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Alcorão |
Às Sombras do Alcorão - Sayyed Qutb
Esta trigésima parte do Alcorão tem uma coloração especial, distinta. Todos os capítulos, inclusive este, foram escritos em Meca, com exceção de dois, o 98 e o 99. Embora eles variem em comprimento, todos são curtos. Mais significativo, no entanto, é o fato de que eles formam um único grupo com mais ou menos o mesmo tema. Eles têm as mesmas características de ritmo, imagens, conotações e todos os estilos. Eles são, realmente, como um persistente e forte bater à porta ou gritos altos procurando despertar algumas pessoas que estão profundamente adormecidas, ou alguns bêbados que perderam a consciência ou estão nos bares noturnos, completamente absorvidos com danças ou divertimentos. As batidas e os gritos vêm, um após outro: Acorde! Olhe à sua volta! Pense! Reflita! Há um Deus! Há um plano, um julgamento, uma obrigação, um ajuste, um prêmio, uma punição severa e uma felicidade permanente. A mesma advertência é feita a cada instante. Uma forte mão os sacode violentamente. Eles parecem abrir os olhos, olham em volta por um segundo e retornam à inconsciência. Aquela mão os sacode de novo, as batidas e gritos são repetidos cada vez mais alto. Eles acordam uma ou duas vezes para dizer obstinadamente: "Não!" Eles apedrejam a pessoa que os adverte ou insultam-na e, então, voltam para sua posição de pouco caso. A mão os sacode de novo. É assim que me sinto quando leio esta parte do Alcorão. Há uma forte ênfase em um pequeno número de fatos altamente importantes, que golpeiam certas notas que tocam o coração dos homens. Concentra-se sobre algumas cenas do universo e do mundo da alma humana e, também, sobre certos eventos que acontecerão no Dia da Decisão. Eu percebo a forma como eles são repetidos, e tenho a impressão de que essa repetição é intencional. Assim é como alguém se sente quando lê: Que o homem reflita sobre a comida que ele come... (80.24), ou Deixe então o homem considerar do que ele foi criado ... (86.5), ou Deixe-os refletir sobre os camelos e como eles foram criados; como o céu foi elevado; como as montanhas foram fixadas, como a terra foi dilatada (88.17-20), ou: O que é mais forte em sua constituição: você ou o céu que Ele construiu? Ele o elevou ao mais alto e lhe deu a forma perfeita, e deu escuridão à sua noite e clareou o dia. E após, ele dilatou a terra. Ele trouxe água e os pastos, e as montanhas Ele as firmou para seu proveito e do seu gado (79.27-33) ou: Não dilatamos e nivelamos a terra e fizemos as montanhas como estacas? Não os criamos em casais e lhes demos o sono como descanso e não fizemos da noite um manto e indicamos o dia para ganhar o sustento? Construímos acima de vós os sete firmamentos e colocamos neles um esplendoroso lustre. Enviamos das nuvens chuva em abundância para produzir, por meio dela, o grão e as plantas e frondosos vergéis? Ou: Deixe o homem refletir sobre a comida que ele come: Derramamos a água em abundância e abrimos a terra em fendas, e fizemos nascer o grão, a videira e as plantas, a oliveira e a tamareira, e jardins frondosos, árvores frutíferas e verdes pastagens para seu proveito e de seu gado. (80.24-32) ou: Oh! Humano, o que te fez negligente em relação a teu Senhor, que te criou, te formou, te aperfeiçoou e te modelou na forma que Lhe aprouve? (82.6-8), ou: Glorifica o nome do teu Senhor, o Altíssimo, que criou e aperfeiçoou tudo, que predestinou e encaminhou, e que fez brotar o pasto que se converte em feno. (87.11-5), ou: Na verdade criamos o homem na mais perfeita proporção. Então o reduzimos à mais baixa das escalas, salvo aqueles que praticam o bem, estes terão uma recompensa infalível. Quem então, depois disto, te contradirá, quanto ao Dia do Juízo? Não é Deus o mais justo dos juizes? (95.4-8), ou: Quando o sol for enrolado, quando as estrelas forem extintas, quando as montanhas estiverem dispersas, quando as camelas, com crias de dez meses, forem abandonadas, quando as feras forem congregadas, quando os mares transbordarem, quando as almas forem reunidas, quando a filha, sepultada viva, for interrogada? Por que delito foste assassinada? Quando as páginas forem abertas, quando o céu for desvendado, quando o inferno for aceso e quando o jardim for aproximado, então, saberá cada alma, o que está apresentado.