte:

"Que aperfeiçoou tudo o que criou e iniciou a criação do primeiro homem de barro. Então, formou-lhe uma prole da essência de sêmem sutil. Depois o modelou; então, alentou-o com o Seu Espírito. Dotou a todos vós da audição, da visão e das vísceras. Quão pouco Lhe agradeceis!" (Alcorão 32:7-9)

Quando o homem obedece ao seu espírito, ele recebe alguns dos atributos de Deus e comeca a ter a moral que o Alcorão ensina e que é semelhante a de Deus. Deus é o mais Misericordioso; e o fiel, que se submete a Deus, também é misericordioso. O crente que adora a Deus será um sábio também. Depende de quão próxima a pessoa está de Deus e o quanto ela se submete a Ele, para ser dotada da mais elevada moralidade e se tornar "a melhor das criaturas". (Alcorão 98:7)

Enquanto os desejos convidam o homem para o mal, o seu espírito sempre o chama para o bem. Não há exceção, seu espírito sempre o convoca para o caminho certo, sejam quais forem as condições. Se a pessoa responde a este "chamado de Deus" e age inteiramente de acordo com os princípios básicos mencionados no Alcorão, ele progredirá sempre no caminho reto.

Na verdade, todos os critérios do Alcorão estão de acordo com a alma do ser humano. Os dois versículos seguintes mostram isto:

"Porém, os iníquos se entregam nesciamente às suas luxúrias; mas quem poderá encaminhar aqueles que Deus tem deixado que se desviem? Esses jamais terão socorredores! Volta o teu rosto para a religião monoteísta. É a obra de Deus, sob cuja qualidade inata Deus criou a humanidade. A criação feita por Deus é imutável. Esta é a verdadeira religião; porém, a maioria dos humanos o ignora." (Alcorão 30:29-30)

De acordo com o mencionado acima, os infiéis se desviam porque obedecem ao lado errado de suas almas. Os crentes, pelo contrário, devem obedecer à religião que Deus revelou. Esta religião está de acordo com os padrões do ser humano, ou seja, de acordo com o espírito que Deus nos alentou.

CORAÇÃO, SABEDORIA E INTELIGÊNCIA

Sabemos que há dois diferentes aspectos no ser humano, ou seja, a luxúria e a alma. Neste ponto, os conceitos de sabedoria e não-sabedoria têm grande importância. O Alcorão nos diz que obedecer às paixões leva à não-sabedoria, enquanto que a obediência à alma traz sabedoria.

Conforme citamos antes, a pessoa que obedece aos seus desejos, esquece-se de Deus e, em muito pouco tempo, perde sua sabedoria. Quando se refere aos infiéis, o Alcorão afirma que "eles são um povo destituído de sabedoria" (Alcorão 59:14). De início, este processo pode não ser muito bem entendido, porque muitos acham que cada pessoa tem um grau mínimo de sabedoria e que este grau não varia. Isto é um equívoco, porque confunde sabedoria com inteligência. Contudo, sabedoria e inteligência são conceitos totalmente diferentes. Todo mundo pode ser inteligente, no entanto, somente os crentes são dotados de sabedoria.

A sede da sabedoria, a que se refere o Alcorão, é o "coração". O Alcorão fala sobre "os corações que aprendem a sabedoria". Portanto, a verdadeira sabedoria está muito além da inteligência, que nada mais é do que uma função do cérebro. A sabedoria está colocada no coração, juntamente com a alma. Os versículos no Alcorão mencionam que o sentido da sabedoria é encontrado no coração e as pessoas destituídas de sabedoria não podem entender porque seus corações eatão selados:

"Não percorreram eles a terra, para que seus corações verificassem o ocorrido? Talvez possam, assim, ouvir e raciocianr! Todavia, a cegueira não é a dos olhos, mas a dos corações, que estão em seus peitos!" (Alcorão 22:46)

"Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos com corações com os quais não compreendem, olhos com os quais não vêem, e ouvidos com os quais não ouvem. São como as bestas, quiçá pior, porque são displicentes." (Alcorão 7:179).

Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem." (Alcorão 9:87)

"E sigilamos os seus corações para que não o compreendessem, e ensurdecemos os seus ouvidos. E, quando, no Alcorão, mencionas unicamente teu Senhor, voltam-te as costas desdenhosamente." (Alcorão 17:46)

Algumas pessoas têm o coração que é o centro da sabedoria, o que não acontece com outras. O Alcorão observa que somente as pessoas que "têm coração" é que estão atentas e crêem.

"Em verdade, nisso há uma mensagem para aquele que tem coração, que escuta atentamente e é testemunha (da verdade)." (Alcorão 50:37)

Portanto, a sabedoria mencionada no Alcorão está diretamente relacionada com o coração e a alma. O ponto interessante é que a sabedoria pode tanto aumentar como diminuir. A menos que haja uma doença importante, o grau de inteligência é constante na pessoa. Contudo, o mesmo não se aplica à sabedoria, porque ela tanto cresce como diminui. E isto está diretamente relacionado com a alma da pessoa. Se sua alma se fortalece e teme a Deus, esta pessoa aumenta o seu nível de compreensão capaz de lhe permitir o discernimento do certo e do errado. Este ponto absolutamente metafísico está citado nos versículos do Alcorão, abaixo:

Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque Ele é Agraciante por excelência." (Alcorão 8:28)

Ao passo que a pessoa que não teme a Deus, falta-lhe o "critério para julgar entre o certo e o errado". Tal pessoa pode, na verdade, ser muito inteligente, um físico de renome, um sociólogo ou qualquer outra coisa; ele pode criar muitas saídas inteligentes, mas, falta-lhe o espírito verdadeiro, e, portanto, a verdadeira sabedoria. Se fôr um cientista admirável, ele pode até revelar os mistérios desconhecidos do corpo humano. Mas, não possui o espírito e a compreensão para conceber o Criador daquele corpo. Tal pessoa começa por se louvar, ao invés de se voltar a Deus para louvá-Lo. Ele "toma por seu deus suas paixões e Deus, intencionalmente, permite que ele se extravie". E seu coração está selado.

Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

"Que são fiéis e cujos corações sossegam com a recordação de Deus. Não é, acaso, certo, que à recordação de Deus sossegam os corações?" (Alcorão 13:28)

O coração dos infiéis é definido nos versículos abaixo:

"Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:7)

"E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos combater, seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade do que da fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus corações. Porém, Deus bem sabe tudo quanto ocultam." (Alcorão 3:167)

O conceito de "corações para compreender", e o fato de que os olhos do coração podem se tornar cegos, testemunham que, compreender e conceber, são funções importantes do coração e não do cérebro. E a sabedoria é inerente aos fiéis – por isso, os crentes são chamados de "aqueles que são dotados de compreensão":

"Que escutam as palavras e seguem o melhor (significado) delas! São aqueles que Deus encaminha, e são os sensatos." (Alcorão 39:18)

A inteligência é desprovida de critérios de certo e errado e não alcança os aspectos mais complexos dos acontecimentos, que são atributos da sabedoria. Por consequência, somente os homens dotados de compreensão podem entender o Alcorão. Constantemente os versículos mencionam que o homem destituído de entendimento não pode perceber o verdadeiro sentido da mensagem do Alcorão:

"Ele concede sabedoria a quem Lhe apraz e todo aquele que for agraciado com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos, ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)

A inteligência não ajuda na avaliação e recordação da mensagem, nem no discernimento do certo e do errado. Uma pessoa inteligente pode criar um fato científico, ser um homem de negócios vitorioso ou um político. A questão importante é que ele faz o que faz sem qualquer juízo de valor sobre os benefícios ou prejuízos de seus atos – como um computador. Ele não tem resposta para os acontecimentos que   ouviu de muitos, como se fosse cego. Este fato confirma os versículos que dizem que este tipo de gente é cega e surda e não tem compreensão. Portanto, a declaração de que "…seus corações estão selados e por isso não compreendem nada" é um exemplo fundamental, que indica a importância do coração para o entendimento.

"Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem." (Alcorão 9:87)

A razão mais importante para que o coração se torne destituído de compreensão é aquela que o leva a tomar, como seu deus, as paixões e desejos. Assim, haverá um selo sobre este coração, que perderá completamente sua capacidade de entendimento, e não será capaz de ouvir ou conceber coisas. Uma pessoa nessas condições jamais será um sábio, a menos que Deus assim o deseje:

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

O Alcorão, em inúmeros outros versículos, menciona a relação entre o coração e o comportamento humano, conforme mostrado a seguir:

A intercessão de Deus entre o homem e o seu coração

"Ó fiéis, atendei a Deus e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. E sabei que Deus intercede entre o homem e o seu coração, e que sereis congregados ante Ele." (Alcorão 8:24)

A afeição nos corações

"E foi Quem conciliou os seus corações. E ainda que tivesses despendido tudo quanto há na terra, não terias conseguido conciliar os seus corações; porém, Deus o conseguiu, porque é Poderoso, Prudentíssimo." (Alcorão 8:63)

"E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recordai-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos ilumineis." (Alcorão 3:103)

Penetrar os corações

"E quando aceitamos o vosso compromisso e elevamos o Monte acima de vós, dizendo-vos: Recebei com firmeza tudo quanto vos concedermos e escutai!, disseram: Já escutamos, porém nos rebelamos! E, por sua incredulidade, imbuíram os seus corações com a adoração do bezerro. Dize-lhes: Quão destestável é o que vossa crença vos inspira, se é que sois fiéis!" (Alcorão 2:93)

A piedade nos corações

"Tal será. Contudo, quem enaltecer os símbolos de Deus, saiba que tal (enaltecimento) partirá de quem possuir piedade nos corações." (Alcorão 22:32)

A conquista dos corações

"As esmolas são tão-somente para os pobres, para os necessitados, para os funcionários empregados em sua administração, para aqueles cujos corações têm de ser conquistados, para a redenção dos escravos, para os endividados, para a causa de Deus e para o viajante; isso é um preceito emanado de Deus, porque é Sapiente, Prudentíssimo." (Alcorão 9:60)

A paz dos corações

"Que são fiéis e cujos corações sossegam com a recordação de Deus. Não é, acaso, certo, que à recordação de Deus sossegam os corações?" (Alcorão 13:28)

"Tornaram a dizer: Desejamos desfrutar dela, para que os nossos corações sosseguem e para que saibamos que nos tens dito a verdade, e para que sejamos testemunas disso." (Alcorão 5:113)

"Os fiéis que praticam o bem e se humilham ante seu Senhor serão os diletos do Paraíso, onde morarão enternamente." Alcorão11:23)

"Quanto àqueles que receberam a ciência, saibam que ele (o Alcorão) é a verdade do teu Senhor; que creiam nele e que seus corações se humilhem ante ele, porque Deus guia os fiéis até à senda reta." (Alcorão 22:54)

