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Alcorão |
Às Sombras do Alcorão - Sayyed Qutb
"AL FAJR" (A AURORA)
Às Sombras do Alcorão
No geral, a presente Surata segue a mesma linha desta terça parte do Alcorão, convidando o coração humano para a fé, incitando o homem a despertar, meditar e seguir o caminho da piedade. Aqui, diferentes tipos de ênfase, conotação e ritmo são usados. No entanto, é uma peça musical harmoniosa, variando em tons e mantendo a mesma cadência. Algumas de suas cenas têm um toque de beleza e luz tranquilas, um ritmo agradável. Fica mais evidente na sua abertura, que descreve certas cenas encantadoras do universo e fornece, ao mesmo tempo, uma aura de adoração e prece: "Pela aurora, e pelas dez noites, e pelo par e pelo ímpar, e pela noite, quando se retira!" Outras cenas são tensas e dramáticas naquilo que descrevem, e sua sonoridade, por isso mesmo, mais violenta e assustadora: "Quando a terra for triturada fortemente e aparecer seu Senhor, com seus anjos em desfile; e o inferno nesse dia for destacado, então o homem se lembrará, mas de que lhe servirá a recordação! Ele dirá: 'Ó, por que não me preparei durante a vida!' Naquele dia ninguém castigará porque Ele castigará; nem acorrentará com porque Ele o fará." Outros estarão satisfeitos, afáveis e tranquilos, impressionante harmonia entre o assunto em questão e o ritmo. Esta é a verdade do fim da Surata. "E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo)! Entra no número dos Meus servos. E entra no Meu jardim!" A Surata também faz algumas referências à destruição que caiu sobre os povos insolentes do passado. O ritmo aqui é algo entre a narração fácil e a violenta destruição: "Não reparaste em como o teu Senhor procedeu, em relação à (tribo de) Ad, que pertencia aos (habitantes de) Iram, (cidade) de pilares elevados,... teu Senhor está sempre alerta." Também temos um esboço sobre alguns conceitos e valores que estão em desacordo com a fé. Esta parte tem seu próprio estilo e ritmo: "Quanto ao homem, quando o Senhor o experimenta, honrando-o e agraciando-o, diz (empertigado): Meu Senhor me honra! Porém, quando o prova, restringindo a Sua graça, diz: Meu Senhor me afronta!" Uma resposta a esses conceitos errados é dada através de uma exposição sobre as condições humanas que levam a isso. Aqui, temos dois tipos de estilo e ritmo: Vós não honrais o órfão, nem vos estimulais a alimentar o necessitado, e consumis avidamente as heranças, e cobiçais insaciavelmente os bens terrenos. É de se notar que o estilo e ritmo posteriores servem como uma ponte entre aquela declaração dos caminhos errados do homem e a explicação do destino que o aguarda. Estes versículos são imediatamente seguidos da cena da terra sendo triturada. Este breve panorama nos revela as variantes das cenas descritas e explica a alteração de métrica e rima, de acordo com a mudança dos quadros. A Surata, na verdade, é um exemplo excelente do estilo excepcionalmente belo, que é variado e harmonioso, ao mesmo tempo. "Pela aurora, e pelas dez noites, e pelo par e pelo ímpar, e pela noite, quando se retira, porventura, não há nisso um juramento adequado, para o sensato?" Esta abertura da Surata agrupa algumas cenas e criaturas que têm almas transparentes, agradáveis e familiares. "Pela aurora" se refere à hora em que a vida começa a respirar com calma e felicidade, o momento que traz um sentimento de frescor, companheirismo. O mundo, adormecido, aos poucos desperta para a oração. "Pelas dez noites". O Alcorão não especifica que noites são essas. Muitas explicações já foram dadas. Algumas dizem que se trata da primeira parte do mês de Thul-Hijja, outros que seria no al-Muharram, outros, ainda, afirmam que seriam as dez últimas noites do Ramadã. Como não está definido, a referência árabe adquire um efeito simpático. São dez noites conhecidas por Allah, mas a expressão tem uma conotação de que estas dez noites têm um caráter