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Ciência |
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por Kemel Ayoubi
Milênio, calendário, tempo, ... O terceiro milênio na perspectiva dos muçulmanos não é senão a extensão dos anteriores onde continuam a vigorar as mesmas "sunnatu Allahi fi khalkih", ou seja, as leis de Deus na sua criação e que se caracterizam, na acepção islâmica, pela casualidade(s) e efeito(s) decorrente(s) desta(s) e que Deus está por trás de todas elas. Quando os muçulmanos adotaram um calendário, o da Hégira, fundamentaram o seu início não no nascimento ou na morte de alguém portador de uma salvação; e sim como marco da ocorrência da real e completa aplicação do método islâmico no mundo real; e cientes de que "os dias de Deus" tem mensuração outra que a dos dias dos humanos. Disse Deus no Alcorão:
"Até Ele (Deus) ascenderão os anjos e o Espírito em um dia cuja duração será de cinqüenta mil anos" (Alcorão 70:4) (relativismo temporal). Portanto as "sunan (plural
de Sunnah) Allahi fi khalquih" obedecem ao referencial divino e não ao humano. Não
havendo efeitos sem causas e tampouco instântanealidade desta ocorrência. Disse Deus no
Alcorão:
"... Que possui o reino dos céus e da terra. Não tomou para Si filho algum, nem tampouco teve parceiro algum no reino e criou todas as coisas "fa-caddaraá hu takdiró" ( de maneira proporcional e paulatina)" [O Discernimento: 2]. Assim sendo diariamente há criação pelo processo de kaddára e há também takhlik (síntese) também pelo mesmo processo do kaddára. Outro conceito islâmico é que o muçulmano é uma extensão de outro ao mesmo tempo e na seqüência do tempo, e que a nação islâmica (grupo de pessoas cujas vidas , concepções, sistema, valores e referenciais decorrem todos eles do método islâmico) é a continuidade de toda e qualquer nação monoteísta, enquanto as demais nações costumam se autodefinir como herdeiras culturais umas das outras. Assim sendo ser árabe na conceituação islâmica é apenas expressar-se no idioma o árabe. O Islam não é favorável a idéia de uma evolução cronológica do homem e o simples fato de estarmos no século vinte e em adentrando o terceiro milênio não é justificativa para um comportamento civilizado. A evolução do homem é viável quando este se atem aos pré-requisitos para a existência da civilização. Esta se faz presente quando uma comunidade se forma sobre alicerces decorrentes de suas livre-opções baseadas na busca do conhecimento e a sua execução conforme as necessidades renovadas, há evolução das idéias e das concepções, e não propriamente o acúmulo cultural ou de quando as pessoas se unem em torno de atributos que sobressaiam as suas vontades tais como a raça, a cor, o sexo , o povo e a terra. Pois o ser humano permanece humano a despeito de tudo isto e deixa de sê-lo depois de perder a capacidade ideacional e o seu espírito. A ultrapassagem da barreira do milênio não é em si garantia de nada, que dirá de evolução. Algumas características gerais do Islam:
A transposição de sistema: baseada na casualidade, e na lei da história. Disse Deus no Alcorão:
A transposição para um sistema de pesquisa através dos sentidos e suas extensões (método experimental). Disse Deus no Alcorão:
Ciência, ílm
Alguém pode dizer que a ciência e a sua filosofia atual são uma herança humana para a qual contribuíram civilizações variadas. Porém a ciência atual é alicerçada sobre uma metodologia puramente materialista e de premissas greco-romanas super valorizando as conquistas do assim chamado Ocidente; e que pratica a divisão de trabalho, há é claro, funções especializadas por motivos de conveniência. Por comodidade, e só por comodidade, distingue-se a função científica e da alma. A regra em ciência, do ponto de vista ocidental, é não tentar de maneira alguma explicar fenômenos tão complexos.5 Em ciência, na acepção ocidental, restringe-se de maneira deliberada a atenção a questões cujas respostas possam receber o beneplácito universal. O âmbito da discussão científica, por assim dizer, é determinado por