"Deus não o fez senão como anúncio para vós, a fim de sossegar os vossos corações. Sabei que o socorro só emana de Deus, o Poderoso, o Prudentíssimo." (Alcorão 3:126)

Os corações que se firmam

"E tudo o que te relatamos, da história dos mensageiros, é para se firmar o teu coração. Nesta (surata) chegou-te a verdade, e a exortação e a mensagem para os fiéis." (Alcorão 11:120)

Corações que estão vazios (vazio nos corações)

"Correndo a toda a brida, com as cabeças hirtas, com os olhares inexpressivos e os corações vazios." (Alcorão 14:43)

Infundir o terror nos corações

"Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem atribuídos parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos!" (Alcorão 3:151)

Corações repletos de repulsa e horror

"E quando é mencionado Deus, o Único, repugnam-se os corações daqueles que não crêem na outra vida; não obstante, quando são mencionados outras divindades, em vez d’Ele, ei-los que se regozijam!" (Alcorão 39:45)

Corações que se inclinam

"Que lhes prestem atenção os corações daqueles que não crêem na vida futura; que se contentem com eles, e que lucrem o que quiserem lucrar." (Alcorão 6:113)

Angústias e arrependimentos nos corações

"Ó fiéis, não sejais como os incrédulos, que dizem de seus irmãos, quando estes viajam pela terra ou quando estão em combate: Se tivessem ficado conosco, não teriam morrido, nem sido assassinados! Com isso, Deus infunde-lhes angústia nos corações, pois Deus concede a vida e a morte, e Deus bem vê tudo quanto fazeis." (Alcorão 3:156)

Falar o que o coração não sente

"E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos combater, seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade do que da fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus corações. Porém, Deus bem sabe de tudo quanto ocultam." (Alcorão 3:167)

Manter segredos no coração

"São aqueles, cujos segredos dos corações Deus bem conhece. Evita-os, porém exorta-os e fala-lhes com palavras que invadam os seus ânimos." (Alcorão 3:63)

Despedaçar os corações

"A construção dela não cessará de ser causa de dúvidas em seus corações, a menos que seus corações se depedacem. Sabei que Deus é Sapiente, Prudentíssimo." (Alcorão 9:110)

Desviar corações

"(Que dizem:) Ó Senhor nosso, não desvies os nossos corações, depois de nos teres iluminado, e agracia-nos com a tua misericórdia, porque Tu és o Munificente por excelência." (Alcorão 3:8)

"Sem dúvida que Deus absolveu o Profeta, os migrantes e os socorredores, que o seguiram na hora angustiosa em que os corações de alguns estavam prestes a fraquejar. Eles os absolveu, porque é para com eles Compassivo, Misericordiosíssimo." (Alcorão 9:117)

Corações assemelhados

"Os néscios dizem: ‘Por que Deus não fala conosco, ou nos apresenta um sinal?’ Assim falaram, com as mesmas palavras, os seus antepassados, porque os seus corações se assemelham aos deles. Temos elucidado os versículos para a gente persuadida." (Alcorão 2:118)

Corações que resistem

"Como pode haver (qualquer tratado) quando, se tivessem a supremacia sobre vós, não respeitariam parentesco nem compromisso? Satisfazem-vos com palavras, ainda que seus corações as neguem, e sua maioria é depravada." (Alcorão 9:8)

Fé que não penetra o coração

"Os beduínos dizem: Cremos! Dize-lhes: Qual! Ainda não credes; deveis dizer: Tornamo-nos muçulmanos, pois que a fé ainda não penetrou vossos corações. Porém, se obedecerdes a Deus e ao Seu Mensageiro, em nada serão diminuídas as vossas obras, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo." (Alcorão 49:14)

Doença no coração

"Em seus corações há morbidez, e Deus os aumentou em morbidez e sofrerão um castigo doloroso por suas mentiras." (Alcorão 2:20)

"Verás aqueles que abrigam a morbidez em seus corações apressarem-se em ter intimidades com eles, dizendo: Tememos que nos açoite uma vicissitude! Oxalá Deus te apresente a vitória ou algum outro desígnio Seu e, então, arrepender-se-ão de tudo quanto haviam maquinado." (Alcorão 5:52)

"Ele faz das sugestões de Satanás uma prova, para aqueles que abrigam a morbidez em seus corações e para aqueles cujos corações estão endurecidos, porque os iníquos estão em cisma distante (da verdade)!" (Alcorão 22:53)

"Apesar disso, os vossos corações se endurecem; são como as rochas, ou ainda mais duros. De algumas rochas brotam rios e outras se fendem e delas mana a água, e há ainda outras que desmoronam, por temor a Deus. Mas Deus não está destanto a tudo quanto fazeis." (Alcorão 2:74)

"Se ao menos quando Nosso castigo os açoitou, se humilhassem… Não obstante, seus corações se endureceram e Satanás lhes abrilhantou o que faziam." (Alcorão 6:43)

"Porventura, aquele a quem Deus abriu o coração ao Islam, e está na Luz de seu Senhor … (não é melhor do que aquele a quem sigilou o coração)? Ai daqueles cujos corações estão endurecidos para a recordação de Deus! Estes estão em evidente erro!" (Alcorão 39:22)

Corações sigilados

"(Porém, fizemo-los sofrer as consequências) por terem quebrado o pacto, por negarem os versículos de Deus, por matarem iniquamente os profetas, e por dizerem: Nossos corações estão insensíveis! Todavia, Deus lhes obliterou os corações, por causa de suas perfídias. Em quão pouco acreditam!" (Alcorão 4:155)

