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História


MALIK IBN ANAS

O Imam Málik Ibn Anas, originário do Iêmen, nasceu em Madina no ano 93 da Hégira (726 da era cristã). Seu pai, seus tios e seu avô dedicaram suas vidas à busca do saber e do conhecimento. Assim, Málik cresceu num lar empregnado de sabedoria e num ambiente estimulante à aprendizagem e ao estudo.

Na época, a cidade de Madina era o centro principal do saber e seus sábios eram a referência primeira em jurisprudência islâmica. Os nobres companheiros do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) passaram seus conhecimentos a milhares de discípulos, e Madina, naturalmente, se tomara um centro, para onde convergiam todos os desejosos de estudar e adquirir informações seguras da vida do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), suas tradições, suas explicações do Alcorão Sagrado, além de presenciar de per- to o exemplo vivo de seus companheiros.

Memorizou o Alcorão ainda na infância, e se direcionou depois para registrar e memorizar a tradição do Profeta. Freqüentava as aulas ministradas nas mesquitas pelos sábios de sua época, mas seu principal professor era o iminente sábio Ibn Hurmuz, na companhia de quem ficou sete anos. Foi aluno também de Náfi', servo de Abdullah, filho de Umar Ibn Al Khattab. Outro mestre de Málik era Ibn Chihab Az-Zuhari.

Certo dia, depois de assistir às aulas de Chiháb Az-Zuhari, em vez de voltar para casa, Málik foi a casa de seu mestre. Vendo-o voltar, este lhe disse:

''Parece-me que você não voltou para casa hoje!" " É verdade, quero que você me ensine", respondeu Malik.

Az-Zuhari ensinou-lhe, então, quarenta tradições e o aplicado aluno registrou tudo.

''Quero mais, solicitou Málik. Por hoje é suficiente, pois se você as memorizar, será um grande tradicionista. Já as memorizei, respondeu Málik.''

 Ele tomou, então, os registros de Málik e disse-lhe: ''recita, então!''

E Málik recitou as quarenta tradições!

Az-Zuhari devolveu-lhe seus registros e disse-lhe: ''Levanta, pois você é o depósito do saber!''

 Era criterioso em escolher seus professores, pois julgava que não era qualquer erudito que era digno de passar o conhecimento. A honestidade, o caráter, o bom senso e a compreensão do que está ensinando, eram requisitos que Málik exigia, na escolha de seu mestre.

Dizia ele: "O saber é uma religião, sejam criteriosos em saber de quem adquiri-lo"

Quando completou a sua formação intelectual, passou a difundir o saber adquirido. Dizia ele, quando começou a ministrar aulas na mesquita:

"Não são todos os que queriam sentar na mesquita para ensinar e emitir opiniões que o fizeram; e não sentei para fazê-lo antes que setenta sábios testemunhassem que sou digno disso."

 Escreveu seu famoso livro de tradições e jurisprudência "Al Muwatta" (um compêndio de tradições e princípios de jurisprudência), o primeiro em seu gênero, pois, até então as pessoas se baseavam principalmente na memorização para transmitir os conhecimentos. Levou nada menos que 11 anos para redigi-lo e revisá-lo cuidadosamente.

Adotou em sua compilação o método de colocar o assunto e em seguida mencionar todas as tradições que a ele se referem, o procedimento dos habitantes de Madina e a opinião dos sábios que ele teve a oportunidade de acompanhar.

Quando se deparava com um fato inédito e que ninguém antes dele abordou, dava a sua própria opinião a respeito, baseado nas tradições que conhecia e a compreensão que tinha das mesmas; e nos pareceres e opiniões de que tinha conheci- mento.

Escreveu outros livros, onde registrou suas experiências e conhecimentos, mas a sua importância é menor, comparados com ''Al Muwatta''.

Apesar do esforço laborioso para escrever este livro e a revisão minuciosa de seu conteúdo, ele não admitia que as pessoas o tomassem como a única referência, pois acre- ditava que a divergência dos sábios em assuntos secundários era uma misericórdia de Deus para com seus servos, além de que a única coisa indiscutível é uma determinação clara do Alcorão ou uma tradição autêntica do Profeta.

Apesar de sua grandeza e seu conhecimento, não foi poupado da agressão dos governantes. Suas opiniões davam a entender que o povo não era obrigado a obedecer o Califa omíada, Abu Ja'afar Al Mansur, contemporâneo dele, pois este não teria sido escolhido legitimamente de acordo com o princípio da consulta (Ach-Chura) e teria usurpado o poder.

O governador de Madina o açoitou por isso. Os madinenses ficaram revoltados com o que aconteceu, e sabendo disso, o Califa pediu-lhe desculpas publicamente e expressou-lhe o seu arrependimento pelo ato pecaminoso de seu governador. Malik, como é digno de uma personalidade de seu nível, perdoou ao agressor.

A sua vida se prolongou até os noventa anos. Era um oceano de saber, como dizia seu discípulo Ach-Cháfi'i: "Ninguém alcançou em saber o nível de Málik. Quem deseja conhecer a tradição autêntica que procure Málik"

A linha de pensamento e a escola de jurisprudência que ele fundou se difundiram em muitas terras islâmicas, principalmente na África do norte, e África Ocidental.

Cortesia do CEDI

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