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O CASAMENTO ISLÂMICO
Por Anas Ayoubi
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Louvado seja Deus, Senhor do Universo e a Quem somente pedimos ajuda. Aquele a quem Deus
orienta ninguém desencaminhará e a quem Deus desencaminha não há quem possa guiá-lo.
E eu dou meu testemunho de que não há outra divindade além de Deus, o único e que
Mohammad é seu servo e Mensageiro.
Com a citação acima, ou outra semelhante, o muçulmano inicia qualquer ação
importante, como, por exemplo, ler ou mostrar aos colegas, este pequeno trabalho ou algo
importante como um casamento.
Gostaria de dizer que o que vou descrever é a forma como o casamento islâmico acontece.
Para tal, eu me baseei em textos selecionados do Alcorão e das Sunas (tradição do
profeta Mohammad) (que a paz e a bênção de Deus estejam com ele). Tive o cuidado de
transcrevê-los na língua original da revelação, com a devida tradução.
Casamento: em árabe, Nikah, que literalmente significa conexão
e duplicação.
Islamicamente: contrato de casamento que legitimado traz uma concordância do Alcorão e
da Suna.
Nikak é uma tradição (legalizada) praticada pelos mensageiros de Deus. Disse
Deus, o Altíssimo, no Alcorão:
"Enviamos mensageiros antes de vós e lhes demos esposas e filhos." (Alcorão
13:38)
e o Profeta e Mensageiro de Deus, Mohammad (que a paz e a bênção de Deus estejam com
ele), disse:
"
e eu caso com as mulheres e aquele que não aceita minhas práticas, ele/ela
não pertence a mim."
Sobre o casamento islâmico:
O Profeta e Mensageiro de Deus, Mohammad (que a paz e a bênção de Deus estejam com ele)
disse:
"Os jovens que podem enfrentar a dificuldade das despesas com o casamento devem
casar-se, porque dessa forma estará protejendo o olhar e a genitália."
Ilícito é deixar de se casar por achar que assim se adora melhor a Deus. Isto é um
desvio do que estabelece as Sunas. O casamento é uma obrigação para aquele que teme
cair em adultério (a relação sexual fora do casamento é considerada adultério, seja
praticada por casados ou solteiros de ambos sexos). Além disso, é preferível o
casamento ao invés da prática voluntária da adoração, tendo em vista seus
benefícios. Da tradição profética citada acima, pode-se concluir os seguintes
benefícios:
- Desvio do olhar;
- Proteção da genitália;
- Agir de acordo com o exemplo dado e praticado pelo Profeta e Mensageiro de Deus,
Mohammad (que a paz e a bênção de Deus estejam com ele).
- Crescimento da comunidade;
- Permitir que homens e mulheres exercitem e usufruam o prazer de seus instintos de uma
forma lícita.
- Permitir que homens e mulheres se avaliem uns aos outros pelos meios da convivência. O
homem que não vive com uma mulher não sabe quem é realmente a
mulher, e vice- versa.
- Aproximar as pessoas através de ligações firmes.
As festas muçulmanas são
formas de adoração a Deus e, portanto, a festa de casamento também o é. Deve ser dito
que não existe uma cerimônica de noivado e/ou de casamento islâmico. Há uma festa de "urs"
(núpcias) e uma outra chamada "walimah", que acontece de 3 a 7 dias
após a consumação do casamento.
No Brasil diz-se que "quem casa quer casa", o que quer dizer que quem se casa
precisa de um lar. Os recém-casados preferem consumar o casamento em sua própria casa,
aquela escolhida para a futura moradia. Consequentemente, não existe a viagem de
lua-de-mel, porque se espera que a vida em comum seja uma eterna lua-de-mel. Do terceiro
dia ao sétimo, contados do isolamento do casal, ambos recebem os convidados para o
"walimah". A seguir, descrevo alguns detalhes de ambas as ocasiões, sob a forma
de cenas de um casamento islâmico.
Cena número 1:
É mais do que desejável que as mulheres sejam apresentadas na festa do "urs",
que deverá ter instrumentos musicais e canções, o que torna oficial a aceitação pelas
partes, do anúncio do casamento. Há um relato de uma tradição do Profeta e Mensageiro
de Deus, Mohammad (que a paz e a bênção de Deus estejam com ele), sobre isto e, o mais
interessante, é que uma mulher pode realizar a cerimônia de casamento.
Aisha (nome feminino muçulmano) disse que ela realizou o casamento de uma mulher com um
homem dos ansar (o nome de uma comunidade muçulmana), e, então, o Profeta de Deus (que a
paz e a bênção estejam com ele) disse: "ó Aisha, não há divertimento com você?
Porque os ansar gostam de diversão."
Também faz parte da tradição que a festa da declaração de casamento "urs",
seja feita rapidamente.
Cena número 2:
A "noiva" participa
da recepção com os convidados, inclusive os masculinos. é da tradição a citação de
que
quando Abu Usaid Assa-idy se casou, ele convidou o profeta e seus companheiros (nome dado
aos muçulmanos que abraçaram o Islam e que conviveram pessoalmente com o Profeta
Mohammad), não tendo sido oferecido qualquer comida, exceto a que foi ofertada por Um
u-said (a noiva). Portanto, coube à noiva, que servia os convidados pessoalmente, ainda
que fosse a noiva naquele dia.
