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Atualidades |
AS CORES UNIDAS DO ISLAM
Basta olhar para a brutal perseguição dos judeus promovida pelos nazistas no início deste século, ou para o mais recente genocídio dos muçulmanos da Bósnia, para percebermos como os grupos étnico-religiosos sofrem terrivelmente nas mãos dos racistas. Muitas vezes, no entanto, a própria religião é a responsável pela opressão racista.
Apesar de ter suas origens no Oriente Médio, o judaísmo é visto como uma religião ocidental. Mas, a quase total assimilação dos judeus em todos os níveis da sociedade ocidental na verdade trai a realidade elitista do judaísmo.
"Não existe outro Deus em todo o mundo senão em Israel." (2 Reis, 5:15)
Uma interpretação justa desses versículos bíblicos sugeririam que, naqueles dias, Deus (Allah) só era adorado pelos israelitas. No entanto, até hoje, os judeus ainda se consideram a única raça escolhida por Deus.
Por outro lado, enquanto a esmagadora maioria de cristãos seja de não judeus, Jesus, como o último dos profetas israelitas, foi enviado apenas para os judeus. Na Bíblia ele disse:
"Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel." (Mateus, 15:24) (1)
E, da mesma forma, todos os outros profetas foram enviados exclusivamente para o seu povo; todos, exceto um, Mohammad.
"Dizei, ó Mohammad: Eu sou o Mensageiro de Allah enviado para todos vós." (Alcorão 7:158)
Como Mohammad foi o último Mensageiro de Deus para toda a humanidade, sua mensagem é universal, com a capacidade de unificar não só sua nação, a árabe, mas também todos os povos do mundo.
"E não te enviamos senão como universal (Mensageiro), alvissareiro e admoestador para os humanos, porém, a maioria dos humanos o ignora." (34:28)
BILAL, O ABISSÍNIO
Um dos primeiros a se converter ao Islam foi um escravo abissínio, de nome Bilal. Tradicionalmente, os africanos negros eram considerados pessoas inferiores aos olhos dos árabes, que achavam que eles não tinham qualquer outra utilidade além do entretenimento e da escravidão. Quando Bilal se converteu ao Islam, seu dono, que era pagão, o tinha torturado brutalmente na areia escaldante do deserto, até que Abu Bakr, o amigo mais próximo do Profeta, o resgatasse, comprando sua liberdade. Mohammad indicou Bilal para ser o muezzin e hoje, no chamado para oração anunciado dos minaretes de cada canto do mundo, ecoam as mesmas palavras proclamadas por Bilal. Assim, aquele que fora um escravo desprezado, conquistou uma das mais elevadas posições de honra, ao se transformar no primeiro muezzin do Islam. Embora acredite-se que a Grécia tenha sido o berço da democracia, era uma democracia que só existia para os seus cidadãos livres - a maioria de sua população, sendo escrava, não tinha direito de eleger seu governante. No entanto, o Islam ordenou que um escravo fosse, ele mesmo, um governante. O Profeta ordenou: "Não se afastem da obediência (ou seja, "obedeçam ao seu governante), mesmo que ele seja um escravo abissínio." (Ahmad)
SALMAN, O PERSA
Como muitos de seus conterrâneos, Salman foi educado no zoroastrismo, mas após um encontro com alguns cristãos ele aceitou o cristianismo como "algo melhor". Como cristão, Salman viajou bastante em busca do conhecimento. Sua viagem o levou de um monge a outro, quando o último lhe disse:
"Ó filho! Não conheço ninguém que tenha o mesmo (credo) que nós. No entanto, o tempo do surgimento de um profeta o sombreará. Este profeta é da religião de Abraão."
O monge continuou descrevendo este profeta, seu caráter e onde ele apareceria. Salman imigrou para a Arábia, a terra da Profecia, e quando ele ouviu falar sobre Mohammad e o encontrou, imediatamente o reconheceu pela descrição de seu professor. A longa busca da verdade empreendida por Salman finalmente tinha acabado e ele abraçou o Islam.