especial, como se fossem criaturas vivas, com almas e que houvesse uma simpatia mútua entre elas e nós, transmitida pelo versículo alcorânico. "Pelo par e pelo ímpar". Este versículo acrescenta uma atmosfera de adoração à aurora e às dez noites. De acordo com at-Tirmidhi, o Profeta disse: "Algumas orações são pares e outras são ímpares." No contexto geral da Surata, este é o aspecto mais importante a ser ligado a este versículo. Sugere um efeito mútuo entre as almas dos adoradores, as noites selecionadas e a aurora brilhante. "E pela noite quando se retira". A noite, aqui, é personificada como se estivesse viajando pelo universo, caminhando insone e na escuridão, ou como um viajante que prefere iniciar sua longa jornada à noite. Que bela expresão, descrevendo uma cena agradável com um ritmo soberbo! A harmonia entre o versículo e a aurora, as dez noites e até o número ímpar, tudo é perfeito. Não são simples palavras e expressões: elas trazem uma sensação da fresca da aurora e do orvalho da manhã, difundindo o odor das flores. É o efeito de um sussurro afável no coração e na alma, e um toque inspirador sobre a consciência. A beleza desta alocução é em muito superior a qualquer expressão poética, porque combina a beleza da originalidade com a afirmação de um certo fato. Por isso, ela termina com uma questão retórica: "Porventura, não há nisso um juramento adequado para o sensato?" O juramento e a condenação estão lá para aqueles que meditam. O objeto do juramento foi omitido, mas está explicado pelos relatos sobre a tirania e a corrupção. O castigo infligido por Allah aos insolentes, tiranos e corruptos é uma lei da natureza, declarada por este juramento. A afirmação assume a forma de uma sugestão oportuna: "Não reparaste em como o teu Senhor procedeu, em relação à (tribo de) Ad, aos (habitantes de) Iram, (cidade) de pilares elevados, cujo similar não foi criado em toda a terra? E no povo de Samud, que perfurou rochas no vale? e no Faraó, o senhor das estacas, os quais trasgrediram, na terra, e multiplicaram, nela , a corrupção,pelo que o teu Senhor lhes infligiu variados castigos? Atenta para o fato de que o teu Senhor está sempre alerta." A forma interrogativa neste contexto, mostra-se mais eficaz para chamar a atenção das pessoas a que se dirige, que são, em primeiro lugar, o Profeta (SAW), e depois todos aqueles que meditam sobre os destinos das nações do passado. As pessoas da geração do profeta, que foram as primeiras a receber a revelação do Alcorão, sabiam o que tinha acontecido àquelas nações. O destino delas tinha sido explicado através de relatos e estórias transmitidas de geração a geracão. A descrição desse destino, como consequência da ação de Allah, é reconfortante e tranquilizador para os fiéis. Foi, principalmente, para os fiéis de Meca que, na época da revelação desta Surata, estavam submetidos a uma perseguição sem tréguas e a um grande sofrimento, movidos pelos infiéis. Estes versículos referem-se ao destino das mais poderosas e despóticas nações da história antiga. Falam da tribo de Ad, do Iram, um ramo dos primeiros árabes. Habitavam Ahqaf, um pedaço de terra arenoso, no sul da Arábia, a meio caminho entre o Iêmen e Hadramut. Ad era um povo nômade, que usava postes e pilares para erguer suas tendas. Em algumas partes do Alcorão, eles são descritos como muito poderosos e agressivos. Na verdade, eram os mais poderosos e renomados de todas as tribos árabes contemporâneas: "Cujo similar não foi criado em toda a terra". A distinção, aqui está restrita àquela época em particular. "E no povo de Samud, que perfurou rochas no vale?" A tribo de Samud vivia em Al-Hijr, uma passagem rochosa no norte da Arábia, no caminho de Medina para a Síria. O povo de Samud era perito no uso de rochas para a construção de seus palácios e casas. Também cavavam abrigos e grutas nas montanhas. "E no faraó, o senhor das estacas". O termo "estacas" refere-se às pirâmides, que