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História


OS CALIFAS PROBOS

 

'ALI (656-661 d.C)

 

'Ali, o quarto Califa (656-661 d.C)

"Tu ('Ali) és meu irmão neste mundo e no outro." (Hadith)

A Eleição de 'Ali

Depois do martírio de Osman, o cargo de califa ficou vago por dois ou três dias. Muitas pessoas insistiam em que 'Ali deveria assumir o lugar mas ele se sentia constrangido pelo fato de as pessoas que o estavam pressionando serem os rebeldes e, por isso, ele declinou de início. Quando os Companheiros do Profeta (saw) pediram-lhe que aceitasse, ele finalmente concordou.

A vida de 'Ali

'Ali bin Abi Talib era primo do Profeta (saw). Mais do que isso, ele tinha sido criado na casa do Profeta, mais tarde casou-se com a filha mais nova do Profeta, Fátima, e permaneceu intimamente ligado a ele por aproximadamente 30 anos.

'Ali tinha 10 anos quando a Divina Mensagem chegou a Mohammad (saw). Uma noite ele viu o Profeta e sua esposa, Khadija, curvando-se e em prostração. Ele perguntou ao Profeta sobre o siginificado daquilo. O Profeta lhe disse que eles estavam orando a Deus, o Supremo, e que 'Ali também deveria aceitar o Islam. 'Ali disse que iria primeiro perguntar a seu pai sobre a questão. Ele passou a noite sem dormir e de manhã foi ao Profeta e disse, "Quando Deus me criou Ele não consultou meu pai, portanto, por que deve consultar meu pai para servir a Deus?" e aceitou a verdade da mensagem de Mohammad.

Quando o mandamento Divino chegou, "e avise teus parentes mais próximos" (26:124), Mohammad (saw) convidou seus parentes para uma refeição. Quando terminou, dirigiu-se a eles e perguntou: "Quem se juntará a mim pela causa de Deus?" Durante alguns momentos houve um silêncio completo e, então, 'Ali se levantou e disse: "Sou o mais jovem de todos os presentes aqui. Meus olhos me incomodam porque estão inflamados e minhas pernas são finas e fracas, mas me juntarei a ti e ajudarei naquilo que puder." Os presentes cairam na gargalhada. Mas, durante os tempos difíceis em Mecca, 'Ali cumpriu sua palavra e enfrentou todas as dificuldades que foram impostas aos muçulmanos. Ele dormia na cama do Profeta quando os coraixitas planejaram matar Mohammad. Quando partiu de Mecca, foi a ele que o Profeta confiou os valores que lhle tinha sido confiados, para que 'Ali os devolvesse a seus legítimos proprietários.

Além da expedição a Tabuk, 'Ali participou das primeiras batalhas do Islam com grande distinção, principalmente na campanha de Khaybar. Diz-se que na Batalha de Uhud ele recebeu mais de 16 ferimentos.

O Profeta (saw) tinha um grande amor por 'Ali e o chamava por nomes carinhosos. Certa vez, o Profeta o encontrou dormindo na areia. Ele afastou as roupas de 'Ali e disse carinhosamente "Levante-se, Abu Turab (Pai da Poeira)". O Profeta também lhe deu o nome de Asadullah (Leão de Deus).

A humildade, austeridade, piedade, o profundo conhecimento do Alcorão e a sua sagacidade, deram-lhe uma grande distinção entre os Companheiros do Profeta. Abu Bakr, Omar e Osman o consultavam frequentemente e muitas vezes Omar o fez vice-regente em Medina, em suas ausências. 'Ali também era um grande estudioso da literatura árabe e foi um pioneiro no campo da gramática e da retórica. Muitos de seus ditos sensatos foram preservados. 'Ali tinha uma personalidade rica e versátil. Apesar desses talentos, ele permaneceu um homem modesto e humilde. Certa vez, durante seu califado, quando ele estava indo para o mercado, um homem se levantou em respeito e o seguiu. "Não faça isto", disse 'Ali. "Essas atitudes são uma tentação para o governante e uma desgraça para o governado."

