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Khutbah |
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Khutbah Jummuat proferida em 9 de fevereiro de 1997.
O que estamos comemorando hoje? Estamos comemorando Eidulfitr, estamos comemorando a quebra do jejum, estamos comemorando o fim do Ramadã, estamos comemorando nossos esforços na adoração a Allah, através do mês sagrado, estamos comemorando a misericórdia, o perdão e a proteção contra o Inferno, contra o qual o Ramadã veio nos proteger. Sim, na verdade, estamos comemorando tudo isso, mas, também, estamos comemorando algo muito mais importante. Alguns de vocês podem estar se perguntando o que pode ser mais importante do que o Ramadã, o jejum, as orações, o perdão ? Sim, existe algo muito mais importante do que tudo isto - o fato de sermos muçulmanos. Hoje, na verdade, estamos comemorando o nosso Islam, o fato de sermos membros da maior fé jamais revelada à humanidade, de acreditarmos na mais bela e mais abrangente escritura que jamais desceu dos céus à terra, de sermos seguidores do mais fantástico homem que jamais caminhou sobre a face da terra, de crermos em um só Deus, o Único. Não fôssemos muçulmanos e não estaríamos aqui hoje. Não teríamos conhecido o Ramadã, experimentado a doçura do jejum, saboreado as orações, não saberíamos que hoje é Eid. Hoje, estamos comemorando, primeiro e principalmente, o fato de sermos muçulmanos. Estamos comemorando a maior bênção de nossas vidas: o nosso Islam. O Islam é a fé que nos define, define quem somos, define nossa identidade. O Islam é a religião que Allah escolheu para nós, que completou para nós e que nos garantiu, como o Alcorão eloquentemente expressou "Hoje completei a religião para vós, tenho-vos agraciado generosamente, e vos aponto o Islam por religião." (5:3) O Islam é uma bênção, um privilégio, uma recompensa de Allah. O Islam não precisa de nós. Nós necessitamos do Islam. Tudo o que temos que fazer é sermos agradecidos por tão grande bênção e dizer, "Louvado seja Allah que nos guiou: jamais teríamos encontrado orientação se Ele não nos tivesse encaminhado." (7:43) Mas, por que será que acreditamos que o Islam é essa tão grande bênção de Allah? Porque não há nada sobre a terra como o Islam: ** Foi o Islam que ensinou aos seres humanos que o Senhor seu Deus é Um e Único. Que Ele não tem parceiros, esposa ou filho e que a unicidade de Deus não pode ser questionada. ** Foi o Islam que ensinou aos seres humanos que eles são iguais, e que nenhum árabe é melhor do que um não árabe, ou que um não árabe é melhor do que um árabe, e que, o melhor de todos nós, é aquele que é o mais piedoso. ** Foi o Islam que ensinou aos seres humanos que eles são irmãos e irmãs, criados de um único par de macho e fêmea. Portanto, o Islam, diferentemente do Hinduismo, não reconhece , nem perdoa, a idéia de um sistema de castas. O Islam luta contra este sistema, contra as aristocracias e os grupos sociais hereditários de qualquer espécie. ** Foi o Islam que ensinou à humanidade o valor da inteligência, a importância da reflexão e o papel da mente para se alcançar a fé. Os cristãos ensinam que só nos tornamos crentes quando o Espírito Santo ocupa, misteriosamente, o nosso coração. O Islam ensina que a fé é fruto da razão e que só através de uma reflexão contínua é que ela pode ser obtida, mantida e fortalecida. ** Foi o Islam que ensinou à humanidade que todos estão perfeitamente aptos a alcançar a fé em um Deus Uno e Único, independente de raça, cor ou etnia. Os hindus acreditam que o hinduismo é apenas para aqueles privilegiados que nasceram na fé e, portanto, eles não convidam os "menos privilegiados" a abraçarem a sua fé. Os judeus acreditam que são a raça escolhida e, ainda que eles aceitem que outros abracem o judaísmo, os novos convertidos estarão sempre numa posição abaixo dos que nasceram judeus. O Islam rejeita tudo isso e chama todas as pessoas, de todas as origens, a se submeterem a seu Criador. Uma vez que elas o façam, tornam-se automaticamente membros da comunidade do Islam, com os mesmos direitos e deveres, como qualquer outro muçulmano. O Islam não é, e nunca será, monopólio de uma raça ou de um certo grupo linguístico. ** Foi o Islam que ensinou à humanidade que Deus é absolutamente Justo e Misericordioso e que Ele jamais punirá uma pessoa pelos pecados de outra. O