"Não meditam, acaso, no Alcorão, ou que seus corações são insensíveis?" (Alcorão 47:24)

"Não é, porventura, elucidativo para aqueles que herdaram a terra dos seus antepassados que, se quiséssemos, exterminá-los-íamos por seus pecados e selaríamos os seus corações para que não compreendessem?" (Alcorão 7:100)

"Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:7)

"Ó Mensageiro, que não te atribulem aqueles que se digladiam na prática da incredulidade, aqueles que dizem com suas bocas: Cremos!, conquanto seus corações ainda não tenham abraçado a fé. Entre os judeus, há os que escutarão a mentira e escutarão mesmos outros, que não tenham vindo a ti. Deturpam as palavras, de acordo com a sua conveniência, e dizem (a seus seguidores): Se vos julgarem, segundo isto (as palavras deturpadas), aceitai-o; se não vos julgarem quanto a isso, precavei-vos! Porém, a quem Deus quiser pôr à prova, nada poderás fazer para livrá-lo de Deus. São aqueles cujos corações Deus não purificará, os quais terão um aviltamento neste mundo, e no outro sofrerão um severo castigo." (Alcorão 5:41)

"Logo, depois dele, enviamos mensageiros aos seus povos, os quais lhes apresentaram as evidências; mesmo assim, não creram no que antes haviam desmentido. Assim, sigilamos os corações dos transgressores." (Alcorão 10:74)

"Tais eram as cidades, de cujas histórias te narramos algo: sem dúvida que seus mensageiros lhes haviam apresentado as evidências; porém, era impossível que cressem no que haviam desmentido anteriormente. Assim, Deus sigila os corações dos incrédulos." (Alcorão 7:101)

"Serão recriminados aqueles que, sendo ricos, pediram-te para serem eximidos, porque preferiram ficar com os incapazes. Mas, Deus selou suas mentes, de sorte que não compreendem." (Alcorão 9:93)

"Dize-lhes: Que vos pareceria se Deus, repentinamente, vos privasse da audição, extinguisse-vos a visão e vos selasse os corações? Que outra divindade, além de Deus, poderia restaurá—los? Repara em como lhes expomos as evidências e, não obstante, as desdenham!" (Alcorão 6:46)

Todos os versículos acima, explicitamente admitem que a fé não é algo completamente físico, mas que está vinculada ao coração. A pessoa cujo coração não se endureceu ou não foi sigilado, tem um tendência natural para conhecer Deus e obedecê-Lo. Quando a religião lhe é transmitida, ela percebe a verdade com o seu coração e imediatamente crê. Por outro lado, em relação aos incrédulos, o processo é diferente. Seus corações estão mortos e selados, estão destituídos de sabedoria porque se endureceram. Portanto, não há a possibilidade de eles crerem. Alguns versículos do Alcorão fazem referência aos incrédulos que não crêem no que quer que seus olhos vêem, ou no que seus ouvidos ouvem, ao passo que outros versículos falam do modo como os fiéis sabem obedecer:

"A palavra provou ser verdadeira sobre a maioria deles, pois que são incrédulos. Nós sobrecarregaremos os seus pescoços com correntes até ao queixo, para que andem com as cabeças hirtas. E lhes colocaremos uma barreira pela frente e uma barreira por trás, e lhes ofuscaremos os olhos, para que não possam ver. Tanto se lhes dá que os admoestes ou não; jamais crerão. Admoestarás somente quem seguir a Mensagem e temer intimamente o Clemente; anuncia a este, pois, uma indulgência e uma generosa recompensa." (Alcorão 36:7-11)

"Quanto aos incrédulos, tanto se lhes dá que os admoestes ou não os admoestes; não crerão. Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:6-7)

"Certamente, tu não poderás fazer os mortos ouvir, nem fazer-te ouvir pelos surdos (especialmente) quando fogem, como tampouco és guia dos cegos em seu erro, porque só podes fazer-te escutar por aqueles que crêem nos Nossos versículos e são muçulmanos." (Alcorão 27:80-81)

Além dos incrédulos, cujos corações se endureceram e, por isso, perderam a sabedoria, existem também as pessoas que ainda não conhecem a religião, mas seus corações estão vivos e elas possuem almas. Quando a religião lhes é transmitida, elas compreendem que a religião é verdadeira e imediatamente passam a crer em Deus e em Sua religião. O grande contraste entre estes dois grupos de pessoas, os incrédulos com os corações endurecidos e aqueles que não conhecem a religião, é que o primeiro é arrogante e o outro grupo é modesto, simples e humilde. ( Mais adiante, modéstia e arrogância serão estudadas mais detalhadamente.) Um exemplo pode ser encontrado no Alcorão, a respeito dos judeus que são arrogantes e pretenciosos e, consequentemente "seus corações se endureceram" (Alcorão 5:13) e aqueles que são modestos. O Alcorão declara:

"Constatarás que os piores inimigos dos fiéis, entre os humanos, são os judeus e os idólatras. Constatarás que, aqueles que estão mais próximos do afeto dos fiéis, são os que dizem: Somos cristãos!, porque possuem sacerdotes e não se ensoberbecem de coisa alguma. E, ao escutarem o que foi revelado ao Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes brotarem nos olhos; reconhecem naquilo a verdade, dizendo: Ó Senhor nosso, cremos! Inscreve-nos entre os testemunhadores!" (Alcorão 5:82-83)

