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Atualidades


NACIONALISMO, UM CONCEITO ERRADO

Para muitos neste século, o mundo muçulmano continua a patinar ao longo de um caminho traiçoeiro que foi construído pelos outros. O destino deste caminho é o que eles nos fizeram crer que  fosse proveitoso e digno lutar por ele. O combustível dessa viagem é retirado dos falsos conceitos que o Imperialismo implantou no mundo muçulmano


As Origens do Nacionalismo

Um dos conceitos mais danosos que estigmatiza a Ummah do Profeta é o nacionalismo. Trata-se de um conceito perigoso que transformou a base emocional da Ummah e que visivelmente fortalece a divisão entre aqueles que dizem acreditar na mesma ideologia. Além do mais, os muçulmanos se identificam com os turcos, árabes, africanos e paquistaneses. Como se não bastasse, os muçulmanos também se subdividem dentro de cada país ou continente. Por exemplo, no Paquistão, as pessoas são classificafas como punjabs, sindis, balauchis e pathans. Esta fragmentação continua a ganhar importância entre os muçulmanos.

No passado, durante o domínio islâmico, a ummah muçulmana nunca se defrontou com este dilema. Jamais sofreu de desunião, de tão grande opressão, estagnação na ciência e tecnologia e, certamente, nunca nos defrontamos com conflitos internos como os que testemunhamos neste século, como, por exemplo, a guerra Irã-Iraque. Então, o que está errado com os muçulmanos deste século? Por que há tantas disputas   entre eles e por que estão sempre lutando uns contra os outros? O que causou esta debilidade e o que fazer para sair da presente estagnação?

São muitos os fatores que contribuíram para o presente estado de coisas, mas alguns dos principais são o descaso com o idioma árabe como a língua de compreensão correta do Islam, e a prática da Ijtihad, a absorção de culturas estrangeiras e o consequente abandono das crenças islâmicas, a perda gradual da autoridade central sobre algumas das províncias e a ascensão do Nacionalismo, a partir do século XIX.

O Nacionalismo não surgiu no mundo muçulmano naturalmente e nem veio como resposta ao  sofrimento vivido pelas pessoas, e nem devido à frustração que sentiram quando a Europa começou a dominar o mundo após a Revolução Industrial. Ao contrário, o nacionalismo foi implantado na mente dos muçulmanos através de um esquema bem montado pelos poderes europeus, após não conseguirem destruir o Estado Islâmico pela força.

O Nacionalismo Definido

O conceito de nacionalismo é muito amplo e não pode ser compreendido sem estudarmos as formas como os seres humanos se identificam e se relacionam uns com os outros em sociedade. Este estudo possibilitará uma diferenciação a ser feita entre as várias formas de grupo e nacionalismo. Os seres humanos se identificam ou se agrupam com base em:

Amor a uma terra ou país em especial - patriotismo
Tribo, linhagem ou raça - nacionalismo
Meros rituais espirituais - religião
Fé, ou Aqidah - credo

O patriotismo surge quando o povo se reúne em torno do amor à pátria. É uma forma de unidade que acontece quando um determinado país está sob ameaça externa, por exemplo, conflitos militares com outras nações. O efeito deste vínculo faz com que  pessoas de diferentes origens   coloquem suas diferenças de lado para formar uma frente comum de apoio ao governo. Muitas vezes, o conceito de patriotismo é  confundido com nacionalismo. A fraqueza inerente ao patriotismo, como forma de unir o povo, é que ele junta as pessoas temporariamente e só quando uma ameaça externa esteja surgindo no horizonte. Portanto, o patriotismo não tem um papel específico em tempos de paz e não pode, assim, ser a base de uma unidade permanente.