cristianismo ensina que Adão e Eva legaram o seu pecado a todos os seus descendentes e, consequentemente, todos os seres humanos nascem com este "Pecado Original" e que Jesus Cristo teve que ser sacrificado na cruz para redimir a humanidade de seu "pecado orginal". O Islam diz NãO. Os seres humanos não nascem em pecado. Ninguém será penalizado pelos erros de outrem. Cada alma pagará de acordo com suas ações, somente. A justiça divina é absoluta. ** Foi o Islam que ensinou à humanidade que as ações justas são necessárias para a salvação. A fé é indispensável, mas, só isto não basta. Os seres humanos serão admitidos no Paraíso em razão de sua fé e de suas boas ações. Fé e boas ações caminham juntas, lado a lado. Muitas denominações cristãs ensinam que a fé em Jesus é suficiente para a salvação. Se você reconhecer o sacrifício de Jesus na cruz, então você será salvo, independente do que você possa fazer mais tarde, porque Jesus já pagou por todos os seus pecados. O Islam discorda completamente. Ninguém pagará por nossos pecados. Fé, boas ações, evitar o mal e arrependimento contínuo são os únicos caminhos para a salvação. O Islam não aceita, nem perdoa, a influência maléfica que a idéia de "salvação garantida" pode provocar no indivíduo ou na sociedade. ** Foi o Islam que ensinou à humanidade como equilibrar as necessidades desta vida com as da outra. O Islam não aceita a idéia de que a renúncia a este mundo é o melhor meio de se conseguir a salvação na outra vida. O catolicismo e o budismo ensinam que, vivendo em reclusão, podemos alcançar uma espiritualidade elevada. O budismo ensina que o recluso deve buscar sua sobrevivência na mendicância. O Islam rejeita a idéia de se alcançar o bem através da renúncia a este mundo. O Islam ensina que os melhores meios de progresso na outra vida é o envolvimento nos assuntos deste mundo, fazendo o bem e evitando o mal, ajudando-se uns aos outros na justiça e na piedade, lutando contra todas as formas do mal, da injustiça, da tirania, da intolerância O Islam não ensina a rejeição a este mundo, pelo contrário, ele ensina envolvimento, luta e mudança. ** Foi o Islam que ensinou à humanidade que a bondade com os pais, os parentes, os vizinhos e todos os companheiros desta vida é uma parte essencial da fé e da justiça. O cristianismo afirma que Jesus ensinou que ninguém pode se aproximar de Deus a menos que odeie seu pai, mãe, esposa, filhos (Lucas 14:26) O Islam ensina o oposto. Só nos aproximamos de Deus se formos gentis com nossos pais, nossa família, vizinhos, etc. ** Foi o Islam que ensinou à humanidade que Deus está muito próximo dela e que Ele está com ela onde quer que ela esteja e que Ele ouve suas preces e as responde. O Islam ensina que Deus está tão perto que não há necessidade de intermediários para interceder em favor de Seus servos. O Islam não aceita o conceito de sacerdotes ou padres agindo como mediadores entre Deus e o ser humano. O Islam ensina que ninguém precisa confessar seus pecados a um padre a fim de alcançar o perdão. Basta que simplesmente confesse seus pecados a Deus, sem qualquer intervenção humana, busque o Seu perdão e Deus o concederá. Muitos judeus, ainda hoje, acreditam que suas orações não podem chegar a Deus, e assim obter uma resposta Dele, se elas não forem feitas diante do Muro das Lamentações, em Jerusalém. Alguns remetem suas orações via fax ou via Internet, para alguém em Jerusalém, a fim de que seus pedidos sejam colocados no Muro e, assim, cheguem até Deus. O Islam ensina que onde quer que estejamos, podemos orar, confessar, buscar a ajuda e o perdão de Deus, e Ele certamente nos responderá. Não há necessidade de intermediação humana, de lugar especial ou hora adequada. Deus está sempre muito perto. ** Foi o Islam que ensinou aos seres humanos a aceitarem e a respeitarem sua natureza humana. O Islam reconhece o poder, a fraqueza e as necessidades do homem. O Islam jamais exige que ele aja como os anjos ou que ignore suas necessidades físicas e emocionais. O cristianismo não permite o divórcio. O Islam reconhece que é uma realidade humana. O catolicismo considera o celibato um ideal. O Islam não. A Igreja Anglicana desaprova um segundo casamento. O Príncipe Charles tem que se comportar como um praticante do anglicanismo, se quiser se tornar o rei da Inglaterra. Assim, ele pode cometer adultério abertamente