Quando a religião é transmitida às pessoas que têm uma natureza mais parecida com a dos crentes, dizem "Senhor Nosso! Ouvimos um pregoeiro que nos convoca à fé dizendo: Crede em vosso Senhor! E cremos …" (Alcorão 3:193). Quanto aos incrédulos, estes sempre resistem e mostram um comportamento contrário. Esta profunda diferença se dá porque os membros desses dois grupos são de naturezas diferentes. Os incrédulos são destituídos de sabedoria e alma para compreenderem o Alcorão. Conforme mencionado em muitos versículos, não há necessidade de sentir tristeza porque eles não crêem. O único objetivo que eles têm em mente é ganhar sempre mais em prazer: comer mais e gastar mais. Na verdade, são graças doadas por Deus, mas que somente os crentes apreciam. Os incrédulos somente se beneficiam da graça que eles conseguem perceber à volta deles – não compreendem que são graças dadas por Deus somente. Por isso é que eles podem pensar como uma espécie inteligente de macaco: no final das contas, somente um macaco, um animal … (Curioso que muitos deles, ao aceitarem a teoria da evolução de Darwin, se acham membros de uma espécie mais evoluída de macaco).

O HOMEM SENSATO E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA

O fato de que a sabedoria tem sua sede no coração, indica que ela é totalmente metafísica. A sabedoria é dada por Deus e Ele a retira quando Lhe apraz. (A inteligência também é dada por Deus, mas o nível de inteligência não muda através do tempo). O progresso da sabedoria depende do progresso do coração – que seria um coração repleto da "recordação de Deus".

O coração de uma pessoa que se submete completamente a Deus, ganha em sabedoria. Assim diz o Alcorão:

"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles, cujos corações abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissenções, interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a verdadeira interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo emana do nosso Senhor. Mas, ninguém o admite, salvo os sensatos. (Alcorão 3:7)

Em alguns outros versículos é dito que pensar e recordar a mensagem, e compreendê-la, é uma característica das "pessoas que são sábias".

"Ele concede sabedoria a que Lhe apraz, e todo aquele que for agraciado com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos, ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)

"Em suas histórias, há um exemplo para os sensatos. É inconcebível que seja uma narrativa forjada, pois é a corroboração das anteriores, a elucidaçção de todas as coisas, orientação e misericórdia para os que crêem. (Alcorão 12:111)

"Esta é uma mensagem para os humanos, a fim de que com ela sejam admoestados, e saibam que somente Ele é o Deus Único, e para que os sensatos nela meditem." (Alcorão 14:52)

"Acaso, quem está ciente da verdade que tem sido revelada pelo teu Senhor é comparável àquele que é cego? Só o entendem os sensatos." (Alcorão 13:19)

Portanto, o que quer dizer "homens sensatos"? Por que uma pessoa é sensata e o seu coração é puro?

A resposta é facilmente encontrada no Alcorão. Os fatos que encobrem a compreensão de uma pessoa são seus desejos e paixões. Uma pessoa invejosa, por exemplo, tem sua capacidade de compreensão prejudicada em grande parte. A sua inveja a impede de compreender; ela pensa o dia inteiro na pessoa objeto de sua inveja, ela sente raiva e ódio. Tal pessoa não tem calma e tranquilidade para analisar os fatos, perdendo, assim, sua capacidade de entender as coisas.

Da mesma forma, outras paixões também encobrem essa compreensão. A paixão pelo dinheiro faz com que a pessoa pense apenas em como ganhar mais dinheiro. Todavia, na maior parte dos casos, essa pessoa não pode sequer administrar seus bens, porque sua paixão a impede de agir com sabedoria e tomar as decisões corretas.

Uma característica importante dos incrédulos é o medo contínuo que eles têm a respeito do futuro. Estão sempre com medo da pobreza, ou de perder o que possuem, ou de ficarem doentes, etc. Perdem horas pensando na espécie de vida que os aguarda no futuro. Este medo e ansiedade os perturba e é um obstáculo para a capacidade de discernimento. Este medo também se aplica ao "medo da morte"; muitos incrédulos temem e se afligem sempre que pensam na morte. A morte é um evento de um simples segundo, no entanto os incrédulos se preocupam com ele por 40 ou 50 anos. (A morte para os crentes não é motivo de preocupação).

Esses medos e paixões impedem a compreensão. A todo instante, a pessoa age totalmente sob a influência desses sentimentos e não consegue perceber o que de fato ela necessita pensar. A coisa mais importante que ela precisa pensar é sobre a excelência da criação de Deus e que Ele é o mais Exaltado em Poder e Sabedoria. O homem tem a obrigação de glorificar a Deus e adorá-Lo. No entanto, isto só é possível se tiver um coração puro, que não esteja fechado para o entendimento. Somente o homem sensato, que se libertou de seus medos e desejos egoístas pode conceber Deus e obedecê-Lo.

