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Alcorão |
Às Sombras do Alcorão - Sayyed Qutb
Ás Sombras do Alcorão
O Capítulo, como um todo, lida com a Calamidade, sua essência, o que acontece com ela e a que leva no final. Assim, o Capítulo desenha uma cena da ressurreição. A cena pintada aqui é de horror, afetando diretamente o homem e as montanhas. Neste cenário, os homens parecem diminutos, não obstante o seu grande número. Porque eles são como "mariposas dispersas"; voam aqui e ali e não têm poder ou valor, experimentando o dilema e a perplexidade das mariposas que correm para a destruição sem meta ou proposta. Além disso, as montanhas que costumavam ser firmes e solidamente fincadas, parecem lã cardada, levadas pelos ventos ou mesmo por uma leve brisa. Tudo se harmoniza com a imagem do Dia da Ressurreição, conforme descrito como sendo aquele que golpeia e bate forte. As conotações das expressões usadas e o ritmo estão em consonância com os efeitos da Calamidade, tanto nos homens como nas montanhas. O capítulo espalha um ar de admiração e expectativa sobre o resultado do acerto de contas. "A Calamidade! Que é a Calamidade? E o que te fará entender o que é a Calamidade?" Este Capítulo se inicia com a simples palavra "Al-Qaari'a" que significa "a Calamidade". Ela é lançada como um tiro, sem qualquer outra informação adicional ou predicativo ou adjetivo. Assim, ela cria através de seu som e conotações, um sentimento de espanto que ecoa. À palavra, segue-se imediatamente um pergunta que sugere algo alarmante: "Que é a calamidade?" É aquela coisa horrível e formidável que excita a curiosidade e o questionamento. Então, vem a resposta em forma de uma exclamação enigmática, que não permite uma clara compreensão: "E o que te fará entender o que é a calamidade?" É grande demais para ser compreendida ou imaginada. Segue-se a resposta que afirma que acontecerá, mas esquiva-se de mostrar sua exata natureza: "No dia em que os homens estiverem como mariposas dispersas e as montanhas como lã cardada". Esta é a primeira cena de "A Calamidade", a cena que deixa os corações em pânico e faz as pernas tremerem de medo. O ouvinte sente que tudo que é palpável está voando em volta dele como poeira. Então, chega o fim de toda a humanidade. "Porém, quanto àquele cujas ações pesarem na balança, desfrutará de uma vida prazenteira. Em troca, aquele cujas ações forem leves na balança, terá como lar um (profundo) precipício. E o que é que te fará entender isso? É o fogo ardente!" Devemos levar em consideração as "balanças" e seu peso, leve ou pesado. Isto significa que existem padrões que Allah considera valiosos e outros sem qualquer valor. Este é o significado geral da afirmação que Allah quer transmitir. Ele, contudo, sabe melhor a exata natureza destas "balanças". Favorecer uma discussão sofisticada, lógica e linguística sobre o sentido deste termo é, em si mesmo, abandonar o espírito alcorânico e indica que o leitor não está interessado no Alcorão e no Islam. "Aquele cujas ações pesarem na balança", de acordo com os critérios de Allah, "desfrutará de uma vida prazenteira". Allah faz esta afirmação geral, sem qualquer informação mais detalhada. Portanto, a afirmação concede aos sentimentos do homem as conotações de alegria e satisfação ou, na verdade, de pura felicidade. "Aqueles cujas ações forem leves na balança", de acordo com os mesmos critérios de Allah, "terão como lar um (profundo) precipício". O texto em árabe usa o termo "mãe" para o que aqui está traduzido como "lar". É para a sua mãe que a criança se volta para pedir ajuda e proteção, da mesma forma que busca abrigo e segurança em casa. Mas, tais pessoas com pratos leves na balança, somente poderão se voltar para o abismo! É uma expressão delicada, magnificamente ordenada. Há também uma sombra de obscuridade, preparando o caminho para o esclarecimento subseüente que acrescenta a profundidade do efeito desejado: "E o que te fará entender isso?" De novo uma exclamação enigmática usada muitas vezes no Alcorão e que faz sobressair o que está além da compreensão e visão. Então, vem a resposta final: "É o fogo ardente!" Portanto, esta é a mãe daquele cujo prato na balança está leve. Esta é a mãe para a qual ele retorna em busca de ajuda e proteção, segurança e conforto. Mas, o que ele encontra com tal mãe? O precipício e o fogo ardente. É um choque rápido traduzido por uma expressão que representa a dura realidade.
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