Rua Gomes Freire, 176 - sala 205 - Centro

Rio de Janeiro - CEP 20231-000

Telefone:  (021) 2224-1079

História


ABU HURAYRAH


"An Abi Hurayrata, radiyallahu anhu, qal' qala rasul Allahi, sallallahu alayhi wa sallam..."

Com essa frase, milhões de muçulmanos, desde o início da história do Islam até os dias atuais, se familiarizaram com o nome de Abu Hurayrah. Nos discursos e palestras, nas khutbas das sextas-feiras e seminários, nos livros biográficos e de hadith, o nome de  Abu Hurayrah é mencionado desta forma:

"Pela autoridade de  Abu Hurayrah, que Deus esteja satisfeito com ele, que disse: O  Mensageiro de Deus, que Deus o abençoe e lhe conceda a paz, disse ..."

Graças a seus esforços notáveis, centenas de ahadith ou ditos do Profeta foram transmitidos para as gerações posteriores. Ele é o nome mais ilustre no rol dos transmissores de hadith. Ao lado dele estão nomes como   Abdullah, o filho de  Omar, Anas, o filho de Malik, Umm al-Muminin Aishah, Jabir ibn Abdullah e Abu Said al-Khudri, que transmitiram mais de mil ditos do Profeta.

Abu Hurayrah tornou-se muçulmano pelas mãos de At-Tufayl ibn Amr, o chefe da tribo dos Daws, a qual ele pertencia. Os daws viviam na região de Tihamah, que se estende ao longo do mar Vermelho, no sul da Arábia. Quando At-Tufayl retornou a sua cidade, depois de se encontrar com o Profeta e se tornar muçulmano no início de sua missão, Abu Hurayrah foi um dos primeiros a responder ao chamado. Ele era diferente da maioria dos daws, que permanecia teimosamente presa às suas velhas crenças.

Quando At-Tufayl visitou Meca de novo, Abu Hurayrah o acompanhou. Lá, ele teve a honra e o privilégio de se encontrar com o Profeta, que lhe perguntou: "Qual é o seu nome?"

"Abdu Shams - servo do sol", ele respondeu.

Ao invés desse, que seja Abdur Rahman - servo do Senhor Beneficente", disse o Profeta.

"Sim, será Abdur-Rahman, ó Mensageiro de Deus", ele respondeu. No entanto, ele continuou a ser conhecido como Abu Hurayrah, literalmente "o pai de um gato", porque, assim como o Profeta, ele gostava de gatos.

Abu Hurayrah permaneceu em Tihamah por muitos anos e, somente no começo do sétimo ano da Hégira, ele chegou a Medina com outros de sua tribo. O Profeta estava em campanha em Khaybar. Sendo um necessitado    e destituído, Abu Hurayrah tomou sem lugar na mesquita.   Ele era solteiro, mas com ele estava sua mãe, que ainda não tinha se convertido. Ele desejava ardentemente, e rezava para que ela se tornasse uma muçulmana. Mas, ela se recusava terminantemente.  Um dia, ele a convidou a acreditar somente em Deus e a seguir Seu Profeta, mas ela proferiu algumas palavras sobre o Profeta que entristeceram Abu Hurayrah. Com  lágrimas nos olhos, ele foi ter com o Profeta, que lhe perguntou:

"O que o faz chorar, ó Abu Hurayrah?"

"Eu nunca deixei de chamar minha mãe para o Islam, mas ela sempre me repele. Hoje, eu a convidei de novo e ouvi dela palavras de que não gostei. Peça a Deus para fazer o coração da mãe de Abu Hurayrah se inclinar pelo Islam."

O Profeta atendeu o pedido de Abu Hurayrah e orou por sua mãe.

Disse  Abu Hurayrah: "Fui para casa e encontrei a porta fechada. Ouvi o barulho de água e quando tentei entrar minha mãe disse: 'Fique onde está, ó Abu Hurayrah.'  E depois de vestir suas roupas, ela disse 'Entre!' Eu entrei e ela disse "Testemunho que não há outro Deus senão Allah e que Mohammad é Seu servo e mensageiro."

Voltei ao Profeta chorando de alegria, quando uma hora antes eu tinha estado chorando de tristeza, e disse: "Tenho boas notícias, ó Mensageiro de Allah. Deus respondeu às suas preces e guiou a mãe de Abu Hurayrah para o Islam."