O Alcorão diz que as evidências de Deus só podem ser entendidas por aqueles que são sensatos:

"Na criação dos céus e da terra e na alternância do dia e da noite há sinais para os sensatos." (Alcorão 3:190)

"Tal homem poderá, acaso, ser equiparado àquele que se consagra (ao seu Senhor) durante as horas da noite, quer esteja prostrado, quer esteja em pé, que se precata em relação à outra vida e espera a misericórdia do seu Senhor? Dize: Poderão, acaso, equiparar-se os sábios com os insipientes? Só os sensatos o acham." (Alcorão 39:9)

"Não reparas, acaso, em que Deus faz descer a água do céu e a transforma em fontes, na terra? Logo produz, com ela, plantas multicores; logo amadurecem e, às vezes, amarelam; depois converte (as plantas) em feno. Por certo que nisto há uma Mensagem para os sensatos." (Alcorão 39:21)

Os sensatos são aqueles que se recordam da mensagem de Deus e aceitam o que é verdadeiro naquilo que aprenderam de outras pessoas. Não há arrogância em seus corações e por isso eles podem abandonar facilmente o comportamento errado. Quando conversam com os outros, seu objetivo é descobrir o que é certo e não forçar a que aceitem suas opiniões. Deus se refere a essas pessoas como os "Que escutam as palavras e seguem o melhor (significado) delas! São aqueles que Deus encaminha, e são os sensatos.". (Alcorão 39:18)

Os incrédulos não possuem sabedoria e compreensão, por isso não percebem os sinais à sua volta. Embora os céus e a terra estejam repletos de provas da existência de Deus, os incrédulos não conseguem ver nada, porque não têm a mente aberta: suas mentes estão embotadas. São como avestruzes, que escondem a cabeça na areia. Os incrédulos pensam apenas em seus próprios benefícios e não alcançam as evidências de Deus. E é por isso que Deus chama os "sensatos" para acreditarem Nele e temê-Lo.

"… ó sensatos, temei a Deus, quiçá assim prospereis." (Alcorão 5:100)

Há muitas passagens no Alcorão que mostram a forma como os incrédulos são informados; Deus e Seus mensageiros os chamam para a sabedoria no primeiro momento.

"Antes de ti, não enviamos homens que habitavam as cidades, aos quais revelamos a verdade. Acaso, não percorreram a terra para observar qual foi o destino dos seus antecessores? A morada da outra vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 12:109)

"Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Tora e o Evangelho não foram revelados senão depois dele? Não raciocinais?" (Alcorão 3:65)

"Enviamos-vos o Livro, que encerra uma Mensagem para vós; não raciocinais? (Alcorão 21:10)

"Dize (ainda mais): Vinde, para que eu vos prescreva o que vosso Senhor vos vedou: Não Lhe atribuais parceiros; tratai com benevolência vossos pais; não sejais filicidas, por temor à miséria – Nós vos sustentaremos, tão bem quanto aos vossos filhos -; não vos aproximeis das obscenidades, tanto pública, como privadamente, e não mateis, senão legitimamente, o que Deus proibiu matar. Eis o que Ele vos prescreve, para que raciocineis." (Alcorão 6:151)

"Sucedeu-lhes uma geração que herdou o Livro, a qual escolheu as futilidades deste mundo, dizendo: Isto nos será perdoado! E se lhes fosse oferecido outro igual, tê-lo-iam recebido (e transgredido novamente). Acaso, não lhes havia sido imposta a obrigação, estipulada no Livro, de não dizer de Deus mais que a verdade? Não obstante, haviam estudado nele! Sabei que a morada da outra vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 7:169)

"Dize: Se Deus quisesse, não vo-lo teria eu recitado, nem Ele vo-lo teria dado a conhecer, porque antes de sua revelação passei a vida entre vós. Não raciocinais ainda?" (Alcorão 10:16)

"Que é a vida terrena senão jogo e diversão frívola? A morada na outra vida é preferível para os tementes. Não o compreendeis?" (Alcorão 6:32)

As únicas pessoas que podem alcançar e compreender as evidências da criação de Deus e a Sua existência são os sensatos:

"E na terra há regiões fronteiriças (de diversas características); há plantações, videiras, sementeiras e tamareiras, semelhanetes (em espécie) e diferentes (em variedade); são regadas pela mesma água e distinguimos umas das outras no comer. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão 13:4)

"Dize (mais): Ele é capaz de infligir-vos um castigo celestial ou terreno, ou confundir-vos em seitas, fazendo-vos experimentar tiranias mútuas. Repara em como dispomos as evidências, a fim de que as compreendam." (Alcorão 6:65)

"Foi Ele Quem vos produziu de um só ser e vos proporcionou uma estância para descanso. Temos elucidado os versículos para os sensatos."  (Alcorão 6:98)

"Assim, Ele vos elucida os Seus versículos para que raciocineis." (Alcorão 24:61)

"E dos frutos das tamareiras e das videiras, extraís bebida e alimentação. Nisto há sinal para os sensatos." (Alcorão 16:67)

"E submeteu, para vós, a noite e o dia; o sol, a lua e as estrelas estão submetidos às Suas ordens. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão 16:12)

"Apresenta-vos, ainda, um exemplo tomado de vós mesmos. Porventura, compartilharíeis daqueles que as vossas mãos direitas possuem parceiros naquilo de que vos temos agraciado e lhes concederíeis partes iguais às vossas? Temei-os acaso, do mesmo modo que temeis uns aos outros? Assim elucidamos os Nossos versículos aos sensatos." (Alcorão 30:28)

"(Moisés) disse: É o Senhor do Oriente e do Ocidente, e de tudo quanto existe entre ambos, caso raciocineis!" (Alcorão 26:28)

"E entre os Seus sinais, está o fato de os céus e a terra se manterem sob o Seu Comando, e, quando vos chamar, uma só vez, eis que saireis da terra."  (Alcorão 30:24)

É por intermédio da sabedoria e compreensão que o homem se torna mais nobre e mais próximo de Deus. Quanto àqueles destituídos de compreensão, inclusive os incrédulos, não conhecem e não compreendem Deus.

Existem níveis de compreensão. Quanto mais a pessoa se libertar de suas paixões e egoísmo, mais ela crescerá em sabedoria.