A vida em sua casa era extremamente simples e austera. Algumas vezes chegaram a passar fome por causa da grande generosidade de 'Ali e ninguém que pedisse ajuda voltava de mãos vazias. Seu estilo de vida austero e simples não se modificou, mesmo quando se tornou o governante de um grande império.

O Califado de 'Ali

Conforme mencionado anteriormente, 'Ali aceitou o califado muito relutantemente. O assassinato de Osman e as circunstâncias que o cercaram, eram um sintoma e também a causa de uma luta civil em grande escala. 'Ali sentiu que a trágica situação era devida, principalmente, a governadores incapazes. Assim, ele demitiu todos os governadores que tinha sido indicados por Osman e nomeou novos. Todos os governadores, com exceção de Muawiya, da Síria, acataram suas ordens. Muawiya se recusou a obedecer até que o sangue de Osman tivesse sido vindado. A viúva do Profeta, Aisha, também defendeu a posição de que 'Ali deveria primeiro julgar os assassinos. Devido às condições caóticas dos últimos dias de Osman, era muito difícil descobrir a identidade dos assassinos e 'Ali se recusou a punir alguém sem provas. Então aconteceu a batalha entre o exército de 'Ali e os partidários de Aisha. Mais tarde, Aisha percebeu seu erro de avaliação e nunca se perdoou por isso.

A situação no Hijaz (a parte da Arábia onde estão localizadas Mecca e Medina) tornou-se problemática e 'Ali mudou a capital do Califado para o Iraque. Muwaiya, agora abertamente contra 'Ali, partiu para a luta contra o exército de 'Ali. A batalha não teve uma conclusão e 'Ali teve que aceitar o governo de facto de Muawiya na Síria.

No entanto, muito embora o califado de 'Ali se visse às voltas com uma guerra civil, ele conseguiu introduzir uma série de reformas, principalmente na arrecadação de receitas.

Corria o ano 40, da Hégira. Um grupo de fanáticos, os carijitas, pessoas que tinham se afastado de 'Ali por causa de sua transigência com Muawiya, alegavam que nem 'Ali, o Califa, nem Muawiya, o governador da Síria, nem Amr bin al-Aas, o governador do Egito, mereciam governar o Califado. Na verdade, eles chegaram a afirmar que o verdadeiro califado tinha chegado ao fim com Omar e que os muçulmanos deveriam viver sem um governante, exceto Deus. Eles prometeram matar os três governantes e enviaram assassinos para os três lugares.

Os homens que tinham sido indicados para matar Muawiya e Amr não conseguiram realizar o intento e foram capturados e executados. Mas, Ibn-e-Muljim, o assassino que tinha a incumbência de matar 'Ali, conseguiu realizar sua tarefa. Certa manhã, 'Ali estava absorto em oração na mesquita, Ibn-e-Muljim o apunhalou com uma espada envenenada. No dia 20 do ramadan, do ano 40 da Hégira, morreu o último dos Califas Probos do Islam. Que Deus lhes conceda Sua recompensa eterna.

Conclusão

Com a morte de 'Ali, chegou ao fim a primeira e mais notável fase da história dos povos muçulmanos. Durante todo este período, foram o Livro de Deus e as práticas de Seu Mensgeiro - isto é, o Alcorão e a Sunnah - que orientaram líderes e liderados, que estabeleceu os padrões de conduta moral e inspirou as ações de todos. Foi o tempo em que governante e governado, rico e pobre, poderoso e fraco, se submeteram uniformemente à Lei Divina. Foi uma época de liberdade e igualdade, da consciência de Deus e da humildade, da justiça social que reconhecia privilégios e de uma lei imparcial que não aceitava pressão de grupos ou de interesses pessoais.

Após 'Ali, Muawiya assumiu o califado e, a partir de então, o trono do califado passou a ser hereditário, passando de um rei a outro.

Com a permissão da Associação dos Estudantes Muçulmanos dos Estados Unidos e Canadá.

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