Salman ficou conhecido por seu conhecimento e foi, na verade, a primeira pessoa a traduzir o Alcorão para outra língua, o persa. Certa vez, quando o Profeta estava entre seus Companheiros, o versículo a seguir foi revelado a ele:
"Ele foi Quem escolheu entre os iletrados um Mensageiro (Mohammad) da sua estirpe (os árabes), ... e (também) ensinar aos outros (ou seja, não árabes) que o sucederão." (62:2-3)
O Mensageiro de Deus colocou sua mão sobre Salman e disse:
"Mesmo que a Fé estivesse próxima (a uma estrela) das Plêiades, um homem dentre estes (persas) certamente a alcançaria." (Muslim)
Um homem assim foi Imam Mohammad Isma'il, de Bucara (uma cidade predominantemente persa). Sua famosa coleção de hadith (narrativas do Profeta), intitulada As-Sahih, foi declarada, por unanimidade, pelos estudiosos do Islam como "O mais autêntico livro, depois do Livro de Deus (Alcorão)".
SUHAYB, O ROMANO
De cabelos louros e aparência simpática, Abu Yahia Suhayb nasceu na rica casa de seu pai, um governador do imperador persa. Quando ainda criança, Suhayb foi capturado durante um ataque dos bizantinos, para ser vendido como escravo em Constatinopla. (2)Suhayb conseguiu escapar da escravidão e fugiu para Mecca, onde logo se tornou um rico comerciante, conhecido como 'ar-Rumi' (o romano), devido à língua grega e à sua educação bizantina. Quando Suhayb ouviu Mohammad pregando, ele se conveceu de imediato da verdade de sua mensagem e prontamente se converteu ao Islam. Como os demais muçulmanos, Suhayb foi perseguido pelos idólatras de Mecca e teve que vender toda a sua fortuna em troca de um salvo-conduto, para se juntar ao Profeta em Medina. Quando Suhayb finalmente chegou a Medina, o Profeta, feliz por vê-lo, cumprimentou-o três vezes: "Sua transação foi proveitosa, ó Abu Yahia, Sua transação foi proveitosa." Deus havia informado o Profeta da exploração sofrida por Suhayb, antes de eles se encontrarem:
"Entre os homens há aquele que se sacrifica para obter a complacência de Deus, porque Deus é Compassivo para com os servos." (2:207)
O Profeta nutria um grande amor por Suhayb e o descrevia como tendo precedido os bizantinos no Islam. A piedade e a reputação de Suhayb entre os muçulmanos eram tão elevadas que o Califa Omar, quando estava em seu leito de morte, o selecionou para chefiar os muçulmanos enquanto eles escolhiam um sucessor.
ABDULLAH, O HEBREU
Os judeus eram uma outra nação que era desprezada pelos árabes pré-islâmicos. Muitos judeus e cristãos esperavam que um novo profeta surgisse na Arábia durante a época do Profeta Mohammad. Os judeus, principalmente da tribo levita, tinham se estabelecido em grande número na cidade de Medina e em seus arredores. No entanto, quando o tão esperado profeta chegou, não como um filho hebreu de Israel e sim como um árabe descendente de Ismael, os judeus não o aceitaram, com exceção de uns poucos como al-Husayn bin Salam. Al-Husayn era um rabino instruído e líder dos judeus de Medina, mas foi rejeitado assim que se converteu ao Islam. O Profeta trocou o nome de al-Husayn para Abdullah, "Servo de Deus" e ainda em vida transmitiu a Abdullah a notícia de que ele iria para o Paraíso. Abdullah dirigiu-se a seus conterrâneos dizendo: "Ó judeus! Estejam conscientes de Allah e aceitem o que Mohammad trouxe. Por Deus, por certo que vocês sabem que ele é o Mensageiro de Deus e que as profecias sobre eles e as referências ao seu nome e suas características podem ser encontradas na Torá. Eu, de minha parte, declaro que ele é o Mensageiro de Deus. Tenho fé nele e acredito que ele é verdadeiro. Eu o reconheço." Deus revelou o seguinte versículo a respeito de Abdullah:
"... e mesmo um israelita confirma a sua autenticidade e nele crê, vós vos ensoberbeceis!" (46:10)
Como se pode ver, dentre os Companheiros do Profeta Mohammad podiam ser encontrados africanos, persas, romanos e israelitas; representantes de cada continente conhecido na época. O Profeta disse: "Na verdade, meus amigos e aliados não são da tribo tal ou tal. Antes, meus amigos e aliados são os justos onde quer que estejam." (al-Bukhari e Muslim)
Este aspecto foi bastante enfatizado pelo Profeta quando disse: "Não há superioridade de um árabe sobre um não árabe, nem de um não árabe sobre um árabe, nem de um branco sobre um negro nem de um negro sobre um branco, exceto quanto à fé." (Ahmad)
"Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente." (49:13)
O Profeta Mohammad disse: "A parábola dos crentes em seu amor e misericórdia mútuos é como a de um corpo (vivo); se uma parte sente dor, todo o corpo sofre com insônia e febre." (Muslim)
Esta fraternidade universal foi defendida pelos Companheiros do Profeta depois que ele se foi, inclusive por seus sucessores temporais: Abu Bakr, Omar, Osman e 'Ali (que são conhecidos como os Quatro Califas Probos). Quando o Companheiro Ubada ibn as-Samit chefiou uma delegação muçulmana a Muqawqis, patriarca cristão de Alexandria, Muqawqis exclamou: "Levem este negro embora daqui e tragam outro para falar comigo ... Como vocês podem ficar felizes em ter um negro como o mais ilustre de todos? Não seria mais adequado que ele estivesse abaixo de vocês?", "Na verdade não", disseram os companheiros de Ubada, "porque, embora ele seja negro, ainda assim ele é o mais ilustre de nós em posição, em precedência, inteligência e sabedoria; nós não desprezamos a cor."