Ou o homem obedece a Deus ou se submete aos seus caprichos. Se ele odedecer a Deus, será salvo da tirania de suas paixões e se tornará um sensato. No entanto, se preferir seus desejos e paixões, tomando-os como seu deus,  ficará totalmente destituído de entendimento. Toda a sua vida, seu comportamento, seus pensamentos, tudo será em função dos desejos e paixóes ilimitados de sua alma.

Se os desejos governarem a vida da pessoa, seu coração será sigilado, perdendo, assim, as propriedades de "compreensão" (9:87), e "conhecimento" (9:93), tornando-se embotado e perdendo a sua sensibilidade. O coração, então, perde a sua luz e se fecha. Nessas condições, não funciona adequadamente e se torna destituído de sabedoria.

Além disso, tal pessoa não percebe o que perdeu porque também perdeu os critérios de julgamento do certo e do errado. Embora aquele que se torna sensato tenha clara percepção desse estado, o mesmo não se dá com aquele que perdeu esta capacidade. É como um alienado que não sabe que é alienado. Somente através do processo de consciência é que ela pode perceber o quanto era alienada.

A pessoa destituída de sabedoria é como um animal inteligente. Assim diz o Alcorão:

"O exemplo de quem exorta os incrédulos é semelhante ao daquele que chama as bestas, as quais não ouvem senão gritos e vozerios. São surdos, mudos, cegos, porque são insensatos." (Alcorão 2:171)

Esta não é aquela espécie de insanidade típica, comumente conhecida. As pessoas destituídas de sabedoria não são, na verdade, loucas, mas, apenas não pensam com a sabedoria de seus corações. "Pensar com a sabedoria do coração" traz liberdade de ver tudo com o "conhecimento, a concepção e a luz do coração". Quando a sabedoria está sob a influência dos desejos e paixões, temos um estado simples e limitado de inteligência e ela agirá apenas como intermediadora entre os objetos e os acontencimentos. Esta "sabedoria" nunca será independente, não obstante a pessoa achar que é. Ela se proclamará independente e agirá como tal, mas, este é o seu grande equívoco, porque, na verdade, estará sob o domínio de suas paixões e agirá de acordo com as suas regras.

As paixões também são ídolos, conforme Abraão perguntou a seu pai, "Ó meu pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em nada pode valer-te?" (19:42). Os desejos comandam a pessoa. Só há uma coisa que torna o homem livre: adorar e obedecer a seu verdadeiro Deus – Alá.

SABEDORIA E ROMANTISMO

Um dos fatos mais importantes que encobrem a sabedoria, é o sentimentalismo, ou seja, o romantismo. Ele é um estado perigoso e daninho da personalidade, que impede a pessoa de compreender.

O sentimentalismo pode ser definido como as emoções que escapam do controle da sabedoria, deixando a pessoa totalmente ao sabor de suas emoções. A pessoa sentimental e comporta de forma irracional porque está sob a influência de suas emoções. O crente, ao contrário, guia suas emoções com sabedoria e age de acordo.

O amor, por exemplo, pode ser tanto emocional como racional. A pessoa sentimental ama as pessoas e objetos que, na verdade, não mercem ser amados. As pessoas amam coisas que lhes causam sofrimento ou que não as respeitam.

O amor dos crentes é totalmente sensato. Os crentes amam as pessoas por suas caracterísitcas de correção, que também são os sinais de sua fé, conforme mencionado no Alcorão. Os crentes não amam as pessoas que não merecem ser amadas.

Frequentemente, o Alcorão adverte os crentes para evitarem o amor emocional:

"Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque credes em Deus, vosso Senhor! Quando sairdes para combater pela Minha causa, procurando a Minha complacência (não os tomeis por confidentes), confiando-lhes as vossas intimidades, porque Eu, melhor do que ninguém, sei tudo quanto ocultais, e tudo quanto minifestais. Em verdade, quem de vós assim proceder, desviar-se-á da verdadeira senda.

Se lograssem tirar o melhor de vós, mostrar-se-iam vossos inimigos, estenderiam as mãos e as línguas contra vós, desejando fazer-vos rejeitar a fé.

De nada vos valerão os vossos parentes ou os vossos filhos, no Dia da Ressurreição. Ele vos separará; sabei que Deus bem vê tudo quanto fazeis.

Tivestes um excelente exemplo em Abraão e naqueles que o seguiram, quando disseram ao seu povo: Em verdade, não somos responsáveis por vossos atos e por tudo quanto adorais, em lugar de Deus. Renegamos-vos e iniciar-se-á uma inimizade e um ódio duradouros entre nós e vós, a menos que creiais unicamente em Deus! Todavia, as palavras de Abraão para o pai: - Implorarei o perdão para ti, embora nada venha a obter de Deus em teu favor – foram uma exceção. (Dizei, ó crentes): Ó Senhor nosso, a Ti nos encomendamos e a Ti nos voltamos contritos, porque para Ti será o retorno." (Alcorão 60:1-4)

Nos versículos "Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque credes em Deus, vosso Senhor!", Deus diz que amar pessoas que, na verdade, são nossas inimigas é totalmente irracional. Devotar o nosso amor a tais pessoas depende única e exclusivamente da emoção.

Há, também, outras passagens no Alcorão que chamam nossa atenção para os mesmo riscos. Noé, por exemplo, pediu perdão a Deus para seu filho por não ter pedido para ser salvo da enchente. E Deus disse a Noé que seu filho estave entre os incrédulos e que ele (Noé) não deveria oferecer-lhe o seu amor.