Curiosidade: não existe uma roupa específica para ser usada no casamento. A
"inovação" da roupa branca adotada por não muçulmanas veio de Maria Stuart,
da Escócia. Outra curiosidade é o ditado árabe (não necessariamente muçulmano) que
diz: as pessoas agem como seus reis na religião, razão pela qual esta roupa foi adotada
pelas mulheres em todo o mundo.
Cena número 3:
O Islam é, por excelência, contrário a complicações e o casamento é anunciado na
presença de testemunhas. Há o registo no cartório de um documento escrito, para
preservar direitos do casal e de seus descendentes. O detalhe é que a mulher que está se
casando pela primeira vez, levando-se em conta sua timidez em frente aos presentes, não
precisa declarar sua aceitação em
voz alta. A sua não aceitação é que deve ser expressa em voz alta para que todos a
ouçam. A mulher que se casa pela segunda vez ou mais, o escrevente somente registrará
sua aceitação após a sua manifestação em voz alta para que seja ouvida pelas
testemunhas. Este ato pode ser preferencialmente feito na mesquita ou em qualquer outro
local da escolha do casal comprometido.
Os recém-casados podem usar alianças de casamento feitas de qualquer material que tenha
sido escolhido por eles. O detalhe é que é proibido para os homens o uso de ouro (aqui
há uma concessão para as mulheres que apreciam os enfeites). O Islam considera o ouro
como um metal que participa da economia e por causa disso não deve ficar entesourado. O
seu uso em qualquer coisa deve estar de acordo com a atitude com relação ao uso das
alianças, cuja explicação sobre suas origens foi transcrita sob a forma de resposta a
uma pergunta feita por Angela Talbot, repórter da revista Women, publicada em Londres,
em 29/03/60, pág. 8:
Pergunta: Por que a aliança de casamento é colocada no terceiro dedo da mão esquerda?
Resposta: Diz-se que há uma veia que corre diretamente deste dedo para o coração.
Existe, também, um antigo costume, pelo qual o noivo colocava a aliança na ponta do
polegar esquerdo da noiva, dizendo: "em nome do pai no primeiro dedo, em nome do
filho, no segundo dedo e em nome do espírito santo, amém." A aliança era
finalmente colocada no terceiro dedo, onde permanecia.
Cena número 4:
Na noite de núpcias, faz parte das boas maneiras que o noivo coloque sua mão sobre a
cabeça da noiva e peça a bênção de Deus, de acordo com uma tradição do profeta:
O noivo deve sempre colocar sua mão na frente da cabeça da noiva e mencionar o nome de
Deus, o Todo
Poderoso, e pedir Sua boa vontade.
Cena número 5:
Faz parte da tradição que os noivos rezem assim que fiquem sozinhos.
Se o noivo ou a noiva estiverem sozinhos, eles devem juntos fazer duas prostrações e
pedir a Deus a compreensão do outro e solicitar proteção contra o mal no outro, após o
que podem ter relações sexuais.
No Islam, não há espaço para atitudes românticas, tais como levar a noiva no colo para
dentro de casa. De acordo com o escritor francês, Fustel de Coulanges, em seu livro
"La Cité Antique", onde ele descreve antigos costumes romanos, esta atitude
acontecia quando a noiva, que tinha seu próprio deus, que não era o deus de seu noivo,
comprometia-se a adorar o deus do marido. Assim, ele tinha que carregar a
esposa em seus braços com todo o cuidado para que os pés dela não tocassem o chão da
casa, santificada pelos deuses que ela ainda não adorava. Somente após a aceitação dos
deuses domésticos do marido é que ela estava apta a tocar o chão. Como se vê, faz
parte de um costume politeista de Roma e também da antiga Grécia. é bem provável que
venha daí o gesto de o noivo de levar sua noiva para a cama. O Islam, religião
monoteista por execelência, não inova introduzindo outras práticas que são parte de
uma cultura politeista por exelência.
Cena número 6:
A obrigatoriedade do "walimah" (comida na festa do casamento) consiste
de uma tradição islâmica. Consta de uma tradição profética que ele disse: a
diferença entre o casamente e o ato sexual ilícito é o seu anúncio público.
Cena número 7:
As despesas do "walimah" não devem ficar restritas aos parentes. É
bom que os amigos do casal colaborem com o "walimah".
Cena número 8:
É da boa educação aceitar o convite para o "walimah". O Profeta e
Mensageiro de Deus, Mohammad (que a paz e a bênção de Deus estejam com ele) disse:
"Se alguém é convidado para comer, deve aceitar este convite. Se quiser, pode comer
ou não."
Cena número 9:
Ao invés dos tradicionais cumprimentos do tipo "harmonia e muitos filhos",
dizer, por exemplo: Que Deus os abençoe e que Sua bênção esteja com vocês e que os
mantenha unidos na boa vontade."
FONTES:
Alcorão
Sahih Al Bukhari
Sahih Muslim
Sunan Abu Dawoud
As Boas Maneiras na Suna, escrito por Muhammad Nasruddin Al Albani, 5ª Ed.
Nota: O presente trabalho foi escrito por Anas Ayoubi, 15, estudante da 8ª série do
Lycée Molière, para o curso de inglês.
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