são como estacas, firmemente cravadas no chão. O faraó citado aqui, é o mesmo da época de Moisés. Todos esses povos "foram tiranos e transgressores, que multiplicaram na terra a corrupção". A corrupção é a consequência inevitável da tirania e afeta tanto o tirano quando seus súditos. Na verdade, a tirania arruína todas as relações humanas. Não consegue construir uma vida humana saudável, justa e reta, e afasta o homem do papel que Allah lhe destinou, como Seu vice-gerente na terra. A tirania torna o tirano presa de seus próprios desejos, porque ele não tem compromisso com qualquer princípio ou padrão, e não aceita qualquer limitação para alcançar seus propósitos. Portanto, o tirano é sempre o primeiro a se corromper com sua tirania. Ele assume para si um papel diferente daquele do servo de Allah. Isto fica claro na afirmação insolente do Faraó: "Eu sou seu Senhor, o mais elevado." Aqui, temos um exemplo da influência corruptora do despostismo, na aspiração do faraó a alguma coisa maior do que a condição de criatura obediente, uma aspiração que o tornou prepotente. A tirania também corrompe as massas, porque humilha e obriga a reprimir o ódio e o descontentamento que sentem pelo tirano. Ela mata todos os sentimentos de dignidade humana e desperdiça os talentos criativos, que não podem aflorar senão em um ambiente de liberdade. Uma alma humilhada inevitavelmente apodrece e torna-se campo fértil para os germes de desejos doentios. Por isso, a digressão sobre o caminho reto torna-se a ordem do dia. Em tais condições, nenhum valor humano mais elevado encontra acolhida. O resultado final de tudo isto é a propagação da corrupção. A tirania também destrói todos os padrões e conceitos saudáveis, porque eles se constituem em ameaça à sua existência. Por isso, os valores são falsificados e os padrões distorcidos, a fim de que a idéia repulsiva do despotismo se torne natural, o que, em si, já é uma enorme corrupção. Quando os povos acima citados provocaram tanta corrupção, o remédio foi, inevitávelmente, uma depuração completa: "Pelo que o teu Senhor lhes infligiu variados castigos. Atenta para o fato de que o teu Senhor está sempre alerta." Certamente que Allah sabe de tudo o que praticaram e, quando a corrupção aumentou, Ele os puniu severamente. O texto dá a entender que o castigo foi muito doloroso e os tiranos tiveram o castigo justo como retribuição. Quando o fiel enfrenta a tirania, em qualquer época ou lugar, ele sente grande confiança emanando muito além do destino daquelas nações. Também sente um conforto em especial quando lê o versículo: "Teu Senhor está sempre alerta" Nada passa despercebido e nada é esquecido. Assim, que os fiéis confiem em que Allah cuidará sempre, no tempo devido, de toda a corrupção e tirania. Assim, a Surata nos dá alguns exemplos do que Allah pode fazer pela causa da fé, e que são totalmente diferentes dos exemplos apresentados na Surata 85, As Constelações. Todas aquelas estórias estão relacionadas a um objetivo definido, isto é, à educação dos fiéis e sua preparação para enfrentar o que quer que seja que Allah tenha determinado para eles. Estarão prontos para todas as eventualidades e municiados com a confiança divina, porque eles se submetem a Allah e deixam que Sua vontade seja feita. "Atenta para o fato de que o teu Senhor está sempre alerta." Ele tudo vê, tudo registra e julgará de acordo com critérios justos que não excederão os limites da justiça. Ele não se deixa levar pelas aparências porque julga a essência das coisas. Os critérios humanos são passíveis de toda espécie de erros. O homem nada percebe além das aparências, a não ser que adote critérios divinos. "Quanto ao homem, quando seu Senhor o experimenta, honrando-o e agraciando-o, diz: Meu Senhor me honra!" Mas, sempre que Ele o testa, privando-o de seus meios, diz: "Meu Senhor me afronta." Este é o pensamento do homem a respeito dos vários tipos de provas que Allah o submete, seja