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Khutbah


 

Khutbat jummuat proferida em de 06.03.98 no masjid do Rio de Janeiro

O ISLAM

A necessidade mais importante dos dias atuais é ajudar a quem quer que seja a tomar ciência das possibilidades da religião do Islam, cujo conteúdo muitos desconhecem, e com a qual só travam conhecimento mais por informes do que por estudo e prática.

O Islam é uma crença de elação, cuja importância maior é a de fazer surgir no que nela crê, a sensação de altivez sem arrogância, e de adquirir a autoconfiança sem qualquer nódoa de presunção, egoísmo, e tauécul (providencialismo). Também inspira no que nela crê, o fervor da fé e da convicção isentos de ilusões. O Islam faz sentir nos que o adentram, a responsabilidade pela humanidade em todos os recantos da Terra. O Islam os faz sentir a responsabilidade de transmitir a orientação que este porta em si e da condução, por pura opção e sem imposição, de cada um que o adentra, das soluções dos problemas que decorrem do próprio fato de estar realmente vivo, tal como as bem resumiu o ex - nômade, e posterior embaixador dos muçulmanos, ao rei persa. Disse esse: "viemos para fazermos sair as gentes da adoração às pessoas à adoração do Deus Único e da falta de espaço do mundo à vastidão de espaço do mundo e do além, e da opressão das religiões à justiça do Islam".

O muçulmano há de arrepender-se, tão somente, do desperdício de empenho em desimpedir e disponibilizar a alternativa islâmica, sem a qual o ser humano não adquire a impressão mental e espiritual próprias quando do seu exercício, e as quais deve desfrutar, conquanto criatura viva digna, e que decaem quando abdica dos valores fundamentais de viver como humano digno de tal, como assim o quis o seu Criador, ao adotar valores artificiais baseados na satisfação tão somente e em ritmo de emergência dos sentidos.

São inquestionáveis as benesses desta crença. Sua compreensão foi tornada facilitada, principalmente nos dias de hoje, especialmente face aos desvios, a nível mundial, decorrentes da negligência de muitos valores nesta vida, sem os quais a mesma não se endireita, e sem os quais é inconseqüente e incompetente avaliar qualquer sorte de acontecimentos e as suas conseqüências.

A falência da moral e da disposição das pessoas deve-se à multiplicidade de referênciais em voga e a seus desvios, de tal modo que se fosse dado aos precursores destes referênciais serem revividos, os desconheceriam. Uma vez que os mesmos têm sido presas da estúrnia dos aproveitadores.

O Islam, trazido pelo profeta Muhammad, a paz de Deus esteja sobre ele, possui um método corretivo e mutatório, para o que está fora do seu lugar adequado neste mundo. O profeta e mensageiro Muhammad, a paz de Deus esteja sobre ele, nos transmitiu uma mensagem que olhou o ser humano com os olhos únicos de um mensageiro de Deus, quando visualiza um ser humano destituído de sua humanidade e que se prostra a toda sorte de imposições e subjugações, que em si não lhe beneficiam ou o prejudicam. Esta mensagem lida com um ser humano, cuja racionalidade adulterada o tornou incapaz de lidar com o óbvio. Que é incapaz de lidar com premissas primárias e assimilar generalidades, onde o teórico é intuitivo e vice-versa. Onde se é inconclusivo na hora da conclusão, onde se é crente onde se há dúvida, onde os sentidos são pervertidos, e onde se ama o que é tirano e injusto e detesta-se o amigo conselheiro. Tal como a impudicícia ao ponto da vulgaridade, da cobrança de juros ao ponto de açambarcar os bens, onde os talentos são desperdiçados, onde a inteligência é a esperteza, onde o raciocínio é um meio de inventar mais uma criminalidade e a genialidade está em satisfazer os apetites. Cada uma dos lados destes desvios exigiriam a dedicação de toda a vida de um reformador. Ou de muitos reformadores e gerações destes. Justamente o que o profeta e Mensageiro de Deus Muhammad ( a paz de Deus esteja sobre ele) corrigiu e devolveu ao seu justo lugar em apenas 13 anos. Tal prazo de tempo, além de evidenciar a competência do homem, nele está também implícita a magnificência do método.

Se a mensagem do Islam fosse nacionalista não conteria o ensinamento de que não há distinção senão pela temência a Deus ( não se cita expressamente que não há distinção quanto à nacionalidade, quanto à cor, quanto ao sexo, que por si só já é uma distinção). O Islam não foi revelado para substituir um mal por outro, ou ser condescendente com a injustiça aqui e condená-la acolá; nem tampouco para erguer a uns em detrimento da subjugação de outros, e arruinar as suas esperanças e anseios. O Islam foi trazido para emancipar a todos da adoração ao que tiraniza para a adoração ao Deus libertador. Assim, o discurso islâmico se dirige para toda a humanidade, sem ser produto de uma cultura ou dirigido para esta ou aquela cultura. O início desta mensagem entre os árabes, é justamente por ser Deus o justo e cuidar primeiro dos que mais então a necessitavam.

