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Khutbah


 

Khutbah Jummuat, proferida em 10.03.00, no "masjid" do Rio de Janeiro

Prof. Abdelbagi Sidahmed Osman

OS FUNDAMENTOS DA JUSTIÇA SOCIAL NO ISLAM

 

2. A igualdade na condição humana

Quando o homem se liberta de sua submissão a alguém que não seja DEUS, quando está seguro de não ter medo de perder a vida ou a posição social; quando não tem medo dos valores estabelecidos pela sociedade; quando está a salvo de se humilhar por causa das necessidades de sobrevivência; ainda mais, quando está acima dos seus próprios desejos e, depois de tudo isso, encontra as suas necessidades atendidas e garantidas pela lei Divina e pelo estado, só resta a ele pedir o seu direito à igualdade.

O Islam decretou o verdadeiro princípio da igualdade, na mesma época em que alguns se diziam descendentes de divindades, outros diziam que o sangue que corria em suas veias não era igual ao do restante da população (o sangue azul real). Nesta mesma época, veio o Islam para estabelecer a igualdade da humanidade, na origem e no destino, na vida e na morte, nos direitos e nas obrigações, perante a lei e perante DEUS, na vida terrena e no dia do Juízo. A única diferença é pelas boas ações e pela temência a DEUS. Disse DEUS:

Porventura, não vos criamos de um líquido débil, que depositamos num lugar seguro, até um prazo determinado, que predestinamos? E somos o predestinador!" (Alcorão 77:20-23)

E disse também:

Que o homem considere, pois, do que foi criado! Foi criado de uma gota ejaculada, que emana dentre a virilha e as costelas." (Alcorão 86:5-7)

E disse, ainda:

E DEUS vos criou do pó, então de esperma, depois vos dividiu em pares ..." (Alcorão 35:11)

Disse o Profeta Mohammad (S.A .A .W.): "... Sois filhos de Adão, e Adão foi criado do barro".

Portanto, ninguém é diferente de outro, pela natureza da criação, nenhuma etnia é melhor do que a outra e nenhum povo é melhor do que outro.

Disse DEUS:

"Ó humanos, temei a vosso Senhor, que vos criou de um só ser, do qual criou a sua companheira e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres." (Alcorão 4:1)

Quanto à preservação da vida humana, o Islam não faz distinção entre muçulmanos e não muçulmanos. Notamos isso, em relação ao assassínio não premeditado, onde a pena é a libertação de um escravo (um dos meios seguidos pelo Islam para acabar com a escravidão naquela época). Quanto ao assassínio premeditado, a pena é a da morte, sendo dado à família da vítima, no entanto, o direito de opinar quanto à execução da pena, ou recebimento de indenização ou o perdão ao assassino.

Disse o Profeta Mohammad (S.A.A.W.):"Quem matar seu escravo, o matamos; quam ferir seu escravo, o ferimos; quem castrar seu escravo, o castramos."

A escravidão existia e as medidas para a sua extinção foram gradativas. Por isso, o Islam ordenou que os escravos fossem bem tratados, até o momento em que eles viessem a adquirir a liberdade.

Disse o Profeta Mohammad (S.A.A.W.): Ó povo de coraix, não posso lhes dar nenhuma garantia diante de DEUS. Ó nômade de Abdimanaf, não posso lhes dar nenhuma garantia diante de DEUS. Ó Abbas ibn Abdulmutalib, não posso lhes nenhuma garantia diante de DEUS. Ó Safiat, tia do mensageiro de Deus, não posso lhes dar nada de garantia diante de DEUS ..."

Assim, o Islam define que não existe entre os seus conceitos a tendência tribal, nacionalista e/ou qualquer tipo de discriminaçao, contrariamente ao estabelecido na consciência da civilização ocidental, onde norte-americanos e europeus exterminaram populações nativas e permitem a invasão de outros países, violando os direitos humanos, a fim de dominar e explorar outros povos.

O Islam lembra que as pessoas têm dignidade e que não se permite que elas sejam debochadas ou discriminadas. Disse DEUS:

Ó fiéis, que nenhum povo zombe do outro; é possível que (os escarnecidos) sejam melhores do que eles (os escarnecedores). Que tampouco uma mulher zombe de outra, porque é possível que esta seja melhor do aquela. Não vos difameis, nem vos motejeis, com os apelidos, mutuamente ... " (Alcorão 49:11)

E disse também: "... Não vos espreiteis, nem vos calunieis, mutuamente ... " (Alcorão 49:12)

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