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Khutbah |
Khutbah Jummuat proferida em 30.07.99, no masjid do Rio de Janeiro.
O NOME NO ISLAMNa última vez em que falei aos irmãos e irmãs, pudemos vivenciar com grande alegria cada um dos intervalos mínimos de tempo entre os felizes momentos que marcaram a adesão ao Islam da agora nossa irmã Jussara. Ela, que por motivos que ignoro precisamente, mas que podem ser incluídos no contexto das palavras do Profeta e Mensageiro de Deus: "A sabedoria é a 'coisa perdida' buscada incessantemente pelo crente." Ela frequentou os cursos da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro e decidiu abraçar um novo antigo caminho e método de busca permanente. Este, como disse antes, afirma ser mais do que possível construir neste mundo uma comunidade, ou como querem os outros, "um reino", que para os seus defensores só é possível no outro mundo. Convencida, sem ser reprimida, e em terra alheia a outras terras, onde outros e outras pensam propor sob a alegação de sucessos obtidos após a sublevação da ciência do jugo que tolhia e obtidos por esta (a ciência) como resultado de suas buscas sob outras perspectivas. Ainda assim dizem, abusando do resultante do empenho dos defensores dos que antes reprimiam, que o arco-íris é o símbolo de uma suposta aliança com Deus e não uma propriedade da luz, quando contata gotículas em suspensão. Antes, iludia-se e colonizava-se pessoas e mentes com os eclipses, hoje ilude-se com o arco-íris, porém ilude. Diz Deus, o Altíssimo: "Acaso não andaram na Terra para terem corações com os quais ajuízam ou orelhas com as quais ouvem! Não são os olhos que ficam cegos e sim os corações que estão nos peitos." (Al Haj 46) Bem, voltando à nossa irmã, logo esta se deparará com quem queira modificar-lhe o nome com o qual sempre foi chamada. Alguém pode achar que um novo nome para a nova muçulmana é algo imprescindível para a harmonia do seu ser. Isto, até certo ponto, é aceitável, desde que nenhum muçulmano ou muçulmana ache que a mudança de nome é parte da religião muçulmana e que o nome tenha que ser árabe. Os nomes são um meio de designar alguém para que seja reconhecido e não para qualificá-lo, pois nem sempre o designado porta consigo, ou virá a ter, a característica pela qual foi nomeado. O Islam impôs apenas dois requisitos para os nomes de muçulmanos e muçulmanas. Primeiro, que este não contenha qualquer referência à adoração a outro que não seja Deus, o Criador de tudo e de todos, tal como ser chamado de servo de Cristo, ou servo de Zeus. Segundo, que o nome não seja feio ou menosprezável, por incomodar ao denominado. Este requisito não é de obrigatoriedade absoluta. O Profeta Mohammad modificou o nome de alguns companheiros, homens ou mulheres, por achá-los denotadores de algo feio. Este foi o caso de uma mulher chamada Óciaát (desobediente) que passou a ser chamada de Jamilát (bela). No tocante aos portadores de nomes não arábicos, não há nenhuma referência quanto a arabizá-los ao tornar-se alguém muçulmano ou muçulmana, por não constar tal ato dos requisitos acima referidos. Os nomes arábicos são para uso dos árabes e de quem, dentre os não árabes, queira adotá-los. Nós muçulmanos estranhamos o comportamento de quem venha a adentrá-lo e mude o seu nome para um nome árabe, justamente por alicerçar ainda mais a impressão de muitos de que o Islam é uma religião só dos árabes e não a religião revelada por Deus para toda a humanidade. Tal atitude só acentua o afastamento desta religião e lembra as atitudes de quem se julga o povo eleito. O Islam é a religião ofertada por Deus à humanidade, sem que nela haja um mínimo que seja de um povo, que deva ser adotado por outro. O Islam não é o resultado de uma cultura, uma vez que quem o enviou foi o Criador dos criadores da cultura. Por outro lado, a língua árabe é a língua do Alcorão, sem ser necessáriamente a língua do Islam. Existem milhões de muçulmanos que não falam o árabe sem que isto os torne menos muçulmanos do que aqueles que a falam. O árabe foi a língua adotada por humanos, escolhida por Deus para a sua revelação a todos os humanos. Isto não há como negar e/ou contestar. Esta é a única coisa arábica que consta no Islam. Porém, agregar outras características árabes ao Islam é algo inaceitável pelo próprio Islam. Deus só altivou a língua árabe para preservar Seu Livro Revelado, e não para elevar os árabes. E quando o Altíssimo diz: "Sois a melhor nação surgida para as gentes, recomendam o lícito e coíbem o ilícito e acreditam em Deus ..." (Alcorão 3:110) referiu-se à nação do Islam, praticante das características acima e não aos árabes. Ouvir os nomes não arábicos dos não árabes que adentraram o Islam é motivo de júbilo, uma vez que esta religião tocou a estas pessoas, a despeito das barreiras interpostas e mesmo desagradando os descontentes com o Islam. Ua assalam.
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