(81.1-14), ou: Quando o céu se fender, quando os planetas se dispersarem, quando os oceanos forem despejados, quando os sepulcros forem revirados, saberá cada alma o que fez e o que deixou de fazer. (82.11-5), ou: Quando o céu se fender, e obedecer a seu Senhor, em seu termos, e quando a terra for dilatada, e arrojar tudo quando nela há, e ficar vazia e obedecer a seu Senhor, em seu temor (84.1-5) ou: Quando a terra executar o seu tremor predestinado, e descarregar os seus fardos, o homem dirá: O que acontece com ela? Nesse dia, ela declarará as suas notícias porque o teu Senhor lhas terá revelado. (99.1-5) Experimentamos o mesmo sentimento quando meditamos sobre as cenas do universo apresentadas no começo ou no meio de alguns dos capítulos nesta parte do Alcorão. Juro pelos planetas, que se mostram e se escondem, e pela noite, quando escurece, e pela aurora quando afasta a escuridão (81.15-18), ou: Juro pelo crepúsculo róseo, e pela noite, e por tudo quanto ela envolve, e pela lua, quando está cheia (84.16-18), ou: Pela aurora, pelas dez noites e pelo par e pelo ímpar, e pela noite, quando se retira (89.1-4), ou : Pelo sol e pelo seu esplendor (matinal), pela lua que o segue, pelo dia que o revela, pela noite que o encobre. Pelo firmamento e por Quem o construiu, pela terra e por Quem a dilatou, pela alma e por Quem a aperfeiçoou, e lhe imprimiu o discernimento entre o que é certo e o que é errado (91.1-8), ou: Pela noite, quando cobre (a luz), Pelo dia, quando resplandece, por quem criou o masculino e o feminino (92.1-3) ou: Pelas horas da manhã, e pela noite quando é serena (93.1-2) Através desta trigésima parte do Alcorão, é dada forte ênfase sobre a origem do homem, assim como sobre a origem da vida, tanto em sua forma vegetal como animal. Grande ênfase também é dada a várias cenas do universo. Tais como o Dia da Ressureição, o qual é descrito em diferentes partes como "A Grande Catástrofe", "O Som atordoante", "O Enrolador", etc. Cenas do ajuste, do prêmio agradável e da severa punição também são salientadas . São quadros com imagens que nos deixam estupefatos. Tudo isso nos é dado como prova da realidade da criação e do plano elaborado do universo por Deus, assim como é uma evidência que confirma a realidade da vida por vir e seu ajuste final. Por vezes, stas cenas são combinadas com cenas do destino de algumas nações que rejeitaram as mensagens divinas. O conjunto desta parte exemplifica tudo isso. No entanto, faremos uma breve referência nesta introdução a alguns exemplos. O presente capítulo, "A Notícia", é um exemplo desta ênfase sobre as realidades da criação e ressurreição e da importância dada às cenas do universo e da vida além da morte. O mesmo se aplica ao próximo capítulo, intitulado "Os Arrebatadores". O terceiro capítulo desta parte, "O Austero", começa com uma referência a certo evento nos primórdios do Islam. O resto do capítulo é dedicado à discussão das origens do homem e das plantas antes do "Toque Ensurdecedor": Nesse dia, o homem fugirá do seu irmão, da sua mãe e do seu pai, da sua esposa e dos seus filhos. Nesse dia, a cada qual bastará a preocupação consigo mesmo. Nesse dia, haverá rostos resplandecentes, risonhos, felizes. E também haverá, nesse dia, rostos cobertos de pó, cobertos de lugubridade (80.34-41). O capítulo "O Enrolamento" revela cenas de grande confusão que envolverá todo o universo no Dia da Ressurreição. Também revela cenas delicadas e inspiradas do universo, afirmando a realidade da revelação e a honestidade do Profeta. O capítulo "O Fendimento" inclui cenas da confusão universal, combinada com cenas de perfeita felicidade e sofrimento eterno no além, com o objetivo de sacudir e despertar os corações humanos: Oh! Humano, o que te fez negligente em relação ao teu Senhor, o Munificientíssimo (82.6) Encontramos a mesma descrição no capítulo "A Fenda". O capítulo "As Constelações" toca muito superficialmente nessas mesmas cenas do universo e na vida após a morte, como forma de introdução ao tema principal. O capítulo se apega à história de um grupo de crentes que foi submetido a terrível tortura do fogo pelos descrentes. Também revela como Deus infligirá tortura maior e mais terrível àqueles descrentes. O capítulo "O Visitante Noturno" mostra algumas cenas do universo e fala das origens do homem e das plantas afirmando Que este Alcorão é a palavra concludente, e não entretenimento (86.13-14) O capítulo intitulado "O Altíssimo" fala da criação, do plano, da orientação divina e dos vários estágios do crescimento das pastagens. Tudo isto é apresentado como forma de introduzir o tema da vida após a morte, o ajuste, o prêmio e a punição. O capítulo "O Evento Assolador" mostra algumas imagens da felicidade que aguarda os crentes no Paraíso e a miséria dos descrentes. Também chama a atenção para a criação dos camelos, do céu, da terra e das montanhas. O