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Khutbah


 

Khutbah Jummuat, proferida em 10.03.00, no "masjid" do Rio de Janeiro

Dr. Kemel Ayoubi

A compreensão dos atributos de Allóh e de como isto reforça o muslim

Bem, antes de mais nada, é necessário dizer que os nomes e atributos de Allóh são ilimitados.  É necessário, igualmente, dizer que fomos informados a respeito pelo Islam é no querer de Allóh do necessário para uma correta crença e para o exercício de uma adoração correta de Allóh. Digo isto pautado na hadith em que Abu Huraira relata do profeta (a paz de Allóh esteja sobre ele): "Allóh tem 99 nomes - 100 menos um - não há quem o decore (hafaza) que não entra no paraíso e Ele é ímpar e gosta da imparidade". Razão pela qual muitos acharíam que os atributos e nomes são só 99. Outros achariam que de cor significa decorar, se bem que o intuito é hafaza, no sentido de preservar, dar o justo e contínuo cuidado.

Quando o crente muslim firma dentro de si os significados dos atributos de Allóh, passa a modificar o seu comportamento, em conformidade com os mesmos. Os nomes e atributos de Allóh desenvolvem e reforçam o sentimento de responsabilidade. Assim, ao estar o crente muslim frente a atributos denotativos do poder e força de Allóh, pressente em si a altivez do Altíssimo e o Seu merecimento de obediência e respeito. Quando tem em mente os nomes e atributos denotativos da ciência e observância dos atos públicos e privados das criaturas, expressos ou íntimos, isto reforça a auto-observância e a maior cobrança de nossos atos. Quando rememoramos os nomes e os atributos da clemência , do perdão e do carinho para com a criação, enchemos-nos de esperanças e vontade de continuar a caminhada. Quando estamos frente aos atributos e nomes denotativos da cobrança de Allóh e de Sua justiça, lembramo-nos, também, do nosso dia-a-dia e do do Dia do Julgamento e aumentamos, ainda mais, a performance de nossos atos, e corremos para a feitura das boas ações.

Por outro lado, se o crente muslim dispuser cada nome e atributo um a um, e o hafaza (observá-lo) revigorará em si os significados de cada obrigação a ser por ele feita, a exemplo    de quando está de frente com o monoteísmo, que é do ser Allóh, o único que cuida da criação. Assim, frente a responsabilidade de Allóh por Ele auto-assumida, percebemos a nossa responsabilidade frente ao criador. Responsabilidade nossa tamanha e daí delimitante do direcionamento de nossas vidas nesta existência. Do monoteísmo da origem da responsabilização e que esta origem advém tão somente de Allóh, fundamentamos o querer de Allóh com as nossas existências. Do monoteísmo da incidência da obrigação, entende-se o porque de ninguém poder fugir à responsabilidade, e isto está em conformidade com o monoteísmo da origem de responsabilizar e de cobrar a execução dos atos, conforme o prescrito tão somente pela XARIA. Aqui, torna-se necessário enfatizar que a obediência ao profeta e mensageiro de Allóh, Muhammad (a paz esteja sobre ele), é decorrente do monoteísmo da origem da responsabilização de quando Allóh ordena a obediência ao Seu profeta e mensageiro. Assim, a obediência a outro que não Allóh é dependente do consentimento de Allóh, contido em um dalil da xaria (prova dada pela lei islâmica).

II

 

Quando o crente muslim tem em mente a ciência de Allóh, e que frente à Sua ciência tudo é não distinto, aumenta a observância de si mesmo, na intenção, na atuação e na finalidade dos seus atos. Diz Allóh, na surata da vaca, nº 235, " e saibam que Allóh sabe o que há em vocês, portanto tenho cuidado com Ele .... ) e, em outro local do Alcorão, esta ciência é vinculada ao perdão. ".... E se mostrais o que há dentro de vós ou o encobrires, sereis contabilizados por Ele, por Allóh e então Ele perdoa quem quer e pune a quem quer e Allóh pode tudo"  (2: 284). Assim, a observação a si, frente a Allóh, é uma adoração decorrente dos atributos de Raquib  (o obsevante), al Alim (o Ciente), as Sami-a ( o que tudo ouve), al Bacir (o que tudo vê). O Alcorão veicula a relação existente entre a correta e forte crença na ciência de Allóh e o afastamento das más ações em várias passagens.

A justiça, cuja certeza de seu exercício por Allóh, confere ao crente muslim a sensação de tranquilidade e a certeza de que o prescrito por Allóh é o concordante maior com a realidade humana, ontem, hoje e sempre. Se surgir a certeza disto no íntimo de cada qual, empenharar-se-á o crente muslim na prática das obediências, nas obrigações, sem reclamar ou desanimar, no exercício das mesmas, ciente da recepção, por justa causa, do mérito de cada qual. O inteirar-se da justiça de Allóh, redireciona o medo de fazer os atos, passando o crente a exercer a justiça e exigir por ela, sem temer os resultados adversos de tal exercício seu. À justiça de Allóh, soma-se o Seu poder na aplicação da mesma e que nada ocorre em Sua criação senão com o Seu consentimento e que a Sua justiça é aplicavél, a despeito da aparente injustiça sofrida por muitos.

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