O Nacionalismo é um vínculo entre indivíduos, que se baseia nos laços familiares, tribais ou de clã. Ele surge entre as pessoas quando o pensamento predominante é o de conseguir a dominação. Começa na família, onde um membro afirma sua autoridade para conquistar a liderança nas questões familiares. Uma vez conquistada, o indivíduo estende essa liderança para a família mais ampla. Desta forma, as famílias também tentarão conquistar a liderança na comunidade onde residem. O próximo estágio é o da competição entre as famílias, todas tentando dominar as outras, para que possam usufruir dos privilégios e prestígio inerentes a este tipo de autoridade. Isto gera  arrogância e  ignorância, juntamente com um extremo orgulho.

O Nacionalismo não une as pessoas, porque ele se baseia na conquista da liderança. Esta conquista cria uma luta poderosa entre as pessoas e leva a conflitos entre as várias camadas da sociedade. Um outro inconveniente do Nacionalismo é que ele dá margem ao surgimento do racismo. Isto acontece quando as pessoas competem entre si,  tendo por base o conceito de raça. Alguns brancos, por exemplo, podem se ver superiores aos negros, ou vice-versa, levando a uma polarização de raças, dividindo a sociedade.

O laço espiritual entre os não muçulmanos é o agrupamento de pessoas baseado na "crença religiosa", que não é uma crença abrangente que alcance a todos os aspectos da vida. Um exemplo de laço espiritual é quando os indivíduos se identificam como cristãos, ou hindus, ou judeus.  Este vínculo espiritual só  une as pessoas  em questões doutrinárias, portanto é limitado e não pode ser a base de qualquer unidade completa. O Islam não se insere nesta categoria porque ele é um Din, em lugar de ser só uma religião. O termo Din tem o significado de "Uma forma completa de vida".

O Vínculo Permanente

No Islam, amor e ódio só existem por conta de Deus (swt). Iman (fé) e Taqwa formam a sua base. Disse Deus:

"Os fiéis e as fiéis são protetores uns dos outros; recomendam o bem, proíbem o ilícito, praticam a oração, pagam o zakat, e obedecem a Deus e ao Seu Mensageiro. Deus Se compadecerá deles, porque Deus é poderoso e Prudentíssimo." (9:71)

Da leitura desse versículo, podemos perceber que o Islam não é só um crença ritualística mas também abrange todos os atos e ações refletidos pela fé.

Portanto, o caminho final no qual as pessoas podem se agrupar é com base na Aqidah ou fé. É o Islam quem fornece um conjunto de normas, regulamentos e instruções, de acordo com os quais o homem vive e aos quais ele se reporta para resolver seus problemas. Este vínculo só leva em conta a Aqidah e nada mais senão a crença. Cor, raça e gênero são irrelevantes. Este é o tipo de laço encontrado dentro do Islam.

Assim, a ligação através da Aqidah e do Iman é permanente porque provém de uma convicção pertencente ao significado da vida. O credo jamais é influenciado pela cor, raça, língua, amor à terra ou questões locais. Consequentemente, é a verdadeira base para uma unidade permanente. O Islam pede este tipo de unidade.

O Islam chegou e erradicou o nacionalismo. A estrutura nacionalista da sociedade árabe pagã, que existiu por séculos, foi enfraquecida com a sua chegada. O Islam convidou as pessoas a acreditarem em um Deus, Allah (swt) e a seguir Seus mandamentos. Porque Deus (swt) diz:

"E lhes foi ordenado que adorassem sinceramente a Deus, fossem monoteístas, observassem a oração e pagassem o zakat; esta é a verdadeira religião." (98:5)

Foi pedido lealdade ao Din de Deus (swt), ao invés de lealdade às tribos. Os laços entre os muçulmanos foram baseados na Aqidah do Islam. Todos os muçulmanos foram tratados exatamente da mesma forma, independente de suas origens familiares e quem quer que pronuncie a shahada "La ilaha illa Allah Muhammad Rasul Allah" torna-se parte da Ummah muçulmana.

A Proibição do Nacionalismo

O Nacionalismo é um conceito estranho ao Islam porque exige uma unidade baseada em laços tribais ou familiares, enquanto que o Islam liga as pessoas em torno da Aqidah e da Iman (fé), isto é, a crença em Deus (swt) e em Seu Mensageiro (saw).