mesmo se aplica ao final desta trigésima parte, com exceção de alguns capítulos que estão voltados para a exposição dos princípios fundamentais da fé, tais como "Pureza da Fé, "Os Descrentes", "Os Obséquios", "O Dia Declinante", O Poder" e "A Vitória", e com a exceção de alguns capítulos mais, os quais encorajam e consolam o Profeta e o orientam a procurar refúgio em seu Senhor contra todo o mal, tais como "As Horas da Manhã", "O Consolo", "A Abundância", "A Alvorada" e "Os Humanos". Outro aspecto do estilo desta parte do Alcorão é o uso artístico de expressões delicadas, imagens, ritmo, métrica e rima para impressionar áreas de excepcional beleza da alma humana e do universo em geral. Isto é feito com o objetivo de se obter melhores resultados com aqueles que perderam de vista a verdade, e tentar atrair sua atenção e despertar seus sentimentos. Isto é claramente evidente, por exemplo, quando fala dos planetas e de como eles giram em suas órbitas, se levantam e se põem, na imagem do veado desaparecendo em seu refúgio e tornando a aparecer, na noite caminhando calmamente no escuro como um ser vivo e nos primeiros raios de luz da aurora: Eu juro pelos planetas, que se mostram e se escondem, e pela noite, quando escurece, e pela aurora quando afasta a escuridão (81.15-18) Está claro, também, na descrição do pôr- do-sol, da noite e da lua: Juro pelo crepúsculo róseo, e pela noite, e por tudo quanto ela envolve, e pela lua, quando ela está cheia (84.16-18) e nas cenas da madrugada e da noite viajante: Pela madrugada, e pelas dez noites, e pelo par e pelo ímpar, e pela noite, quando se retira (89.11-4) ou: Pelas horas da manhã e pela noite, quando é serena. (93.1-22) De novo, é marcadamente evidente o endereçamento inspirador ao coração humano> Oh! Humano, o que te fez negligente em relação ao teu Senhor, o Munificentíssimo, que te criou, te formou, te aperfeiçoou e te modelou, na forma que Lhe aprouve? (82.6-8) Na descrição do céu: Outros rostos, nesse dia, estarão calmos, contentes por seus passados esforços, estarão em um jardim suspenso, onde não ouvirão futilidade alguma (88.8-11) E do inferno: Em troca, aquele cujas ações forem leves na balança, terá como lar um profundo precipício. E o que é que te fará entender isso? É o fogo ardente! (101.8-11) A alegoria é muitas vezes empregada e algumas vezes uma derivação incomum é usada a fim de se obter um efeito musical intencional. Isto só vem mostrar o talento artístico que penetra completamente esta parte do Alcorão. O presente capítulo é um bom exemplo da tendência geral desta parte, seus temas, os princípios fundamentais que procura estabelecer, as cenas e imagens que pinta, suas referências, sua música e toques sutis, assim como sua seleção artística e manipulação de termos e expressões para realçar seu efeito. Ele se inicia sob a forma de pergunta que dá um sentido de gravidade ao assunto em questão, não admitindo, no entanto, qualquer discussão. Segue-se uma advertência imediata do que acontecerá no dia em que se perceber sua natureza: Acerca do que se interrogam? A cerca da grande notícia, a respeito da qual discordam. Sim, logo saberão! Sim, realmente, logo saberão! A discussão sobre a grande notícia é temporariamente deixada de lado. O capítulo chama a atenção para o que vemos a nossa volta no universo e o que sentimos em nossas almas, as quais nos dão a indicação inequívoca do que se seguirá: Acaso não fizemos da terra um leito, e das montanhas, estacas? E não vos criamos, acaso, em casais, nem fizemos o vosso sono, para o descanso, nem fizemos a noite, como um manto, nem fizemos o dia, para ganhardes o sustento? E não construímos por cima de vós, os sete firmamentos? Nem colocamos neles um esplendoroso lustre? Nem enviamos, das nuvens, copiosa chuva, para produzir, por meio dela, o grão e as plantas, e frondosos vergéis? Após essa quantidade de imagens tiradas da vida real, o capítulo faz um relato sobre o evento ao qual ele advertiu. Explica sua natureza e como ele acontecerá: Sabei que o Dia da Discriminação está com a hora fixada. Será o dia em que a trombeta soará e em que comparecereis em grupos, e se abrirá o céu, e terá muitas portas e as montanhas serão dispersadas, parecendo uma miragem. E então, segue-se a cena de miséria, violenta e infinitamente poderosa: Em verdade, o inferno será uma emboscada, morada para os transgressores, onde permanecerão por tempo ininterrupto. Em que não provarão do frescor, nem de qualquer bebida, a não ser água fervente e uma paralisante beberagem, gelada, como castigo adequado (pelos seus feitos malignos), porque nunca temeram o