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História |
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OS CALIFAS PROBOS
OSMAN (644-656 d.C)
Osman, o terceiro Califa (644-656 d.C) "Todo Profeta tem um assistente e o meu será Osman." (hadith) A Eleição de Osman Quando Omar foi ferido pelo punhal do assassino, antes de morrer as pessoas pediram-lhe que apontasse seu sucessor. Omar indicou um comitê, integrado por 6 dos dez companheiros do Profeta (saw) e de quem o Profeta tinha dito "Eles são as pessoas do Paraíso" - 'Ali, Osman, Abdul Rahman, Sa'ad, Al-Zubair e Talha - para escolher o novo califa dentre eles. Ele também esboçou o procedimento a ser seguido, no caso de surgir alguma divergência de opinião. Abdul Rahman retirou seu nome. Ele, então, foi autorizado pelo comitê a indicar o califa. Após dois dias de discussão entre os candidatos, e após consultar a opinião dos muçulmanos de Medina, a escolha recaiu sobre dois nomes, Osman e 'Ali. Abdul Rahman chegou à mesquita, juntamente com outros muçulmanos, e após um breve discurso e de ser questionado por dois homens, ele jurou fidelidade a Osman. Todos os presentes fizeram o mesmo e Osman tornou-se o terceiro Califa do Islam, no mês de muharram, do ano 24 da Hégira. A vida de Osman Osman bin Affan nasceu sete anos depois do Profeta (saw). Ele pertencia ao ramo omíada da tribo coraixita. Ele aprendeu a ler e a escrever ainda muito cedo e, quando rapaz, tornou-se um comerciante de sucesso. Mesmo antes de aceitar o Islam, Osman era conhecido por sua honradez e integridade de caráter. Ele e Abu Bakr eram amigos íntimos e foi Abu Bakr quem o trouxe para o Islam, quando ele estava com a idade de 34 anos. Alguns anos mais tarde, ele se casou com a segunda filha do Profeta, Ruqayya. Apesar de fortuna e da boa posição social que desfrutava, seus parentes o submeteram a torturas por causa de sua conversão ao Islam e ele foi forçado a emigrar para a Abissínia. Algum tempo mais tarde ele voltou a Mecca mas logo em seguida migrou para Medina com os outros muçulmanos. Em Medina seus negócios começaram a prosperar e ele reconquistou sua antiga fortuna. A generosidade de Osman não tinha limites. Em várias ocasiões ele gastou de seus bens com o bem-estar dos muçulmanos, com a caridade e com a melhoria dos exércitos muçulmanos. Por isso, ele é conhecido como "Ghani", isto é, Generoso. A esposa de Osman, Ruqayya, ficou seriamente doente, um pouco antes da Batalha de Badr e, por isso, ele foi dispensado pelo Profeta (saw) de participar da luta. Ruqayya morreu em decorrência da doença, deixando Osman profundamente pesaroso. O Profeta ficou tocado e ofereceu a Osman a mão de sua outra filha, Kulthum. Por ter tido o privilégio de ter-se casado com duas filhas do Profeta, ele passou a ser conhecido como "O Possuidor de Duas Luzes". Osman participou das batalhas de Uhud e da Trincheira. Após os confrontes de Trincheira, o Profeta (saw) determinou que fosse feito o Hajj e enviou Osman aos coraixitas de Mecca, como seu emissário. Chegando lá, Osman foi detido e o episódio terminou com um tratado com as autoridades de Mecca, o Tratado de Hadaibiya. O retrato que temos de Osman é o de um homem simples, honesto, manso, generoso e muito amável, conhecido principalmente por sua modéstia e espírito de justiça. Muitas vezes passava parte da noite em orações, jejuava a cada segundo ou terceiro dia da semana, fazia o hajj a cada ano e cuidava dos necessitados de toda a comunidade. Apesar de sua fortuna, ele tinha um modo de vida muito simples e dormia sobre a areia do pátio da mesquita do Profeta. Osman memorizou todo o Alcorão e tinha um profundo conhecimento do contexto e circunstâncias relacionados a cada versículo alcorânico. O Califado de Osman Durante o califado de Osman, as características dos califados de Abu Bakr e Omar - justiça imparcial para todos, políticas humanas e moderadas, empenho no caminho de Deus e expansão do Islam - continuaram. Os domínios de Osman estenderam-se do Marrocos, a oeste, até o Afeganistão, a leste, e a Armênia e Azerbaijão, no norte. Durante seu califado, a marinha foi organizada, foram revistas as divisões administrativas do estado e muitos projetos públicos foram completados. Osman enviou eminentes Companheiros do Profeta (saw) como seus representantes pessoais às diversas províncias para fiscalizar a conduta dos funcionários e a condição de vida do povo. A mais notável contribuição de Osman para a religião de Deus foi a compilação de um texto completo e autorizado do Alcorão. Várias cópias deste texto foram feitas e distribuídas por todo o mundo muçulmano. Osman governou por 12 anos. Os primeiros seis anos foram marcados pela paz e tranquilidade internas, mas durante a segunda metade de seu califado começou uma rebelião. Judeus e magians, aproveitando-se da insatisfação disseminada entre o povo, começou a conspirar contra Osman e publicamente alardeavam suas queixas e ressentimentos, ganhando tanta simpatia que já não era mais possível distinguir o amigo do inimigo. Parece surpreendente que um governante de tão vasto território, cujos exércitos eram invencíveis, fosse incapaz de lidar com os rebeldes. Se Osman tivesse desejado, a rebelião poderia ter sido esmagada logo que começou. Mas ele não queria que houvesse derramamento de sangue entre os muçulmanos. Ele preferiu argumentar com eles e persuadi-los com gentileza e generosidade. Ele sempre se lembrava de ouvir o Profeta (saw) dizer: "Assim que a espada for desembainhada entre os meus seguidores, nunca mais será guardada até o Último Dia." Os rebeldes exigiram que ele renunciasse e alguns dos Companheiros o aconselharam que o fizesse. Com satisfação ele teria seguido o conselho, mas, mais uma vez, ele estava preso a uma promessa solene que tinha feito ao Profeta. "Talvez Deus o vista com uma camisa, Osman", disse-lhe certa vez o Profeta, "e se as pessoas quiserem que a tire, não faça isso por elas." No dia em que sua casa foi cercada pelos rebeldes, Osman disse a um amigo "O Mensageiro de Deus fez um pacto comigo e mostrarei firmeza no seu cumprimento." Após um longo cerco, os rebeldes entraram na casa de Osman e o assassinaram. Quando a espada do primeiro assassino atravessou Osman, ele estava recitando o versículo "Deus ser-vos-á suficiente contra eles, e Ele é o Oniouvinte, o Sapientíssimo." (2:137) Osman deu seu último suspiro na noite de sexta-feira, dia 17 de dhul hijja, do ano 35 da Hégira (junho de 656 d.C). Ele estava com 84 anos anos de idade. O poder dos rebeldes foi tão grande que o corpo de Osman permaneceu insepulto até sábado à nite, quando então foi enterrado com suas roupas manchadas de sangue, a mortalha que convém a todos os mártires da causa de Deus.
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