sob a forma de bênção ou de sofrimento, de abundância ou escassez. Allah pode testá-lo com conforto, honra, riqueza e posição, mas ele não percebe a natureza probatória do que lhe está sendo concedido. Pelo contrário, entende o gesto como uma prova de que ele merece ser honrado por Allah e como uma evidência de que Ele o escolheu por uma honraria especial. Trata-se de uma linha de pensamento que toma a prova como recompensa e o teste como resultado. Imagina honraria aos olhos de Allah pela quantidade de conforto mundano que uma pessoa recebe. Allah também pode testá-lo pela provação, e o homem, mais uma vez erra ao perceber no julgamento uma recompensa e no teste um castigo justo. Ele sente que Allah o tornou pobre a fim de humilhá-lo. Na época de sua revelação, o Alcorão estava se dirigindo a um tipo de pessoa, comum em todas as sociedades ignorantes, que perderam sua relação com um mundo além da vida presente. Essas pessoas adotam visões equivocadas sobre a concessão ou não de riqueza por Allah e aplicam um conjunto de valores que dignificam a estima ao dinheiro e à posição social. Por isso, sua ânsia pelos bens materiais é irresistível. Torna-os gananciosos, avarentos e mesquinhos. O Alcorão revela seus verdadeiros sentimentos, e mostra que sua avareza, e mesquinharia são as responsáveis pela incapacidade que têm de entender a verdadeira importância da prova divina, que concede a riqueza ou a nega. "Qual! Não honrais o órfão, nem vos estimulais a alimentar o necessitado, e consumis avidamente as heranças e cobicais insaciavelmente os bens terrenos!" A verdadeira questão é que, quando os homens recebem a riqueza, não cumprem com os deveres que são exigidos dos ricos. Não cuidam dos órfãos que perderam o pai e que, por isso, necessitam de proteção e apoio. Não se recomendam uns aos outros a contribuírem para o bem estar geral. Esta recomendação mútua é um aspecto muito importante do modo de vida islâmico. Na medida em que as pessoas não entendem a importância da prova, elas sequer tentam se saír bem no cuidado com os órãos e na recomendação de alimentar os necessitados. Pelo contrário, devoram a herança dos órfãos avidamente, e almejam desesperadamente a riqueza deles. É um desejo que mata toda a nobreza de seus espíritos e não deixa espaço para gestos generosos ou de boa vontade para com o pobre. Em Meca, o Islam estava enfrentando uma situação caracterizada por um impulso de acumular riqueza por qualquer meio, um impulso que torna o coração duro e insensível. A posição fraca dos órfãos, principalmente das meninas, era uma tentação para que fossem privados de suas heranças por diversas formas. O amor ao dinheiro, o desejo de acumulá-lo através da usura ou outros meios, era um aspecto característico da sociedade de Meca antes do advento do Islam. Na verdade, é um aspecto característico de todas as sociedades ignorantes em todas as épocas e na atual. Estes poucos versículos não só expõem a verdadeira natureza de sua atitude. Também condenam esta atitude e recomendam sua interrupção. A condenação é clara na repetição dos versículos, seu ritmo e sua métrica nos passam um forte sentimento do desejo de acumular riqueza: "E consumis avidamente as heranças, e cobiçais insaciavelmente os bens terrenos!" Uma vez que o conceito errado de prova sob a forma de riqueza e pobreza foi esboçado, e sua atitude vil foi exposta, segue-se uma advertência séria sobre o Dia do Juízo, que chegará depois que o resultado do teste for conhecido. Aqui, o ritmo é muito poderoso: "Qual! Quando a terra for triturada fortemente, e aparecer o teu Senhor, com os Seus anjos em desfile, e o inferno, nesse dia, for destacado, então o homem recordará; porém de que lhe servirá a recordação! Dirá: Oxalá tivesse diligenciado (na prática do bem), durante a minha vida! Naquele dia, ninguém castigará como Ele, nem ninguém acorrentará, como Ele." A destruição total de tudo na terra, e o seu nivelamento, é