ajuste, e desmentiram descarada e veementemente, os Nossos versículos. Mas anotamos tudo em registro. Sofrei, pois, conquanto nada vos proporcionaremos, senão castigo. A cena de felicidade, por outro lado, transborda em beleza: Os tementes obterão a recompensa, jardins e videiras, e donzelas da mesma idade por companheiras, e taças transbordantes, onde não escutarão veleidades nem mentiras. Com efeito, receberão a recompensa do teu Senhor, que será uma paga suficiente. O capítulo se encerra com uma nota distinta que acompanha uma cena imponente do dia em que todas essas coisas acontecerão: Senhor dos céus e da terra e de tudo quanto existe entre ambos, o Clemente, com Quem ninguém pode falar, salvo aquele a quem o Clemente o permitir. E falará a verdade. Tal será o dia infalível, quem quiser, pois, poderá encaminhar-se para o seu Senhor! Sabei que vos temos advertido do castigo iminente, o dia em que o homem verá as obras das suas mão, e o incrédulo dirá: Oxalá me tivesse convertido em pó! Esta é uma grande notícia acerca da qual eles perguntam, e isto é o que acontecerá no dia em que eles perceberem a verdadeira natureza deste grande evento. Sobre o que eles interrogam? Sobre a notícia acerca da qual eles divergem. Não, na verdade, eles certamente a conhecerão. De novo, eles certamente a conhecerão. O capítulo se inicia afastando os inquisidores e a inquirição. Surpreende-se que alguém possa levantar qualquer dúvida sobre a ressurreição e o julgamento, os quais eram os pontos centrais da áspera controvérsia. Porque os descrentes dificilmente podem imaginar que a ressurreição seja completamente possível, apesar do fato de que seja o mais lógico. O capítulo indaga sobre o que eles estão falando: Acerca do que se interrogam? Logo temos a resposta. A questão não é pedir informação, mas sim chamar a atenção para a singularidade de seu questionamento, colocando adiante o tema de suas perguntas e estabelecendo sua natureza: Acerca da grande notícia, a respeito da qual discordam. A resposta não menciona o evento mas, sim, o descreve para realçar o sentimento de surpresa e espanto de tais pessoas. A divergência era entre aqueles que acreditavam na ressurreição e aqueles que a negavam, mas só estes últimos indagavam. O capítulo não fornece mais detalhes sobre o evento em questão. Simplesmente, o descreve como grande, antes de acrescentar um ameaça implícita que é muito mais ameaçadora do que uma resposta direta. Sim, logo saberão! Sim, realmente, logo saberão. A expressão "realmente" é a mais próxima possível ao termo árabe "kalla", que denota forte afastamento. A frase completa é repetida para acrescentar força à ameaça implícita. Então, o capítulo aparentemente coloca de lado o grande evento que está no centro da controvérsia, apenas para retornar a ele mais tarde. O capítulo nos leva a uma rápida volta pelo universo, onde vemos uma grande quantidade de cenas, criaturas e fenômenos e cuja contemplação sacudiria qualquer coração humano: Por acaso, não fizemos da terra um leito e das montanhas, estacas? E não vos criamos, acaso, em casais, nem fizemos o vosso sono para o descanso, nem fizemos a noite, como um manto, nem fizemos o dia, para ganhardes o sustento? E não construímos, por cima de vós, os sete firmamentos? Nem colocamos neles um esplendoroso lustre? Nem enviamos, das nuvens, copiosa chuva, para produzir, por meio dela, o grão e as plantas e frondosos vergéis? Nesta volta, atravessamos o vasto universo, observando a enorme quantidade de cenas e fenômenos que são esboçados com grande economia de palavras e frases. Isto ajuda a tornar o rítmo mais agudo e penetrante, como um martelar incessante. O modo de perguntar, trazendo implicitamente uma declaração, é aqui utilizado com uma finalidade. Pode ser equiparado a uma forte mão sacudindo aqueles que não perceberam, chama sua atenção para todos os fenômenos e criaturas que nos dão uma clara evidência do plano e projeto deliberado da criação, a capacidade para criar e recriar, e a sabedoria por trás da criação, que determina que nenhuma criatura será deixada de fora do grande ajuste. Daqui, retornamos à notícia profética, objeto do tema. O primeiro passo em volta de nós, nos leva à terra e às montanhas. Acaso, não fizemos da terra um leito e das montanhas, estacas? Ambos os fatos mencionados aqui podem ser facilmente reconhecidos e apreciados por qualquer um. Na verdade, mesmo o homem primitivo pode ser afetado por eles uma vez que tenha sua atenção voltada para eles. Como o conhecimento humano avança e o homem adquire mais percepção da natureza, do universo e de seus variados