com suas amantes famosas, mas não pode se casar com qualquer uma deles, pois perderá o trono por violar as regras da Igreja da Inglaterra. O Islam jamais se compromete com tal irracionalidade e contradição moral. Não existe nada como o Islam sobre a face da terra. Não há fé, religião, ideologia ou sistema de crença que possam se rivalizar com a clareza e simplicidade do Islam; em sua submissão a Deus, o Uno e único; em sua racionalidade e inteligência profundas; em sua igualdade; em sua espiritualidade; em seu código de ética; em seu equilíbrio notável entre as necessidades desta vida e as exigências da outra. O Islam elevou a alma, o corpo e a mente humanas a alturas jamais antes alcançadas por qualquer outra fé ou tradição. O Islam é a única religião que possibilitou aos seres humanos satisfazerem sua natureza humana. O Islam é como uma obra de arte perfeita, a qual podemos olhar e perscrutar por dias, semanas, anos a fio e, ainda assim, não encontramos qualquer falha, defeito ou contradição. Tudo o que o olhar humano pode fazer é surpreender-se com a beleza fantástica e a coerência desta nossa fé: Islam. Leopold Wiess, o judeu austríaco que abraçou o Islam em 1926, e que se tornou um dos maiores intelectuais muçulmanos deste século, expressou o mesmo grau de admiração ante a beleza e coerência esmagadoras do Islam. "Sempre me perguntavam: 'Por que você abraçou o Islam? O que o atraiu em especial?' - e devo confessar: Não tenho uma resposta satisfatória. Não foi nenhum ensinamento em particular que me atraiu, mas todo um programa de vida prático e um ensinamento moral maravilhoso, de uma estrutura inexplicavelmente coerente. Não poderia dizer, mesmo agora, qual o aspecto que me chamou mais a atenção do que outro. O Islam me parece uma obra perfeita de arquitetura. Todas as suas partes foram concebidas harmoniosamente para complementar e apoiar cada parte; nada é supérfluo e nada falta, como se fosse o resultado de um equilíbrio absoluto e serenidade sólida. Talvez, este sentimento de que tudo nos ensinamentos e postulados do Islam está "no lugar adequado" é que tenha criado em mim esta fortíssima impressão." Em resumo, o Islam é a verdade, a verdade total e nada mais do que a verdade. É importante assinalar que o Islam não é apenas um conjunto de ideais, mas também uma força tremenda, capaz de transformar e regenerar indíviduos, sociedades e nações inteiras. A influência do Islam sobre a primeira sociedade que o abraçou, a península arábica, foi uma verdadeira revolução. O Islam revolucionou a Arábia em todos os aspectos da vida: político, econômico, social e, acima de tudo, moral. ** Foi o Islam que transformou os bravos árabes independentes, que não conheciam governo, não obedeciam a autoridades, não reconheciam o estado numa nação com governo, capital e autoridade a ser respeitada. ** Foi o Islam que ensinou aos árabes anárquicos como eleger um chefe de estado dentre seus membros e como governar dentro de princípios de consulta mútua. ** Foi o Islam que ensinou aos árabes, que nunca concordavam com qualquer forma de lei, como construir uma nação baseada no respeito a uma lei sagrada, justa e misericordiosa. O Islam também ensinou que eles eram iguais perante a lei e que ninguém, mesmo a filha do Profeta, poderia estar acima da lei. ** Foi o Islam que transformou árabes extremamente belicosos, cujas tribos se massacravam todo o tempo - a ponto de terem de revalidar todos os anos seus tratados de paz, a fim de impedir a extinção da tribo inteira, devido às incessantes guerras - em uma nação, com os exércitos tribais unificados e capazes de enfrentar e derrotar os exércitos dos vizinhos poderosos: os bizantinos e os sassânidas. ** Foi o Islam que aboliu a usura da Arábia, e ensinou aos árabes como fazer transações comerciais justas, sem exploração ou abuso. ** Foi o Islam que aboliu o hábito terrível do infanticídio feminino na Arábia. ** Foi o Islam que ensinou aos árabes que as mulheres eram seres humanos e não simples escravas, e que elas eram suas irmãs na fé. Foi o Islam que garantiu às mulheres árabes seu direito à herança, propriedade, divórcio e personalidade legal independente. ** Foi o Islam que acabou com todas as formas de prostituição, jogo e bebida na sociedade árabe. E foi o Islam que abriu as portas aos escravos libertos. ** Foi o Islam que erradicou