Abu Hurayrah amava muito o Profeta. Ele nunca se cansava de olhar para o Profeta, cujo rosto lhe parecia ter todo o brilho do sol, e também nunca se cansava de ouvi-lo. Muitas vezes ele louvava a Deus por sua boa sorte e dizia: "Louvado seja Deus, Que guiou Abu Hurayrah ao Islam. Louvado seja Deus, Que ensinou  a Abu Hurayrah o Alcorão. Louvado seja Deus que concedeu a Abu Hurayrah a companhia de Mohammad, que a paz de Deus esteja com ele.' "

Ao chegar a Medina, Abu Hurayrah se dedicou a buscar o conhecimento. Zayd ibn Thabit, o notável companheiro do Profeta, relatou: "Quando estávamos eu, Abu Hurayrah e um outro  amigo meu na mesquita rezando a Deus Todo Poderoso,  o Mensageiro de Deus apareceu. Ele veio em nossa direção e sentou-se entre nós. Nós ficamos em silêncio e ele disse: "Terminem o que estavam fazendo."   Então, meu amigo  e eu  fizemos uma súplica a Deus antes de Abu Hurayrah e o Profeta disse amém. Aí,  Abu Hurayrah fez uma súplica, dizendo: "Ó Senhor, eu Lhe peço o que meus dois companheiros pediram e ainda peço pelo conhecimento que jamais será esquecido."

"O  Profeta, que a paz esteja   com ele, disse: 'Amém' Nós, então, dissemos: 'E  pedimos a Allah pelo conhecimento que jamais será esquecido e o Profeta respondeu:  'O jovem Dawsi pediu antes de vocês.' Com sua   formidável memória, Abu   Hurayrah conseguiu memorizar, nos quatro anos que passou com o Profeta,  as jóias de sabedoria que emanavam de seus lábios. Era um dom que ele possuía e que usou inteiramente a serviço  do Islam."

Ele  tinha todo o seu tempo livre. Diferentemente dos muhajirin, ele não ficava nos mercados, comprando ou vendendo mercadorias. Diferentemente dos ansars, ele não tinha terras para  cultivar nem colheitas para guardar. Ele ficava com o Profeta em Medina e sempre o    acompanhava nas viagens e expedições.

Muitos companheiros ficavam fascinados com a quantidade de ahadith que ele memorizou e, muitas vezes, indagavam dele sobre um certo hadith e suas circunstâncias.

Certa vez, Marwan ibn al-Hakam quis testar a capacidade de memória de Abu Hurayrah. Foram para um cômodo e atrás de uma cortina Marwan colocou um escriba desconhecido de Abu Hurayrah e ordenou que ele escrevesse tudo o Abu Hurayrah dissesse.   Um ano mais tarde, Marwan chamou Abu Hurayrah de novo e lhe pediu que recitasse o mesmo hadith que o escriba tinha registrado. E descobriu-se que ele não tinha esquecido uma única palavra.

Abu Hurayrah tinha a preocupação de ensinar e transmitir os ahadith que ele tinha memorizado e o conhecimento sobre o Islam em geral. Conta-se que um dia ele passava pelo mercado de Medina e naturalmente viu as pessoas ocupadas nos negócios.

"Quão fracos vocês são, ó povo    de Medina!", ele disse.

"O que você vê de fraco em nós, Abu Hurayrah?",  eles perguntaram.

"A herança do  Mensageiro de Deus, que a paz esteja com ele, está sendo repartida e vocês ficam aqui! Por que vocês não vão  e pegam a sua parte?"

"E onde está isto, ó  Abu Hurayrah?" eles perguntaram.

"Na mesquita", ele respondeu.

Rapidamente, eles saíram e Abu Hurayrah esperou até que eles retornassem. Quando eles o viram, disseram: "Ó Abu Hurayrah, fomos até a mesquita, entramos e não vimos nada sendo distribuído."

"Vocês não viram niguém na mesquita?" ele perguntou.

"Ó sim, vimos algumas pessoas fazendo a Salat, outras lendo o Alcorão e algumas discutindo sobre o que é halal e o que é haram."

"Esta é a herança de Mohammad, que Deus o abençoe e lhe conceda a paz.", ele respondeu.

Abu Hurayrah passou por muitas privações e dificuldades, como consequência de sua busca dedicada do conhecimento. Ele contava sobre si mesmo:

"Quando a fome me atingia, eu procurava por um companheiro do Profeta e lhe perguntava sobre uma ayah do Alcorão e (ficava com ele) aprendendo, porque assim   ele me levava à sua casa e me dava comida."