fenômenos, sua avaliação a respeito desses dois aspectos se realça. Ele reconhece mais completamente o plano de Allah para o universo, o equilíbrio estreito mantido entre as espécies da criação e suas respectivas necessidades, a preparação da terra para a existência humana e a adaptabilidade do homem ao seu meio ambiente. A preparação especial da terra em um lar confortável para a vida humana em particular é prova irrefutável do planejamento cuidadoso desta existência.. Basta romper a relação nas condições disponíveis sobre terra ou nas condições e proporções exigidas para a vida, e a terra não seria este lar confortável para os homens pisarem. Com um simples olhar, o homem reconhece facilmente que as montanhas são muito mais do que estacas de uma barraca. Aprendemos no Alcorão que elas fixam a terra e mantêm o seu equilíbrio. Talvez, por que a altura das montanhas compensem a profundidade dos mares e oceanos. Uma explicação alternativa é que as montanhas equilibram os movimentos internos e externos de nosso planeta. Ou, provavelmente, elas simplesmente aumentam o peso da terra em certos lugares a fim de impedir a trepidação violenta dos terremotos, vulcões e abalos internos. Talvez uma outra explicação, ainda desconhecida do homem. No Alcorão, encontramos numerosas referências a leis naturais, cuja essência era completamente desconhecida do homem à época da revelação. No entanto, alguns séculos mais tarde, o homem adquiriu o conhecimento sobre elas. Em seu segundo passo, nossa volta toca vários aspectos da existência humana. E não vos criamos em casais? De novo, este é um fenômeno bem estabelecido, facilmente reconhecido por todo ser humano. Allah fez a sobrevivência e continuidade da humanidade condicionadas a dois sexos diferentes, masculino e feminino, cada um desempenhando o seu papel na vida. Não se exige muito conhecimento para percebermos o que isto envolve de conforto, prazer e alegria. Consequentemente, a declaração alcorânica é feita para ser apreciada pela sociedade em cada época, de acordo com sua própria capacidade e conhecimento. Além do sentimento primitivo da importâncioa desta fato, há um objetivo maior de meditação, à medida em que o conhecimento do homem aumenta e seus sentimentos se tornam mais refinados. Podemos meditar a respeito de como uma gota de esperma produz um menino, enquanto que outra, absolutamente semelhante à primeira, produz uma menina. Nossa meditação, por mais penetrante que seja, nos conduz à conclusão irrevogável de que existe um plano perfeito de Allah, que dota cada esperma com suas características distintas, a fim de que nasçam homens e mulheres e, assim, a vida possa continuar. Nem fizemos o vosso sono, para descanso, nem fizemos a noite, como um manto e nem fizemos o dia para ganhardes o sustento? Allah desejou que o sono pudesse dominar o homem e o fizesse perder a consciência e atividade. Quando adormecido, o homem fica em um estado que nem é vida nem é morte, o que assegura repouso para seu corpo e mente como compensação pelo esforço despendido durante o período de vigília. E isto acontece de um modo que o homem não pode conceber. Ele não participa deste processo e é impossível para ele descobrir como isto lhe acontece. Quando acordado, o homem desconhece sua condição enquanto está adormecido. Ele também é incapaz , quando dormindo, de observar sua condição e como o sono o afeta. Este é um dos segredos da constituição do homem e de todas as criaturas vivas, exceto para o Criador, Que fez o sono essencial para a vida. Porque não existe uma criatura viva que possa ficar sem dormir a não ser por um período limitado. Se ela fosse forçada, por meios outros, a ficar sem dormir, certamente que morreria. O sono não apenas satisfaz algumas necessidades físicas e mentais do homem. É, na verdade, uma trégua para a alma humana da terrível luta pela vida. é uma pausa que permite ao homem despir a sua armadura, querendo ou não querendo, e usufruir um período de paz perfeita, tão necessária quanto a água ou o alimento. Algumas vezes, quando alguém está deprimido, mentalmente exausto, tomado pelo medo ou em estado de alarme, o sono pode dominá-lo, talvez por uns poucos minutos, e trazer uma completa mudança em suas condições físicas. O sono não apenas renova as forças mas transforma aquele que acorda em uma nova pessoa. É miraculoso, mas verdadeiro. Isto aconteceu em grande escala com os primeiros muçulmanos que lutaram nas batalhas de Badr e Uhud. Allah menciona ambas as ocasiões no Alcorão, para que os muçulmanos se recordem de Seus favores. Eles vos envolveu num sono para vosso sossego (8:11). Então, depois da angústia, Ele deixou que a paz e a segurança caíssem sobre vós - um sono que envolveu alguns de vós (3:154). Muitas outras pessoas tiveram a mesma experiência em condições semelhantes. Interrupção da atividade e da consciência através do sono é um requisito indispensável para a continuidade da vida. Contudo, isto só pode ser dado por Allah e está citado aqui como forma de convidar o homem a contemplar sua própria criação e constituição. A perfeição da criação divina promoveu uma correspondência entre o movimento do universo e o das criaturas vivas. Como o homem necessita do sono após um dia de trabalho, Deus providenciou a noite como um manto acolhedor, para que ele usufrua desse descanso. O dia foi dado como um período de atividade, para que o homem busque sua sobrevivência. E, assim, a harmonia perfeita está estabelecida. O mundo é perfeitamente adequado para as criaturas que vivem nele e a criação divina foi dotada com as características que se encaixam facilmente nas características do universo. Que plano perfeito de um Projetista escrupuloso! A etapa final de nossa volta esbarra na criação dos firmamentos: Construímos, por cima de vós, os sete firmamentos e colocamos neles um esplendoroso lustre. Enviamos, das nuvens, copiosa chuva para produzir, por meio dela, o grão e as plantas, e frondosos vergéis. Os sete firmamentos que Allah construiu acima da terra são os sete firmamentos ou céus, e a natureza precisa deles só por Ele é conhecida. Podem ser sete galáxias (uma galáxia é um grupo de estrelas cujo número pode exceder a 100 milhões) que interferem em nosso planeta ou em nosso sistema solar. A frase pode, também, se referir a alguma coisa da qual não temos conhecimento. O que sabemos por certo, contudo, é que estes sete têm uma constituição forte e que não se desintegram facilmente. Isto é o que sabemos sobre as estrelas e que observamos naquilo que chamamos de "céu". O versículo também ressalta que a construção dos sete firmamentos está em perfeita harmonia com a criaçção da terra e do mundo do homem. Esta conclusão está no seguinte versículo: E colocamos neles um esplendoroso lustre. Esta é uma referência ao sol que brilha e fornece o calor necessário para a terra e suas criaturas vivas. Ele também desempenha um papel importante na formação das nuvens pela evaporação da água do mar. Enviamos, das nuvens, copiosas chuvas. O texto árabe se refere àquelas nuvens como alguma coisa espremida. Mas quem as espreme para extrair o seu suco? Os ventos, talvez, ou, quem sabe, uma espécie de descarga elétrica na atmosfera. Além dessas duas causas, no entanto, há a mão do Desenhista, que atribuiu para todas as coisas no universo as suas respectivas qualidades. O uso da palavra "lustre" para se referir ao sol é muito adequado, porque o lustre fornece calor e luz e brilha como se estivesse flamejante. O calor e a luz fornecidos pelo sol se combinam com a água que cai em abundância das nuvens "espremidas", para que as sementes, assim, germinem. É desta forma que grãos, vegetais, arbustos e árvores crescem. Esta consonância no desenho do universo não poderia ser alcançada sem o Desenhista cuidadoso e o Planejador sábio. Quem quer que tenha sua atenção voltada para estes fatos meditará sobre isto. Se ele tivesse adquirido um conhecimento mais avançado, encontraria muito mais consonância e coerência no universo, que o deixariam imerso em completo aturdimento. Então, ele acharia absolutamente insuportável o argumento de que tudo isso tenha sido produto acaso. Ele acharia teimosos, indignos de merecerem respeito, aqueles que se negam a admitir o fato de que existe um plano elaborado e consciente. O Alcorão se refere a esta quantidade de cenas e fenômenos no universo, numa sucessão significante: nivelando a terra, as montanhas como estacas, pares humanos, sono como interrupção de atividade, a noite como um cobertor, o dia como um período de grande atividade, construção dos sete firmamentos, colocando uma luz ardente e abundante fluxo de água, de tal forma que a vegetação, grãos e árvores possam crescer. A sabedoria planejou tudo isto. Inspira o coração com a realização da proposta desta vida. Consequentemente, escolhemos de novo o tema da notícia profética, o assunto da controvérsia. Tudo isto aconteceu para o trabalho e o prazer, mas há um ajuste e um prêmio que se seguirão no dia marcado da Decisão. Marcado está o Dia da Decisão. Neste dia, a trombeta soará e comparecereis em grupos, e o céu se abrirá e terá muitas portas, e as montanhas serão dispersadas, parecendo uma miragem. A Criação não é sem propósito. O