sistemas modelos. Em árabe a palavra ílm abrange todos os ramos de estudo. Por conseguinte, manter uma intransponível linha divisória é incorrer em grave mal entendido, decorrente unicamente da peculiaridade de que não há divergência entre a revelação correta e o racionalmente evidente". Esta visão ideário muçulmana entre as duas ordens de realidade, somada a tomada de consciência de que o ser humano é um agente. Transpôs a fé (imén) de uma categoria simplesmente ética para uma categoria cognitiva ampliada, que leva ao conhecimento e a ação e que se desenvolve e se fundamenta com o conhecimento e a interpretação racional dos mundos. Disse Deus no Alcorão:
Disto decorre um fortalecimento do estado de consciência e um maior controle sobre esta. Por outro lado As fontes do conhecimento da ciência atual são limitadas:
"... e não te deixas afirmar aquilo do qual não tens nenhuma ciência. A audição, a visão e o coração, sóis responsável por tudo isto." [17:36]. A realidade externa é a referência e as manifestações internas do ser são atividades que giram em torno desta realidade. Inclusive quando se busca alterá-la, é necessário conhecê-la previamente para poder fazê-lo. Daí o islam recomendar a islamização da nafs (ser) antes de uma islamização do método uma vez que o islam manda o afastamento do á hawé (bel-prazer). E não é a toa que muitos cientistas estão num lugar e as suas certezas em outro. (Na cultura ocidental, por exemplo, é comum uma mesma pessoa ter, ao mesmo tempo, uma ideologia religiosa constituída de um amontoado de crenças mais ou menos infundadas sobre a natureza e o homem, apimentadas com uma certa dose de cientifismo, astrologia, naturalismo, empirismo e esoterismo, além de uma ideologia sócio política.). Disse Deus no Alcorão:
A fé é a situação
permanente de vigília em que se encontram, no adepto, os sentimentos, as concepções, a
valorização das coisas, dos acontecimentos, dos valores e das pessoas ao seu redor. É o
patamar supra-nivelado em que deve permanecer a psique do crente frente a quaisquer
situações ou desvios da normalidade vigente. É o supra-nivelamento, a despeito da
fraqueza das forças e do pauperismo dos recursos, sendo a coesão e a perseverança uma
de suas manifestações. É um supra-nivelamento apoiado no justo-verídico; daí preceder
o conhecimento à fé (como já foi dito acima). A fé representa a expressão de uma
aproximação abrangente entre o conhecimento ilimitado de Deus e a capacidade do cérebro
humano. Este capaz de aperceber-se desta ciência divina e a sua assimilação,
representação e transformação em um ato verificável e um comportamento. A fé,
islamicamente falando, confere aos seus portadores capacitações extras para transpor as
fronteiras espaço-temporais através do ingresso neste como muçulmano e depois como
crente e por fim como muhsin estágios que exigem uma mobilização direcionada de energia
e empenho permanente. O Islam gera um agrupamento de competidores onde a fé significa
dispor do substrato necessário em prol do exercício da ½ kiléfat (vice-gerência). A fé confere: 1) Clareza de
objetivos. 2) Evidenciação do caminho. 3) Attauaccul e a iniciativa 4) A perseverança e
a solidez. 5) A independência de opinião. 6) Tuma-aninat (a felicidade não está em
seguir o hawé, nem tampouco em fugir aos problemas da vida). Não é nada mais que o
conjunto dos conhecimentos e meios de toda ordem postas para a prevenção, cura, ou
abrandamento das doenças. Sendo estas de dois tipos: 1) Doença do Ø kalb (coração
(não o órgão coração)) tratado com derivativos dos conceitos de fé expostos acima. E
2) Doença do badan (corpo) que é tratada a maneira a) da fitrát (intuitiva) observada
inclusive entre os animais e b) a que precisa de método cientifico (conforme as
acepções ditas acima). É todo desvio do estado de
saúde. Hélun tabi-y-íat: estado natural. Hélun ½ kórijat: estado fora do normal. Hélun mutauássitat:
estado de desvio sem manifestações detectáveis. A palavra cura ocorre somente duas vezes no Alcorão.
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