completamente o racismo da mente árabe, ao ponto de árabes arrogantes e profundamente racistas aceitarem participar, como soldados, de exércitos liderados por negros africanos. ** E, acima de tudo, foi o Islam que transformou os árabes supersticiosos e idólatras em crentes no Deus Uno e único. Foi o Islam que os transformou de adoradores de ídolos em pessoas que nas orações ficavam lado a lado e curvavam suas cabeças ao Todo Poderoso. A Arábia, antes do Islam, era uma sociedade amarrada às tradições e aos ancestrais. O que fosse costumeiro era o certo e o adequado. O que quer que seus ancestrais tivessem feito merecia ser imitado. O Islam rejeitou esta fé cega na tradição. O Islam desafiou todos os hábitos da sociedade. O Islam questionou todos os costumes e modos dos árabes. O Islam introduziu os padrões de moralidade e os fundamentos do certo e do errado. O Islam ensinou como pensar criticamente sobre tudo e como rejeitar os maus hábitos e manter os bons. O Islam mostrou o caminho adequado para a paz e felicidade nesta vida e na outra. Esta foi a essência da revolução que o Islam fez. A questão que, irresistivelmente, vem a nossa mente é: este foi o passado, e como é agora? Pode o Islam revolucionar o mundo hoje como fez no século VII na Arábia? O Islam é importante hoje? O Islam tem alguma coisa a oferecer ao mundo de hoje? Sim, muito. Para nós, muçulmanos vivendo no ocidente, seria razoável focalizar o que o Islam tem a oferecer à nossa sociedade ocidental no despertar de um novo milênio. O ocidente, como a Arábia do séc. VII e como muitas outras sociedades, tem suas virtudes e vícios. O Islam pode melhorar e realçar as virtudes e eliminar - ou, pelo menos minimizar - os vícios. ** Numa sociedade onde o álcool é a causa número um de mortes e prejuízos; onde o álcool custa bilhões de dólares a cada ano em despesas médicas e prejuízos materiais: onde o consumo de álcool provoca a morte de centenas de milhares de pessoas anualmente; onde o álcool é maior causa de estupro e violência doméstica - Há alguma fé mais capaz do que o Islam para impedir todas as doenças do álcool? ** Numa sociedade ainda atormentada pela disputa racial; onde igrejas "negras" são conitnuadamente bombardeadas por fanáticos de toda espécie; onde raramente se vê um negro numa igreja "branca" ou um branco numa igreja "negra" - o Islam tem muito a oferecer, porque o Islam não tolera a idéia de mesquita "negra" ou "branca"; o Islam obriga os crentes a ficarem lado a lado, ombro a ombro e pé com pé e a curvarem suas testas diante de Deus e assim aprenderem que todos somos humildes servos do Todo Poderoso. ** Numa sociedade onde a violência contra as mulheres aumentou em proporções alarmantes, onde é perigoso para elas caminharem sozinhas à noite, onde até instituições de ensino superior tiveram que providenciar um serviço de proteção para que elas possam caminhar no campus universitário à noite - o Islam tem muito mais a oferecerr do que fornecer serviços de acompanhantes ou lições de karatê. O Islam implanta a modéstia e o sentido de propriedade nas mentes dos crentes, o Islam erradica a vulgaridade, o Islam elimina qualquer possibilidade de que os homens vejam as mulheres como objetos sexuais. ** Numa sociedade tão violenta como a dos Estados Unidos, onde perto de 25 000 vidas são tiradas a cada ano em decorrência de tiros de revólver; onde 5% da população mundial consome 50% das drogas ilegais no mundo todo, apesar da prisão de alguma coisa perto de 700 000 traficantes a cada ano; onde um carro é roubado a cada segundo; onde uma mulher é estuprada a cada minuto - o Islam tem muito mais a oferecer do que simplesmente colocar mais policiais nas ruas. O Islam ensina que é melhor prevenir do que remediar e que o crime pode ser bem reduzido quando se cuida da família, da comunidade e dos vizinhos. O Islam valoriza e honra o papel da mãe, porque, quando ela cuida adequadamente da criança, a sociedade inteira se beneficia. Ao invés de uma postura apática e individualista, o Islam lembra aos pais os seus deveres, encoraja os vizinhos a cuidarem das necessidades uns dos outros, a fortalecer os laços da comunidade, a advogar o certo e a proibir o que é errado. O Islam elimina os problemas em suas origens. ** Numa sociedade afligida por um intenso individualismo, materialismo excessivo, consumismo feroz e sensualismo