Criador, Que mediu meticulosamente a vida humana e estabeleceu cuidadosamente a perfeita harmonia entre a criação e o universo, não pode deixar as pessoas viverem e morrerem em vão. A razão não pode aceitar que aqueles que fazem o bem e aqueles que fazem o mal devam terminar no pó. Aquele que se orienta corretamente e o companheiro perdido, o justo e os tiranos não podem ter o mesmo destino. Tem que haver um dia, quando tudo será julgado e avaliado. Este dia é marcado por Allah: Marcado está o Dia da Decisão. É o dia em que a revolta alcançará o universo e destruirá seus sistemas. A "Trombeta" é uma espécie de buzina, sobre a qual nada sabemos , a não ser seu nome e que ela soará. Não podemos perder nosso tempo tentanto descobrir como, uma vez que tal descoberta não contruibui em nada para aumentar nossa fé. Allah nos revelou o que necessitamos saber sobre os segredos do universo, assim, não precisamos desperdiçar nossa energia na busca fútil do conhecimento desnecessário. Podemos, contudo, imaginar o soar da Trombeta, e ao qual os homens responderão vindos em grupos. Podemos visualizar tal cenário, quando todas as gerações da humanidade, que sucederam umas às outras nesta terra, se levantarem, caminhando em multidões, de todas as direções, para comparecer ao grande ajuste. Podemos imaginar o olhar temeroso das pessoas se levantando dos túmulos e a grande multidão, enorme, sem fim. Podemos sentir o horror desse dia, com tal aglomeração sem precedentes, desamparada, acometida de grande horror. Não sabemos quando isso acontecerá, porque o universo está cheio de grandes eventos "e o céu se abrirá, e terá muitas portas e as montanhas serão dispersadas, parecendo uma miragem." O céu, o poderoso céu, se abrirá e terá muitas portas. É, como descrito em outra parte do Alcorão, algo distante. Assim, parecer-nos-á estranho. As firmes estacas enterradas, quer dizer, as montanhas, se moverão. Elas serão marteladas, espalhadas, transformadas em pó, sopradas pelo vento, conforme descrito em outros versículos do Alcorão. Por consequência, elas se tornarão inexistentes, como uma miragem que não é real. Ou, provavelmente, diferentes raios se refletirão contra elas depois que tiverem se transformado em pó, fazendo com que se pareçam com uma miragem. Em tudo, é o horror aparente da revolta que envolverá o universo, assim como a ressurreição do homem, após o soar da Trombeta. Assim é o Dia da Decisão, cuidadosa e sabiamente marcado. O capítulo dá outro passo, além da ressurreição, para descrever o destino dos descrentes tiranos e o dos justos. Começa com o primeiro grupo, que levantou dúvidas sobre a notícia fatídica: O inferno será uma emboscada, morada para os transgressores, onde permanecerão por tempo ininterrupto. Em que não provarão do frescor, nem de (qualquer) bebida, a não ser água fervente e uma paralisante beberagem, gelada, como castigo adequado (pelos seus feitos malignos), porque nunca temeram o cômputo e desmentiram, descarada e veementemente, os Nossos versículos. Mas anotamos tudo em registro. Sofrei, pois, conquanto nada vos proporcionaremos, senão castigo. O inferno foi criado e assim ele pode vigiar os tiranos e transgressores e aguardar a sua chegada. Eles o encontrarão muito bem preparado para recebê-los, como se eles estivessem retornando para casa após terem viajado pela terra. é um lar onde ficarão enternamente. Mas eles "não provarão do frescor, nem de (qualquer) bebida". O próximo versículo apresenta uma exceção para isto, mas, é mais terrível: "A não ser água fervente e uma paralisante beberagem". Suas gargantas e estômagos queimarão como se estivessem bebendo fluído fervente, o qual será o "frescor" que terão, enquanto que a outra bebida será o lixo dos corpos queimados, deteriorados pelo enorme calor. O Alcorão diz que esta será a "recompensa adequada", de acordo com o que fizeram de suas vidas. Porque pensaram que nunca retornariam a Allah: Porque nunca temeram o cômputo, e desmentiram, descarada e veementemente, os Nossos versículos. Sua negação, como o versículo árabe sugere, é muito enfática e insistentemente mantida. Mas, Allah tem registro meticuloso, o qual não deixa de fora nada do que eles fazem ou dizem: "Mas, anotamos e registramos tudo." Então, segue-se uma reprovação, acompanhada da notícia de que eles não esperem por mudanças em sua condição nem diminuição de sua intensidade: "Prove isto, então: o único aumento que terão será o do tormento." Temos, a seguir, a cena correspondente ao justo em completa felicidade. Os tementes terão um lugar de segurança, jardins e videiras, e donzelas da mesma idade por