"Sabei que os fiéis são irmãos uns dos outros." (49:10)
A expansão do nacionalismo, com a separação dos muçulmanos em grupos étnicos, linguísticos e tribais, é um mal e uma inovação no Islam. Diz Deus em Seu Livro:
"Dize-lhes: Se vossos pais, vossos filhos, vossos irmãos, vossas esposas, vossa tribo, os bens que tenhais adquirido, o comércio, cuja estagnação temeis, e as casas nas quais residis, são-vos mais queridos do que Deus e Seu Mensageiro, bem como a luta por Sua causa, aguardai, até que Deus venha cumprir os Seus desígnios." (9:24)
Na verdade, os muçulmanos se constituem em uma única nação.
"E deste modo (ó muçulmanos) constituímos-vos em uma (única) nação equilibrada." (2:143)
O Profeta disse: "Aquele que se afasta da obediência e se separa de Jam'ah (3) e morre, (então) ele tem a morte da jahiliyyah (a ignorância dos tempos pré-islâmicos). E aquele que luta pela bandeira do fanatismo, fica furioso com o nacionalismo, ou chama o nacionalismo ou ajuda o nacionalismo e morre, (então) ele tem a morte da jahiliyyah." (Muslim)
"Quando os incrédulos colocaram em seus corações orgulho e arrogância - o orgulho e a arrogância da jahiliyyah. Deus infundiu Sua tranquilidade no Seu Mensageiro e nos crentes." (48:26)
UMA QUESTÃO FINAL
Ainda repetida em alguns círculos, e que talvez seja uma das maiores barreiras para a sua aceitação pelo ocidente, é a falácia de que o Islam é uma religião de negros ou de gente de pele escura. Não há dúvida de que as injustiças raciais contra muitos negros, fossem os escravos abissínios da Arábia pré-islâmica, ou os afro-americanos do século XX, estimularam muitas pessoas a adotar o Islam, mas esta é uma questão fora de propósito. O Profeta Mohammad tinha a pele clara, descrita pelos companheiros como sendo "branca e corada".
O que muitos desconhecem é que a Europa tem mais muçulmanos nativos brancos do que imigrantes de cor. Os albaneses, por exemplo, que descendem do antigos celtas, são uma das mais antigas tribos da Europa e estão entre os primeiros habitantes dos Balcãs. Hoje, 80% de todos os albaneses são muçulmanos (4). Na verdade, o mundialmente conhecido exegeta muçulmano, detentor de um profundo conhecimento sobre o Islam, Shaykh Mohammad Nasir-ud-Din al-Albani, é, como o nome sugere, albanês. Alguns antropólogos acreditam que a região das Montanhas do Cáucaso, no sudeste europeu, foi o berço da "raça branca" e os brancos ainda são descritos como "caucasianos". Hoje, seis das sete repúblicas autônomas caucasianas da Rússia são repúblicas muçulmanas. De fato, o Islam penetrou pacificamente em partes da Europa muito antes do cristianismo. Há mais de mil anos atrás, "Há muito tempo atrás, quando os russos eslavos ainda não tinham começado a construir igrejas cristãs no Oka e nem tinham conquistado esses lugares em nome da civilização européia, os bulgars (5)já tinham ouvido falar do Alcorão nas margens do Volga e do Kama" (S.M. Solov'ev, Istoria Rossis Drevneishikh Vremen. Moscou 1965, p.476)
Este século também assistiu a um grande número de europeus abraçarem o Islam. Somente no Reino Unido, estima-se que sejam dezenas de milhares de revertidos ao Islam (principalmente mulheres anglo-saxônicas e celtas) e nos próximos 20 anos espera-se que esse número ultrapasse à população de muçulmanos imigrantes que trouxe a religião para aqui (Times, 11/9/1993). O grande despertar do Islam também não passou despercebido pelo governo dos Estados Unidos. Hillary Rodham Clinton recentemente assinalou: "O Islam é a religião que mais cresce na América, um guia e um pilar de estabilidade para muitos de nosso povo ..." (Primeira-dama rompe barreiras com os muçulmanos, Los Angeles Times, 31/5/1996).