uma das revoluções que acontecerá no universo no Dia da Ressurreição. A chegada de Allah com os anjos não está bem explicada, mas a expressão transborda reverência, assombro e temor. O mesmo se aplica ao destacamento do inferno. Entendemos isto como significando que o Inferno, naquele dia, estará próximo de seus futuros moradores. O que acontecerá, e como acontecerá, é parte do conhecimento divino, que Allah escolheu só revelar naquele dia. Estes versículos, com seu ritmo cativante e notas agudas, mostram, no entanto, a cena que traz temor aos corações, e faz com que isto fique evidente. A terra será sistematicamente nivelada. Allah, o Todo Poderoso, julgará a todos: os anjos, em fila, e o inferno destacado. Naquele momento, "o homem se lembrará". O homem que viveu ignorando a sabedoria por trás da prova sob a forma de riquezas mundanas ou sob a forma de privações; que ambicionou a herança dos órfãos, que desejou o dinheiro e não cuidou dos órfãos e necessitados, que tiranizou, que espalhou a corrupção, e que se afastou da orientação divina, então se recordará da verdade. Mas, qual! É muito tarde: "De que lhe servirá a recordação!" O tempo para recordar-se acabou, por isso a recordação no Dia do Juízo e a Recompensa não lhe servirão de nada. Serve só como um ato de dor pela oportunidade perdida. Quando o homem tem plena consciência da verdadeira natureza de sua situação, diz desesperadamente "Oxalá tivesse diligenciado na prática do bem, durante a minha vida." Porque a verdadeira vida, a única que merece este nome, é a vida depois da morte. É a que merece ser preparada. Daí, o arrependimento e a dor, as únicas coisas que o homem pode fazer por si, nesta segunda vida. A Surata continua a mostrar o destino daquele homem após sua visão desesperadora e desejo inútil: "Porém, nesse dia, ninguém castigará como Ele (o fará), nem acorrentará, como Ele (o fará)." É Allah, o Supremo Vencedor, o Todo Poderoso, Aquele que infligirá Seu castigo incomparável. E Aquele que acorrentará como ninguém mais pode fazê-lo. A punição divina e o acorrentamento são explicados em outras partes do Alcorão, quando descreve as cenas sobre o Dia do Juízo. A referência à punição divina traz à mente a descrição inicial da tirania humana nos exemplos de Ad, Samud e do Faraó. É dito que estes tiranos espalharam a corrupção na terra, inclusive a tortura física, acorrentando as pessoas com correntes e cordas. Os últimos versículos servem como uma mensagem ao Profeta e aos fiéis, lembrando-os de que seu Senhor castigará e acorrentará aqueles que costumavam torturar e acorrentar as pessoas. Deixe que os tiranos continuem com suas punições e perseguições; terão sua vez e serão os sofredores de uma pena que está além da imaginação. Em meio a este horror inimaginável, chega uma mensagem do alto para os fiéis: "E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo). Entra no número dos Meus servos! E entra no Meu jardim." É uma mensagem terna, compassiva e confortadora: "E tu, ó alma em paz". Fala de liberdade e calma, após a referência inicial a correntes e sofrimentos: "Retorna ao teu Senhor!" Depois de tudo que passaste na terra, retorna agora ao teu Senhor, com Quem tu tens fortes laços: "satisfeita (com Ele) e Ele satisfeito (contigo)." É uma mensagem afável que espalha uma atmosfera de compaixão e satisfação. "Entra no número dos Meus servos!", entre aqueles escolhidos para gozarem da graça divina. "Entra no Meu jardim!", para receber a proteção e a bênção de Allah. A alma do fiel é uma alma em paz com seu Senhor, certa de seu caminho, certa de seu destino. É uma alma que se satisfaz com todas as possibilidades: felicidade ou sofrimento, riqueza ou pobreza. Não admite dúvidas; é livre de transgressões. A música afável acrescenta um sentimento de intimidade e paz. A face majestosa de Allah, o Misericordiosos, com todo Seu esplendor, olha de cima.
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