companheiras e taças transbordantes . Lá, não escutarão conversas tolas nem mentiras. Tal é a recompensa de seu Senhor, uma paga verdadeiramente suficiente. Se o inferno é uma armadilha, de onde os tiranos não podem escapar, os justos, os tementes a Deus, acabarão em lugar seguro. Que lugar é esse: "jardins e videiras." A videira é mencionada porque ela é bem conhecida daqueles destinatários. Os tementes a Deus também terão companheiras que são descritas aqui como íntimas e da mesma idade. Eles também beberão de uma taça transbordante de bebida. é dada uma exuberância na descrição física, a fim de que ela possa ser apreciada pelos seres humanos. A natureza exata desse fausto, e como ele pode ser usufruído, permanece desconhecido para nós, tendo em vista que o nosso entendimento é restrito por nosso mundo ser limitado. Mas, a alegria proporcionada ao justo não é meramente física. Lá, eles não escutarão veleidades nem mentiras. Portanto, é uma vida pura, livre de conversas tolas e falsidades, que poderiam levar a controvérsias. A realidade é conhecida de cada um, o que significa dizer que lá não há lugar para futilidades. é um estado sublime de ocupação, adequado à vida eterna. Então, segue o comentário alcorânico: Tal é a recompensa do vosso Senhor: uma paga verdadeiramente suficiente. O capítulo termina com a cena final do dia em que tudo isso acontecerá. É uma cena na qual vemos Gabriel, o Espírito Santo e todos os anjos em fila ante Allah, o Clemente. Eles estarão em pé, reverenciando a Ele; ninguém ousará proferir uma palavra sem a permissão do Misericordioso. Senhor dos céus e da terra e de tudo que está entre eles, o Todo Misericordioso, com Quem eles não têm permissão para falar, exceto aquele a quem Ele permitir e que falará o que é certo. A recompensa para os justos e para os transgressores, que está detalhada na primeira parte do capítulo, vem de seu Senhor Senhor dos céus e da terra e de tudo que está entre eles, o Todo Poderoso. Que contexto conveniente para se reafirmar a verdade eterna da divindade. Allah é o Senhor Supremo do homem, dos céus e da terra, nesta vida e na próxima, Aquele que recompensa os justos e pune a tirania. Mas, acima de tudo, Ele é o Todo Misericordioso. A recompensa que concede a cada grupo é a manifestação de Sua mercê. Mesmo o tormento sofrido pelos transgressores se origina da mercê de Allah. Porque, na verdade, é parte de sua misericórdia que o mau seja punido e que não tenha o mesmo fim que o bom. Outro atributo Divino aqui colocado é a majestade: "com Quem eles não têm poder de falar." Nesta situação impressionante, nem o homem nem o anjo podem falar sem a permissão do Todo Misericordioso. Tudo o que for dito será correto porque Ele não permite que fale aquele que Ele sabe que não estará dizendo o que é certo. Quando imaginamos que os anjos, que são beneficiados por Allah, e absolutamente livres de pecado, ficam calados diante de Allah e não ousam falar sem a Sua permissão, somos obrigados a sentir quão impressionante é a atmosfera. Tendo motivado tal sentimento, o capítulo lança um grito de advertência para aqueles que escolheram não ouvir ou ver: Tal será o dia infalível; quem quiser, pois, poderá encaminhar-se para o seu Senhor! Sabei que vos temos advertido do castigo iminente, o dia em que o homem verá as obras das suas mãos, e o incrédulo dirá: Oxalá me tivesse convertido em pó! Aqueles que levantam dúvidas e questionam a realidade do Dia da Decisão são sacudidos violentamente: "Tal será o dia infalível". Não há espaço para dúvidas ou controvérsias. Contudo, há tempo para se reparar os caminhos errados antes da emboscada terível, isto é, antes que o Inferno se torne a morada permanente: "Quem quiser, pois, poderá encaminhar-se para o seu Senhor!" O aviso é rigoroso o bastante para fazer com que o embriagado acorde: "Sabei que vos temos advertido do castigo iminente." E não demorará muito, porque a vida do homem não é senão um curto período. O castigo é tão terrível que os descrentes, quando o encararem, lançarão um enorme grito para expressar o desejo de que eles nunca tivessem vivido: O dia em que o homem verá as obras das suas mãos, e o incrédulo dirá: "Oxalá me tivesse convertido em pó!" é o grito de alguém que estará em grande aflição, que se sentirá envergonhado pelo que foi e pelo que fez. Ele sente que é melhor não ser, ou ser alguma coisa como o pó, sem valor, do que testemunhar essa ocasião terrificante. A terrível posição dos descrentes é o assunto das perguntas e dúvidas que eles levantam em relação à notícia fatídica.
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