"Na verdade, criamos o homem na mais perfeita proporção." (95:4)
De alguma forma, toda fé, além do Islam, chama para a adoração da criação. Mas, raça e cor desempenham um papel central e divisionista em quase todos os sistemas não islâmicos de crença. No cristianismo, por intermédio do Profeta Jesus e dos santos, e no budismo, através de Buda e do Dalai Lama, homens e mulheres de uma raça ou cor em particular são adorados como divindades em detrimento de Deus. No judaísmo, a salvação é negada aos gentios não judeus. O sistema de casta no hinduísmo, da mesma forma degrada e impede as aspirações espirituais, sem falar nas aspirações sociais, políticas e econômicas das castas mais baixas consideradas "impuras". O Islam, no entanto, busca unir e transformar em uma unidade todas as criaturas do mundo sob a Unidade e Unicidade de seu Criador. Portanto, apenas o Islam liberta povos, raças e cores na adoração a Deus.
"Sou Deus. Não há divindade além de Mim! Adora-Me, pois, e observa a oração, para celebrar o Meu nome." (20:14)
"Em nenhuma outra sociedade existe um tal registro de sucesso na unificação da posição de igualdade, de oportunidade e empenho de tantas e tão variadas raças humanas. As grandes comunidades muçulmanas da África, Índia e Indonésia, talvez também a pequena comunidade do Japão, mostram que o Islam ainda tem o poder de reconciliar os elementos aparentemente irreconciliáveis de raça e tradição." (H.A.R. Gibb, Whither Islam, London, 193Z p. 379)
"A abolição do sentimento de raça como existe entre os muçulmanos, é uma das mais importantes conquistas do Islam e no mundo contemporâneo há uma necessidade gritante da propagação desta virtude islâmica ..." (A.J. Toynbee, Civilisation on Trial, New York, p. 205)
"Como pode, por exemplo, qualquer outro apelo ser colocado contra o muçulmano que, ao abordar o pagão diz a ele, não importa o quão obscuro ou degradado ele seja, 'Abrace a fé e você será um igual e um irmão.' O Islam não conhece a divisão de cor." (S.S. Leeder, Veiled Mysteries of Egypt)
"E entre os Seus Sinais estão a criação dos céus e da terra e a (maravilhosa) diferença de suas línguas e cores. Na verdade, nisto há sinais para aqueles que meditam." (30:22)
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Referências
[1] Cada um dos conhecidos doze discípulos de Jesus era um judeu israelita. A única passagem bíblica onde Jesus teria dito a seus discípulos "Ide e pregai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mateus, 28:19), frequentemente citada para provar a missão aos gentios, assim como a Trindade, não é encontrada em qualquer manuscrito anterior ao século XVI e, por isso, é considerada uma "fraude piedosa."
[2] O Império Bizantino, ou Império Romano do Oriente, chegou ao fim quando sua antiga capital, Constantinopla, foi conquistada pelo jovem sultão otomano, Muhammad al-Fatih, em 1453 d.C. A conquista foi um divisor de águas na história mundial, marcando o fim da Idade Média, assim como o cumprimento de uma profecia do Profeta Mohammad.
[3] 'Al-Jam'ah' se refere ao grupo de crentes que estão unidos sob a bandeira do puro Islam de Mohammad e de seus Companheiros.
[4] Outros muçulmanos europeus 'nativos' incluem os bósnios, os pomaques e os ajarians.
[5] Em 922 d.C., o Islam tornou-se a religião oficial dos bulgars do Volga, uma tribo irânica turqueizada, originária da antiga cidade afegã Balkh. Atualmente, os búlgaros, os tártaros do Volga e várias tribos do Cáucaso têm um ascendente comum nos antigos bulgars.
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