A chave para adentrar a natureza humana usada pelo e que foi tentado por outros sem êxito não está em combater alguns males sociais e defeitos pessoais A chave está em crer em Deus único e recusar-se a aceitar a tirania que acompanha qualquer outro tipo de sujeição. Disse o profeta Muhammad ( a paz de Deus esteja sobe ele): "Ó gentes, digam não há divindade senão Deus. Terão êxito e os conclamou a crer nesta mensagem e no Dia do juízo final".

A comunidade não adotante do Islam está longe de compreender os objetivos deste. Tal afirmação   é tão verdadeira de forma que essa não admite contestação de seus costumes herdados, ao mesmo tempo que maldiz o Islam. E se este assim o é, é justamente porque o Islam atingiu a ferida exposta.

A mais estranha das revoluções, foi aquela que o profeta e mensageiro de Deus, Muhammad, causou nas pessoas que abraçaram a mensagem e o método por ele trazidos. Revolução esta estranha em tudo, tanto no passado como no presente. Estranha na velocidade com que foi adotada pessoal e coletivamente. Estranha, para todo o sempre, na sua abrangência e na vastidão da sua abordagem. Estranha na sua clareza e proximidade de compreensão. Nada no Islam é enigmático e tudo se faz acompanhar de comprovação. Não é à toa que Deus denominou as frases contidas no Seu livro revelado ( o Alcorão) de eyiét, ou seja provas.

Vejamos o quanto isto mudou na sociedade humana e haverá de continuar mudando.

As pessoas, quaisquer que elas sejam, transportaram-se (e transportam-se quando o adotam)da religiosidade, apenas superficial, a qual em nada influencia no caráter destas e na qual o criador se aposentou após ter criado o mundo (descansou no sétimo dia e continua descansando). E já que Deus descansou, e a realidade exige das pessoas que se empenhem, estas tomaram as rédeas do que dizem que foi deixado, e assumiram a divindade (uma vez que permitiram e permitem que sejam adoradas e idolatradas); assumiram a governância do mundo, no qual, segundo diziam e dizem, o seu feitor deixou de fazer qualquer coisa. E já que do mundo cuidam os humanos que os ditos, as determinações e as leis destes nele vigorem.

Quando estas mesmas pessoas, seja no passado, no presente ou no futuro, passam a ter ciência de Deus, e nada melhor do que Ele mesmo para nos bem inteirar de Si (através do Alcorão e da mensagem do profeta e Mensageiro de Deus Muhammad, a paz e a benção d'Ele estejam sobre o Seu mensageiro), e que este é o Criador e mantenedor de Sua criação, e de que Ele nos cobra e cobrará pelo que é d'Ele, e do qual devemos cuidar e muito bem, e que somos e seremos recompensados, não há dúvida de que o nosso caráter tem que mudar por pura coerência no que se diz crer.

Nada de mirabolante quando se crê que Deus é o mantenedor, e que Ele é o Senhor da Terra e nós os vice-gerentes. Quando isto passa a ser visceral, adúvida no que está escrito no Alcorão passa a ser uma certeza, a indecisão quanto ao rumo de nossas vidas passa a ser plenamente bem orientada, o medo da iniciativa é substituído pela coragem e firmeza nas execuções. E a psicologia estruturalista, funcionalista, behaviorista, gestaltista, psicanalista , existencialista, humanista, cognitivistas no que a mesma se auto classificou na primeira metade deste século, ou psicologia social, de desenvolvimento, psicologia do anormal, psicoterapeuta, de aconselhamento, ocupacional, psicométricos, de mídia, da mulher e assim por diante no que se auto classifica atualmente, fica sem ter o que explicar e como explicar.

O conhecimento dado aos crentes nesta revelação da existência de Deus e de Seus atributos e atos, mostra como erguer a si e a própria conduta, em pondo de lado qualquer discussão metafísica. Permitir-se navegar neste rumo, por iniciativa própria, é como navegar sem dispor de cartas de navegação. O resultado de tais esforços pode vir a ser, na melhor das hipóteses, uma quantidades de anotações imprecisas e indícios incompletos colhidos aqui e acolá

O conceito islâmico de Deus criador, mantenedor e supridor de toda a criação fez (e é o único que faz) ruir por terra todas as barreiras de sangue, cor, geografia, entre um ser humano e outro, fundindo a humanidade nos mantidos por (al khalku íyélu Allah). Disse o profeta Muhammad, a paz e a benção de Deus esteja sobre ele. Disse ele também: " Ó gentes, Deus vos livrou da nódoa da jéhilíat (ignorância) e do orgulho do nascimento. Só existem dois tipos de humanos; aqueles que são justos e tementes a Deus, e aqueles que são malvados e pecadores e mal vistos aos olhos de Deus

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