Portanto, juntar os indivíduos com base em linhas tribais é claramente proibido. Abu Daud narrou que o Mensageiro de Deus (saw) disse "Não é um dos nossos aquele que pede 'asabiyyah (nacionalismo) ou que luta por 'asabiyyah." Em um outro hadith, o Mensageiro de Deus (saw), referindo-se ao nacionalismo, ao racismo e ao patriotismo, disse "Deixe prá lá, está estragado." (Muslim e Bukhari)

Existem muitos exemplos na Sirah (biografia), onde o Mensageiro de Deus (saw) censurou aqueles que defendiam o nacionalismo. Certa ocasião, um grupo de judeus conspirava para provocar a desunião nas fileiras muçulmanas, após as tribos de Aus e Khazraj entrarem para o Islam. Eles, então, mandaram um jovem para incitar os muçulmanos com a recordação da batalha de Bu'ath, onde os Aus tinham vencido os Khazraj, e começou a recitar uma poesia para trazer a discórdia entre eles. Como resultado, houve um chamado às armas. Quando a notícia chegou ao Mensageiro de Deus (saw), ele disse: "Ó muçulmanos, recordai-vos   de Deus, recordai-vos de Deus. Agiríeis como pagãos, enquanto estou aqui presente convosco, após Deus ter-vos guiado para o Islam e ter-vos dignificado e ter tornado claro o rompimento com o paganismo, ter-vos libertado da descrença e ter-vos tornado amigos?" Ao ouvirem essas palavras, eles choraram e se abraçaram. Este incidente mostra claramente como o Mensageiro de Deus (saw) censurava qualquer forma de tribalismo e nacionalismo. Deus, então, revelou os versículos

"Ó fiéis, temei a Deus, tal como deve ser temido, e não morrais senão como muçulmanos. E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recordai-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos ilumineis." (3:102-103)

O incidente acima demonstra que os laços tribais não encontram espaço no Islam. Os muçulmanos são ordenados a se juntarem e  não a se dissociarem uns dos outros só porque são de tribos ou origens diferentes. O Mensageiro de Deus (saw) também disse: "Os muçulmanos são como um corpo, se uma parte adoece, o resto do corpo também sofrerá." (Muslim), querendo dizer que os muçulmanos, sejam chineses ou africanos,  árabes ou europeus, são uma única Ummah e não podem se separar uns dos outros. Além do mais, disse Deus: "Os fiéis são irmãos uns dos outros..." (49:10) Nenhum vínculo nacionalista deve quebrar essa unidade, que é a beleza do Islam.

A palavra de Deus (swt) dirigida ao Mensageiro também é uma orientação para a sua Ummah, a menos que evidências específicas venham a restringi-la. Neste caso, não há restrição, por isso torna-se obrigatório para o muçulmano reger-se de acordo com os ensinamentos islâmicos. E reger-se de acordo com Islam não deixa espaço para constituições nacionalistas, porque o que se aplica (e o que forma o critério para o julgamento) é o Livro de Deus (swt) e a Sunnah do Mensageiro (saw). Diz Deus (swt):

"Não é dado ao fiel, nem à fiel, agir conforme seu arbítrio, quando Deus e Seu Mensageiro é que decidem o assunto." (33:36)

Assim, uma vez que o Islam proibiu o nacionalismo, torna-se uma obrigação de todo muçulmano, na presente situação, trabalhar para romper as fronteiras nacionalistas que foram criadas artificialmente em terras muçulmanas e remover todos os obstáculos que permitem a sua propagação. E aqueles que ainda defendem o nacionalismo, lembrem-se de que Deus (swt) disse: "Que temam aqueles que desobedecem às ordens do Mensageiro, que lhes sobrevenha uma provação ou lhes açoite um doloroso castigo." (24:63)

Peço a Deus (swt) que nos guie a todos e que torne nossos corações puros.


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