Um dia, minha fome estava tão grande que coloquei uma pedra sobre meu estômago e me sentei no caminho dos companheiros. Abu Bakr passou e eu o indaguei sobre uma ayah do Livro de Deus. Eu apenas perguntei porque assim ele me convidaria para sua casa, mas, ele não o fez. Então, Umar ibn al-Khattab passou por mim e lhe perguntei sobre uma ayah, mas ele também não me convidou. Então, o mensageiro de Deus, que a paz esteja com ele, passou e percebendo que estava com fome, disse: "Abu Hurayrah!" "Ao seu dispor", respondi e o segui até que entramos em sua casa. Ele encontrou uma vasilha com leite e perguntou a seus familiares: "De onde vocês conseguiram isto?" "Alguém trouxe isto para você", responderam.

Então ele me disse: "Ó Abu Hurayrah, chame os necesistados". Obedeci e todos beberam do leite.

Chegou o tempo em que os muçulmanos foram abençoados com riqueza e bens materiais de todos os tipos. Abu Hurayrah, finalmente, conseguiu sua parte de fortuna. Ele tinha uma casa confortável, esposa e filho. Mas, esta mudança de sorte não modificou sua personalidade e nem ele se esqueceu dos dias de necessidade. Ele dizia "Cresci como um órfão e emigrei como um pobre e indigente. Costumava me alimentar do que Busrah bint Ghazwan me dava.  Eu servia as pessoas quando elas retornavam de suas viagens e cuidava de seus camelos. Então Deus me mandou casar com ela (Busrah). Assim, louvado seja Deus que fortaleceu sua religião e transformou Abu Hurayrah em um imam." (Esta última afirmação é uma referência ao tempo em que ele foi governador de Medina).

Muito do tempo de Abu Hurayrah era passado em exercícios espirituais e em devoção a Deus. Ficar a noite acordado em oração e devoção era uma prática regular de sua família, incluindo sua esposa e filha. Ele ficava acordado uma terça parte da noite, depois sua mulher uma outra terça parte e sua filha a outra terça parte. Desta forma, na casa de Abu Hurayrah não havia uma hora da noite que não estivesse alguém em prece e devoção.

Durante o califado de Omar, ele foi indicado como  governante de Bahrain. Omar era muito criterioso com o tipo de pessoas que ele indicava como governante. Seus indicados deviam viver simples e frugalmente e não deviam ser muito ricos, ainda que a fortuna tivesse sido obtida por meios legais.

Em Bahrain, Abu Hurayrah ficou muito rico. Omar ouviu falar sobre este fato e mandou chamá-lo a Medina. Omar achava que a fortuna tinha sido adquirida por meios ilegais e o questionou sobre onde e como ele tinha amealhado tal fortuna. Abu Hurayrah respondeu: "Da criação de cavalos e dos presentes que recebi."

"Devolva isto   ao tesouro público muçulmano",  ordenou Omar.

Abu Hurayrah assim fez e levantando suas mãos para os céus rezou: "Ó Senhor, perdoa  o Amir al-Muminin." Em seguida,  Omar  pediu-lhe que se tornasse governador uma vez mais, mas ele não aceitou. Omar lhe perguntou por que ele estava recusando e ele respondeu:

"Porque assim minha honra não será manchada,  nem minha fortuna tomada."

E acrescentou: "E temo julgar sem conhecimento e falar sem sabedoria."

Por toda sua vida, Abu Hurayrah foi gentil e cortês com sua mãe e sempre   estimulava as pessoas a serem gentis com seus pais.

Um dia ele viu dois homens andando juntos, um mais velho do que o outro. Ele perguntou ao mais novo: "O que é esse homem para você?"

"Meu pai", a pessoa respondeu.

"Não o chame pelo nome. Não ande na frente dele e não se sente antes dele", aconselhou Abu Hurayrah.

Os muçulmanos têm uma dívida de gratidão com Abu Hurayrah por ter ajudado a preservar e transmitir o legado valioso do Profeta, que Deus o abençoe e lhe conceda a paz. Ele morreu no ano 59, depois da Hégira, quando tinha 78 anos de idade.

From Alim® Online

Anterior

Próxima

 


Alcorão | Khutbah | Mulheres | Sunnah | Islam | Atualidades | Família | Shari'ah | Caráter | Diversos | Calendário | Horário das orações | Links | Ciência | Loja Virtual