"E ela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas, e Noé chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: Ó filho meu, embarca conosco e não fiques com os incrédulos! Porém, ele disse: Refugiar-me-ei em um monte, que me livrará da água. Retrucou-lhe Noé: Não há salvação para ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem Ele se apiade. E as ondas os separaram, e o filho foi um dos afogados…E Noé clamou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, meu filho é da minha família; e Tua promessa é verdadeira, pois Tu és o mais equânime dos juízes! Respondeu-lhe: Ó Noé, em verdade ele não é da tua família, porque sua conduta é injusta; não Me perguntes, pois, acerca daquilo que ignoras; exorto-te a que não sejas um dos insipientes! Disse: Ó Senhor meu, refugio-me em Ti por perguntar acerca do que ignoro e, se não me perdoares e Te compadeceres de mim, serei um dos desventurados." (Alcorão 11:42-47)

A ordem de Deus, nestes versículos, é de uma clareza cristalina. Os crentes não podem amar os incrédulos, ainda que sejam membros de sua família. A sabedoria mostra que devemos amar aqueles que merecem. Portanto, não há a menor chance de os crentes amarem pessoas que não obedecem aos mandamentos de Deus e esse tipo de amor é um amor emocional, e que é típico das comunidades de ignorantes.

As esposas de Noé e de Lot também eram infiéis e foram punidas por Deus. A comunidade de Lot havia se desviado e, por isso, foi destruída. No dia anterior à destruição, os anjos vieram até Lot e disseram-lhe para abandonar a cidade, mas que deixasse sua esposa lá. Sem hesitação, Lot obedeceu, porque o seu amor por ela não era emocional.

"Disseram-lhe (os anjos): Ó Lot, somos os mensageiros do teu Senhor; eles jamias poderão atingir-te. Sai, pois, com a tua família, no decorrer da noite, e que nenhum de vós olhe para trás. À tua mulher, porém, acontecerá o mesmo que a eles. Tal senteça se executará ao amanhecer. Acaso, não está próximo o amanhecer?" (Alcorão 11:81)

Da mesma forma que Lot, não há um sequer, entre os crentes, que ofereça o seu amor a pessoas que desobedecem a Deus:

"Não encontrarás povo algum que creia em Deus e no Dia do Juízo Final, que tenha relações com aqueles que contrariam Deus e o Seu Mensageiro, ainda que sejam seus pais ou seus filhos, seus irmãos ou parentes. Para aqueles, Deus lhes firmou a fé nos corações e os confortou com o Seu Espírito, e os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão n´Ele. Estes formam o partido de Deus. Acaso, não é certo que os que formam o partido de Dues serão os bem-aventurados?" (Alcorão 58:22)

A razão para este comportamento racional dos crentes é a "compreensão do amor". Diz o Alcorão, no que se refere à diferença na compreensão do amor:

"Entre os humanos, há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele), aos quais professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e Ele é Severíssimo no castigo. (Alcorão 2:165)

Conforme mencionado nos versículos acima, os crentes, na verdade, amam Deus. O amor que devotam aos homens, nada mais é do que o reflexo do seu amor por Deus, e é por isso que eles amam aqueles que são fiéis também. Quanto aos incrédulos, estes só obedecem a seus desejos e paixões, razão por que se afastaram de Deus. O seu comportamento e modos lembram os de Satanás. Por isso, é impossível para o crente amá-los. Os incrédulos consideram cada criatura apartada de Deus e por isso, os ama separadamente. Esta espécie de amor "é atribuir parceiro a Deus" – ou seja, isto é idolatria.

O comportamento oposto à emoção, a que se refere o Alcorão, não consiste apenas no amor. Há muitos exemplos de comportamentos racionais no Alcorão: na relação de Moisés com um dos servos de Deus, a quem Ele agraciou com a Sua Misericórdia e a quem deu o conhecimento de Sua própria Presença, os prejuízos menores são considerados benefícios maiores (18:65-82); com relação ao papel do sacrifício, Ismael disse a seu pai  "Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes!" (37:102); e a mãe de Moisés, assim que recebe a inspiração de Deus, coloca o filho no rio sem hesitação (28:7); e os crentes sufocam sua raiva e perdoam os homens (3:134); e não se desesperam com relação a coisas que estão além de sua compreensão (57:23); e gastam daquilo que eles mais apreciam (3:92).

No entanto, há um ponto importante que não deve ser compreendido erradamente. Não ser possuído pela emoção não quer dizer que a pessoa seja insensível ou indelicado. O Alcorão diz que   "Sabei que Abraão era sentimental, tolerante." (9:114) O que está errado com a emoção é que ela se origina de uma convicção ignorante. As emoções são fruto da alma e não no espírito.

AS RAÍZES DA SABEDORIA

Uma vez que a sabedoria está relacionada com a metafísica, alcançar a sabedoria está também relacionada a essa ciência. Encontramos, no Alcorão, os caminhos para se alcançar a sabedoria; a sabedoria começa com o temor a Deus.

"Ó fieis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência." (Alcorão 8:29)

O temor a Deus faz com que o homem compreenda os atributos de Deus e entenda o dia do julgamento, e, numa etapa posterior, ele terá a capacidade de julgar o certo do errado. Esta espécie de entendimento é o resultado do fato de que o temor a Deus suaviza o coração da pessoa.

"Deus revelou a mais bela Mensagem: um Livro homogêneo (com estilo e eloquência), e reiterativo. Por ele, arrepiam-se as peles daqueles que temem seu Senhor; logo, suas peles e corações se apazigu