desavergonhado, o Islam tem o poder espiritual e intelectual exigido para retificar todos os excessos da sociedade, porque ele prega a moderação e o equilíbrio em todos os assuntos mundanos. A influência do Islam não se limita aos domínios social e moral. Ele também se estende aos campos político, econômico, legal, cultural e educacional. Dois exemplos são suficientes: ** No campo da política: a natureza igualitária do Islam exige reformas na forma como a democracia é praticada na sociedade de hoje. A democracia existente é elitista e inclinada para a riqueza, o poder e os interesses específicos. A pessoa comum não interfere na forma como a elite governa. Este estado de coisas está muito longe da consulta mútua ideal nos assuntos que o Islam defende. ** No campo de economia: o capitalismo tem uma tendência a fazer o rico mais rico e o pobre mais pobre. Num período de 10 anos somente (1978-1987), um quinto da população americana mais pobre ficou 8% mais pobre, enquanto que a quinta parte dos mais ricos ficaram 13% mais ricos. Esta é a natureza do capitalismo: riqueza gera mais riqueza, algumas vezes sem qualquer esforço ou criatividade. O Islam obriga todas as pessoas ricas a pagarem, anualmente, aos pobres, uma parte de sua fortuna, e assim redistribuir a riqueza na sociedade, a fim de proteger o pobre da pobreza eterna e dar-lhe uma chance de competir num mundo dominado pela tirania do capital. Há muito mais no Islam que pode ser aplicado no ocidente e, na verdade, no mundo todo, um lugar mais seguro, melhor e mais decente para se viver. O Islam é uma força fantástica com um potencial enorme para revolucionar o mundo e mudar radicalmente o curso da história como aconteceu uma vez há 1400 anos atrás. O problema é que temos a teoria mas não temos os praticantes. Temos a revolução mas não temos os revolucionários. E, da mesma forma que não pode existir democracia sem democratas, socialismo sem socialistas, também não existe Islam sem muçulmanos. O Islam é uma mensagem que precisa constantemente de mensageiros para que possa ser transmitida. Sim, o Livro de Deus está aqui, a orientação do Profeta está aqui, o testemunho da história está aqui, mas, onde estão os muçulmanos? Onde estão seus mensageiros? Onde estão os revolucionários? Efetivamente eles não existem. O que existe hoje no mundo é uma espécie de muçulmano "desislamizado". Pessoas que se intitulam muçulmano mas, o Islam que elas praticam, é uma vaga sombra do Islam descrito nas palavras majestosas do Alcorão. Os muçulmanos de hoje praticam um Islam sem espírito, um Islam sem um mensagem para a humanidade, um Islam sem uma missão, um Islam sem ambição Um Islam sem identidade. O Islam jamais revolucionará o mundo, como já o fez uma vez, a menos que existam verdadeiros muçulmanos, como uma vez já existiram - muçulmanos por dentro e por fora, muçulmanos em pensamento e ação, muçulmanos na teoria e na prática, muçulmanos no particular e no público, muçulmanos em espírito, razão e emoção. A estrada para produzir tais muçulmanos é longa e árdua. Talvez seja mais realista enfatizar apenas um primeiro passo. Este primeiro passo, eu acredito, seria educar uma geração de jovens muçulmanos, que tenha grande orgulho nesta fé. Uma geraçao de jovens muçulmanos, cuja identidade seja puramente islâmica, uma geração de muçulmanos para quem o Islam vem em primeiro lugar e tudo o mais - identidade nacional, ética, racial, linguística - vem num distante segundo lugar, uma geração que acredita completamente no que o grande califa Omar uma vez disse, "é somente por causa do Islam que ganhamos 'izzah' (honra, dignidade e orgulho) e se buscamos 'izzah' fora do Islam, Allah nos humilhará". Certa vez, em conversa com um irmão que abraçou o Islam há muitos anos atrás, eu lhe perguntei sobre as coisas de que ele mais gostava ou não no Islam e nos muçulmanos. Sua resposta foi "Tudo sobre o Islam é lindo, mas há uma coisa de que não gosto nos muçulmanos Eles não têm um grande sentimento de orgulho pelo Islam " O ponto de vista do irmão é exatamente o de que necessitamos enraizar nas mentes de nossa nova geração o sentimento de orgulho de pertencer ao Islam - Um forte orgulho capaz de fazer-nos declarar para o mundo inteiro, alto e bom som: "Nós somos muçulmanos e profundamente orgulhosos disto". |
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