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Khutbah |
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Khutbah Jummuat proferida em 23/05/97 no "masjid" do Rio de Janeiro Na era da pressa, do resumo, dos extratos, é necessário expor as idéias através dos acontecimentos e de maneira bastante rápida. Ao expô-las de maneira resumida, corre-se o risco de ter que selecionar as palavras e os significados para expressarem a posição ou o visionamento desejado. Assim sendo desejo dizer que: NÃO TEMEMOS A DEUS: Expressão dita por muitos e que se traduz num certo tipo de comportamento que não o dos que realmente n'Ele crêem. Carrega em si a negação enganosa do que há no fundo dos seus corações, de medo de forças superiores, que realmente temem e que, por fim, desafiam-na tenazmente em afirmando de antemão sua fé soterrada em seu Criador. Disse o Altíssimo: "E de quando o teu Senhor extraiu das entranhas dos filhos de Adão os seus descendentes e os fez testemunhar contra si própiros, dizendo: não é verdade que sou o vosso Senhor? Disseram: Sim! testemunhamos-lo! Fizemos isto com o fim de que no Dia da Ressurreição não dissésseis: estávamos cientes. Ou não dissésseis: Anteriormente nossos pais idolotravam, e nós, sua descendência, seguimo-los. Exterminar-nos-ias, acaso, pelo que cometeram os frívolos?" (7:172 - 173) Lidar com esta grande verdade varia de humano para humano, especialmente quando lhe foi dada a liberdade de posicionamento quanto a esta questão. Há aquele que abre a sua mente, coração, alma e corpo para a verdade da fé, em somando o seu monoteísmo, a sua capacidade de atuar no aqui e no agora, ganhando a felicidade terrena e do além. Há também quem entrefecha as oportunidades e entreabre outras, com o conseqüente abalo de sua fé em Deus, despertando, de vez em quando, para a realidade que o cerca e quanto deixou estar, e há aqueles, e não são poucos, que enterram todas as oportunidades e colecionam-nas sob o dito do não fiz porque não era a ocasião, e com isso, só conseguem acumular ferrugem na sua capacidade de ver e viver. Tudo isto até a chegada do dia inevitável, em que declara nos atos e/ou nas palavras, que não teme a Deus e, quando o faz, não é senão na tentativa de extirpar de si a verdade da fé, inerente à sua essência e não o conseguirá. A LEI DA SELVA E PERMANÊNCIA DO MAIS APTO: A existência do mundo e humana não é confronto e contradição como querem os dialéticos. Há neste mundo o movimento em prol da harmonia, da união e da cooperação, e que cobre extensão enorme de nossas existências. É verdade que o confronto ocupa grande espaço na história e no dia dia de nossas existências, porém longe de ser o único lado. O universo e a matéria que o constitui estão em harmonia. Uma harmonia que se movimenta na repulsão e na atração. Assim também o é a existência humana, a despeito do grande espaço ocupado pela luta que há nela por espaços maiores para a harmonia. Pertencer ao Islam é pertencer ao chamado sinfônico sem saída do ritmo, em prol da harmonização da existência humana no seu caminhar. A CRENÇA OU A ESTATÍSTICA: Diariamente somos confrontados com os resultados dos mais variados estudos estatísticos, sobre os mais variados assuntos, afirmando isto ou informando aquilo. Os resultados são mostrados e anunciados aos interessados. Por exemplo, o fumo, o quão ele é nocivo, o quão ele provoca de doenças direta e indiretamente, quais são os níveis de nicotina e outras substâncias queimadas nos pulmões dos fumantes e no dos que inalam o fumo dos que fumam. Porém, não consta na estatística que as pessoas fumam porque não são felizes e que a estatística só descreveu o fenômeno e seus adentres. Os meios sérios de lidar com o fenômeno e conseguir resultados qualitativos para o ser humano, estes sim conforme confirmam os especialistas, fogem às suas especialidades. A estatística é excelente para dimensionar um fenômeno, porém, primeiro é preciso ter uma crença correta e possuir firmeza nesta. O Islam conseguiu fazer uma nação inteira deixar de bebericar, coisa que nenhuma lei conseguiu fazer. Apenas três versículos do Alcorão, e não toneladas de papel de campanha pró ou contra, de dinheiro custeando os a favor ou os contra os que estão a favor. A chave está em crer realmente no que a crença bem sedimentada e só ela é capaz de fazer. O MUÇULMANO É O ÚNICO QUE É REALMENTE PROGRESSISTA: Desde a antigüidade, os pensadores falam sobre este ou aquele assunto, e, cada qual, se posiciona a respeito deste ou daquele, alegando ser o dono da razão, por este ou aquele motivo e tudo a partir do raciocínio comum a todos, e do relativismo de seus conhecimentos e informações. Não há nada definitivo no campo da atividade racional humana, especialmente no campo da ciências ditas humanas, e cujos arautos relativistas são mais do que chegados a conceituações absolutas, e que suas proposições são o que há de ser definitivo para o mundo. O muçulmano sério recusa-se à regência, à tutela destes classificadores das pessoas de retrógrados ou de progressistas, uma vez que são como os descreveu o Alcorão: O muçulmano sério está convicto, até a última de suas células cerebrais, de que o seu Jihad (empenho) é a revolução permanente segundo a característica do versículo: O MATERIALISMO TRANSFORMA O HOMEM EM UM RÓTULO: Fulano é um da classe A e sicrano é outro da classe X. Um outro é do primeiro mundo, aquele outro é do último mundo. Qualquer um sabe que as coisas não são bem assim. Em verdade, é o ser humano, cada um individualmente, dentro de sua atuação, que faz e desfaz, e não o seu pertencer a este ou àquele rótulo. Não há cientista algum, quaisquer que sejam os parâmetros e/ou os métodos por ele adotados, que seja capaz de supor o alcance da movimentação de quem quer que seja, e não à toa que Deus especificou detalhadamente: Surata dos humanos. É expressão deverás bastante lida no Alcorão, e que significa que são poucos os que tomam uma posição justa e verídica na maioria das ocasiões, e que a assume e a defenda. Isto também significa que estes poucos pioneiros do Haq (justo e verídico) são os que alteram alguma coisa. Não é a tomada de posição burguesa, não burguesa ou qualquer outra. Quem muda são os poucos que assumem o que é justo e verídico. Lamentavelmente, os que optam por apoiar o justo e o verídico, são uma míngua frente às fileiras dos que recusam o justo e o combatem. Diz Deus: "Ó Profeta, estimula os fiéis ao combate. Se entre vós houvesse vinte perseverantes, venceriam duzentos, e se houvesse cem, venceriam mil dos incrédulos, porque estes são insensatos." (8:65) Deixar cair "a peteca" é algo extremamente fácil. Porém, edificar o que quer que seja, é o que há de mais difícil. E no mundo das convicções, são poucos os que conseguem arcar com as devidas responsabilidades. Não é pré-requisito que estes poucos sejam desta ou daquela classe social. Na formulação muçulmana, não há tais barreiras e quem age é, antes de mais nada, o indivíduo humano, seja ele pobre ou rico.
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